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Houve um tempo ....

por Jorge Soares, em 16.03.11

 

Flor de macieira

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

 

Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia 
ser feita de giz. Perto da janela havia um 
pequeno jardim quase seco. 
Era uma época de estiagem, de terra 
esfarelada, e o jardim parecia morto. 
Mas todas as manhãs vinha um pobre 
com um balde e, em silêncio, ia atirando 
com a mão umas gotas de água sobre 
as plantas. Não era uma rega: era uma 
espécie de aspersão ritual, para que o 
jardim não morresse. E eu olhava para 
as plantas, para o homem, para as gotas 
de água que caíam de seus dedos 
magros e meu coração ficava 
completamente feliz. 
Às vezes abro a janela e encontro o 
jasmineiro em flor. Outras vezes 
encontro nuvens espessas. Avisto 
crianças que vão para a escola. Pardais 
que pulam pelo muro. Gatos que abrem 
e fecham os olhos, sonhando com 
pardais. Borboletas brancas, duas a 
duas, como refletidas no espelho do ar. 
Marimbondos que sempre me parecem 
personagens de Lope de Vega. Às 
vezes um galo canta. Às vezes um 
avião passa. Tudo está certo, no seu 
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me 
sinto completamente feliz. 
Mas, quando falo dessas pequenas 
felicidades certas, que estão diante de 
cada janela, uns dizem que essas coisas 
não existem, outros que só existem 
diante das minhas janelas, e outros, 

finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles
 
No Sábado o tempo estava nublado e com promessas de chuva, mal cheguei reparei na ameixoeira coberta de pequenas flores, e não tardei a pegar na máquina, não fosse a chuva aparecer mesmo e deixar  a árvore lavada... estava um pouco de vento que dificultava a focagem...
 
Flores de ameixoeira no quintal da minha mãe
Alviães, Oliveira de Azeméis
Março de 2011
Jorge Soares

 

 

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publicado às 23:19


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