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Apadrinhamento civil e adopção

por Jorge Soares, em 11.11.10

Apadrinhamento e adopção

 

O apadrinhamento civil nasceu há um ano atrás, ante a impossibilidade de fazer a justiça, a segurança social e o acolhimento funcionar a uma só voz e em prol dos benefícios das crianças, o Estado decidiu tirar um coelho da cartola, uma solução que fica a meio entre o acolhimento familiar e a adopção, que não é nem carne nem peixe e que supostamente deveria funcionar como a solução milagrosa para esvaziar os centros de acolhimento.

 

Vamos lá esclarecer umas coisas, em primeiro lugar e ao contrario daquilo que podemos ler na comunicação social, isto não é adopção, adoptar é ter um filho, nosso..e só nosso, um filho que leva os nossos apelidos, que é criado por nós segundo os nossos princípios,  as nossas ideias, as nossas crenças. Apadrinhar não é isso, nem tem nada  a ver com isso. Acreditem em mim, quem adopta é egoísta e não quer partilhar os seus filhos com ninguém, muito menos com famílias biológicas. Conheço muita gente que já adoptou ou que quer adoptar, até hoje, não encontrei uma única dessas pessoas que estivesse disposta a apadrinhar uma criança nestas condições.

 

Depois há muitas coisas por explicar, é suposto ser uma medida definitiva, a criança é entregue a alguém que passa a ser a nova família, mas o que acontece se um dia a família biológica decidir que quer o seu filho de volta?, como se vai gerir o conflito?, o que acontece se simplesmente a nova família decide ir viver para outra cidade, ou para outro país, não pode?, como se garante o acesso da família biológica à criança? colocam um processo em tribunal a exigir que o filho fique?.. mais processos em tribunal? Há muitas perguntas sem resposta, além disso devemos recordar que estamos a falar de crianças que foram retiradas muitas vezes à força a famílias disfuncionais... não precisamente de pessoas normais e cumpridoras da lei..se o fossem as crianças não estariam entregues ao estado.

 

Curiosamente esta semana o apadrinhamento foi noticia em toda a comunicação social, será que o foi porque alguém se fez estas perguntas?, algum jornalista leu a lei e decidiu questionar sobre tudo isto? Claro que não, foi noticia porque alguém se lembrou de que a lei não diz explicitamente que os casais de pessoas do mesmo sexo não podem apadrinhar. E claro, apareceram logo os arautos da defesa da moral e dos bons costumes a iniciar uma nova cruzada em favor das pobres crianças que vão ser obrigadas a levar com dois pais ou duas mães... É o país que temos, com tantos buracos na lei.. eles só viram o mais pequeno de todos. Raio de gente.

 

No meio de tudo isto achei engraçado que há quem pense que isto só funcionaria se o estado pagasse o serviço aos padrinhos... então e porque não pagar a quem adopta?... e a todos os pais? ou ser padrinho é mais difícil que ser pai?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:46


11 comentários

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De Sara a 12.11.2010 às 09:11

Olá Jorge,
Desculpa a ausência de comentários nos últimos tempos... mas ja´que hoje por aqui passei, nao quero deixar de aproveitar para comentar o teu post mais recente. Interessante texto como de costume, uma frase a destacar:
"No meio de tudo isto achei engraçado que há quem pense que isto só funcionaria se o estado pagasse o serviço aos padrinhos... então e porque não pagar a quem adopta?... e a todos os pais? ou ser padrinho é mais difícil que ser pai?"

Poes o dedo na ferida, pois abordas um tema que para muitos é extremamente delicado, ou seja, o financeiro! Mas sejamos sinceros, pelo menos nós aqueles que gostamos de criancas e de ser Mae/Pai/Tia/Tio ou que seja, pelas criancas em si e nao pelo simples hipótese de rendimento que elas possam ser!!

Ser Pais bilológicos ou adoptivos, Padrinhos civis ou Padrinhos mesmo, uma pessoa deve ser isso pelo AMOR que tem a uma crianca!! E NAO pelo factor monetário!! Se o governo comecar a pagar... vais ver a quantidade de "Pais" que quererao ser "Pais ou Padrinhos" nao pelas criancas, mas sim pelos simples facto de assim terem mais rendimentos ao fim do mês... Uma crianca deve ser AMADA e RESPEITADA!! Mesmo que numa família pobre e sem grandes meios financeiros, o grande valor ou riqueza é ou deve ser o AMOR entre pais e filhos, ou os elementos da família!

Beijinhos e bom fim-de-semana,
Sara

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De Jorge Soares a 14.11.2010 às 22:32

Olá Sara

Imagino que percebeste que eu estava a ser irónico, é evidente que qualquer solução que só funciona porque há dinheiro de por meio é uma má solução..

Quem quer acolher, apadrinhar ou adoptar uma criança, terá motivações diferentes em cada um dos casos, mas em primeiro lugar deverá estar o amor, independentemente de qual seja a motivação subjacente.

Beijinho e boa semana
Jorge
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De Leamar a 12.11.2010 às 09:28

E que tal pagarem-me o abono de família que me pertencia!!! A partir deste mês...népia! Faço parte do escalão 4 e como "sou rica" aos olhos do estado passo a receber a módica quantia de 0,00 €...
Não há por aí ninguém que me queira apadrinhar???

Agora a notícia: realmente com tanto buraco nessa lei...foram buscar a ninharia do costume!!! Ser homosexual não é de todo uma opção pessoal??? Não nasceram eles no seio de famílias ditas normais??? Não serão cidadãos como os outros?? Se não...é porque há discriminação social. Mas ainda há alguma dúvida que existe discriminação?? Claro que não!! Os próprios jornalistas fazem questão de reforçar a ideia! Cambada...
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De Jorge Soares a 14.11.2010 às 22:58

Vivemos num país mesmo triste.. na sexta estive reunido com um grupo de pessoas ligadas ao mundo das acrianças institucionalizadas, desde os centros de acolhimento até às equipas de adopção, passando pelas comissões de protecção de menores.. ninguém, mesmo ninguém acredita que isto tenha pés para andar... mas a comunicação social preocupa-se com ninharias.

Beijinho
Jorge
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De Oficinas RANHA a 13.11.2010 às 11:09

O apadrinhamento cicvil é realmente uma forma de tapar o Sol com a peneira. A criança não sabe a quem se vincular porque os pais e os padrinhos vêem a educação de forma diferente...
Ana Cristina
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De Jorge Soares a 14.11.2010 às 23:26

Olá

Pois, esse é outro problema, como lida a criança com isto?

Padrinhos e pais podem ter visões diferentes do mundo.. da educação, do amor... não é fácil

Jorge
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De Maria Marques a 23.08.2011 às 12:34

Boa tarde Jorge.
Estive a ler muito do que escreve, gostei do que li, com muita pena minha já tentei entrar com um processo de adopção mas perdi a vontade e os sonhos. Eu tenho 1 casal de filhos já sou avó. Mas meu marido é mais novo que eu 24 anos, e queria muito adoptar uma criança, so que como ja tenho 50 anos disseram que o limite era 4 anos de vida em comum e menos de 50. Hoje li que o limite é os 60 anos fiquei sem saber se devo manter a esperança ou não, sei e tenho consciencia que pertenço a um grupo em que não sou rica e talvez por isso me retirem a possobilidade de tentar de novo, mas o apadrinhamento civil se for viavel é uma opção. Aguardo noticias se for possivel no meu mail. Obrigado
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De Jorge Soares a 23.08.2011 às 14:06

Boa tarde

Não me deixou o seu endereço de mail, pelo que vou responder aqui.

A lei diz efectivamente que o limite de idade é os 60 anos, sendo que não deve haver uma diferença de idade superior a 50 anos entre adoptante e adoptado, pelo que teria sempre que adoptar uma criança com idade superior a 10 anos... quanto à questão económica, não deve ser impedimento, desde que existam os rendimentos mínimos para manter a a família, não é necessário ser rico para se poder adoptar.

Quanto à opção do apadrinhamento civil, não conheço o suficiente sobre o assunto para a poder esclarecer, nem sei se efectivamente está a ser utilizada ou não... julgo que deveria dirigir-se à segurança social da sua área para esclarecer.

Jorge Soares





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De Isabel a 06.10.2011 às 15:16

Boa tarde, gostava de lhe perguntar se sabe como se pode adoptar uma criança de dez anos que está numa instituição. Não faço a mínima ideia dos procedimentos e como sei que as pessoas que trabalham nesses serviços não são propriamente simpáticas recorri a si. Obrigada.
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De Jorge Soares a 06.10.2011 às 15:41

Isabel

Em primeiro lugar tem que averiguar se a criança está para adopção, a grande maioria das crianças que estão nas instituições não tem como projecto de vida a adopção.

Em segundo lugar, tem que garantir que não entre os candidatos à adopção a nivel nacional que aceitem essa criança.

Em terceiro lugar, tem que ser candidata à adopção aprovada pela segurança social. Normalmente se a criança está para a adopção e não há candidatos, a segurança social costuma aprovar rápidamente.... mas isso depende de muitas coisas, do distrito, da instituição, etc.

O primeiro que tem a fazer é perguntar se a criança está para adopção, se está, pergunte na instituição porque ainda não foi adoptada. De seguida, deve dirigir-se à segurança social do seu distrito e dizer que sabe que a criança está na instituição, que não há candidatos para ela e que a quer adoptar. A partir de aí as coisas devem desenrolar-se rápidamente ... mas prepare-se, porque há instituições que são contra a adopção.. e há distritos onde as técnicas da segurança social não gostam muito deste tipo de abrodagens... e pode dar-se o caso que encontrem de imediato outros candidatos para a criança que até aqui não tinha.

Jorge
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De Jorge Soares a 06.10.2011 às 15:44

Peço desculpa, o segundo parágrafo deveria ser:

Em segundo lugar, tem que garantir que não há a nivel nacional entre os candidatos à adopção quem aceite essa criança.


Jorge Soares

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