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Alunos de Vila Real com cobertores na escola

 

Imagem do Público

 

O nosso país é feito de contrastes, hoje no telejornal duas noticias que me deixaram a pensar, na primeira, um grupo de alunos de uma escola de Vila Real (Escola Camilo Castelo Branco) manifestam-se à porta da mesma com mantas e cobertores contra o frio que passam nas aulas...  Na segunda um grupo de crianças num enorme pavilhão gimnodesportivo de um externato de Torres Vedras, com ar de quem está feliz por não estar nas aulas, fazem uma manifestação em prol do financiamento das escolas privadas por parte do estado.

 

As manifestações contra o frio à porta das escolas públicas não são nada de novo, repetem-se ano sim, ano também mal chega o Inverno a sério e mostram o muito que ainda falta fazer no que respeita às condições de muitas das nossas escolas. As manifestações a favor do financiamento de escolas privadas são uma novidade... mas pelos vistos vieram para ficar.... ou não!

 

Diz-se por aí que as crianças são obrigadas a alinhar, que quem não vai às manifestações tem falta, há quem esteja escandalizado porque puseram as crianças a carregar caixões com fotografias e flores, dizem-se muitas coisas... Um destes dias uma senhora entrevistada para a televisão dizia o seguinte:

 

"Eu estou a manifestar-me pelo direito à escolha, porque eu tenho direito a escolher a escola dos meus filhos"

 

Estou completamente de acordo, o que não sei é se a senhora tem direito a escolher a escola privada para os filhos dela que é paga com o dinheiro dos meus impostos, é que eu não tenho direito, os meus filhos vão para a escola que decide o agrupamento. Eu gostava de poder escolher a escola mais cara e conceituada de Setúbal para os meus filhos, mas para isso teria que poder pagar as mensalidades... e não posso, logo eles vão para a escola pública.

 

Acredito que existam zonas do país em que o número de escolas públicos ainda não seja suficiente e que aí se justifiquem as parcerias, mas será que isso é verdade em Torres Vedras, ou em Viseu, Lisboa, Porto?

 

Quanto a mim o estado deveria era acabar com todas estas parcerias, colégios e externatos são empresas privadas... e como tal devem conseguir financiar-se, o estado deveria pegar em todo este dinheiro e investir num enisno público de qualidade, em melhores escolas, investir para que as crianças de Vila Real não tenham que ir para a escola de manta e cobertor.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:45


28 comentários

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De Existe um Olhar a 27.01.2011 às 22:57

Acabei há pouco de ouvir uma entrevista com o Dr.António Barreto na RTP1, em que ele deu a sua opinião ácerca do assunto e que coincide exactamente com o que penso sobre o assunto.
Sou a favor de escolas municipais geridas pelas autarquias em que pais professores e alunos e a autarquia seriam totalmente responsáveis pela gestão das escolas.
O Ministério da Educação teria apenas algumas, poucas, competências, talvez na gestão curricular, inspecção e avaliação e deixar de ser tão interventivo, dada a diversidade das realidades que se vivem no país.
Nos países nórdicos, já se aplica este tipo de gestão e funciona.
Penso que se as escolas passasem a ser da responsabilidade dos municípios deixavam de existir estas discrepâncias entre ensino público e privado.

Bjs
Manu
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:37

Concordo... ou que todo o sistema seja privado e que o estado de o custo de cada alunos aos pais para que estes escolham a escola que melhor entenderem..

Boa semana
Jorge
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De xana a 27.01.2011 às 23:14

É exactamente o mesmo que eu penso. Se é privado, não tem que ter financiamento, e só lá deve estudar quem puder pagar. Fico possessa, quando vejo os pais dizerem que se não forem para a escola privada, os filhos tem de ir de transportes públicos para a escola a 20 kms, e eu pergunto e depois? Eu estudei assim, e não foi por isso que deixei de estudar. Depois, há os que dizem isto, mas fazem eles os tais 20 kms nas suas viaturas para entregar os filhos nas escolas privadas, os filhos não podem é andar de transportes públicos e frequentar a escola pública, não podem é misturar-se com os demais filhos de pagadores de impostos.
O estado dá o ensino públio, e não tem obrigação de finaciar os privados com os meus impostos, mas tal como dizes tem obrigação de melhorar a rede pública de ensino e as condições das escolas públicas existentes e a construir.
Eu não tenho de descontar, para os filhos dos ricos estudarem em escolas privadas, porque apesar de já trabalhar há alguns anos e descontar os meus impostos, se eu quiser regressar á escola, tenho de me garantir a mim mesma, que o Estado não vai ter em conta o que já trabalhei e financiar-me os estudos universitários, mesmo sendo isso uma mais valia para mim e para o país no caso de ser um curso daqueles que todos xpto, para os quais fazem falta mais pessoas qualificadas. (sendo isto um exemplo)
bjks
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:39

É exactamente o que penso, há muita gente a aproveitar-se desta situação. O estado tem é que pensar nas carências que existem no país e resolver, financiar escolas privadas não faz o mínimo sentido.

Boa semana Xana
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De Leamar a 28.01.2011 às 09:37

Bom dia Jorge.
Vou falar da situação da minha zona. O meu marido trabalha numa escola subsidiada pelo estado. Também houve manifestação ontem...e olha que a escola tem mais de 1600 alunos. É a escola com a maior rede de transportes do país...e o meu marido é um dos condutores. Aqui,em Fátima, não há alternativa pública. Existe apenas a escola de Ourém que está mais que cheia. O CEF (Centro de Estudos de Fátima) "alberga" uma imensidão de alunos vindos de Ourém e arredores. Não existem propinas. Eu própria frequentei o CEF e nunca paguei o que fosse, apenas os livros, comida e transporte. Penso que a maioria das pessoas acha que são escolas privadas em que se pagam propinas e que ainda são subsidiadas pelo Estado...o que é incorrecto...pelo menos aqui!
Já houve cortes no pessoal e a escola corre o risco de não se conseguir manter pelo menos nos termos em que tem vindo a fazer! A administração de cada escola é a palavra chave para o sucesso da aplicação dos dinheiros publicos...só assim se explica a apresentação das escolas publicas comparativamente a estas. Aqui há zelo, tanto da parte dos alunos como dos professores. O meu marido é condutor, mas nas horas "mortas" os condutores arranjam cadeiras, quadros, pequenas avarias, pintam paredes, olham pelas crianças na hora do almoço, fazem manutenção do espaço...
Ainda gostava de ver onde punham todas as crianças a estudar nesta zona, se até de Leiria vem crianças estudar para aqui por falta de vagas na publica!! É um problema que só quem não tem grandes opções percebe!! Há por aqui muitas aldeolas que se não fossem os transportes do CEF a fazerem o serviço, as crianças praticamente não tinham como se deslocar para uma escola a 10/20 km porque os transportes públicos por aqui são uma nódoa valente! E o CEF faz os transportes das escolas das outras escolas também...é sim uma mais valia para uma zona onde a rede publica é aquilo que nós por cá conhecemos. Na minha altura, ainda era eu pequenita e o CEF ainda não tinha a rede de transportes, não imaginas a quantidade de crianças que estavam hospedadas nas freiras para poderem estudar!!! Na minha turma era a grande maioria...e tudo gente da região...só que das ditas aldeolas!! São razões mais do que suficientes para o Estado continuar os compromissos anteriores porque não há alternativas. Ou então construam escolas...ah não pode ser...fica-lhes muuuiiitoo mais caro!!! Penso que havia de se ver caso a caso dependendo das situações reais de cada zona!
Peço desculpa pela seca:)
Jocas.
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De António Manuel Dias a 28.01.2011 às 10:07

Pelo que percebi, a alteração da lei não acaba com com os subsídios às escolas privadas, nos locais em que não existem alternativas, apenas faz com que os subsídios sejam iguais ao valor que as escolas públicas recebem por turma. Portanto, se o ensino privado é assim tão eficiente como dizes, não há razão para estes protestos, já que conseguirão fazer mais com esse dinheiro que as escolas públicas. O que não pode ser é o estado financiar o ensino público com x por turma e o privado com x+y, como até aqui.
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De Leamar a 28.01.2011 às 10:54

Não não...os subsídios são inferiores!!! Um aluno no CEF ficava mais barato ao Estado do que um aluno de uma escola pública. E agora vão cortar 10% na escola publica e 30% nas escolas com parceria com os Estado.
Eu penso é que muitos dos pais não sabem o que dizem...ainda se enterram mais!!! Ora dizer que tem o direito de escolher a escola só prejudica! Também têm o direito de escolher o médico a que vão, mas pagam. Aqui, para mim nem se trata disso. Eu não estou nessa situação, até porque a minha filhota ainda tem 4 anos...mas para lá caminho! Eu não me importo de não escolher...eu quero é que a minha filha tenha oportunidade de estudar sem me empenhar até às orelhas! E aqui não há escolas secundárias publicas a não ser uma que está mais que cheia em Ourém!!!
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De António Manuel Dias a 28.01.2011 às 11:02

Não é isso que tem dito o Ministério da Educação. O que tem sido noticiado em praticamente todas as intervenções do ministério é que tanto as escolas públicas como as privadas com acordo de subsidiaridade passam a recebero mesmo montante por turma. Eu acho que isto é justo, desde, é claro, que não haja opção por escolas públicas da região (e não esqueçamos que as vias de comunicação não são as mesmas que há 30 anos).
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De Leamar a 28.01.2011 às 11:21

Claro que o Ministério diz o que mais lhe convém...o porque não apresenta ele (o ministério) como lhe já foi pedido os relatórios de contas de umas e outras escolas (públicas / escolas com parceria com o estado)??? Há que ser claros... o que eu estou a dizer é com base no que tenho conhecimento. Pode não ser a verdade absoluta. Não estou a dizer que não tenha lógica essa lógica!! Ela tem mesmo...Eu também acho que deve ser equitativo. Mas nem sempre é...e só quem está por dentro dos assuntos é que sabe realmente as dificuldades!!! Eu não estou...por isso sou uma opinião falível...embora válida! A única coisa que peço é a oportunidade para a minha filha estudar sem eu ter de pagar um balúrdio. E pelo andar da carruagem e com a sorte que me assiste ainda vai ser isso que me vai calhar...vai uma apostinha???
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De António Manuel Dias a 28.01.2011 às 11:32

Neste caso o Ministério não pode dizer o que mais lhe convém, tem de dizer o que está na lei. Quanto à oportunidade de colocares a tua filha a estudar sem pagar um balúrdio há, para isso, que apostar numa escola totalmente pública em todo o país. É claro que para isso é preciso votar em políticos a favor da educação pública, da saúde pública e da segurança social... mas isso já é outra história.
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De Leamar a 28.01.2011 às 17:05

Peço desculpa, mas se hoje estas escolas estivessem encerradas ou fossem totalmente privadas não tinha como a por numa escola pública. Até podia ir a Ourém, mas estando pelas costuras e optando pelos que estão mais perto, poucas hipóteses teria de conseguir vaga. Depois iria a Leiria (cerca de 25km). Mesmo que conseguisse uma vagazita (o que duvido porque lá queixam-se do mesmo) teria de ver os horários dos transporte públicos. Sabe...aqui por Fátima não se pode dizer que são muito bons e eficientes para a nossa zona. Já para Lisboa, Porto, Coimbra etc...são bem eficazes! Tudo o que tenha a ver com cidades grandes funciona muito melhor! A aldeia, vila ou cidadezita já a coisa pia de outra maneira...
Por certo veria que o transporte e o transtorno seriam de tal forma custosos que acabaria por aceder a pagar uma propina (dependendo da mesma é óbvio...porque até só ganho cerca de 500 euros) e poria a minha filha num desses colégios. Agora não me digam que é por eu ser rica e por querer privilégios!!! Porque não é!! Se me disserem: "Ah... e tal...e eu andava 40 km...e descalço...e à chuva...e apanhava da professora...etc etc etc" ...não posso deixar que a minha filha passe por tudo isso só porque os outros passaram!!! Eu não tive WC em casa até aos meus 12 anos ( e tenho 30) e não é por isso que eu acho normal não ter casa de banho em casa!!!
É por estas e por outras que não penso em ter mais filhos!!! Eu não quero colocar ainda mais crianças no mundo sem as condições mínimas que eu desejaria. Amor, carinho, afecto, comida, higiene, estudo, educação e vestuário eu não quero que falte a filhos meus! Tendo apenas uma (embora idealizasse de ter mais) penso que consigo garantir a parte da comida, estudo e vestuário!! O resto vem do coração e formação!!...
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:42

O estado é obrigado a arranjar vagas para todos os alunos da área, a forma como o faz talvez não seja a mais correcta, mas é ai precisamente que entra o que eu penso, o dinheiro que se utiliza para financiar as escolas privadas deveria ser utilizado para garantir que todas as crianças tenham condições para ir à escola.
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De Jorge Soares a 28.01.2011 às 11:32

Olá

Eu tive o cuidado de dizer no post que "Acredito que existam zonas do país em que o número de escolas públicos ainda não seja suficiente e que aí se justifiquem as parcerias", é claro que existem muitos casos e haveria que avaliar caso a caso.

Muito haveria que dizer e discutir, o que dizes faz sentido, assim como para mim continua a fazer sentido que estas parcerias devem ser muito bem estudadas e que haverá muitos casos em que simplesmente não se justificam.

Entretanto gostava de saber mais umas coisas, por exemplo. Essa escola de que falas garante vagas para todos ou é daquelas em que se entra com cunhas ou fazendo filas dois dias antes? A minha filha andou numa destas em Setúbal e para além de ter sido o cabo dos trabalhos para arranjar vaga, custava os olhos da cara ... a coisa terminou quando eu disse às freiras que elas não eram sérias.

Os trasnportes que a escola garante são gratuitos para os alunos ou pagam todos?

Quem não pode pagar nada tem acesso à escola?, como é que fazem a triagem?

Poderia continuar, mas para já, acho que é suficiente.

Jorge
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De Leamar a 28.01.2011 às 12:02

Olá Jorge.
Nesta escola não há qualquer triagem. Eu própria lá andei e não era nem nunca fui de família de posses...pelo contrário! Não há qualquer cunha para entrar ou deixar...talvez por isso tenha aumentado tanto o numero de alunos. Quando eu lá andei eram menos do que são agora.
Quanto aos transportes são pagos de acordo com as distâncias. Os alunos de Leiria pagam muito mais dos que os alunos de Ourém. Valores?? Não faço ideia. Os valores não passam pelo meu marido senão faria alguma ideia.
Mas olha Jorge...nunca me considerei nem considero melhor nem mais do que os outros! Mas gostaria que houvesse igualdade. Por exemplo quando dizem para os portugueses utilizarem mais os transportes públicos esquecem-se que as redes das cidades nem se equiparam com as redes rurais! É muito mais dificil...e é por isso que por algumas aldeias se vê pessoas de alguma idade a chamarem um táxi para ir ao médico! Pode até ser muitas vezes por falta de conhecimentos de horários ... mas é dificil que eu sei. Já por lá andei quando ía para o Ensino Superior para Leiria. E vá lá...sou mesmo de Fátima...se calho a ser do Vale Cavalos (terriola a uns kms de Fátima) mais dificil seria.
Beijocas.
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De stiletto a 29.01.2011 às 02:49

Eu estava para dizer que concordava contigo e que não queria que os meus impostos, que são cada vez mais, servissem para financiar escolas privadas mas agora com todos estes comentários até fico a pensar se estou a ser injusta.
Eu acho que se deveria estudar bem caso a caso para avaliar a justificação do subsidio. Haverá casos em que fará sentido e outros não. Esses pais deviam lutar, isso sim para que o Estado melhorasse a rede de escolas públicas.
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De Leamar a 30.01.2011 às 11:59

Não podia estar mais de acordo!!! Melhorar a rede pública...isso é que era!!! Sei que para isso é necessário investimento, e o estado está mais interessado em pagar balúrdios aos gestores públicos e a cortar no tão chamado "povo"!!!
Pore exemplo, a televisão pública e os salários que por lá praticam é uma vergonha...eu não preciso de uma televisão que me dê tanto prejuizo!!...Mas tenho do contribuir para que a Judite de Sousa e afins ganhem um chorudo ordenado!...Mesmo havendo quem fizesse o mesmo serviço por bem menos!
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:44

É exactamente o que eu digo, em lugar de financiar escolas privadas e pagar luxos, o estado deveria garantir escolas publicas com condições para todas as crianças
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De Palavras ao Sabor dos Sentimentos... a 29.01.2011 às 12:07

Apesar de ter frequentado um colégio privado (e, acrescentasse desde já, que não são boas as recordações), onde possuía alguns apoios por parte do Estado, estou plenamente de acordo com a tua opinião.
É claro que qualquer pai e mãe deve puder escolher onde colocar os seus filhos, o entanto, se querem outras regalias e privilégios, como piscinas ou campos de futebol, que uma escola pública não oferece, que paguem. Contrariamente ao que muitos país pensam, os colégios privados dão lucro e podem continuar de portas abertas sem os apoios do Estado.
Que utilizem esses dinheiros na melhoria das escolas, como a de Vila Real ou tantas outras em que chove e faz frio dentro das salas de aulas.
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:45

Olá

Nem mais...

Jorge
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De Maria Sousa a 29.01.2011 às 21:47

Sou professora na escola de Vila Real, digo no frigorífico, porque as temperaturas dentro da escola são inferiores às da rua. Na primeira 3ªfeira do ano tive aulas toda a tarde e apesar de estar enregelada e a meio da tarde me ter sentido febril, como tinha reunião de encarregados de educação só sai da escola às 20 horas. Quando cheguei a casa estava com temperatura e nos dias seguintes fiquei mesmo sem voz, no entanto graças à colaboração dos alunos consegui dar as minhas aulas. Mas todos os dias há alunos a faltar e alguns professores que não se aguentam de pé. Ainda bem que o estatuto do aluno mudou e as faltas justificadas já não contam para efeitos de testes de recuperação, se isto tivesse acontecido no ano anterior para além de doentes ainda estaríamos sobrecarregados de trabalho…
Mas o que me levou a escrever este comentário é que, segundo o ministério da educação, não há escolas públicas a rebentar pelas costuras, porque eles resolvem isso com 30 alunos ou mais por turma, já tive uma com 32…
Quanto às distâncias nem imaginam o que as crianças de Trás-os-Montes passam – 20 km não é nada – caminhos em mau estado e estreitos e no Inverno, devido ao gelo, extremamente perigosos, ou pensam que as aldeias são todas acessíveis pelo IP4 ? Em muitas aldeias têm mesmo que andar 3 ou mais Km para apanhar o transporte…
Sabem que há crianças que a única refeição em condições é a que comem na escola e, por vezes, nem agasalho adequado trazem para suportar o frio? Sabem a que preço está o pão? E o leite? E as batatas? E o arroz?
Deixo-vos um tema de discussão sobre o Portugal real!!!
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De Leamar a 30.01.2011 às 12:18

Se estão a rebentar pelas costuras não sei...mas que recusam a entrada de alunos isso recusam com a célebre "desculpa" de as vagas estarem todas preenchidas.
Eu não estou a atacar seja quem for. Sou a primeira a admitir que muito haveria a fazer para travar injustiças a nível educativo. Também sei de escolas que têm apoios estatais e onde se pagam propinas simultaneamente. Sei que o Estado "corta" a direito apenas para se demitir de um profundo estudo sobre as realidades educacionais do país...é mais fácil ir tudo a eito!! Portanto essa assimetrias em vez de melhorarem irão piorar e voltaremos à estaca 0...voltaremos a ver muitas crianças sem o ensino obrigatório e a trabalhar cada vez mais cedo. Principalmente nas zonas do interior onde as escolas são e serão cada vez menos! Estes cortes estão a formar um outro corte muito significativo. Estão a colocar o "povo contra o povo"...porque o que os que como eu apenas querem poder por um filho na escola sem ter que o sujeitar a esses km a pé, ou às muitas horas perdidas em transportes (muita criança por este país sai de casa às 6h e chega às 7/8h), penso que não estamos a pedir luxo!! Apenas o humanamente normal. Se me perguntar se há crianças por este Portugal em bem bem bem piores condições eu sei responder que há. Há e não deveria de haver, porque não é porque existe para uns que deveria de existir para todos. Eu hoje estou com a sensação que apesar da miséria por que passei posso sentir-me uma sortuda! Tive a minha educação assegurada gratuitamente porque caso contrário se calhar nem sequer me conseguiria expressar da maneira que consigo! E foi uma sorte mesmo, porque os meus pais não teriam mesmo, de forma alguma, possibilidades do que quer que seja...E eu quero que a minha filha tenha essa mesma sorte! Porque ainda não me calhou o euromilhões...só o eurotostões...
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:50

Leandra, as escolas públicas não podem recusar a entrada a nenhum aluno que esteja em idade escolar, isto porque a educação é obrigatória. Se uma criança está em idade escolar e a sua residência pertence à área de um agrupamento, este é obrigado a a integrar, a forma como o faz nem sempre é a mais correcta, mas ninguém pode deixar de ir à escola.
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De Leamar a 31.01.2011 às 09:17

Jorge...há alternativa...os colégios em Fátima também são gratuitos...os tais com parceria com o Estado...que são considerados ensino público em que qualquer aluno entra! Até porque era humanamente impossível apenas aquela secundária "alojar" todos os alunos da zona.Só em Fátima são mais de 2600 alunos.
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De Maria Sousa a 30.01.2011 às 22:25

Peço imensa desculpa mas desconhecia essa realidade… Que escola é essa que se dá ao luxo de dispensar alunos? Aqui para mantermos o emprego de muitos professores fazemos de tudo para cativar os alunos, mas como viram na reportagem não vai ser fácil depois da publicidade negativa… No próximo ano se forem postos em prática os cortes nas áreas curriculares, nos créditos horários para desempenhar múltiplas funções, nas horas do turno nocturno (em prática desde o passado dia 3 de Janeiro e, neste momento, ocupadas com horas de estabelecimento, mas que no próximo ano passarão a lectivas) …, está previsto que quase metade dos professores do quadro de escola e com muito tempo de serviço vão ficar sem horário… sou professor há 25 anos e corro o risco de ficar sem horário… e acreditam que nos vão pagar sem trabalharmos? Tipo rendimento garantido? … De facto vivo numa realidade completamente diferente…
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De Jorge Soares a 30.01.2011 às 20:46

Espero que não se importe mas vou fazer deste seu comentário um post.

Jorge Soares
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De Anónimo a 30.01.2011 às 22:40

Não me importo nada até agradeço… para que muita gente deixe de se prender aos detalhes e passe a reflectir sobre questões de fundo. Conhecendo a realidade de muitos dos meus alunos nem me atrevo a queixar-me do corte no vencimento, nem da avaliação… neste momento preocupa-me mais ficar sem emprego após 25 anos de serviço docente… se ficar sem emprego o futuro do meu filho estará comprometido… neste momento a estudar na FEUP … como poderei pagar o alojamento no Porto (nada barato…) e as propinas? Apesar de ser uma universidade pública as propinas passam dos 1000 euros … Eu também acho que tenho o direito de escolher a FEUP em detrimento da UTAD , ou não?
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De Maria Sousa a 30.01.2011 às 22:49

Não me importo nada até agradeço… para que muita gente deixe de se prender aos detalhes e passe a reflectir sobre questões de fundo.
Conhecendo a realidade de muitos dos meus alunos nem me atrevo a queixar-me do corte no vencimento, nem da avaliação… neste momento preocupa-me mais ficar sem emprego após 25 anos de serviço docente… se ficar sem emprego o futuro do meu filho estará comprometido… neste momento a estudar na FEUP… como poderei pagar o alojamento no Porto (nada barato…) e as propinas? Apesar de ser uma universidade pública, as propinas passam dos 1000 euros/ano… Eu também queria ter o direito de escolher a FEUP em vez da UTAD!
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De Leamar a 31.01.2011 às 09:22

A situação dos professores do ensino público é um outro assunto importantíssimo! Eu não faço ideia como alguns conseguem conciliar a vida pessoal com a profissional.

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