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Gritos mudos

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Hoje é o dia internacional para a erradicação da violência doméstica, hoje uma noticia "quatro em cada dez mulheres portuguesas com mais de 60 anos dizem ter sido vítimas de algum tipo de abuso nos últimos 12 meses por alguém que lhes é próximo", este ano e até agora, já morreram vitimas de violência de género 39 mulheres, mais de uma por semana,  de quantas ouvimos falar?, basta que alguém morra vitima de um assalto para  ouvirmos falar do assunto durante semanas, porque não ouvimos falar destas mulheres que morrem às mãos das pessoas com quem decidiram partilhar a sua vida? porque é que a nossa sociedade que discute atá à exaustão temas como o do casamento homossexual, simplesmente decide olhar para o lado nestes casos?

 

O Crime de violência doméstica é considerado um crime público, qualquer pessoa pode fazer a denuncia quando suspeita  da existência de violência familiar, não olhe para o lado, não espere que seja tarde, denuncie!!!!!!!

 

 

Gritos mudos

 

 

Neons vazios num excesso de consumo

Derramam cores pelas pedras do passeio

A cidade passa por nós adormecida

Esgotam-se as drogas p'ra sarar a grande ferida

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E o coração aperta-se e o estômago sobe à boca

Aquecem-nos os ouvidos com uma canção rouca

E o perigo é grande e a tensão enorme

Afinam-se os nervos até que tudo acorde

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E a noite avança, e esgotam-se as forças

Secam como o vinho que enchia as taças

E pára-se o carro num baldio qualquer

E juntam-se as bocas até morrer

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga com toda a razão

 

Xutos e pontapés

 

Jorge Soares

publicado às 21:15


5 comentários

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De Existe um Olhar a 25.11.2010 às 22:04

Um alerta oportuno, numa altura em que tal como dizes , muita desta violência passa ao lado da comunicação social e a sociedade em geral esquece-se ou ignora estes números assustadores que aqui nos revelaste.
Actos de violência contra as mulheres devem ser denunciados, embora eu ache que as vítimas por vezes por medo ou vergonha, não se queixam ás autoridades. Cabe-nos a nós cidadãos estar atentos e denunciar quando temos conhecimento destas acções abomináveis.

Bjs
Manu
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De stiletto a 25.11.2010 às 22:32

Ainda continua a ser um tema tabu, as mulheres têm vergonha de admitir que são vítimas deste tipo de violência e, para além disso, perdoam muitas vezes o agressor. Há sempre a esperança que a outra pessoa mude e as mulheres ainda "amam" aquele com que decidiram partilhar a vida. As aspas é porque, para mim, isso não é bem amor, não sei bem o que será mas não é amor e é muito puco, ou nenhum, amor próprio.
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De Rosinda a 26.11.2010 às 11:10

Infelizmente muitas dessas mulheres calam. Com vergonha ou com medo. E depois os vizinhos de forma ridícula ainda usam muito o velho ditado..
" Entre marido e mulher nimguém meta a colher"
Temos de meter a colher e as mãos, se for o caso!
Obrigada por mais uma vez falar de assuntos que não deveriam ser tabus.
Abraço
Rosinda
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De São a 27.11.2010 às 13:58

Eu costumo habitualmente ser do contra e, agora, em certa parte também o vou ser. Concordo com tudo o que foi dito, mas porquê que normalmente só se fala da violência contra as mulheres?? Também há homens vítimas de violência doméstica, acordem! Porque é que casa vez que alguém tem a coragem de falar disso, a resposta que obtém é sempre a mesma: "Ah, sim, claro, há casos, mas isso é uma minoria". Então por ser uma minoria tem que ser ignorada? Então que culpa tem um homem que é agredido de no espaço de tempo em que ele o foi agredido terem sido 50 mulheres? É justo que se dê mais atenção a essas 50 mulheres do que a ele? não acho. Pior: normalmente, o que ouço é que quando uma mulher é agredida pelo marido toda a gente tem consideração por ela, tem pena acha, uma situação chocante, etc... Por outro lado, se se ouve falar de um caso de um homem que foi agredido pela mulher, ainda são capazes de reagir assim: "Coitada, tal foi a afalição em que ela se viu para lhe bater! Se calhar, ameaçou-a, chamou-lhe nomes humilhou-a, a coitada perdeu a cabeça e bateu-lhe, pois então!"... Acho triste generalizarem as coisas assim. Então e no caso de ter sido uma mulher agredida, também não poderia ser porque chateou tanto a cabeça do marido que ele perdeu a cabeça? Claro, mesmo assim, não é justificável a violência. Então e se fôr ao contrário já é justificável, se fôr o homem a chatear a cabeça à mulher já é justificável a atitude dela? Não concordo. A violência, física ou psicológica é intolerável seja sobre mulheres seja sobre homens! e olhem que eu não tenho interesse nenhum em estar aqui a defender os homens. Eu sou mulher e , pelo menos que eu saiba, não tenho nenhum familiar ou amigo próximo que seja vítima de violência por parte da mulher. MAS HÁ! Então porque é que parece que só se fala das mulheres e quando se toca um pouco nos homens se diz, de passagem, "há mas é uma minoria", como quem diz, nem vale a pena estar a falar nisso. Vale sim, e nem devia ser posto à parte, todas as vítimas de violência, seja ela doméstica, no trabalho ou na socedade deviam ser "posta no mesmo saco" e tradadas com igual respeito. Por acaso e como disse, nem sou homem nme tenho nenhum familiar ou amigo próximo de que tenha conhecimento que seja vítima, mas, há um casal de vizinhos, hoje na casa dos 60 que há mais de 30 anos (eu tenho 42), desde que eu era criança que ouço dizer que ela lhe bate frequentemente. Sabem como sempre vi reagir os vizinhos? Riem! Chamam-lhe parvalhão, etc... Acho isso deplorável. Realmente, pelas aparências nota-se que ele é um senhor bondoso, muito respeitador, enquanto que ela já arranjou conflitos com metade da vizinhança e fala mal a toda a gente. No marido nunca a vi bater, é um facto. Mas os vizinhos que moram mais perto deles, uns garantem que já viram, outros, pelo menos já ouviram ele a gritar e ela a bater-lhe... E é comum ver o senhor com nódoas negras. Não têm filhos um do outro. Ela, pelo que sei, não tem e ele tem um filho, mais ou menos da minha idade da primeira mulher, de quem se separou quando o filho era pequeno, por ela ter problemas de alcolismo. O que é certo é que ela criou o filho, com o segundo marido e, se tem ou teve problemas de alcolismo, nunca pareceram afectart fosse o que fosse. Tenho conhecimento de que o filho já tentou chamar a madrasta à atenção e que ainda ouviu como resposta "Não te venhas para cá meter, senão ainda levas tu também, e pela medida grossa!"

Acho triste. Uma mulher que é vítima de violência por parte do marido é uma pessoa que merece ajuda, respeito e consideração, um homem que é vítima de violência por parte da mulher é um parvalhão e ainda é capaz de ouvir "Se ela lhe bateu foi porque ele lhe chateou a cabeça a tal ponto que ela, coitada, acabou por perder as estribeiras!". Não acho justo. É minoria? Nem que houvesse um caso único no mundo inteiro, mereceria ser tratado com o mesmo respeito com que são as mulheres. E, infelizmente, não é só um. Podem ser muito menos do que as mulheres, mas há... E são muito menos se falarmos em casos de violência física, porque se formos para a violência moral e psicológica, humilhações, injúrias, chantagens, então não sei se serão muito menos. Mas mesmo casos de agressão física de mulheres em homens, uma coisa é certa: TAMBÉM HÁ!
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De São a 27.11.2010 às 14:10

Ah, e em relaçao a esse ditado "entre marido e mulher não se mete a colher", não concordo com ele, se se tratar de violência. Pode ser usado, por exemplo, se assistimos a uma discussão sem ofenças, uma tomada de qualquer decisão sobre qualquer coisa que só a eles diz respeito... Mas não gosto que seja usado em casos de violência...

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