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Adopção por homossexuais

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A maioria das conversas sobre adopção por homossexuais e até por candidatos singulares, já seja em blogs, fóruns ou em grupos de amigos, terminam da mesma forma: " mas o que vão sentir as criancinhas ao terem dois pais ou duas mães?" ou então " O que vão sentir ao ser gozadas na escola?" E salvo em raras e notáveis excepções, é dificil convencer as pessoas que as crianças estarão sempre melhor numa família, seja esta "normal", homo ou monoparental, que encerradas em instituições onde crescem sem referências, sem carinho e numa enorme solidão.

 

É claro que ir perguntar às crianças está fora de questão, pelo menos para mim, bom, ao colocar em destaque o post da passada sexta feira, o pessoal do SAPO veio em minha ajuda. Entre os mais de 200 comentários, entre muita homofobia, muitos insultos a quem é diferente, muita imcompreensão, ignorância e discriminação, ficaram os 3 comentários que copio abaixo:

 

Rodrigo

 

Sou heterossexual com 30 anos e casado e tive 2 pais. Sim sou um caso, raro eu sei, de filho que num lar onde os pais são homossexuais.


Não sofri nem mais nem menos que muitos amigos meus cujos pais tiveram muitos problemas. Sempre senti que os meus pais (quer o biológico, quer o não biológico, se preferirem) me incutiram bons valores e tudo fizeram para que eu fosse feliz. 


Como já disse sou heterossexual e nunca senti uma pressão para ser homo. Isso é biológico. Ou se é ou não se é. Não se é homossexual apenas aos fins de semana. 


Sei que este comentário vai ser apoiado por alguns, desprezado e ridicularizado por outros, mas tudo na vida é assim. No entanto agora já conhecem um exemplo de alguém que foi adoptado por um casal de Homossexuais e "sobreviveu" à sua homossexualidade sendo hetero casado e feliz.

 

Vivi

 

Como órfã até aos 18 anos, vivi sempre em instituições da misericórdia, e devo dizer que a solidão que passei, só eu a senti, pois a mim tanto me fazia ter um pai, uma mãe , dois pais, duas mães, o que eu queria era alguém que tomasse conta de mim e me desse atenção e educação, não falem em nome das crianças órfãs que ficariam traumatizadas por pais homossexuais, traumatizados ficamos por não ter ninguém nas nossas vidas.

 

André

 

Eu, infelizmente, fui criado sem pai a minha vida inteira. O meu pai desertou e resolveu ir constituir família para outro lado. E isto? não e' uma aberração? Quantas crianças pelo mundo fora não tem pais e vivem em instituições ate aos 18 anos? sem família e pais que os amem? e' melhor ter dois pais independentemente de que sexo forem? ou e' melhor viver sem família para sempre?! 

 

 

Resta-me dizer que não conheço nenhuma das 3 pessoas que deixou os comentários e desde já agradeço aos 3 a forma como souberam colocar por palavras aquilo que eu tantas vezes tento explicar e não consigo... espero que as vossas palavras ajudem a que se faça luz em tanta gente que se acha dona da verdade e do conhecimento.  

 

E já agora, o meu agradecimento ao pessoal do SAPO por terem colocado o post em destaque.

 

Jorge Soares

publicado às 21:32


19 comentários

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De xana a 12.09.2011 às 23:49

Ainda bem que existem muitas pessoas, como aquelas de quem transmites os comentários, pelo menos a mim, faz-me ter esperança num futuro com pessoas melhores.
Ao ler os comentários ao teu post de sexta-feira, a certa altura apeteceu-me começar a responder, e de que forma... Felizmente sou ponderada, e acima de tudo tenho imenso respeito por ti, e pelos outros leitores do blog, "meti a viola no saco" e deixei-me estar quieta, mas fiquei a ferver por dentro, com tanta homofobia, e não só...
Do teu post de hoje, apenas posso deixar um comentário á frase que destaco:
" O que vão sentir ao ser gozadas na escola?" ??'
E se em ves de as pessoas fazerem este tipo de perguntas, perguntassem a si mesmas, isto:
O que posso eu fazer para educar os meus filhos, para não gozarem com crianças diferentes, ou com situações familiares diferentes?
Se todos educarem os filhos para aprenderem a conviver com a diferença, esta questão seria não colocada de parte?? É preciso é que todos saibamos aceitar as situações deiferentes da nossa, e educar as crianças nesse sentido. Sei que haverá muitas a pessoa a pensar, há e tal as crianças são cruéis umas com as outras, pois, mas porque será? Onde vão buscar esse lado cruel? Será natural???
Tal como referi em cometários anteriores, eu não tenho filhos, mas vivo numa casa com uma criança com 9 anos, e faço por ajudar na sua educação, principalmente porque vunha muitas vezes da ama, com ideias pré-concebidas de racismo e xenofobia, e eu e a mãe tivémos de cumprir o nosso papel de educadoras e explicar que existem pessoas diferentes, quer na cor da pele, quer na orientação sexual, mas que são exactamente iguais a nós, em tudo, e que devemos tratar todos de igual modo. Há um caso de homosexualidade na minha família, que não será revelado nunca, porque a grande maioria da minha família desse lado não aceita, não compreende, e irá voltar costas à pessoa em questão. Para mim, continua a ser quem sempre foi, e saber, não foi nenhuma revelação, eu sempre soube, desde muitos anos atrás, e nunca mudei em nada a minha forma de ser e estar com a pessoa em questão, e nem nunca mudará. Serei capaz de defender a pessoa, caso se venha a revelar a sua homossexualidade. Da minha parte não será certamente abandonada, e terá sempre aqui alguém com quem pode contar, independentemente do destino que resolva dar à sua vida, embora eu espere que não resolva um dia fazer um casamento heterossexual só para agradar a alguma família mais próxima e não chocar ninguém.
bjks
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:35

Olá

Pois, imagino que tenhas ficado a ferver... mas para a próxima não te contenhas,.... dá-lhes duro... eu durante o dia estou a trabalhar e só em ultimo caso é que respondo a comentários.... é a minha sorte, porque vou lendo e fervendo, mas ao fim do dia já acalmei e posso responder com uma certa distancia..

Disseste algo que eu costumo dizer, o problema de as crianças serem más na escola resolve-se em casa, se todos educarmos os nosso filhos como deve ser, não haverá crianças a gozar com outras.

Jorge
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De António Manuel Dias a 12.09.2011 às 23:51

Por acaso já houve alguém que se lembrou de ir "perguntar" às crianças. Ver "Tese de Licenciatura" aqui: http://maracujah.net/doc/soc .
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De Jorge Soares a 14.09.2011 às 23:07

Olá António... Obrigado pelo link.. já lá passarei.

Jorge
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De Ana (SAPO) a 13.09.2011 às 01:33

Sempre às ordens! :)
O tema era excelente
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:36

Obrigado



Jorge Soares
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De sentaqui a 13.09.2011 às 10:04

Os comentários aqui deixados são o prémio para quem não desiste de dizer o que penso e que luta contra ventos marés.
Continua assim!
Força!
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:37

Eu vou continuar.. porque sei que as minhas palavras não caem sempre em saco roto.. pelo menos uma pessoas já aprendeu algo comigo e passou a ver as coisas de outra forma.



Jorge
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De carla silva a 13.09.2011 às 13:48

Olá Jorge!!
Eu também coloco em destaque!!!
Os temas que abordas são deveras pertinentes!!!
Fica bem!
Carla Silva
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:37

Olá Carla

Obrigado

Jorge
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De Avelino Anonimus a 13.09.2011 às 19:53

1º Quando derem passos mais concretos relativamente á informação sobre dados de adopção.
2º Quando acabarem com as leis que "protegem" Pais que simplesmente visitam as crianças institucionalizadas.
3º Quando permitirem aos casais proponentes á adopção, de modo a serem tratados e informados correctamente sobre o dito processo.
4º Quando quiserem dar a ideia de que é melhor dar um lar a uma criança, do que não ter lar nenhum. Independentemente de saber que tipo de lar vai ter. Ou como será o futuro dessa criança perante a sociedade e as outras crianças.
5º Quando não se fechar os olhos ás adopções escondidas por membros singulares e depois se vêm a saber que está como casal envolvido com outrem. Em detrimento do tempo de espera de um casal "convencional".

Depois eu dou a minha opinião sobre a adopção de crianças por casais homossexuais ou singulares.

Avelino Anonimus

Ps Em primeiro lugar façam o favor de ir ao cerne da questão relativo á adopção. Depois falem de casos laterais. Ou os casais a que se chamam de convencionais, não têm direito de ver os seus casos em primeiro lugar esclarecidos?
Carro á frente dos bois?
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:27

A diferença entre tu e eu, é que para mim, não há diferença entre candidatos, para mim, depois de aprovados pela segurança social, todos os candidatos são iguais. Eu não faço diferença entre candidatos singulares e casais, nem entre homossexuais e heterossexuais, porque para mim, desde que saibam amar e educar, todos tem o mesmo valor.

Conheço muitas crianças adoptadas, da adopção nacional, da internacional, crianças que foram adoptadas pequenas, outras que foram adoptadas já com 10 anos...e sabes uma coisa, olhando para elas, eu não consigo distinguir os pais, só consigo distinguir a felicidade.

Alguns dos melhores e mais ponderados pais e mães que conheço são singulares, as únicas pessoas que conheço que conseguiram adoptar crianças com sida, são singulares.

A única pessoa que conheço que adoptou uma criança deficiente, é singular.Não vou por aí a perguntar as preferências sexuais a ninguém, mas tenho a certeza que conheço pessoas que adoptaram e são homossexuais ...e sabes uma coisa, só conheço crianças felizes.

E depois de tudo isto, ainda achas que estou a falar de casos colaterais?

Jorge Soares
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De Avelino Anonimus a 13.09.2011 às 22:17

Olha que eu posso-te dar uma mão cheia de casais que adoptaram que são ( como tu lhes chamas), Pais muito ponderados e capazes de adoptarem sem serem rotulados de incapazes.

E também te posso dar a indicação de uma criança sintomas de síndroma de down, que foi adoptada por um casal ao qual tu rotulas de convencional, que está numa enorme alegria.

diferença entre tu e eu é que tu queres rotular os casais convencionais, com uma menor capacidade de Amar do que qualquer outro...

Já reparaste nisso?

Avelino Anonimus

Ps Alias as comparações são ridiculas. Pois o que conta para mim é a criança em si. E o que ela poderá sofrer quando confrontada numa sociedade que não acolhe ainda bem todos os tabus. Isso é o que me preocupa. Não questões colaterais....
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 22:48

Tu não leste mesmo os comentários das pessoas acima pois não? não, não podes ter lido.

Jorge Soares
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De Kok a 13.09.2011 às 21:32

Ainda sobre o teu "post" da passada sexta feira, quis acrescentar o meu comentário mas o me PC tem andado com artroses, viroses ou lá o que é, e nem sempre obedece aqui ao Kok.
Faço-o agora esperando que desta vez "fique"!
é uma tristeza que ainda hoje sejam discriminadas pessoas por razões sexuais, desconhecendo-se que não são opções de cada um.
Mas não é fácil educar uma mentalidade que durante séculos foi ensinada de outro modo.

1 abraço!

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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:40

Tu arranja lá um informático que te veja isso... (pagas bem? )

Infelzimente, e basta olhar para os comentários ao post, estamos muito longe de ser uma sociedade que saiba respeita direitos e personalidade e escolhas, muito longe mesmo.

Abraço
Jorge
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De Kok a 14.09.2011 às 22:20

Se pago bem? Evidentemente que pago bem!
Ou seja, posso pagar pouco, mas pago bem!
Trabalho feito, trabalho pago!!!

Atão?

1 abraço.
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De Kok a 13.09.2011 às 21:40

Olha, consegui!
Sobre a adopção e numa perspectiva de melhorar (substancialmente) o bem estar dos adoptados, não vejo porque é que um casal hetero seja mais adequado (que raio de termo fui arranjar) do que um homo.
Se avaliados por quem deve avaliar (é assim que se processa o "a coisa"?) preenchem os items requeridos o resto não deve ser uma condicionante impeditiva.
Eu acho assim!

1 abraço!

§-notei que a quantidade de comentários superou o "outro". Boa!!!
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De Jorge Soares a 13.09.2011 às 21:46

Hummm.. estavas tu a escrever isto e eu a responder quase o mesmo a um comentário que me deixaram acima ...

Pois é, aprece que há temas que causam ainda mais comi-chões que o futebol :-)

Abraço

Jorge

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