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as crianças e a institucionalização

 

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A maior parte de nós acha que escrever num blog é deitar palavras ao vento, que escrevemos para nós, que ninguém se interessa por aquilo que dizemos, eu há muito que percebi que isso não é verdade e tomei consciência que aquilo que aqui digo é lido por muita gente. Todos os dias há mais de 400 pessoas que por aqui passam, imagino que a maioria o fará com indiferença, vem ao engano trazido pelo google, entra mudo e sai calado, sem deixar marcas da sua passagem, mas entre todos esses há sempre alguém que encontra o que procurava e que o leva consigo.

 

O ter essa noção faz com que eu tenha algum cuidado com o que digo e como o digo, não sou dono da verdade e nem tenho pretensão de o ser. Na terça eu demorei imenso a pegar na escrita, cheguei inclusivamente a desistir e a pegar noutro assunto, mas voltei ao inicio, eu tinha que falar daquilo. Tentei que o post se cingisse áquele caso, à noticia, sem generalizar e tocando apenas nos pontos que me pareciam importantes e mais relevantes, porque sei que este é um tema muito controverso. Sem ir mais longe, na passada Sexta Feira estive em Braga reunido com uma série de pessoas  para discutir o assunto, em que falámos de casos, tentamos perceber como retirar ideias para que os processos sejam mais simples, mais claros, mais rápidos e com menos sofrimento para as crianças. Mesmo com todos os cuidados do mundo, há sempre quem não queira ver o mundo mais além do que conhece ou já viu..e foi isso que aconteceu nos comentários.

 

Há algo que gostaria de deixar esclarecido, até porque há mentiras que de tanto serem repetidas correm o risco de se tornarem verdade, ser pobre não é doença nenhuma, há muitíssima gente neste país que é pobre e de uma honestidade e nobreza a toda prova. Muitíssima gente que é pobre e cuida dos seus filhos com muito mais carinho e dedicação que a maioria dos abastados, ser pobre não é delito nem é evidentemente motivo para se retirar uma criança a ninguém. A mim irrita-me solenemente quando as pessoas gritam a todo pulmão que lhes estão a retirar os filhos porque são pobres... utilizar a pobreza como arma de arremesso é para além de triste, uma injustiça para quem é pobre e vive feliz apesar disso.

 

Como diz a Cristina no seu comentário a disfuncionalidade das familias surge muito frequentemente associada a situações de pobreza, estando a duas situações interligadas. Por esta razão a maioria das crianças em risco ou institucionalizadas virá, julgo eu (não tenho dados para o afirmar), de agregados familiares mais pobres.

 

Infelizmente em Portugal temos uma enorme tendência para generalizar, confundimos muito facilmente a árvore com a floresta e achamos que porque já vimos um caso, já vimos todos... nada mais longe da verdade. Existem em Portugal mais de 10000 crianças em acolhimento, cada uma delas terá a sua história e cada uma delas é diferente de todas as outras. Entre todas estas haverá algumas injustiças?.. é claro que sim,.. mas é precisamente contra estas injustiças que eu e outras pessoas tentamos lutar... e não é deitando casos cá para fora como se fossem verdades absolutas que se resolve nada.. estamos a falar da vida de muitas crianças, eu sou o primeiro a dizer que há muitas coisas erradas no sistema, se não fosse assim não existiriam 10000 crianças em instituições, estariam todas com alguém que lhes desse amor e protegesse.. mas é o sistema que temos e o que há a fazer é lutar para que seja melhor.

 

Para terminar..e para vermos como casos há muitos, deixo este e este e este .

 

Jorge Soares

publicado às 21:47


13 comentários

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De carla Silva a 19.11.2010 às 08:58

Olá Jorge...Bom dia..
Sei que sp que cá venho, e mesmo não deixando qualquer comentário, os temas abordados são interessantes....
O que fazes, profissionamente?
Boa continuação e bom fds
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De Jorge Soares a 19.11.2010 às 19:07

Olá Carla, imagino que a pergunta tem a ver com o facto de eu dizer que estive em Braga a falar disto... não, a minha vida profissional não tem nada a ver com protecção de crianças. Eu sou informático e trabalho numa empresa Química.

Estive em Braga porque no âmbito da Missão criança. organizamos workshops onde se discute estas questões com o objectivo de apresentarmos propostas de alterações a leis e procedimentos no interesse das crianças institucionalizadas.

Bom fim de semana
Jorge
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De aespumadosdias a 19.11.2010 às 09:38

Há muita gente com dinheiro que não liga nenhuma aos filhos. Mas a esses a Segurança Social não faz nada. Para esquecerem ou chamarem a atenção chegam à adolescência e entram no mundo da droga, aos fins de semana apanham grandes bebedeiras, etc, etc...
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De Anónimo a 26.11.2010 às 23:50

Que eu tenha conhecimento, quer a Segurança Social, quer as Comissões de Protecção de Menores não os distingem pela classe social ou pelo poder económico das famílias. Se ambos os serviços tiverem conhecimento que esses menores se encontram em situação de perigo ou que são vítimas de negligência parental, são accionados os mecanismos legais para os proteger. No entanto, é necessário que esses casos sejam denunciados e não fazer o que muita gente faz - enfiar a cabeça na areia e depois culpar estas Instituições de nada fazerem.
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De São a 27.11.2010 às 11:56

Então e os casos de que já falei, de pessoas que têm empregados com fartura e os filhos estão totalmente entregues à empregada da casa??? Não se pode dizer que estejam negligenciados, pois estão entregues a pessoas de confiança... Mas que pais são estes? Estarão estas crianças cientes do que significa ser pai e ser mãe?
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De Oficinas RANHA a 19.11.2010 às 13:59

Acho que ninguém sabe muito bem o que dizer acerca do numero de crianças institucionalizadas. Cada uma delas tem a sua história, cada uma é uma criança cujo tempo vai passando entre processos burocraticos e demasiado morosos para quem todos os dias são importantes no seu desenvolvimento.
Não vale a pena generalizarmos, assim como cinjirmos tudo a um caso que não conhecemos também será incorrecto.
Certo é que a vida para estas crianças está a ser muito injusta e o Estado não está a contribuir quando permite que estas crianças estejam num limbo de indecisões burocraticas...
Muito bom post, Jorge

Ana Cristina
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De São a 23.11.2010 às 19:08

São opiniões e valem o que valem, como isso mesmo que são: opiniões. As pessoas têm o direito a elas e eu também tenho direito à minha. Obviamente que são os pobres que sofrem mais com estas e com todas as injustiças. Em primeiro lugar, sem querer entrar por outros pormenores, porque quem é rico tem dinheiro suficiente para pagar a um bom advogado, coisa que o pobre não tem. Logo por aí se vê. Os advogados oficiosos pouco fazem e, mesmo quando querem fazer, normalmente são inexperientes e não têm "arcaboiço" suficiente para enfrentar certas situações. Logo por aí se vê. Obviamente que há muitas crianças em risco com as famílias. O pior é que, regra geral, esses não são retirados. Isto que a população de Verdelhos fez é o que os ciganos sempre fizeram. conhecem ciganos institucionalizados? Se os há, muito pouco devem ser... e no entanto, andam sujos, andam a pedir... uma vez falei sobre isto com uma assistente social e ela nem sequer o negou e ainda justificou: "Mas na etnia cigana é diferente, porque é mesmo essa a maneira de viver deles. Têm modos de vida próprios da sua etnia" Boa! Vivem em Portugal com regras diferentes! Enfim...
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De Anónimo a 26.11.2010 às 23:20

Temos culturas diferentes, isso sim. Conheço casais de outras culturas que se recusam a vacinar os filhos e pelos vistos ninguém os pode obrigar a tal. Outros casais não aceitam que os filhos sejam sujeitos no hospital a transfusões de sangue. Agora diga-me, nesses casos o que fazer? As crianças ciganas poderão andar sujas, com ranhoca no nariz, mas não são espancadas e raríssimos são os casos em que são vítimas de abuso sexual por parte dos familiares ou de elementos da comunidade.
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De São a 27.11.2010 às 12:13

Isso até me dá uns nervos que nem queira saber, Jorge! em realção à etnia cigana, sim é verdade, que não se ouve falar maus tratos, muito menos de abusos sexuais. Nisso, admiro muito os ciganos. Eles tratam bem as crianças. Mas o que é certo que se houver um casal, não de etnia cigana que também trate bem os filhos, mas que eles andem sujos, é logo sinalizado. Chegam a retirar filhos por causas das condições da casa, chegam a tirar filhos porque o pai é uma pessoa um pouco conflituosa no trabalho (atenção, nunca fez mal nenhum ao filho, só é conflituoso com os colegas... e tiram-lhe o filho).

Agora, o que me faz mais confusão são esses pais que não vacinam os filhos nme deixam que os filhos levem tranfusões de sangue! Irrita-me! Porque é que o Estado aí já não intrevém? Deve ser porque são pais ricos. Porque o nosso país tem leis, que devem ser cumpridas! O Plano nacional de Vacinação é obrigatório! Não cumpri-lo é fugir à Lei! Esses pais não sabem se os filhos um dia vão apoiar isso ou não! aqui temos um caso em que os pais fazem o que querem e não são punidos! no caso das transfusões de sangue é a mesma coisa. A cultura mais conhecida onde isso acontece é na Religião das Testemunhas de Jeová e isso mete-me nojo! Então aí, o Estado já não faz nada??? Então aí, os pais já podem fazer o que querem e não cumprir leis, que nem sequer sabem se os filhos vão querer cumprir em adultos. Tenho uma amiga que a mãe e a irmã sempre foram Testemunhas de Jeová, o pai nunca foi e nem ela nem o irmão são. A mãe ainda tentou levá-los em pequeninos, mas eles nunca gostaram. EM PORTUGAL, AS PESSOAS LEVAM TRANSFUSÕES DE SANGUE. Um adulto tem o direito de recusá-las, mas não devia de ter o direito de as recusar para um filho, que ele nem sabe se seguirá as suas pisadas. Se o Jorge (oxalá que não aconteça, mas é um exemplo) chegar insconsciente a um hospital , depois de um acidente, e não tiver consigo nenhum documento nem conste do sistema de dados que não quer levar transnfusões de sangue (tendo em conta que é adulto), se os médicos acharem que leva, o Jorge leva. Porque, pela Leis da Medicina, em Portugal, as pessoas levam sangue! Nesse caso, recusá-las para um filho pequeno que não se sabe se seguirá a nossa religião ou não, é fugir à Lei e os pais nem deviam ter sequer o direito de fazê-lo! O Estado é tão soberano para umas coisas, "protege" tanto as crianças numas coisas e não protege para outras??? Acho isso, uma ilegalidade que os pais cometem... e o Estado deixa!
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De São a 23.11.2010 às 19:23

É para casos como esse último que deviam de servir a nova figura (que não sei se chegou a entrar em vigor) dos padrinhos civis. Pessoas que cuidam da criança a título permanente, mas sem a adoptarem, o que significa que a criança nunca perderá o contacto com a família biológica. Pelo que percebi, esse menino gosta do pai. O pai é alcoólico, mas parece gostar do filho e visita-o. É simplesmente demasiado fraco para deixar o vício. Nesse caso, em vez de permanecer na instituição, esse menino devia viver com uma família, em ambiente familiar, mas também não acharia justo que perdesse o contacto com o pai, pois o alcoolismo é uma doençe e, embora haja muita gente que se consegue livrar dela, também é verdade que nem todas as pessoas tÊm as mesma força.
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De Anónimo a 26.11.2010 às 23:37

Pois claro, o pai é alcoólico e a criança não vai para adopção porque o pai não tem culpa de ser uma pessoa doente e de não conseguir deixar de beber. Vai daí, a criança vai viver com os padrinhos (civis), o paizinho visita o filho ou alcoolizado ou em estado ressaca. Mas afinal qual é o projecto de vida para esta criança?
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De São a 27.11.2010 às 11:49

O projecto de vida para essa criança é o que os padrinhos traçarem para ela. Não é por terem um pai alcoólico que deixam de ter uma vida feliz, pois nem sequer estão aos cuidados dele. Então quer dizer, uma criança que tenha um tio alcoólico, de quem tem uma ideia boa, pois até é um tio que canta e diz anedotas, também devem ser afastadas para sempre desse tio? Uma coisa era estar aos cuidados do pai, que não pode, outra coisa também seria se o pai maltratasse a criança, mas, ao que me parece, não é o caso, quem me parece que maltrata será uma "tia má" com quem o pai vive, não sei se uma madrasta ou se mesmo uma tia, irmã do pai. Ao fim e ao cabo, na prática, a criança tem uma nova família, tal como se fosse adoptada. Ao fim e ao cabo, a nível de carinho e conforto, terá o mesmo. A diferença é que não perde os laços com a família biológica. Uma vez também vi uma reportagem na TV de um homem de cerca de 70 anos que se meteu com uma mulher ainda jovem (para engravidar, seria porque o era, mas não falava na idade dela) e quando teve deixou-o com ele e desapareceu. Tinha o senhor já 73 anos quando deu a reportagem e o menino cerca de 2. O velhote adorava o filho e dizia que fazia tudo por ele. Era pobre, pois ele dizia que comprava comida do melhor que podia para o menino dele e que ele comia qualquer coisa, até um bocado de pão com toucinho lhe servia, mas que para o menino tinha que haver "do bom e do melhor" (foram as palavras do senhor). O senhor mostrava amar imenso o filho, os vizinhos ajudavam como podiam, mas estava claro que, sendo a criança ainda tão pequena e o pai já com 73 anos, possivelmente, não conseguiria durante muito tempo levar aquilo em diante... Quer dizer, o senhor parecia que tinha saúde, há pessoas octogenárias e mesmo nonogenárias que estão perfeitamente bem (olhem o nosso Manuel de Oliveira :) ), mas são uma minoria. No máximo estão bem para fazer a sua vida, ir sentar-se no café, dar umas voltas pela praça, jogar dominó com os amigos, mas não para cuidar diariamente de uma criança e tÊ-la a seu cargo. Não é a mesma coisa que a mãe ir à compras ou ter que trabalhar ao Sábado, quando a Cresce está fechada e ter que deixar o filho com o avô, que até para a idade, ainda está bem. Ali o senhor, de 73 anos, era pai e mãe do filho, de dois. Não se falou de outra família. Não sei se o senhor teria mais filhos, que o pudessem ajudar... Não foi falado... Agora, reparem, mesmo com as vizinhas a ajudar, as vizinhas também tinham a vida delas, quando o rapaz tivesse 20 anos, o pai, se estivesse vivo andaria com mais de 90. Ora, estava visto que tinha que haver ali uma solução. Mas seria justo privar para sempre aquele homem do contacto com o filho, que mostrava adorar??? eu acho que não! e eu digo para sempre, porque , sendo certo que aos 18 anos, um jovem, pode, se quiser, procurar a sua família biológica, seria pouco provável que o pai ainda estivesse vivo, por essa altura e, mesmo assim, seria uma crueldade para os dois. Cá está: uma situação em que eu defenderia que a criança ficasse com uma família, mas nunca perdesse o contacto com o pai, que mostrava adorá-lo. E todas as vizinhas diziam que o senhor era um pai encantado com o filho. Pelas imagens, tudo mostrava isso. Fosse o senhor mais novo e eu nem poria em causa de ele teria capacidades para criar o filho (há homens viúvos que criam os filhos sozinhos)... Mas tinha 73 anos e o menino apenas 2... Se na altura estava bem de saúde e com todas as capacidades, dificilmente estaria dentro de 10 anos, quando o filho tivesse 12. Mas seria justo aquele pai nunca mais saber do filho? Eu acho que não. E isto é só um caso. Por isso, acho que em certos casos, os padrinhos civis serão preferíveis à adopção. outro caso, hipotético seria uma mãe solteira e sem família que ficasse tetraplégica, mas mentalmente sã... não poderia cuidar de um filho, mas seria justo perder o contacto com ele? Cada caso é um caso.
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De São a 27.11.2010 às 11:52

Ah, em relação ao caso em questão. Podiam impedir o pai de visitar o filho quando estivesse alcoolizado. Sei de casos de visitas até em isntituições em que os familiares falam primeiro com alguém responsável, antes de ver a criança que vai visitar. O pai não estará sempre alcoolizado ou em estado de ressaca. Principalmente agora, em que o IDT tomou conta dos casos de alcoolismo, as pessoas têm alturas em que estão bem, depois têm é recaídas...

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