Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As crianças e a televisão

por Jorge Soares, em 28.02.11

As crianças e a televisão

 

A notícia é do SOL  e fala de mais um daqueles estudos que agora abundam. A mim fez-me lembrar a conversa angustiada da mãe de um dos colegas dos meus filhos. Um dia deu por ela a sentir que o filho de 8 anos conseguia falar de sexo nuns termos e com um vocabulário técnico que até a ela a deixavam para além de muito corada, á nora. Um dos coleguinhas tinha televisão no quarto e os pais, assinantes  do cabo, tinham um daqueles pacotes que incluem os canais para adultos. Sem o menor controlo, ele passava as noites a "instruir-se" e durante o dia na escola "instruía" os colegas.

 

Durante muitos anos cá em casa só houve um televisor na sala, agora há dois, o segundo está na cozinha. Há uma norma que diz que só pode estar um ligado.. norma que no geral se cumpre... os conflitos resolvem-se com horários.. ou com o voto de qualidade dos adultos. Somos 5, e não me lembro da televisão ser um problema.  Faz-me confusão haver casas onde há mais televisores que habitantes.

 

Diz a notícia que mais de 50% das crianças consultadas já viram programas com bolinha vermelha ou com cenas de violência explícita, a mim não me estranha assim tanto,  a maioria das crianças que conheço têm televisão no quarto. Alguém me explica como é que se controla o que vê ou não uma criança que tem uma televisão só para si?...  sobretudo se a essa mesma hora o pai estiver a ver o futebol na sala e a mãe a telenovela na cozinha ou no quarto. É claro que não se controla nada, nem isso nem o que ele vê no DVD ou no computador que, evidentemente, também estão no quarto.

 

Cá em casa a guerra dos morangos com açúcar começou andavam eles na primeira classe, por decreto não viam, é claro que chegavam a casa e sabiam de cor tudo o que acontecia por lá.. todos os colegas viam e não falavam de outra coisa na escola.. isto com 6 anos. É claro que a guerra continua, mas é uma guerra perdida, chega-se a um ponto que é difícil explicar porquê não podem ver o que TODOS os colegas vêem, o decreto abrandou.. mas não se livram de me ouvir. 

 

Em si a notícia não traz nada de novo, a violência, os conteúdos para adultos e o restante lixo televisivo fazem parte da cultura em que vivemos, cabe aos pais saberem educar, gerir e controlar o que vêem ou não os seus filhos, pelos vistos a maioria não o faz da forma mais adequada, mas nem isso é nada de novo... mesmo assim mais grave da notícia está nos últimos parágrafo que dizem o seguinte:

 

"Inquiridas sobre a sua reacção quando são contrariadas pelos pais - em termos de não poder jogar em consolas ou no computador - as crianças responderam maioritariamente que tentavam convencê-los ou, numa proporção ligeiramente inferior, que se resignavam e não agiriam em relação a isso.

 

Ao analisar os resultados estratificados por sexo, verifica-se que na opção mais escolhida - «partes tudo lá em casa» - a quase totalidade das crianças que optaram por esta resposta são do sexo masculino."

 

Lá está, o estudo vale o que vale... mas não deixa de ser preocupante.

 

Jorge Soares

publicado às 22:45


9 comentários

Sem imagem de perfil

De Paulo a 01.03.2011 às 00:04

A caixa que mudou o mundo, vai mudando as mentalidades com mais celeridade e se calhar mudar não implica sempre ser para melhor. Acredito que em tudo na vida deve haver equilibrio para evitar excessos ou defeitos, a educação deve ser admini...strada com equilibro e para que ela seja desequilibrada apenas é suficiente a ausência de interesse dos pais em saber mais sobre os hábitos dos filhos, pois estão escravizados ao "corre corre" ou fazem "bip bip" diário e não têm atenção para os detalhes e sinais dos filhos nem se interrogam o que estão a fazer, desde que estejam sossegaditos. É dificil sim estar atento, mas se não se tentar ... depois "é trancas á porta" ...

Complicadas as sociedades modernas e contínuas reestruturações do que é melhor o mais conveniente para os filhos, há tantos estudos dos prós e contras das atitudes a tomar e evitar, que ao meu ver os Pais se esquecem de recorrer á sua intuição natural, habituados que estão a nadar em cardume. Os canais de televisão cada vez mais estão controlados (não pelos pais, é claro) pelos grandes grupos que visam o lucro e emitem quantidade em vez de qualidade para satisfazer a variedade voraz da procura por novidades quer prestem ou não, querem lá saber do conteúdo apropriado para certas idades ... puxa só agora me dei conta do longo comentário e ainda havia mais para dizer, mas depois ninguem lê eheheheheeheh :)

Jorge, parabéns pela ideia e de facultares o debate, grande abraço
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 01.03.2011 às 23:28

Paulo, o corre corre não explica tudo, eu ia mais pela parte do "enquanto eles estão a ver televisão não chateiam ninguém".. o resto é pura irresponsabilidade.

Vivemos numa era em que não se pode contrariar as crianças e muito menos quando elas vivem no meio de famílias dis-funcionais.. quantas vezes entre uma casa e outra ou no meio de uma guerra de pais?.

Eu gosto de comentários longos.. sobretudo quando fazem sentido.

Jorge
Sem imagem de perfil

De Sandra Cunha a 01.03.2011 às 00:23

Cá em casa é como na tua. Televisão só na sala e na cozinha. A da cozinha é basicamente por causa das notícias. Também se vêem documentários de vida animal ou outros ao sábado ou domingo de manhã durante o pequeno almoço.

De resto, há regras. Em relação ao tempo que se passa em frente à televisão e claro, aos programas. Telenovelas não se vêem. Se euou o pai estivermos na sala, não pode mesmo ver telenovelas, porque nós não temos pachorra. Mas não a proibimos propriamente de ver noutras alturas. Contudo, como nunca se habituou a ver, prefere sempre ver o Cartoon Network ou séries da Fox ou AXN.

Em relação a violência, bem... ela com 7/8 anos viu o Poltergeist. E eu deixei. Fui vigiando e perguntando se estava tudo bem. Conclusão: no 6º ano passaram um filme (supostamente) de terror na escola. Duas meninas tiveram de sair da sala e segundo os pais tiveram pesadelos e etc, etc. À minha impressionou o que tinha de impressionar durante o seu visionamento (que é para isso que os filmes servem). Nem medos, nem gritinhos, nem pesadelos. Sabe que é ficção.

Em relação a sexo, vê o que passa por vezes em filmes. Nada de pornográfico, mas por vezes há cenas bastante explicitas. Não lhe digo para não ver, nem para tapar os olhos, nem mudo de canal. Prefiro acompanhar e responder a alguma pergunta se ela tiver.
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 01.03.2011 às 23:30

Gosto da tua atitude.. e acho que é a forma mais correcta de tratar o assunto.. só nos pode fazer mal o que não conhecemos.. e acho que a tua filha só tem a ganhar com ter uns pais com uma mentalidade tão positiva.

Jorge

Sem imagem de perfil

De manuel a 01.03.2011 às 14:28


Sou defensor de que, se deve acompanhar sempre as crianças na interpretação da (des) informação que nos é debitada, ajudando os miúdos na desmontagem do que vimos e ouvimos, quer seja noticias, documentários, filmes, publicidade ou mesmo a animação vocacionada para as crianças.

Incuti espírito crítico desde cedo no meu filho sobre o que passa na TV, o que desenvolveu-lhe a consciência de que existem programas que são inverosímeis, e outros que são meros meios de entretenimento (mesmo com pouca ou nenhuma qualidade).

Muitas vezes aproveito o que esta a passar na TV para lançar o debate e consolidar opiniões no seio familiar sobre os todos os assuntos (o meu filho está a meses de alcançar a maioridade).

Quando ele atravessou a fase dos porquês a regra aplicada cá em casa era explicar sempre a razão de um não ou de um sim, contextualizada à idade dele.

A teimosia, por ser uma característica inata das crianças, deve servir aos pais para estimular as capacidades cognitivas dos filhos, mas também nunca abdiquei do uso do meu poder parental quando verificava a manipulação por parte do menino para obter o que pretendia.

Mas pronto, existem pais que por não saberem ou não quererem se preocupar deixam as criancinhas dominar e depois, bem depois corrigir os vícios dos meninos é bem mais complicado, alem de que pode comprometer o futuro deles por viverem numa realidade deturpada e fantasiosa.

E tenho um comentário quase tão extenso como o post em si, apesar de muito mais haver a dizer…

Abraço
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 01.03.2011 às 23:39

Manuel, essa é a atitude certa, infelizmente há muito poucos pais com essa capacidade, a maioria prefere olhar para o lado, manter as crianças quietas, não importa a fazer o quê ou com quem..desde que não chateiem

Gostei deste seu comentário, porque mostra que é possível agir de outra forma.

Obrigado
Jorge
Imagem de perfil

De Existe um Olhar a 01.03.2011 às 15:22

Passei a minha infância sem televisão...se me fez falta? de modo nenhum. Havia tempo para a família e para conversar.
O meu filho, hoje já homem, via alguns desenhos animados e um ou outro programa infantil, mas já sabia que quando chegavam as 21h 30m ia para a cama sem discussões...outros tempos, tenho a certeza que a Tv não lhe fez falta para que se desenvolvesse com equilíbrio. Já não posso dizer o mesmo em relação às crianças(alunos) com quem convivo, nem todas felizmente. O Paulo disse e muito bem que para muitos pais o que interessa é terem os filhos sossegados e nem se dão ao trabalho de vigiar o que vêem...resultado, uma má formação com consequências nefastas e que os impedem de assimilar conteúdos que realmente interessam para as suas idades, digamos que começam a comer de faca e garfo, mesmo antes de saberem fazê-lo com uma colher. Há também outro problema com o qual me defrontei muitas vezes quando ouvia dizer que a escola era uma seca, pudera, com o audio visual a competir com programas escolares e aprendizagens que exigiam trabalho, não admira que por mais que nos esforcemos para utilizar estratégias apelativas para os cativar, a coisa não resulte.
Gerir com equilíbrio e bom senso é uma arte que por mais difícil que seja, mais tarde irá dar bons frutos.

Bjs
Manu
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 01.03.2011 às 23:42

Olá Manu

Eu sou do tempo em que a televisão, o canal 1, abria às seis da tarde... a essa hora já eu lá estava sentado a olhar para a mira técnica... depois tinha direito a uns 10 minutos de desenhos animados..e era tudo.. e também não me aprece que me tenha feito mal.

As crianças de hoje em dia nem imaginam o que é crescer sem televisão durante as 24 horas..e telemóveis e computadores... e os pais não se sabem explicar.. nem controlar.. vivemos na era da informação...e as pessoas não percebem que nem tudo o que vem é bom.. que há que filtrar, explicar.

Jorge
Sem imagem de perfil

De Joana Mendonca a 09.03.2011 às 21:59

Nós temos a sorte de ter uma filha que não liga muito à TV. Vê uns minutos de bonecos por dia na unica TV que há em casa, na sala. Gosto de ver TV com ela, mesmo que esteja a ler ao lado dela ou ao computador. Tenho sido um pouco extremista, com a mania da paz, e ela nunca viu violência na TV, nem vê as noticias... As vezes penso se é bom mantê-la afastada do mundo real... Mas conversamos muito sobre tudo, e o tempo chegará para ela ter contacto com essa violência... Mesmo assim ela já tem quase 6 anos... Lá chegará a altura das novelas. Logo vejo o que vou fazer. Também oscilo entre a proibição e a autorização sem vontade :)
Como sempre, gostei muito deste post!

Comentar post



Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D