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O que vai ser das cartas de amor?

por Jorge Soares, em 05.09.11

Fim da escrita à mão, o que será das cartas de amor?

Imagem de aqui

 

Tinha lido a noticia algures, é já neste mês de Setembro que no Estado de Indiana, nos Estados Unidos, as crianças que vão entrar para a escola vão deixar de aprender a escrever à mão. Hoje recordei o assunto porque a propósito do mundial de atletismo na Coreia do Sul, um dos jornalistas de A bola referia que o mesmo se irá passar neste país,  todos os alunos terão um tablet e será ai que aprenderão a ler e a escrever, em letra de forma, é claro..

 

Eu sempre tive uma letra horrível, sofri horrores com a pressão dos meus pais e professores, de tanto escrever, apagar e reescrever, os meus livros e cadernos sempre tiveram um aspecto pavoroso. A R., que diz a mãe que herdou todos os defeitos dos pais e nenhuma das virtudes,  sofre tanto ou mais que o que eu sofri e é constantemente penalizada por professores mais ciosos da letra redonda, bonitinha e legível. Em contrapartida, com 11 anos domina por completo o computador e as tecnologias associadas.

 

Assim de repente, pensar num futuro em que as pessoas não saibam escrever à mão parece complicado, até porque o fim da escrita vai significar o fim de muitas outras coisas:  os postit por exemplo, ou os recados furtivos trocados entre carteiras, ou os escritos na mão para recordar algo, ou os postais de viagem... Na verdade, quase todas essas coisas já foram subsituidas pelo telemóvel, os SMS, os MMS. 

 

Também não me lembro quando foi a última vez que recebi uma carta manuscrita, já ninguém espera com ansiedade pelo carteiro que desde há bastante tempo  só entrega contas e lixo publicitário. 

 

Imagino que a estas alturas da vida, já ninguém se lembra de ter pegado em papel e lápis para escrever uma carta de amor, estas morreram muito antes da escrita, foram substituídas por SMS's com meia dúzia de palavras, ou emails com meia dúzia de frases curtas e directas...  Eu lembro-me de durante um muito curto período da minha vida, quando tinha 15 ou 16 anos, ter uma namorada noutro país e ter namorado por carta.. sentimentos que cresciam e minguavam  ao ritmo das letras no papel branco e entre as idas e vindas do carteiro... na altura não havia email, nem Skipe, nem Messenger....  o amor era outra coisa.

 

O que será das cartas de amor?

 

Jorge Soares

PS: Para quem ainda não leu, aconselho vivamente o meu post, A Carta

 

publicado às 21:53


18 comentários

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De xana a 06.09.2011 às 00:04

Eu não tenho namorado... porque se tivesse, garanto, haveriam de ser escritas muitas cartas de amor. A minha forma de expressão, mesmo no amor, são mesmo as letras, e manuscritas de preferência. Ainda há muito poucos anos, escrevi duas cartas de amor (estas foram impressas), que mandei ao mar, em garrafas bem seladas. Nunca saberei o destino que levaram, mas não importa... o que importa é que para mim, a esferográfica, ou o lápis ainda são um meio muito imprtante na hora de escrever algumas palavras de amor. Chamem-me antiquada, ou o que quiserem, pouco me importa, quando há amor no horizonte, gosto mesmo de escrver em letra manual, num papel que esteja à mão, ou num papel previamente escolhido, todo bonito.
Também escrevo manualmente os meus poemas, porque é mais rápido o correr das letras ao sabor do pensamento. No computador, enquanto se escreve, e se olham para as letras, é muito fácil perder o encadeamento das palvaras, perder o fio às ideias, posso até mesmo, deixar cair a melancolia do poema.
Aqui em casa, ainda existe o caderno dos recados, que a minha mãe nos deixa, ou que nós deixamos quando saímos, sem ter havido aviso prévio. Os recados podem variar entre coisas a fazer, simples recomendações, ou ainda avisos, ou até indicações para o almoço/jantar.
Mau sinal... será quando o caderno perder a razão de existir...
bjks
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De Jorge Soares a 06.09.2011 às 21:53

Acho que não demora muito a esse caderno deixar de existir, será de certeza substituído...

Não há nada que substitua a escrita no papel... pelo menos para quem ainda tem gosto em escrever.. com tempo e com espaço ... o problema é que cada vez menos há quem goste.

Jorge
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De xana a 06.09.2011 às 23:06

Espero apenas que nos próximos tempos o caderno seja substituído por outro novo, quando este estiver carregado de recados, e madados. Mesmo quando eu for morar na minha casa, o caderno continuará a existir enquanto houver autonomia da minha mãe. O caderno foi a forma que encontrámos muito antes dos telemoveis, de comunicar entre nós, porque todos temos horários e modos de vida diefrentes, logo quando uns saem ainda outros não chegaram, e assim deixa-se o recado que se quer, ou apenas simples avisos como dizer o que o gato X, ainda está na rua, e que não veio para ser alimentado. Aos domingos, os meus pais, que se levantam com as galinhas, vão para o terreno, e fica o recado sobre a hora de regresso e sobre o que cozinhar para o almoço, ou que simplesmente é um cozido à portuguesa, comprado aqui na churrasqueira da zona. Para nós os telemóveis, são mesmo só para coisas mesmo urgentes, quando estamos fora de casa.
E as cartas de amor, essas, escreverei sempre que haja um amor a quem as dedicar, manualmente, como foram escritas muitas outras carregadas de sentimentos, e não raras vezes de gritos de dor... eu sou a rapariga das cartas de amor, manuscritas, longas, e sem resposta... porque nunca houve um amor que se dignasse responder às minhas imensas cartas... eram amores com uma única direcção... só ida, nunca havia retorno... mas garanto que da próxima, será bilateral... ou não haverá amor para ninguém... ahahahahah!
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De xana a 06.09.2011 às 23:08

"recados, e madados"
Queria dizer, mandados!
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De Jorge Soares a 06.09.2011 às 23:18

Gosto da ideia do caderno ... acabo de ter uma boa ideia.

Xana, quem não responde às cartas de amor... não merece o teu amor ...

Jorge
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De DyDa/Flordeliz a 06.09.2011 às 01:35

As cartas de amor? Continuarão a ser lamechas e escritas com vontade de chegar ou atingir o coração.
Em lugar de escritas a caneta ou lápis, passarão a ser enviadas via email ou sms.
Se me deixa pena? Muita!
Como tantas outras coisas que aprendi e hoje já de nada servem, por estarem fora de moda.

Mas que o papel era muito mais romântico - era!
Ora branco como a neve, ora colorido, enfeitado ou mesmo perfumado. Cobertas de letras mais ou menos cuidadas, apressadas ou desenhadas e trazia o cheiro de quem as escrevia e muitas outras intenções que escapam hoje em letras todas iguais, quase afirmaria como impessoais.

Acho que o assunto quase me deixou um pouquinho romântica...

Estou tão habituada a carregar nas teclas que já me custa pegar na caneta. A mão já não está habituada e demoro muito mais tempo. E a letra? Essa vai ficando cada vez menos cuidada.
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De Jorge Soares a 06.09.2011 às 21:55

Não é a mesma coisa, um mail nunca será uma carta, porque é escrito à pressa, frases curtas, sem arte... além disso, cada vez menos o que se impõe é a escrita em poucos caracteres, twitter, facebook, até os posts nos blogs ou são curtos, ou ninguém lê... não amiga, as cartas de amor morrem.

Jorge
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De António Manuel Dias a 07.09.2011 às 19:22

Correio electrónico não são mensagens instantâneas, pelo que podes levar o tempo que quiseres a escrever. Não precisas de frases curtas, podes usar o comprimento e arte que quiseres e fores capaz. Tenho no meu arquivo várias mensagens compridas e bem escritas, escritas por variadas pessoas. O português continua o mesmo (ou quase, se lhe acrescentarmos o acordo ortográfico de 1990), disponível para quem o quiser (e souber) usar. Não é o meio que irá impedir seja quem for de criar as suas "obras de arte" ou declarações de amor :)
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De Jorge Soares a 07.09.2011 às 22:39

António, é verdade, o correio electrónico pode ser utilizado de muitas formas, e como tu, já li coisas fantásticas que me chegaram num mail... mas não deixa de ser uma forma de comunicação mais imediata, e muito diferente...

Talvez seja porque eu sou de outro tempo... mas não consigo deixar de associar cartas de amor a papel e letra corrida... é claro que isso não tem que ser válido para o mundo.

Jorge
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De sentaqui a 06.09.2011 às 11:58

A notícia deixou-me assim
Eu que de vez em quando sonho com uma mente brilhante que um dia invente um teclado que possa personalizar a minha letra, é certo que a tenho bonita e aqui é a vaidade a falar, mas para isso chorei muito e quando tinha um bom pequeno na cópia desfazia-me em lágrimas e agora chega mais esta de se deixar de escrever à mão o que implica outros danos , já que o simples treino do braço, pulso e mão desenvolvem outras capacidades que não são só as da escrita.
Continuo a gostar de escrever à mão, cartas de amor também escrevi e recebi, apesar de um certo poeta dizer que todas são ridículas, mas sabia bem receber o carteiro, esse era um prazer que nunca vou esquecer.
Agora resta-me continuar a treinar a minha letra manuscrita sobretudo nos cheques que de vez em quando vou passando.
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De Jorge Soares a 06.09.2011 às 21:57

Tu tens uns sonhos estranhos :-) mas não é uma má ideia... pena que cada vez mais o caminho seja o contrário... os nossos netos não aprenderão de certeza a escrever como nós..

Jorge

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De Kok a 06.09.2011 às 23:04

Gosto de escrever. Sempre gostei. E sempre o fiz com uma caligrafia que muitas vezes nem eu conseguia ler o que tinha escrito.
Mas com a idade fui apurando a estética e quando o conteúdo se sobrepôs à "imagem" deixei de me preocupar (muito) com os caracteres.
Agora escrevo nesta geringonça que não se importa se o faço em cursivo, em "francesa", ou em hieróglifos.
Mantenho, no entanto, a escrita manual para um daqueles mimos (sobretudo daqueles lamechas e pegajosos) que deseje fazer a quem eu ache que o mereça.
Os tempos são outros e as pessoas também têm outras perspectivas.
Se o telefone acabou com as cartas a www acabará com os telefones, nas mesmo proporção!
Digamos que tudo tem o seu tempo.
E eu ainda sou do tempo das cartas de amor.
E ainda as vou escrevendo com alguma regularidade; menos longas mas ainda assim...

1 abraço!!!
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De Jorge Soares a 06.09.2011 às 23:20

E tens resposta?

Abraço
Jorge
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De Kok a 07.09.2011 às 10:44

Umas vezes sim e outras nem por isso!
Tem dias...

1 abraço!
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De espaço da raquel a 09.09.2011 às 00:22

Cartas de amorrrr, quem as não tem......
na minha opinião, quem gosta mesmo muito de escrever, vai continuar a fazê-lo.
E ainda bem que existe muita gente ainda a escrever estas tão celebres e bonitas cartas
Fica bem, Beijinho
R
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De Jorge Soares a 09.09.2011 às 22:12

Miúda, a questão é que as pessoas já nem vão aprender a escrever à mão, as criancinhas vão aprender a escrever directamente no teclado... daqui a uns tempos papel e lápis vão passar a ser objectos de museu.. e as cartas de amor, pelo menos como nós as conhecemos uma recordação de outros tempos.

Jorge
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De espaço da raquel a 12.09.2011 às 01:24

bachhhhhhhhh, não gosto nada disso !
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De Patricia Mello a 16.09.2014 às 20:18

Nós faremos de tudo para que as cartas de amor sejam sempre lembradas! Conheçam nosso projeto
www.facebook.com/amoremcartas
;)

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