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O que é a Taxa Social única?

por Jorge Soares, em 15.05.11

O que é a Taxa Social ùnica?

Imagem de aqui

 

Taxa social única é uma expressão que entrou em nossas casas na última semana, na realidade ela foi trazida à ribalta pelo memorando da Troika, memorando que recorde-se foi assinado pelos 3 principais partidos, PS, PSD e CDS. Foi portanto com algum espanto que vi a forma como todos os partidos a utilizaram como arma de arremesso durante esta semana. Mas o que é realmente a Taxa social única? 

 

Um destes dias dizia a Sandra o seguinte no Facebook:

 

TSU - Taxa Social Única é um imposto pago em % dos ordenados dos trabalhadores pelas empresas.

A taxa aplicável é de 34,75%, dos quais 11% já são pagos pelos trabalhadores e 23,75% pelas empresas.

20,21% da taxa global é utilizada para cobrir as despesas do Estado com a velhice, 0,5% para doença profissional, 1,41% para doença, 0,76% para a parentalidade, 5,14% para desemprego, 4,29% para invalidez e, por último, 2,44% em caso de morte.

 

Na verdade não é só isto, é uma taxa social sim, mas não é única, porque existem percentagens diferentes pelo menos para os órgãos sociais das empresas e para empregados com algum grau de invalidez.

 

Como bem diz a Sandra, os valores pagos pelas empresas todos os meses são o garante da solidez financeira da segurança social, o que se traduz em reformas, funcionamento da caixa de previdência e hospitais, etc.

 

O que se pretende com a redução destas taxas?, em primeiro lugar aliviar custos fixos das empresas, pagando menos ao estado estas ficam com mais capacidade financeira para investir, investimentos que se poderiam traduzir em mais empregos e mais exportações. A médio prazo isto deveria traduzir-se numa enorme ajuda para superarmos a crise.

 

Do meu ponto de vista, os 23,75 % que pagam directamente as empresas são o principal motivo para a existência de tantos falsos recibos verdes e em último caso de uma Geração à rasca, para não ter que pagar esta percentagem as empresas preferem contratar a recibos verdes ou em outsourcing, reduzindo os custos fixos,  descer a taxa contribuiria para diminuir a precariedade.

 

É claro que, resta saber como seria compensada a menor entrada de dinheiro na segurança social, e aqui é a parte onde de todo não concordo com o PSD, se a alternativa é aumentar o IVA o que parece é que estamos a penalizar a população para beneficiar as empresas, e aí, eu não posso concordar.

 

Em suma, descer a TSU é uma medida que terá efeitos positivos para criar emprego e aumentar as exportações, e como disse no inicio, é uma imposição da Troika, pelo que Sócrates e o PS estão a ser demagogos quando criticam o PSD. É uma medida que terá que ser tomada seja quem for que ganhe as eleições a 5 de Junho, haverá que buscar alternativas para evitar a descapitalização da segurança social, e aí eu inclino-me fortemente para o que tem sido uma das batalhas do Bloco de Esquerda: aumentem-se os impostos aos lucros dos bancos, taxem-se as mais valias em bolsa e as transferências de dinheiro para fora do país.

 

Faltam 3 semanas para as eleições, os debates que vi foram pobres e pouco esclarecedores, debateu-se muito a Taxa Social Única e pouco as propostas sérias que cada um tem para governar, ou como disse alguém, muitos pentelhos ... e pouca uva... continuo à nora sobre em quem irei votar.

 

Jorge Soares

publicado às 22:08


15 comentários

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De Anónimo a 15.05.2011 às 23:30

“Quinhentos paus”

Euro prestes a desmoronar
Diz-se lá pl’a velha Europa
Não uso prego nem estopa
E nem vos quero assustar

Temos que nos preparar
Com pompa e circunstância
Para receber sem arrogância
Velho escudo que vai voltar

Eu até já tenho saudades
Quanto é? Quinhentos paus
Haverá algumas dificuldades

Pois por cada euro trocado
Recebes duzentos, é o fado
Ficas completamente derreado.
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De Aespumadosdias a 16.05.2011 às 00:17

Alguma vez 1 redução de 4% ao longo dos 4 anos trás às empresas melhorias mas suas contar. Não deviam ir por aí.
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De Jorge Soares a 16.05.2011 às 00:40

Vou-te dar um exemplo a ver se consegues olhar de outra maneira.

Uma empresa com 500 trabalhadores com uma diminuição de 4% pagará perto de 40000 Euros menos por mês, ora,s e multiplicares isto por 14, verás que são perto de 500000 Euros ... Isto é dinheiro que se veja...e que dá para bastante investimento.

Jorge

Jorge Soares
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De António Manuel Dias a 16.05.2011 às 00:25

Estás a supor que as empresas se comportam como agentes responsáveis da sociedade e não como entidades em que o único objectivo é o lucro:

1. "Do meu ponto de vista, os 23,75 % que pagam directamente as empresas são o principal motivo para a existência de tantos falsos recibos verdes e em último caso de uma Geração à rasca". Não. A existência de tantos recibos verdes é o facto das empresas não quererem assumir a responsabilidade pelo trabalhador. É apenas mais um sintoma do desporto favorito dos portugueses -- fugir aos impostos.

2. "Em suma, descer a TSU é uma medida que terá efeitos positivos para criar emprego e aumentar as exportações". Não. É uma medida que irá aumentar os dividendos para os accionistas e a folga para pagar prémios aos administradores no final do ano.

3. "Do meu ponto de vista, os 23,75 % que pagam directamente as empresas são o principal motivo para a existência de tantos falsos recibos verdes e em último caso de uma Geração à rasca". Isso depende de quem os portugueses escolherem para governar o país, os gatos ou os ratos (http://www.youtube.com/watch?v=MEL48khJHRQ). Nem todos se comprometeram com o memorandum.
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De António Manuel Dias a 16.05.2011 às 00:30

A última citação deveria ser esta:

"É uma medida que terá que ser tomada seja quem for que ganhe as eleições a 5 de Junho".

Só assim o comentário faz sentido: Isso depende de quem os portugueses escolherem para governar o país, os gatos ou os ratos (http://www.youtube.com/watch?v=MEL48khJHRQ). Nem todos se comprometeram com o memorandum.

E já agora, dizes que se tem debatido pouco as propostas sérias que cada um tem para governar. Isso depende dos partidos a quem dás atenção...
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De Jorge Soares a 16.05.2011 às 00:47

António, os dois partidos que não assinaram o memorando, infelizmente não chegam entre os dois aos 20% dos votos, e dado que não o assinaram, do meu ponte de vista não podem aceitar ser parte do governo em coligação com qualquer dos outros 3 partidos, logo, por muito que tu eu eu gostássemos que fosse de outra maneira, não há volta a dar, e quem vai governar vai assumir as responsabilidades e tomar as medidas que assinou.

Isto claro, partindo do principio que Bloco de Esquerda e PCP não se vão deixar levar pela sede de poder e fazer parte de um governo com o PS, dando o dito por não dito...

Jorge
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De António Manuel Dias a 16.05.2011 às 00:59

Em primeiro lugar não foram só dois partidos que não assinaram o acordo. Aliás, de todos os partidos concorrentes à eleições (mais de uma dúzia) apenas três o fizeram... os do costume.

Em segundo, as eleições são dia 5 de Junho e só aí se saberá quem os portugueses escolheram e com que representação relativa. O único voto útil é o que é feito de acordo com as ideias de cada eleitor, tudo o resto é um desperdício.
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De Jorge Soares a 16.05.2011 às 00:33

António, partes do Principio que os empresários são todos iguais e só pensam no lucro... é o teu ponto de vista, eu parto do principio que há empresários sérios que pensam em investir e em fazer crescer as suas empresas.

Agora, se esquecermos os pontos de vista, e olharmos só para o ponto de vista económico, esta é uma medida que irá criar emprego e aumentar a exportação.

Jorge Soares
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De António Manuel Dias a 16.05.2011 às 01:05

Uma empresa suficientemente grande onde estes 4% (ou serão 8?) sejam algo mensurável no final do ano não necessita deles para investimento -- apenas para acrescentar mais um pouco aos seus lucros. Nas pequenas e médias empresas isso não fará qualquer diferença.
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De Jorge Soares a 16.05.2011 às 01:19

António, eu não sei o que é para ti mensurável, mas pelos meus cálculos, numa empresa com 500 empregados no fim do ano a redução seria de mais ou menos 500000 euros.... garanto-te que isso faria muita diferença.

Jorge Soares
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De Sandra Cunha a 16.05.2011 às 00:32

De salientar que a TSU paga pelas empresas não é dinheiro das empresas. É dinheiro do trabalhador. Do seu salário indirecto.

Se estiveres interessado, podes ver aqui a notícia, vídeo e um PDF com a proposta completa do Bloco sobre isso:

http://www.esquerda.net/artigo/bloco-prop%C3%B5e-%E2%80%9Crefunda%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D-da-seguran%C3%A7a-social
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De Jorge Soares a 16.05.2011 às 00:36

Sandra, tu por acaso já olhaste para um recibo de ordenado? Eu já, diz lá, Taxa de segurança Social, 11%, que é a parte que me toca e que eu desconto todos os meses, os restantes 23,75 % não estão lá. porque é a parte da empresa.

Jorge
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De António Manuel Dias a 16.05.2011 às 00:48

Nem é do trabalhador nem da empresa. É de todos. É a contribuição que todos damos para a segurança de todos (é a empresa que paga, tal como paga todo o resto do salário e impostos do trabalhador e o trabalhador que não recebe, tal como não recebe nenhum dos outros impostos que são retirados do seu ordenado).
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De Anónimo a 16.05.2011 às 00:49

“Candidato africano”

Passos Coelho está frito
Diz o douto prof Marcelo
Isso não será nada bonito
Mas surge o apelo singelo

Sou o candidato africano
Apesar de ser branquinho
Poderei até ser mexicano
Se isso der votos eu alinho

Na culinária da campanha
Tivemos o coelho à caçador
Agora já ninguém estranha

Se a próxima comidinha
Fôr um chili retemperador
Ou uma muamba de galinha.

http://profetablognot.blogspot.com/
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De Anónimo a 16.05.2011 às 21:33

“Punho cerrado”

Punho cerrado camaradas
Para a luta levar de vencida
Custa-nos a todos esta vida
É ver cravos nas espingardas

E é ver balas nas floreiras
Jazem os corpos nas valas
Trespassados por essas balas
Não eram balas verdadeiras

Eram apenas balas de papel
E os cravos pintados a pincel
Quando percebeste o engano

Já tinham esvaziado o pote
Não podias exibir o decote
Só te sobrara a tanga de pano.

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