Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Barriga de aluguer

 

Imagem do DN

 

O assunto apareceu já a madrugada ia alta, tudo a propósito do filho do Cristiano Ronaldo, por aqueles dias falava-se de uma barriga de aluguer, coisa em que eu não acreditava.. também não interessa nada, porque rapidamente deixamos a pobre (rica) criancinha para trás e passamos a discutir o conceito.

 

Dizia a Manu que é contra e que não consegue entender como é que alguém possa fazer algo assim... que ninguém que não seja estéril o deveria fazer, que não é a forma normal de ter um filho, e muito menos se for um pai sozinho a encomendar o filho, dizia ela que um homem não deve ter um filho sozinho... tudo argumentos que para a maioria serão válidos.

 

O nome em Portugal é "maternidade de substituição". Curiosamente, por estes dias no Dias do avesso da antena 1, a Isabel Stilwell e o Eduardo Sá, discutiam o assunto desde outro ponto de vista, principalmente o Eduardo Sá que se colocava no papel da mãe que do seu ponto de vista, vende uma criança.

 

Há muitas formas de olhar para um assunto destes, basta ver um filme ou uma série americana para vermos como este é um conceito comum nos Estados Unidos, tão comum que por vezes é e presta-se a ser, um negócio. Por vezes fico com a ideia de que existem mulheres que fazem disto quase um modo de vida, dar vida a um ser para que uns pais possam de alguma forma ter um filho. Podemos olhar e ver um acto de altruismo, dar felicidade a quem muitas vezes desesperadamente quer o filho que a natureza lhe nega, ou como um acto de egoísmo, gerar dentro de si um ser vivo a troco de dinheiro, muitas vezes muito dinheiro, sem o menor sentimento maternal por esse ser.

 

Não tenho uma opinião formada, qual a diferença entre uma destas mães que aluga o seu útero e outra que simplesmente ficou grávida porque não se preocupou mais que com viver o momento, decidiu ter o filho e depois entrega o mesmo para adopção?... haverá diferença?

 

Qual a diferença entre pegar em dinheiro, muito dinheiro, e ir por exemplo adoptar à Rússia, pagando a mediadores e centros de acolhimento, ou pagar a alguém para que mais fácil e rapidamente se  tenha esse filho?. Afinal, para quem vai criar essa criança não há diferença nenhuma, se a criança vem de um centro de acolhimento onde foi abandonada ou de alguém a quem se pagou.. é um filho, ponto final.

 

Em Cabo Verde em conversa com um dos taxistas, este contava-me o caso de uma mãe que ia a tribunal entregar mais um dos seus filhos para adopção, era  o terceiro processo e a quem a juiza perguntou directamente se ela era barriga de aluguer. Certamente não era, era só mais uma das muitos milhares de mães com uma dezena ou mais de filhos que não conseguem criar.. e que sabe que na adopção garante pelo menos a vida da criança.

 

Sou homem, nunca conseguirei sentir o que é levar um filho dentro de mim, não consigo conceber que se possa sentir tal coisa e não sentir algo por esse ser.. no entanto, já conheci mais que uma mulher que depois dos filhos nascerem, tiveram muitas dificuldades em sentir carinho por eles.. acontece.

 

Uma coisa posso dizer, sou pai adoptivo, e acredito que para mim não faria a menor diferença se os meus filhos tivessem sido abandonados algures ou nascido porque alguém decidiu ser barriga de aluguer..  e imagino que isto será verdade para a maioria das pessoas que adoptam.  A adopção por desejo de ajudar as criancinhas não existe.

 

Barriga de aluguer, será  um acto de altruísmo por quem não consegue cumprir os seus sonhos?, Será um negócio em que alguém se aproveita da ansiedade e do desejo das pessoas que querem ser pais e não conseguem?

 

Jorge Soares

 

PS:Andava à procura de uma imagem para o post..e encontrei este artigo do DN sobre o que se passa em Portugal.. a ler

publicado às 22:28


21 comentários

Imagem de perfil

De Abigai a 27.10.2010 às 09:40

Olá Jorge,
Sinceramente, também não tenho opinião formada a este respeito. Acredito que para um casal que queira filhos e não os possa ter de forma natural, é indiferente ser com barriaga de aluguer ou adopção. Contudo, tenho alguma dificuldade em aceitar que uma mulher consiga gerar um filho e senti-lo desenvolver-se e crescer ao longo de 9 meses para depois entregá-lo a troco de dinheiro. Por outro lado, também me parece que haja aqui uma questão psicológica, é preciso estar realmente preparada para não "sentir" esse filho como seu. Até mesmo para os futuros pais, porque correm sempre o risco de a "mãe de substituição" desistir de entregar a criança. Acho que é uma problemática ou solução que só dirá respeito a quem a ela recorre e uma questão de consciência.
O teu link para o artigo não deve estar correcto, pesquisei e o link certo é: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1660531
Gostei do post!
Anabela
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 27.10.2010 às 22:27

Olá

Tocaste num ponto sensível... quem se sujeita a isto fá-lo preparado para o que lhe espera.. e isto é válido para quem leva a criança no ventre e para quem a vai receber.

Imagino que será muito mais difícil para aquelas mulheres que engravidam por acidente e decidem levar a gravidez até ao fim para depois deixar a criança no Hospital.. ou não, se calhar até é igual.

Obrigado pelo aviso.

Jorge
Sem imagem de perfil

De rena a 08.02.2012 às 15:06

eu nao estou de acordo porque o filho quando nascer como vai ficar
Sem imagem de perfil

De rena a 08.02.2012 às 15:08

eu nao estou de acordo porque o filho quando nascer como vai ficar

Comentar post



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D