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Adopção, alguém quer abrir a caixa de pandora

 

Vai fazer 10 anos, há coisas na vida que simplesmente não esquecemos, o N. estava connosco há um ano, o processo de adopção estava quase concluído, faltava só a decisão do tribunal. Um dia recebemos uma carta do tribunal, estávamos à espera da adopção plena, o papel que faltava para que ele fosse nosso filho legalmente, porque no coração era-o desde o primeiro dia... , o tribunal informava que devido a que tinha aparecido o pai este teria que dar o seu consentimento e portanto o processo ficava parado.

 

Nesse dia eu percebi o significado da expressão, caiu-nos o mundo encima.... A maioria das pessoas não percebe, mas filho adoptado é só uma expressão, só tem significado para quem está por fora, para quem adopta e para quem é adoptado não tem significado nenhum... não há filhos adoptados e biológicos, há filhos, ponto. Naquele dia tudo nos passou pela cabeça, tudo.... mas uma coisa era certa, ninguém nos ia tirar o nosso filho, custasse o que custasse.

 

Sempre me foi dito que a adopção era uma situação definitiva e eu sempre acreditei que assim era, as crianças são seres humanos, não são mascotes, não são prendas, não se entrega um filho alguém para anos depois se chegar lá e dizer, "olhe, desculpe lá qualquer coisinha, mas alguém cometeu um erro, entregue lá o seu filho de volta".... bom, achava eu, porque pelos vistos e a julgar por esta noticia parece que afinal, é possível.

 

A maioria das crianças que vai para adopção vai contra a vontade dos pais biológicos, invocar neste caso que houve um erro porque a mãe não deu o consentimento é abrir uma enorme caixa de pandora, se por mero acaso esta senhora conseguisse os seus propósitos, seria sentado um precedente que teria consequências que nem quero imaginar, já viram o que seria se cada um dos pais que maltratava os seus filhos e não deu autorização para a adopção fosse para tribunal exigir estes de volta?

 

Há coisas em todo este caso que me deixam com os cabelos em pé, supostamente os dados da adopção são secretos, em caso algum deverá ser facultada aos pais biológicos qualquer informação sobre os adoptantes, não sei como mas esta senhora obteve esta informação e desde então dedicou-se a assediar tanto a criança como os pais....

 

Não me consigo colocar no lugar destes pais que desde há 3 anos tem um filho a quem dão o melhor de si e que de repente tem alguém a questionar a forma como o educam, a escola onde ele está, as condições de habitação, tudo... Os candidatos à adopção são avaliados nas mais diversas formas: condições financeiras, de habitação, psicológicas, tudo, quem deu direito a esta senhora a questionar a qualidade de vida destes pais?

 

Há coisas que não tem explicação possível.

 

Artigo 1989 do Código civil

 

Irrevogabilidade da adopção plena

 

A adopção plena não é revogável nem sequer por acordo do adoptante e do adoptado.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:22


6 comentários

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De Avelino Anonimus a 14.02.2011 às 13:16

Qualquer dia vão aparecer "Mães" que entregam os "seus" filhos em modo contratado.
Tipo: entregar por uns 3 ou 4 anitos porque não lhes convém estar com o "estorvo" a impedir a sua vida privada.
E quando lhe for conveniente voltam a pedir o regresso do filho biologico.
Os outros casas que recebem o filho durante esses anos ficam a ser umas barrigas de aluguer de longa duração.
Até as suas Mães ou Pais biologicos acharem que é tempo de assumirem a Paternidade a tempo inteiro.

É extremamente vil pensar assim como descrevo este assunto.
Mas para onde caminha esta sociedade, com os seus valores morais e a sua consciência colectiva e individual?

Revoltou-me ler um tipo de noticias como esta que descreves. E ainda me revoltou mais ler a noticia onde chamada "Mãe" tenta arranjar desculpas para intentar esse tipo de acção.

Sou Pai de um filho que cresceu não na barriga da minha esposa. Mas sim dentro do coraçãos dos dois durante quase 5 longos anos.
Até o termos junto a nós.
Anos que foram para nós uma gravidez prolongada e ás vezes penosa.
Pois só quem está por dentro dos meandros nos casos de adopção sabe do que falo.


E agora vir alguém com o argumento da necessidade de uma autorização dos Pais biológicos, intentar uma acção de reabertura do processo?

O grande problema é a Sociedade separar em termos e palavras, Pais Biológicos e Pais Adoptivos.

Para a criança e para os Pais sejam eles quais forem, não existem rótulos.
Existe Amor e Pais e Filhos.
Nada mais.
E eu que tinha prometido a mim mesmo ler o teu poste e me recusar a comentar...
É quem tem assunto que revoltam ao ler.

Abraço

Avelino Anonimus
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De São a 16.02.2011 às 18:58

Então, quer dizer: as crianças podem ser retiradas aos pais biológicos e aos pais adoptantes já não podem? Porquê? Essa senhora não entregou o filho. Ele foi-lhe retirado contra a sua vontade e nenhuma ajuda lhe foi dada... E esse ainda só tinha 10 meses, mas o que dizer de crianças de 6, 7 anos que amam os pais biológicos por quem são amadas e bem tratadas, têm fortes laços com eles e são literalmente roubadas no meio de gritos de horror, simplesmente por preconceito, porque o pai teve problemas com drogas no século passado e a mãe teve uma depressão também no século passado e ainda porque a casa onde vivem não tem de facto as melhores condições, coisa que não é culpa dos pais. Passa o tempo, os pais mudam de casa, arrnjam relatórios de pessoas idóneas (médicos e professores da escola que a criança frequentava) e de nada serve porque estão famílias em espera para adoptar... Que culpa têm as pessoas pobres de haver gente rica e fina que não possa (ou não queira, porque estraga a silhueta) ter filhos?
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De Existe um Olhar a 14.02.2011 às 16:29

Já li e reli o teu post, todas as declarações e continuo sem entender certos comportamentos, sobretudo os do tribunal e Juiz...é de pasmar e ficar indignada como a forma como funcionam as coisas neste país.
Imagino que muitos pais que adoptaram ou que se candidataram à adopção sintam o mesmo que tu..."parece que lhes caiu o céu em cima"
Espero que haja o bom senso de olhar para o bem estar da criança e não liguem aos argumentos tolos de uma mãe que acha que viver no mundo rural, não é o melhor para o menino.

Bjs
Manu
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De São a 16.02.2011 às 18:24

Bem, infelizmente (ou felizmente, porque se todos estivessemos de acordo com tudo na vida, a vida seria uma pasmaceira) raramente estou de acordo com o Jorge e desta vez, também não estou. Não sei porque é que a adopção plena não pode ser revogável, quando neste mundo nunca se pode dizer que uma coisa é para sempre, muito menos quando está em jogo o futuro de uma criança. Com tão pouco respeito pelas famílias biológicas, qualquer dia, o incesto é uma coisa bem aceite e normal na nossa sociedade. Não me vou reportar ao caso que levou ao post, mas vou falar no geral. Quer dizer, uma pessoa ter um filho biológico, pode não ser para sempre e se for adoptado já tem que ser para sempre?? Pode ser retirado um filho biológico e se for adoptado já não pode?? Palmas!!! Tudo neste mundo é mutável. Uma família pode ter umas grandes condições a todos os níveis a quando da adopção de uma criança, mas o futuro ninguém o conhece. Pais adoptivos podem tornar-se maus pais, más pessoas, cair no mundo da droga ou do alcoól (que já é considerada uma droga pesada, ainda que socialmente aceite), ficar na miséria, tornar-se corruptos, enfim... E isso pode afectar a desenvolvimento da criança... Então quer dizer, até um vizinho, um anónimo pode denunciar uma situação de negligência e/ou maus tratos, até mesmo que seja só uma suspeita e se for a mãe biológica já não pode? Porquê? Mas pronto... Infelizmente sabemos que vivemos numa sociedade onde é dada primazia à adopção e as famílias biológicas valem lixo, desde que sejam pobres. Reportando-me agora ao caso do artigo, a mãe biológica diz que foi vítima de preconceito e que não lhe foi dada ajuda. Acredito. Infelizmente, hoje em dia, não se ajudam as famílias biológicas, mas depois dão-se subsídios a famílias de acolhimento e a instituições... Porquê? porque vivemos numa sociedade em que se quer arranjar crianças para adopção à força, para alimentar um mercado de adopção que me provoca nojo. Na verdade, acho muito trsite a adopção plena. Um autÊntico acto de egoísmo, já que são cortados todos os laços com a família biológica e isso é horrível. Tal como eu digo, qualquer dia, o incesto é bem aceite e normal. Está a nascer uma nova figura, que é o apadrinhamento civil que me parece mais simpática e menos egoísta do que a adopção plena. A criança fica permanentemente com essa família sem que seejam forçosamente cortados na totalidade pos laços com a família biológica...
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De Jorge Soares a 17.02.2011 às 08:38

Vou partilhar contigo, algo que algo que me chegou por mail:

"Por razões que agora não vêm ao caso, eu conheço este caso. Conheci o bebé ... Conheci a mãe. Ou se se pode chamar 'mãe' àquilo.

Na minha opinião, a adopção foi o melhor que lhe podia ter acontecido. A notícia não fala de todos os episódios de maus tratos e negligência que constam do processo. Não fala por exemplo das vezes todas que deixava o bebé sozinho em casa (isto ainda no Saldanha) o dia inteiro. Não fala do Segurança do Atrium Saldanha que foi dar com o bebé fechado no carro, no parque de estacionamento subterrâneo a chorar que se desalmava e que, segundo a hora de entrada do carro no parque, estava lá fechado já há algumas horas. Enfim, não fala de muito mais coisas...

A mãe, muito antes do bebé estar em processo de adoptabilidade, não o ia visitar todos os dias nem pouco mais ou menos. E quando ia, passava o tempo a falar com a cozinheira, com as auxiliares, com os técnicos, com o motorista, com os voluntários...com todos, menos a interagir com o filho. Não havia qualquer ligação. Sobretudo, não havia qualquer ligação do puto à mãe."

Agora, cada um tira as conclusões que bem entende.

Jorge Soares
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De São a 17.02.2011 às 19:12

Pronto. Neste caso específico até pode ser um erro se o tribunal voltar a entregar o menino à mãe biológica. Realmente, o que é descrito é terrível. Mas eu não sabia disso (e será verdade?). O que quero dizer é que se calhar dizer que ao se dizer que qualquer processo de adopção é irrevogável é generalizar demasiado as coisas. Porque não pode ser? Se a relação com pais biológicos pode ser quebrada, porque não com pais adoptantes (atenção que estou a falar no geral). Pais adoptantes podem tornar-se maus pais, negligentes, alcoólicos, toxicodependentes, divorciarem-se e nenhum querer ficar com a guarda da criança porque podem dizer que adoptaram mais por vontade do outro... Enfim, tantas coisas que podem acontecer. Como diz o velho adágio, o futuro a Deus pertence. Nada garante que no futuro, um casal que adopte uma criança não se torne um casal negligente. Muitas vezes, as pessoas estão mal preparadas, fazem de ser pai um mundo cor de rosa, mas ser pai implica muitas responsabilidades. Sei de um casal a quem, depois de 5 anos ter um filho adoptivo, aconteceu um milagre que a medicina tinha declarado impossível: a senhora engravidou e, depois de nascer o filho biológico, começaram a achar que "já não precisavam do filho adoptado", pois agora é que viam que não era a mesma coisa e quiseram entregá-lo. Não puderam, porque a adopção era irrevogável. Seriam dali em diante uns pais bons para esse filho adoptivo??? Se o queriam entregar, dizendo que agora é que viam que não era a mesma coisa e só ficaram com ele porque foram obrigados, duvido. Nesse caso, porque não lhes podiam tirar a criança, se podem tirá-las aos pais biológicos????? E isso de não ser possível nem mesmo por vontade do adoptante e do adoptado na prática também não pode acontecer. Se os obrigam a ser pias e filhos até a adoptante atingir a maioridade, daí em diante já só se relacionam se quiserem... Por isso, mais vale que tenha sido antes. Sendo assim, acho errado que a adopção plena seja considerada irrevogável. Cada caso é um caso e deve ser analisado segundo as suas características... E repito: se podem quebrar os laços biológicos (não podem, mas fingem que podem, porque os laços de sangue são eternos) porque não podem quebrar laços de adopção?
Sinceramente, sempre achei a adopção plena algo muito triste precisamente por serem cortados todos os laços com a família biológica. Acho o apadrinhamento civil mais natural e menos radical (e é).Imaginemos uns pais que morrem e os avós tÊm demasiada idade para criar o(s) neto(s). Será justo que esses avós nunca mais vejam nem saibam do(s) neto(s)?? E será justo que se adoptem plenamente, passando a usar os apelidos dos pais adoptivos, como se os pais tivessem tido culpa de ter morrido? Não seria muito mais natural preservar a memória e o nome dos pais? Mesmo que nem tenham morrido e sejam negligentes e maus pais, continuando os avós a não ter culpa nenhuma disso e a não poderem criar o(s) neto(s) devido À idade?? É justo para os avós morrerem sem saberem do(s) neto(s)?? Outra coisa cruel na adopção é a separação de irmãos... Crianças de 5 ou 6 anos já sabem que são irmãos e têm laços! É justo separá-los e nunca mais saberem uns dos outros??? Não, não é justo. É uma crueldade.

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