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O grafitti nas escolas

 

A reportagem é interessante e está muito bem conseguida, fala de uma iniciativa que é de louvar e que sem dúvida deveria ser repetida em muitas outras escolas, mas a mim uma das coisas que me chamou realmente a atenção foram as condições em que está aquela escola e que são visíveis nas diversas partes que foram gravadas no recinto.

 

O que podemos ver são paredes e portas completamente cobertas de grafitti e num estado miserável, e confesso, a mim faz-me imensa confusão.

 

Dos meus tempos de Liceu, Liceo Carlos Soublette em Caracas, lembro-me de mais de uma vez andar a pintar paredes com alguns dos meus colegas, na entrada havia uma parede enorme com um mapa do país com cada um dos estados pintados da sua cor e uma frase de Simon Bolivar ao lado. Esse mural era mantido impecável e repintado todos os anos... por nós.

 

Naquela altura ainda era o tempo das vacas gordas na Venezuela e não faltava dinheiro para a educação, acho que nos faziam pintar algumas das paredes para nos dar consciência que a escola era de todos e que portanto a tínhamos que cuidar... e nós cuidávamos... e não havia um grafitti ou uma frase numa parede em toda a escola. Porque para além de mais, nós respeitávamos o recinto da escola. Depois de ver a reportagem fui dar uma volta pelo google... encontrei algumas fotografias actuais do meu liceu... as paredes continuam limpas... e até há uma fotografia de alunos a pintar.

 

Ver as paredes daquela escola de Lisboa fez-me pensarem  que tipo de respeito tem os alunos actuais pelo recinto escolar, como é que se deixa chegar as instalações de uma escola até aquele estado?

 

Queremos tanto ser um país desenvolvido, um país da linha da frente... como? se as nossas escolas tem aspecto de zonas de guerra?...de uma guerra perdida!

 

O Programa é o 30 minutos e foi na RTP 1 no dia 15 de Janeiro, podem ver aqui

 

Jorge Soares

publicado às 21:31


6 comentários

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De Existe um Olhar a 17.01.2011 às 10:12

Realmente mete dó ver o estado em que se encontram algumas escolas, principalmente em zonas urbanas mais populosas e com mais problemas.
Felizmente isso a pouco e pouco está a desaparecer, pelo menos aqui para os meus lados, já é muito raro ver grafittis.
A construção e proliferação de novos centros escolares, bem mais vigiados, já vai evitando que tal aconteça.
Esperemos que isso seja sinal que algo está a mudar.

Beijos
Manu
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De Jorge Soares a 17.01.2011 às 23:43

Olá

Talvez tenhas razão, mas eu acho que as coisas não passam por aí, passam sim por criarmos consciência, por educar, por formar..e a julgar pelo que vi naquela reportagem... nisso estamos a falhar completamente

Jorge
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De energia-a-mais a 17.01.2011 às 12:53

acho que isso também passa muito pelo facto dos miúdos não entenderem a escola como um espaço deles, que deve ser preservado e no qual devem sentir orgulho - talvez os docentes e directores de escola devam também fazer sentir esse sentimento de pertença dentro da sala de aula. Nós pais, também podemos e devemos mostrar que a escola tem de ser respeitada

Teresa
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De Jorge Soares a 17.01.2011 às 23:45

Olá

Sim, estou de acordo... nós devemos formar e educar para o respeito pela escola e pela vida.
Sem imagem de perfil

De xana a 18.01.2011 às 01:22

Existem coisas que nos marcam na memória para sempre. Tal como tu, que frequntaste um liceu em Caracas, eu frequentei a escola em Portugal, com todas as diferenças que isso implica. Eu fui estrear a escola secundária onde estudei, era tudo novo a estrear. Passados cinco anos, recebemos num intercâmbio, alunos de uma escola na Dinamarca, eram liegiramente mais novos que nós, cerca de dois anos, logo estudavam em nivel ainda anterior a nós que estávamos a um ano de finalizar o secundário. Não sei o que acharam da nossa escola, mas penso que tenham ficado espantados, ou talvez não, afinal parece que vinham prevenidos contra nós, e preparados para passar uns dias com pessoas antiquadas, e selvagens... (alguém dinamarquês que cá tinha vivido nos anos 70, disse-lhes que éramos um povo frio, pouco instruído, pouco evoluido, daí que até vinham com sacos cama para dormirem no chão, óbvio que esta parte foi rapidamente ultrapassada, não éramos nada disso, pelo menos aparentemente, e não nós que recebemos esses alunos). Mas aqui fala-se de escolas, de respeito pelo espaço escolar, da educação de uns e da falta de educação de outros. Acontece que passados os tais cinco anos, a nossa escola já estava com aspecto um tanto degradado e alguma destruição, perpetrada claro por alunos. Desde as secretárias riscadas, queimadas, placard queimados, vandalizados, persianas queimadas, partidas, bancos destruídos, paredes com escrita esborratada, não existiam garffiti, porque isso quando bem feito é arte, ali nem havia nada que se assemalhasse sequer com uma tentativa de fazer alguma coisa que se parecesse com algum tipo de arte, era mesmo porcaria visual. Os jardisn todos pisados, destruídos. Imagino o espantdo dos dinamarqueses. No ano seguinte foi a nossa vez de os visitar na casa deles. Aindo hoje passados quase 18 anos, eu digo que estamos a anos luz, da evolução, e educação deles. Além do aspecto impecável da vila onde moravam, a escola deles tinha aberto no mesmo ano que a nossa, englobava alunos desde a pré-primária até ao 9º ano, logo crianças e jovens com idades diferentes da nossa escola, que tinha alunos a partir dos doze anos, até aos 18, ou mais se fossem repententes. Espantados ficámos nós... a escola estava como no dia que abriu, nova, tudo bem cuidado, os bancos do corredores tinham almofadas bem confortávies, e os alunos mais velhos ajudavam os mais novos, durante os recreios. Era a educação deles, e faz parte da sua cultura. Havia uma sala enorme, com ilhas que eram mini-cozinhas, onde havia um fogão, forno e aparelhos de uso na cozinha, onde eles aprendiam economia doméstica. Foi lá que todos cozinhámos os jantares dinamarquês e português, para o último dia. Como vês é uma questão de educação, de cultura e acima de tudo de respeito para com os outros, que virão a seguir. Em portugal, não só não há educação, como também não há respeito, por ninguém, e a escola é o espelho da sociedade em que vivemos. Claro que não somos todos assim, mas há um número enorme que faz muita diferença... e nem é só na escola...
bjks
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De Jorge Soares a 18.01.2011 às 22:50

Xana, o liceu em que andei tinha décadas, mas os edifícios estavam cuidados e tratados, aqui bastam uns meses para que tudo tenha ar degradado... há definitivamente algo de muito errado com a educação que damos aos nossos filhos.

Beijinhos

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