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Educar é dar o exemplo
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No outro dia nos comentários de um post do Sentaqui em que se falava sobre pagar ou não impostos, a Marta deixou o seguinte comentário:
 
"... pela parte que me toca, penso sempre no exemplo que dou aos meus filhos (e aos meus alunos que também contam muito) e jamais fujo aos meus deveres de cidadã."
 
Principio sábio o da Marta, se eu for um cidadão exemplar haverá de certeza muito mais probabilidade de os meus filhos também o serem.
 
Vem isto a propósito de um assunto que à medida que se acerca o fim do ano escolar se vai tornando cada vez mais importante por estes lados, a R. vai concluir o 6º ano e vai chegando a altura de escolher a escola que se vai seguir.  Escolher é como quem diz, supostamente existem regras definidas para a colocação dos alunos nas escolas públicas, regras que tem a ver com a morada e o agrupamento, regras que deveriam garantir que cada aluno fosse parar à escola mais próxima da sua residência, ou da do trabalho dos pais.
 
Na realidade não é nada disso que acontece, desde a cunha até moradas fictícias, passando por contratos com empresas de telemóveis que garantam uma factura para uma morada de uma loja qualquer ou até de uma loja vazia, já ouvi quase de tudo.
 
No nosso caso a escola mais próxima da nossa morada é o Liceu de Setúbal, que é a escola com melhor ranking do Distrito, logo, a mais procurada, e segundo nos vão dizendo as probabilidades da R. lá ir parar serão 0, isto apesar de lá andarem alunos que vivem em alguns casos na outra ponta da cidade e até em Azeitão, a uns 10 Kms.
 
É claro que há sempre a hipótese de fazermos como os outros e utilizarmos um esquema, que no nosso caso até seria fácil, a R. anda no conservatório e  teria prioridade, acontece que ela já decidiu que vai desistir da música, o que a deixa de fora, mas não faltou quem a aconselhasse a só desistir depois do inicio das aulas, de modo a garantir a vaga  no liceu. .. 
 
Lá tivemos que lhe explicar que além de isso não ser honesto, iria contribuir para tirar o lugar no conservatório a alguém que goste mesmo de música, e mesmo que as suas amigas façam isso, nós não fazemos... porque isso não é exemplo que se dê aos filhos.
 
Em Setúbal há escolas suficientes para todos os alunos, mas há muito que faz falta uma enorme volta e muita moralização na forma como as crianças são colocadas, todo o mundo conhece os esquemas, todo o mundo conhece alguém que sabe das cunhas, não percebo é porque ninguém faz nada para mudar a situação.
 
Jorge Soares

publicado às 21:55


22 comentários

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De xana a 10.03.2011 às 23:16

Oh Jorge, francamente! Ainda não estou em mim, ao ler o teu post. Nem parece, que já percebeste que o teu exemplo é só a ponta do iceberg... esta é a moral vigente deste país em todos os quadrantes, sendo o político um dos principais. Tu, eu, e mais outros tantos sabemos que isto se passa em quase todo o lado, e é por estas razões e outras semelhantes que andamos de cavalo para burro, que o mérito não serve quase para nada, se não for metida uma cunha. Os cunhas são muito mais que os que aparecem na lista telefónica... até eu... não fosse uma cunha e ainda andava a correr para o centro de emprego... qual mérito, qual carapuça... agora mereço o meu posto de trabalho e muito mais, mas não fosse a cunha... eu que sempre as recusei, tive de me render, ou continuava a navegar numa maré vazia, e note-se, o que faço nada tem que ver com a minha formação, nem o salário que ganho...
No entanto, acho que tens razão, ser honesto vale muito mais, e eu mesmo com cunha nunca menti sobre qualificações, tenho é a sorte de puder fazer qualquer coisa, que me adapto a tudo, haja vontade. Só é pena, é que ser honesto, tenha menos valor que mentir, ou falsificar recibos e facturas, para se obter algo a que não se tem direito.´
É por razões como esta, que há canções consideradas estranhas a ganhar festivais, e manifestações à rasca, para políticos ainda mais à nora verem e nada fazerem... porque esta é a moral vigente, e os tachos são garantidos, pelo menos enquanto duram os mandatos...
bjks
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De Jorge Soares a 13.03.2011 às 15:40

Xana

Só ser honesto vale... mesmo entendendo a tua situação, aquilo que eu deixo aos meus filhos de mais valioso é a sua educação... talvez eu não consiga dar só bons exemplos, mas quero sobretudo dar bons exemplos.

Beijinho
Jorge
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De Anónimo a 11.03.2011 às 01:18

“Educar”

Educar é mostrar a vida
A quem ainda não a viu
Por certo já muito sorriu
Mas a vida é desconhecida

Os olhos têm de ser educados
E também as sensibilidades
De nada valem as habilidades
Sem os sentidos bem apurados

Olhos são início do pensamento
Meios do nosso conhecimento
E a razão da vida é a sabedoria

Olhos reflectem o mundo lá dentro
Revelam a alegria de cada momento
Jardim na criança floresce dia a dia.


( Agradecimento especial a Ruben Alves, nascido a 15 de Setembro de 1933, em Boa Esperança, Minas Gerais, mestre em teologia, doutor em filosofia, psicanalista e professor )
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De Anónimo a 11.03.2011 às 01:50

“Preocupação”

Já há muito não se via
Um secretário de estado
Muito muito preocupado
C’o jovem desempregado

Aproveitem a embalagem
E alastrem a preocupação
Convoquem manifestação
Seguida de um arrastão

Arrastem c’a vossa alegria
Esta malta que já não via
Preocupar-se nem um dia

Chamem os homens da luta
Incomodam gente impoluta
Já que eles gritam à bruta.
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De Anónimo a 11.03.2011 às 07:44

“Faz-te à estrada”

Eu lembro-me do tempo
Em que não havia nada
A malta fazia-se à estrada
Pr’a não se ver enrascada

Hoje olhas com relutância
E uma relativa ignorância
Mas vives na abundância
Desemprego é passatempo

Faz-te à estrada novamente
Que o ouro está-se a acabar
Não podia durar eternamente

Deves começar já a escavar
E procurar reter na mente
Aqueles tempos de penar.
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De manuel a 11.03.2011 às 13:53


Eu ainda sou do tempo que ser um bom menino significava, não fazer xixi na cama nem ser mal-educado, fazer os trabalhos de casa, ficar contente com as notas dos testes, deixar o quarto mais ou menos arrumado, não dizer asneiras, falar respeitosamente com os mais velhos, coisas simples de serem aprendidas.

Nos dias de hoje em que se colocam em causa valores como honestidade e integridade, os pais, têm o papel principal na estruturação do carácter dos filhos, e sem perceberem encorajam os filhos a seguirem os seus passos, através da atitude que adoptam perante a forma de ser e de estar na vida.


Com o meu filho nunca tive problema em ele ficar colocado na escola que pretendia, é consequência de não viver num centro urbano, e pelo conhecimento que tenho, em virtude de ser o representante de Pais e Encarregados de Educação no Conselho Executivo, não tem havido dificuldades no Agrupamento.

Abraço
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De Jorge Soares a 13.03.2011 às 15:43

Manuel

Vivemos numa época em que a generalidade dos pais não terá muito para deixar aos seus filhos, eu pretendo deixar sobretudo o exemplo.. o bom exemplo.

Há imensas vantagens em viver num meio mais pequeno... por vezes penso nisso.

Jorge
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De Visitante Assiduo a 11.03.2011 às 14:37

Olá Sr. Jorge!
Estou no mesmo barco que tu neste momento, mas o meu caso é mais interessante! Vivo entre agrupamentos de 2 escolas e de 2 concelhos diferentes; mesmo na linha do meio entre a escola que a cria pode ficar / continuar e a hipótese de um agrupamento diferente mas mais perto de casa e com acesso a transportes… e as outras que não queremos que vá - todas publicas.

Agora começa o engraçado desta aventura… todos os anos mudam as regras de colocação dos miúdos.
No ano passado houve miúdos que reuniam os critérios todos desde idade e morada – moravam na rua da escola – foram colocados na pior escola ( ultima escolha) da zona sem que nunca os processos tivessem passado pelas outras escolas de preferência. Houve pais que depois disto fizeram esperas ao director da escola a pedir justificações… HOUVE MUITAS CUNHAS…despacharam os miúdos directo.
Está errada esta situação? Está.

Mas digo-te uma coisa, se me mandarem a cria para uma escola que não quero ou que não poça ir , também eu vou pedir justificações e vou mexer os cordelinhos necessários, cunhas e afins… e quem não o fizer é PARVO! Mas atenção! Só me mexo depois de saber a escola e os motivos. Tento não prejudicar ninguém, mas não me lixem!

Sei que não concordas com isto; mas pensa que ao educares os teus filhos pela razão certa podes estar ao mesmo tempo a ser injusto para com eles; ao negar-lhes algo a que eles tem tanto direito como os outros ou mais. No meu caso ensino que tudo tem uma forma certa de se fazer mas, que por vezes existem certas excepções. O caminho direito ás vezes tem curvas.

Infelizmente estamos no auge da lei da sobrevivência em que por vezes é preciso alinhar no Chico-espertismo.
Posto isto , podem ralhar á vontade.
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De Jorge Soares a 13.03.2011 às 15:46

Tu não és visitante desse tempo, mas algures pelo inicio do blog está a minha saga com a mudança das crianças para o público... na altura a responsável do agrupamento chegou a ameaçar-me com a policia depois de uma das esperas... e não valeu de nada queixas para a DREL .. a sensação com que fiquei é que há pessoas que são donas dos agrupamentos.

Jorge
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De Mia a 11.03.2011 às 15:09

Olá, Jorge!!

Tenho conhecimento de casos identicos por aqui, na minha zona. Neste caso um pai resolvereu o problema de outra forma: Cartinha, denuncia, À DREL. Primeiro o agrupamento disse que não havia vaga, que não há, que não há. A criança que morava a escassos metros da escola teria que ser inscrita noutra escola, com piores condições, longe da sua area de residencia. Resultado: nem 15 dias passados já havia vaga... enfim!!

bjinho
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De Mia a 11.03.2011 às 15:14

Ah... dar bons exemplos aos filhos também é demonstrar que se pode obter as coisas de forma licita, sem ter que usar recursos manhosos. Dar bons exemplos tambem passa por lutar por aquilo que se quer, e se tem direito, e não baixar os braços perante a primeira recusa.

Concordo contigo, Jorge! O nosso comportamento é o espelho dos nossos filhos.

Bjinho
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De Jorge Soares a 13.03.2011 às 15:48

Olá Mia

Eu já passei por isto antes...e já fiz queixas à DREL..e o que senti é que não vale de nada, parece que há pessoas que são donas dos agrupamentos escolares e fazem e desfazem a seu bel prazer... a mim chegaram-me a ameaçar com a policia para eu me calar.

Jorge
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De sentaqui a 11.03.2011 às 15:58

Jorge
Eu sou daquelas que esgoto todas as hipóteses até perceber que não consigo ir pelo caminho mais correcto, aquele que me ensinaram e que eu tento cumprir.
Quando se trata de um filho e de escolher o que é melhor para ele eu não me coibo de fazer alguns desvios inocentes quando de antemão sei que não vou prejudicar ninguém.
Estive a pensar no caso da R. , desculpa lá discordar de ti, mas eu para garantir que ela ia para uma boa escola, onde poderia ter mais sucesso, onde teria a maior parte dos colegas, penso eu, não hesitaria em prolongar a matrícula na escola de música, até porque se houver alguém interessado, haverá sempre uma lista de espera, logo alguém com vontade e gosto pela música, não verá a sua entrada vedada por causa da tua filha, é uma questão de um mês ou dois.
Percebo que queiras dar-lhe uma noção do que é ou não correcto e justo, mas será justo vedares-lhe a possibilidade de uma boa aprendizagem e de garantir bons alicerces na sua formação académica?
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De Patricia a 11.03.2011 às 17:46

Eu como mãe, opto pelos bons alicerces morais!
Como mãe im porto-me mais que ela aprenda a ser honesta, integra e a olhar pelo proximo. E educa-se pelo exemplo. Se eu lhe digo que é licito mentir para garantir um lugar numa boa escola, como vou poder critica-la quando ela me mentir para conseguir algo do seu interesse??
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De Jorge Soares a 13.03.2011 às 15:50

Há princípios que só nós podemos transmitir aos nossos filhos, como estão as coisas não haverá muito mais que eu possa deixar aos meus filhos para além do exemplo de vida... eu espero deixar o exemplo da honestidade... mesmo que ela vá parara a uma escola que não esteja tão bem no ranking

Jorge
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De DH a 11.03.2011 às 16:23

Olá Jorge
Percebo perfeitamente o que dizes do "dar bons exemplos".
Mas eu nem punha essa questão dos exemplos. Não quer música não se inscreve numa turma do Conservatório de Música, tão simples quanto isto.
Agora, eu também não me calaria se soubesse que a Escola da minha área de residência não tem vaga para um filho meu e depois vai ter vaga para outros que não moram ali.... Aí sim, aí teriam de me justificar muito bem a falta de vagas.
Vais ver que a R. fica na Escola que querem, tratem de tudo e esperem.
Beijinho
Dulce
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De Jorge Soares a 11.03.2011 às 16:53

Dulce.. eu não tinha tanta certeza, já passei por isso e a coisa correu tão, mas tão mal, que numa das muitas vezes que eu lá fui a directora do agrupamento ameaçou com chamar a policia para eu parar de reclamar.....

Jorge
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De geriatriaaminhavida a 11.03.2011 às 17:01

Infelizmente nem todas as pessoas pensam assim.
Só se interessam com elas proprias, regras e leis não são para elas.
Cá em casa as lei são para cumprir e desonestidade por vezes até poderia puxar a "brasa "à nossa sardinha, mas a nossa consciência ´gosta de sossego.
Apesar de ser assim que educamos a nossa filha, ainda por vezes se sai com algo do genero: mas os outros não fazem assim".
Ainda hoje fui levar o lixo ao contentor e a tampa estava aberta( coisa frequente), coloquei lá o lixo e fechei a tampa e a minha filha disse-me" Mas para que é que fechas o contentor se os outros o deixam aberto?"
A minha resposta foi:"Eu faço o que acho correcto e não é por o nosso predio ser afastado do contetor que eu não penso nas pessoas que vivem encostadas e têm de levar com o cheiro."
A resposta torcida dela:" Ai mãe, és tão certinha!"
Está a ver jorge?
Mesmo com a educação que lhe damos por vezes ouvimos assim umas respostas um pouco...ironicas.

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De Jorge Soares a 13.03.2011 às 21:33

Infelizmente a mim parece-me que somos cada vez menos a pensar assim.. cada vez é mais difícil educar as crianças à nossa imagem.

Jorge

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