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Usar a cabeça

Gamado do Café onde alguém o havia gamado do Tresgues 

 

Não tem nada de novo, é o mesmo ano após ano desde que começou a haver provas, esta ano os resultados dos exames foram os piores, para o ano será pior, podem ter a certeza. Se alguém acha que é um novo governo e um novo ministro que vai fazer o milagre, desengane-se, não vai mudar nada.

 

O ano passado cá em casa tivemos que travar uma guerra com os professores, com a escola, com o agrupamento, com meio mundo, porque nós pais decidimos que o nosso filho ia repetir o quarto ano, a nós só nos interessa que ele aprenda, que saiba o mínimo para poder seguir em frente.  Infelizmente parece que a mais ninguém lhe interessa se as crianças sabem ou não.

 

Não sou dos que acham que temos que voltar aos métodos e à escola de antigamente,  não me parece que a minha escola ou os meus professores fossem melhores que os actuais, bem pelo contrário. As escolas e as crianças portuguesas nunca tiveram tão boas condições, nem em casa nem na escola, nem professores tão bem preparados e com tanto apoio como tem hoje em dia.

 

Onde está o problema?, o problema está no paradigma, quando eu andava na escola o objectivo era que as crianças aprendessem, que saíssem de lá a saber o mínimo para enfrentar a vida. Neste momento o objectivo da escola em Portugal é contribuir para os números. As crianças devem estar na escola o maior tempo e até mais tarde possível, se pelo meio aprenderem alguma coisa, melhor, mas se não aprenderem, pelo menos contribuem para que o país esteja na média.... bom, na média de quase tudo, porque na média das notas de exame de certeza que não estamos.

 

A solução é muito simples, aproveitar as excelentes condições da grande maioria das escolas, o conhecimento e preparação dos professores e utilizá-los para aquilo que foram pensados, ensinar os nossos filhos... se pelo meio voltarmos a descer nas médias, paciência... antes um país abaixo da média que um país de analfabetos funcionais.

 

Jorge Soares

 

 

publicado às 21:32


8 comentários

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De sentaqui a 15.07.2011 às 11:24

Desde que se descobriu e isso já lá vão muitos anos, que atrás de nós só estava a Grécia no que toca a insucesso escolar, encetou-se uma cruzada, uma espécie de despique para que a OCDE visse que éramos espertinhos, que usávamos políticas óptimas de combate ao insucesso escolar e ao absentismo, não importando os métodos usados.
Vai daí toca a passar toda a gente, começou logo por não serem permitidas retenções do 1º para o 2º ano e do 3º para o 4º, mesmo que a criança não soubesse nem uma letra e caso o professor e hoje isso ainda se verifica, ouse reter um aluno tinha que fazer uma série de relatórios que desanimam qualquer um.
Consequências:
1º-Os meninos começam a ver que estudando ou não passam sempre.
2º- Os professores desanimados e com razão, preferem passar a criança a ter de escrever sabe-se lá o quê para justificar que o menino não está em condições de transitar.
3ª- Se há muitas reprovações numa sala ou numa escola cai-te logo uma inspeção em cima.
E podia continuar por aí fora...
Com um panorama destes vamos continuar a ter resultados desastrosos venha quem vier.
Não sou apologista da escola de ontem, mas também não posso concordar com os métodos de hoje...que venha um dia um iluminado que encontre e coloque em prática medidas que equilibrem estes processos e excessos anedóticos e escandalosos que se verificam na educação.
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De Jorge Soares a 17.07.2011 às 22:56

Olá

É isso mesmo, aproveitar o de bom que temos e pensar na melhor maneira de ensinar... equilíbrio e boas ideias, é isso que precisamos...e deixar os números de lado.

Jorge
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De Marta M a 16.07.2011 às 00:30

Poderia acrescentar muito pouco ao que explicou, clara e acertadamente, a nossa amiga.
Apenas diria que só neste ano, 3 alunos reprovados em conselho de turma - de forma correcta e pedagogicamente consequente -foram depois vetadas as retenções em conselho pedagógico e, em face de novos conselhos de turma, os alunos transitaram.
E poderia continuar por aí fora.
De facto Jorge, a pressão para construir estatísticas favoraveis é diária e evidente. Acrescento apenas que ainda existem alguns resistentes ;)
Por hoje e porque passei o dia a discutir este assunto, cansada... fico por aqui.
Abraço e bom fim de semana
Marta M
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De Jorge Soares a 17.07.2011 às 22:58

Olá Marta

E o pior é que não vejo a forma de que as coisas mudem, pelo menos para melhor....

Boa semana
Jorge
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De Vasco a 26.07.2011 às 16:29

Melhor, melhor... só um aluno em situação de abandono escolar ficar milagrosamente sem faltas e ver as notas atribuídas pelo Conselho de Turma serem alteradas pelo Espírito Santo com níveis 1 passarem a 2.
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De RG Crespo a 26.07.2011 às 17:09

>se pelo meio voltarmos a descer nas médias, paciência... antes um país abaixo da média que um país de analfabetos funcionais.

Não á assim tão simples! A sociedade portuguesas, desleixada, nunca aceitaria um aumento do grau de exigência que elevasse a taxa de reprovação.
Se praticamente ninguém se preocupa a fazer o TRABALHO bem feito, antes pelo contrário, como quer passar o rigor educativo para níveis germânicos?
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De Jorge Soares a 26.07.2011 às 17:23

Nada é assim tão simples, nem eu ache que os níveis de exigência devam ser iguais aos germânicos.

Durante muito tempo tivemos uma escola exigente, mão me parece que voltar a ter seja uma tarefa assim tão grande, basta pensar qual é o objectivo da escola e dar passos para que este seja cumprido... é evidente que como estão as coisas vai ser complicado explicar que as criancinhas tem mesmo que saber para transitarem de ano... mas algo haverá que fazer... e desistir antes de começar não nos leva de certeza a lado nenhum.

Jorge
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De rgc@comp.ist.utl.pt a 26.07.2011 às 23:13

>basta pensar qual é o objectivo da escola e dar passos para que este seja cumprido.

Vou ser muito duro.
Para uma fracção muito significativa dos pais, o objectivo principal da escola é o depósito dos educandos.
Para uma fracçao não tão pequena de docentes, o alvo é um emprego razoavelmente pago e próximo da residência que dê o menor número possível de chatices. Quantos é que continuam a estudar, a experimentar, a propor novas ideias depois de começar a dar aulas?

Esse é o problema base cultural da população portuguesa. O esforço na educação não é visto como o meio base para a subida no elevador social, mas apenas como a etapa necessária para se conseguir um "empregozinho". Basta observar os hábitos de leitura em qualquer local de espera e as conversas típicas nos locais de trabalho.
Claro que existe uma elite que se esforça sempre e tentar alcançar novos desafios - designadamente no estudo - mas a esmagadora maioria repete convictamente que a culpa é sempre dos outros!

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