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Desbordado e deprimido

por Jorge Soares, em 07.02.11

A politica portuguesa é um labirinto

 

Hoje faz exactamente um ano que voltei daquela semana em Cabo Verde, desde esse dia disse a mim mesmo que ia tentar viver a vida de uma forma mais positiva e até certo ponto consegui. Para isso contribuiu a alegria contagiante da minha filha, os dois meses que passei em casa com ela de licença parental, afinal, mesmo para quem não costuma sonhar o realizar de um sonho, o cumprimento de um desejo, o alcançar uma meta é sempre um momento marcante, um ponto de viragem.

 

Confesso que hoje me sinto desbordado, e até certo ponto, deprimido. Desbordado porque é completamente impossível responder a 60 comentários, não há paciência nem cabeça fria que aguente, o problema de ser bloguer amador e ainda por cima nocturno, é que não dá para responder na hora e a quente, durante o dia eu estava a trabalhar e à medida que me iam chegando os comentários eu ia ficando deprimido, juro.

 

A meio da tarde a P. brincava comigo, que desde quando eu tinha passado a pertencer á esquerda radical sem lhe dizer nada... que se isso não daria direito a divórcio. Ela acha que ando longe, muito longe da esquerda radical... eu também acho.

 

Eu tenho 42 anos, nasci antes do 25 de Abril, sei como eram as coisas, em minha casa nunca faltou o pão, a broa era amassada com a farinha do milho plantado no quintal,  havia o galinheiro e a casa do porco, mas comia-se carne de vaca duas vezes por ano, no entrudo e no dia de São Lourenço, padroeiro do lugar.

 

Considero-me uma pessoa instruída, mas isso só foi possível porque os meus pais decidiram que ou emigravam, ou os filhos saiam directos do ensino obrigatório  para a fábrica aprender um oficio. Era assim que eram as coisas nos 70's.

 

Peço desculpa desde já, não quero ofender ninguém, mas que alguém pergunte o que nos deixou de positivo o 25 de Abril, a mim irrita-me profundamente, qualquer tentativa de comparação entre o nível de vida actual com a que existia antes do 25 de Abril, só pode ser brincadeira e só pode vir de alguém que na altura era um privilegiado do sistema.. só pode.

 

A intenção do meu post era chamar a atenção para a incoerência entre a forma como foi recebida a música dos Deolinda e o que acontece nas urnas, para o facto de sermos um povo que fala, fala, mas na hora da verdade, não somos capazes de ir mais além..de mudar... não era, nem podia ser um chamado a votar à esquerda ou à direita.

 

Os problemas deste país não se resumem a uma questão de esquerda ou de direita, são sobretudo uma questão de termos políticos com credibilidade ou não, de termos pessoas com capacidade ou não e sobretudo, de querermos mudar as coisas ou não... eu quero!... mas tenho sérias dúvidas que a generalidade dos portugueses queira.

 

Jorge Soares

publicado às 22:43


1 comentário

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De opinandomais a 08.02.2011 às 18:02

Saí do cumprimento ao meu serviço militar, no dia 23 de Abril de 1974, dado como incapaz para o respectivo, motivo um tiro num braço no cumprimento do meu dever algures em Angola. Mas não foi esse o motivo que me levou a vir aqui; o motivo que me levou a vir aqui comentar ou melhor, apreciar os comentários do pretérito repasto servido ao jantar do dia 7, e prende-se com a minha opinião de que não se trata de uma ideia de esquerda ou direita, mas sim de educação ou formação proporcionada para os então nascidos no após revolução mal elaborada. Não metam culpas á esquerda ou á direita, ponham sim culpa á nossa forma de encarar as coisas, se é derivado á formacão ou ao que nos vai "na massa do sangue", não sei só sei que nada tem a ver com ideologias.
E veja-se mais uma vez a ultima vontade expressa pela metade da população votante nas urnas!
Bom apetite Jorge

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