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Os terremotos são certos é o destino

 

"Durante una cena en Tokio me hicieron una vez una pregunta que me pareció trivial. ¿Qué pedazo de sushi te comes el último? Algunos trozos se consideran los mejores: la anguila, la ventresca de atún. Yo los dejo para el final, dije, sin darle importancia a mi respuesta.

 

Mi interlocutor, japonés, me explicó que se comía los mejores trozos al principio de la comida. Los pedazos más vulgares eran los últimos, para matar el hambre. ¿Por qué? Me respondió: si ocurre un terramoto ya me los habré comido."

 

Retirei este texto do Blog Notas de Fukushima, é um texto que expressa na perfeição a forma de ser e de encarar as circunstâncias de vida de todo um povo. No Japão os terramotos são parte do dia a dia. Uma das coisas que me impressionou no primeiro dia, foram os vários relatos de cidadãos estrangeiros em Tóquio sobre a forma como os colegas japoneses reagiram ao facto de o mundo estar a abanar. Vi uma fotografia em que se viam dois ocidentais debaixo de uma mesa num escritório e à volta estavam japoneses de pé a olhar para eles... esclarecedor.

 

Hoje, olhando para a que se passou no Japão, uma sociedade em que as leis e as regras são cumpridas em nome da honra, uma sociedade que vive com a certeza de que estas coisas vão acontecer só não se sabe é quando, vendo tudo o que se passou eu não consigo deixar de pensar o que acontecerá por cá quando  isto acontecer,.... e sim, por cá também é certo que isto irá acontecer, só não se sabe é quando. O que aconteceria a Cidades como Lisboa, Setúbal ou Aveiro caso aconteça um Tsunami como aquele que vimos quase em directo pela televisão? Até onde chegaria a destruição no estuário do Tejo?

 

Eu também sou apologista de deixar o melhor bocado para o fim.. depois de pensar um pouco, de pensar na forma como por cá na hora de construir a única honra que existe é a do lucro fácil, depois de vermos coisas como as que aconteceram na Madeira há um ano e que mais que culpa da natureza são culpa do homem e da forma como não sabe ordenar a ocupação do solo.. depois de tudo isto... acho que vou passar a ser como os japoneses e comer primeiro os melhores bocados... 

 

Jorge Soares

publicado às 22:06


10 comentários

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De xana a 16.03.2011 às 00:27

Eu também guardo o melhor pedaço para o fim, para saborear e manter por mais tempo essa sensação. E como nem acredito muito que a terra vá tremer quando estiver a comer, vou continuar a fazê-lo...
Acredito que por cá, quando tremer será pela noite, quando estivermos a dormir, com a sorte que temos é só a forma de piorar as coisas, e também pelos registos anteriores de maior magnitude. A placa de Goringe (a que costuma ser pior para nós), costuma tremer de madrugada, ou logo pelo romper da manhã. Existem outras, mas são continentais, menos susceptiveis de causar Tsunamis. Acho que existe mais uma falha oceânica algures ao largo de Sintra, mas é menos activa (o que pode significar maior problema numa possivel movimentação, afinal quando mexer poderá ter maior amplitude).
Não nos bastam a geografia, e o terramoto de 1755, para lição... Mas quando acontecer, será mais devastadora para nós... não existem regras de construção antisísmicas que assegurem protecção válida, logo 85% da construção deverá cair ou ficar seriamente abalada. A baixa de Lisboa e parte da de Setúbal (Av. Luisa Tody) estão construidas sobre terrenos instáveis roubados ao mar... entre tantos outros problemas da costa portuguesa, como por exemplo a extensão de Algarve (tirando a ponta de Sagres e região mais próxima) que me parece ser abaixo do nivel do mar...
Enfim, pode-se mesmo dizer que neste caso somos carne para canhão... só não entendo é como há pessoas a dizer que o que nos podia salvar desta crise seria um terramoto ou um Tsunami... como se fossemos ficar ricos com as ajudas internacionais humanitárias, como se isso fosse mais importante que qualquer vida perdida numa tragédia dessas.
Esperemos que não aconteça, embora as probalidades de acontecere, superem em muito as de não acontecer.
bjks
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De Jorge Soares a 16.03.2011 às 23:39

Olá Xana

Bom.. tu és um tratado.

Eu gosto de geografia..e tinha mais ou menos a noção de como as coisas são.. assim como tenho a perfeita noção de que um terremoto como aquele teria por cá o efeito que teve o do Haiti lá....

Não concordo contigo é na parte de que será de noite.. à profundidade que se dão estas coisas não há noite nem dia.

Beijinho
Jorge
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De DH a 16.03.2011 às 13:30

Olá Jorge.
este teu post já me deixou deprimida... e o comentário da Xana apertou ainda mais o nó no estômago.

Neste momento o mundo todo se deveria questionar sobre o que aconteceu no Japão. sobre a fragilidade humana face a este tipo de desastres naturais.... e se vale a pena tanta ganância.

Em vez disso dá-me a sensação que a maior parte das pessoas continua só a olhar para o seu quintal, e a achar que é mais feliz se mais roubar ao seu irmão. Desculpa... estou um bocadinho azeda com as notícias do IVA de 6% para o Golfe e com a do aumento dos gastos com pessoal na AR.

Não guardo o melhor pedaço para o fim nem o como no princípio. Devo ser um bocadinho anárquica na minha forma de comer, vou comendo do que gosto mais e do que gosto menos ao longo da refeição. Se me derem um bolo com uma cobertura que adoro, não guardo a cobertura para o fim, se estou a comer uma tacinha de frutos secos vou misturando, mesmo que goste mais dos pistácios e menos das avelãs.. Sei lá... fiquei a pensar que não sou normal

Quando acontecer por cá vai ser horrível, Jorge, não sei quantos de nós sobrarão para contar.

Lá vou eu deprimida daqui...
Beijinhos
Dulce
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De xana a 16.03.2011 às 23:26

Dulce, desculpe se o meu comentário a fez pensar de forma diferente nestes assuntos. Longe de mim, deixar as pessoas deprimidas... eu sou apenas alguém que retém informação sem grande esforço, e que para além desse facto gosta de noticiários, de estar informada, de saber o que se passa à minha volta, neste mundo redondo e mais pequeno do que imaginamos. No entanto nestes assuntos temos de ser realistas, para estarmos minimamente preparados... para não entrar em pânico.
O mundo é mesmo assim.
:)
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De Jorge Soares a 17.03.2011 às 19:57

Tu és é uma enciclopédia.. além de uma comentadora 5 estrelas...

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De Jorge Soares a 17.03.2011 às 19:56

Dulce, há coisas às que não podemos fugir, a natureza é sábia e tende sempre para o equilíbrio.. os terramotos fazem parte ..e nós temos é que aprender a viver com eles.

A ideia do meu post não era assustar, é mais um constatar da realidade... e um olhar para a forma como outros povos vivem estas situações.

Jorge
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De Paulo a 16.03.2011 às 16:13

Jorge, se acontecer por cá um terremoto à escala 8,9 e com as nossas estruturas de edificações pouco preparadas, não fica pedra sobre pedra.

O pior é pensar que isto a acontecer na Península Ibérica tal terremoto, é indiferente o epicentro, a Espanha tem 5 ou 7 centrais nucleares que podem também fissurar e explodir tal como aconteceu no Japão muito mais preparado para tremores!

É melhor não pensarmos nisso, é melhor passarmos a comer como indica o conselho: o melhor de cada prato no principio e o que menos gostamos no término da refeição

Abraço
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De Jorge Soares a 17.03.2011 às 20:06

Olá Paulo

Sim, se acontecer um terremoto destes por cá o resultado será o que aconteceu no Haiti, não ficará pedra sobre pedra.. nem quero pensar no efeito que teria sobre as centrais nucleares espanholas.

Não sei é se o melhor é não pensarmos no assunto ou pensarmos seriamente.

Abraço Paulo

Jorge

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De stiletto a 16.03.2011 às 22:34

Povo sábio, o japonês. Não mereciam a desgraça que lhes aconteceu (e que continua, ainda, com o problema das centrais nucleares). Eu costumo deixar o melhor para o fim mas, tendo em conta que não estamos livres de um tremor de terra de grandes proporções, acho que vou começar a fazer ao contrário e comer o que gosto mais logo no ínicio. Aliás, o melhor mesmo é aproveitar o melhor que a vida tem antes que nos aconteça uma tragédia qualquer!
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De Jorge Soares a 17.03.2011 às 20:10

Muito sábio..e disciplinado..e organizado, a maioria dos jornalistas que por lá anda não se cansa de admirar a forma ordeira como reagem e fazem filas para tudo.. hoje lia que alguém comentava o facto de não haver comida nas cidades, os supermercados estão fechados e com coisas lá dentro, mas ninguém parte uma montra para retirar o que está ali à vista.

Deveríamos olhar para eles com olhos de ver.. em todos os sentidos

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