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Sobre convicções e a Isabel Allende

por Jorge Soares, em 17.02.08

 

"Contou-nos esta história com a eloquência de uma consumada actriz de cinema mudo, punha os olhos em branco, disparo na cabeça, caia ao solo, empunhava um bisturi, cortava, arrancava órgãos, tudo com um detalhe que à minha mãe e a mim nos dava ataques de riso nervoso, ante o olhar horrorizado dos outros, que não conseguiam entender o que raio é nos parecia tão cómico. O riso alcançou níveis de histeria quando a Lili acrescentou que numa ocasião tiveram um acidente quando regressavam da prisão, o médico teve morte instantânea e ela ficou ali, abandonada num descampado, com um cadáver estripado ao volante e um carregamento de órgãos humanos repousando no gelo.

 

Muitas vezes me pergunto se entendemos bem a historia, se foi uma brincadeira da Lili ou se na realidade esta encantadora mulher, que vai buscar os meus netos à escola e trata a minha cadela como se fosse sua filha, passou realmente por essas horríveis experiências .

 

-Claro que é verdade - opinou a Tabra quando lhe contei - Na china há um campo de concentração associado a um hospital de donde desaparecem milhares de pessoas. Arrancam-lhe os órgãos   e cremam os corpos. Os refugiados que trabalham para mim contam historias terríveis como essas. Nos seus países há pessoas tão pobres que vendem os rins para alimentar os seus filhos

 

-E quem os compra, tabra ?

-Os ricos, inclusive aqui na América. Se um dos teus netos precisar de um órgão para continuar a viver, e alguém te oferecer um, não comprarias sem fazer perguntas?"

 

Retirado de La Suma de los dias" de Isabel Allende , tradução minha.

 

Se há coisa que aprendi há muito tempo é que nunca sabemos como vamos reagir ante uma determinada situação, há alturas da nossa vida em que todas as nossas convicções caem como um castelo de cartas, porque somos humanos.

 

E você, ante a situação descrita acima, o que faria?

 

Jorge

 PS:imagem retirada da internet

 

publicado às 12:10


9 comentários

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De sonjita a 17.02.2008 às 23:51

Uma boa pergunta.... bem, depende da situação, no meu caso, do ver ou não ver. Se alguém me aparecesse à frente com um rim prontinho a usar, acho que aceitava apesar de saber a sua origem. Agora se me aperecesse alguém à frente a dizer que me cedia o rim dele em troca de dinheiro... aí não me parece... acho que não conseguia se tivesse que visualizar caras. Bem, mas como bem disseste, só sabemos como actuamos numa determinada situação quando nos deparamos com ela... isto é só o que eu acho!!!
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De Teia d´Aranha a 18.02.2008 às 00:07

É uma questão muito delicada! É óbvio que sou contra o tráfico de órgãos! Mas também sei que há momentos em que tomamos atitudes que julgávamos não sermos capazes de tomar...
O meu pai sofreu de insuficiência renal durante mais de 25 anos, hemodálise era o "prato do dia", foi submetido a vários transplantes que nunca foram bem sucedidos... Nunca soube o que era qualidade de vida... Não imaginas como eu gostaria que tivesse havido um rim que tivesse permitido ter o meu pai mais tempo aqui...

Beijinho
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De Jorge Soares a 20.02.2008 às 00:00

É isso mesmo, só quando passamos pelas coisas é que sabemos...

beijinho amiga
Jorge
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De Crisálida a 18.02.2008 às 02:59

Ah, amigo, nem me fale em convicções... As minhas ruiram por completo no último ano, e estou a reconstruir-me inteira. Não é fácil, mas de uma certa forma é renovador.

Quanto ao tráfico de órgãos é uma realidade um tanto aterradora... Aqui no Brasil há muita especilação, e vez outra aparece no noticiário alguma coisa nesse sentido que causa uma enorme comoção popular.

Eu só não sei onde termina e onde começa a máfia... Geralmente um negócio só existe quando há consumidores finais... E sim, deve haver quem prefira consumir algo tão tenebroso, do que perder a vida, ou alguém que ama... Se há pessoas sem o menor sentido de ética entre os sãos do corpo, por que não haveria também entre os doentes que precisam de transplantes?

Mas no entanto, não sei, por ignorancia mesmo, se isso é algo só entre a máfia e os profissionais da saúde, sem que o doente tenha noção do que se passa...

Beijos, amigo! :-)
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De Jorge Soares a 19.02.2008 às 23:58

Olá amiga

Nestas coisas o melhor mesmo é nem pensarmos... quando li o livro fiquei um bocado chocado,mas pensando bem será que há algo que eu não fizesse pela vida dos meus filhos?.

Beijinho
Jorge

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De thathys a 18.02.2008 às 14:58

Por acaso fiquei a pontos de não saber o que responder... mas se tivesse dinheiro e precisasse... sou diabética, por isso se houvesse uma cura em que seria necessário um pâncreas "novo" acho que nem sequer perguntava...
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De Jorge Soares a 19.02.2008 às 23:54

Olá

É uma situação dificil, todos nós somos idealistas, mas há situações na vida em que simplesmente fazemos o que é preciso fazer..

Obrigado pela visita.

Jorge
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De daplanicie a 19.02.2008 às 12:55

Embora reconheça estar errada, a minha resposta teria que ser um rotundo SIM porque pelos meus filhos precisasse de algo para viver eu seria capaz de fazer tudo o que fosse necessário!
Cumprimentos
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De Jorge Soares a 19.02.2008 às 23:51

Olá

Errada?... bom, nesse caso estamos os dois errados, porque foi excatamente o que eu pensei!

Obrigado pela visita e volte, por favor!

Jorge

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