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Devemos votar sim

 

Quanto a mim, esta foi a campanha eleitoral mais pobre de que me lembro, achava eu que nas últimas legislativas tínhamos chegado ao nível zero e que agora só podia melhorar, está mais que visto que estava enganado... o nível pode sempre descer mais... Eu sei que o presidente da república representa pouco mais que uma mera figura decorativa, não estava à espera de grandes ideias, nem de programas para governar... mas o que aconteceu foi mau de mais.

 

Continuo a achar que em lugar de votar no melhor candidato, estas eleições servem para eleger o menos mau, mas algo de bom saiu de tudo isto, esta campanha serviu para trazer à luz o verdadeiro carácter do cidadão Cavaco Silva.. a áurea de seriedade que para os seus seguidores o elevava quase ao nível de santo caiu por terra.Hoje ficámos a saber que o senhor é tão chico esperto como qualquer outro português, e que na hora dos negócios, tenta fugir às suas obrigações e a pagar os impostos como qualquer outro...

 

Depois de tudo o que veio a público, das suas ligações aos responsáveis do caso BPN, da história das acções, de toda a trapalhada da troca dos terrenos,  nas obras e escritura da casa, se este fosse um país a sério, o senhor não só não era elegido, como deveria ser chamado a tribunal para dar contas de tudo isto e pagar os seus impostos.... Como não somos um país a sério... o senhor continuará no seu pedestal e a pairar sobre todo nós com a sua arrogância habitual.

 

Há muito quem se pergunte se vale a pena ir votar... votar é um direito e um dever, votar é ter uma palavra a dizer no nosso futuro e no do nosso país,  não ir votar é deixar a decisão aos outros, é aceitar a escolha dos outros e é abdicar do direito a pedir contas quando os governantes fazem mal o seu trabalho.

 

Vou voltar a copiar algumas das palavras da Sandra:

 

Quem não se interessa por política, não se interessa pela própria vida. Porque a política, quer queiramos quer não, é intrínseca à vida. A idade a que podes casar, se podes abortar ou não, as bebidas e os filmes e as marcas que tens ou não disponíveis no teu país, os cursos que podes tirar, as escolas que podes frequentar ou não, os cuidados de saúde a que podes aceder, a liberdade de expressão que possas ou não ter, o poderes ou não casar com quem quiseres e bem entenderes. Tudo, tudo isto é política. Descartar a política, é descartar a vida. É descartar, principalmente o pouco que ainda nos resta de comandarmos a nossa própria vida.

 

Se as pessoas julgam que são mais livres afastando-se da política e não participando, enganam-se. A liberdade vem da possibilidade de escolha. E quem não escolhe, quem cruza os braços, deixa que os outros decidam e escolham por si. A sua vida e a dos seus filhos. O seu futuro. Eu não aceito que escolham por mim. Nunca! E até podes supor e mesmo acreditar que os políticos são todos iguais. Mas o facto de acreditar não faz disso um facto. Os que lá estiveram (durante estes 36 anos!!) já podes avaliar se são iguais ou não. Os outros, só podes adivinhar. Não podes dizer que não gostas da sopa antes de a teres provado. Isso é coisa dos putos."

 

Portanto, devemos ir votar sim, todos, eu sei em quem não vou votar, porque acho que o país deve ser governado por pessoas dialogantes e coerentes, não por arrogantes e mentirosos... agora que sabemos que o senhor perdeu a seriedade e a vergonha, está na hora de lhe mostrar que já basta...  e não, não são todos iguais.. ainda há pessoas sérias e honestas neste país.

 

Jorge Soares

publicado às 22:24


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