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Casal italiano recorre à justiça para expulsar de casa filho de 41 anos

Imagem do Público

 

Um destes dias à hora do almoço enquanto meditava sobre a possibilidade de convencer a NASA para que desviasse o satélite ali para um sitio que eu cá sei para ajudar a tapar uns buracos, chamou-me a atenção a conversa na mesa do lado.

 

Um pai mostrava o seu desespero ao falar do filho de 20 anos que abandonou os estudos a meio do secundário e desde então está em casa, não estuda, não trabalha nem quer trabalhar. A mim, que comecei a trabalhar aos 11 anos, que enquanto estudei sempre arranjei forma de conciliar estudos e trabalho de modo a não depender totalmente dos meus pais, não deixa de me fazer confusão este tipo de situações.

 

Tenho 3 filhos, não sou pessoa de criar muitas expectativas sobre o futuro, nunca sonhei com ver os meus filhos com curso superior, engenheiros ou doutores, mas também não consigo imaginar o que seria para mim estar no lugar daquele meu colega. Não consigo conceber o que seria ter um adulto em casa que se limitasse a ver a vida passar, sem fazer o mínimo esforço por fazer parte dela. 

 

Hoje voltei a lembrar-me do assunto quando li esta noticia do público que fala de um casal italiano que farto de ter o amoroso rebento em casa, decidiu recorrer ao tribunal para que o colocasse na rua. É claro que este caso pouco tem a ver com o que falava antes, o rebento italiano de 41 anos, tem emprego e ganha bem.

 

Esta é uma caracteristica da sociedade em que vivemos, os filhos saem de casa dos pais cada vez mais tarde, até há uns anos atrás eram as condições económicas as culpadas, as pessoas casavam-se e iam viver para o anexo da casa dos pais por manifesta incapacidade para comprar ou alugar uma casa. Desde há uns tempos para cá, é o facilitismo que impera. A geração actual tem bons empregos, bons carros e excelentes condições de vida, não se casam, vão namorando, porque é muito mais fácil viver em casa dos pais, onde são bem tratados e mimados.

 

Eu lembro-me de estar desejoso de sair da faculdade para ter um emprego, o meu espaço e as minhas coisas.. não deixa de me fazer confusão como é que as pessoas preferem continuar debaixo da asa da mãe galinha até ao ponto de terem que ser corridas pelo tribunal... estranhos tempos estes em que muita gente tenta viver dos pais até que consiga viver dos filhos.

 

Jorge Soares

PS: O satélite cai amanhã e ninguém sabe onde, tenham cuidado, não vá o céu cair-lhes na cabeça

publicado às 21:36


2 comentários

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De Sandra Cunha a 23.09.2011 às 13:43

Olá,

Como todos, eu também conheço uns quantos casos que retratam esta situação. Mas... também conheço outros quantos casos que retratam a situação oposta: jovens que (em casa dos pais ou já fora dela) trabalham de forma completamente precária e recebem uma miséria só se aguentando fora de casa dos papás porque ou os pais continuam a ajudar e muito (os que ainda podem) ou têm a sorte de conseguir ir para alguma casa de amigos ou familiares a pagar uma renda simbólica.

Quando se fala destas coisas, convém não generalizar (e não falar de uma geração que este conceito engloba todos os indivíduos dessa geração), porque esta não é a realidade de todos (nem pouco mais ou menos) mesmo nos dias de hoje. Será talvez a realidade de uma classe média e média/alta (que cada vez é menos alta e menos média) mas mesmo nestes grupos populacionais, conheço vários casos que atestam o contrário do que é dito neste post.

Posto isto, e apesar de eu também ter sido das que saiu de casa dos pais mal acabou a escola, aos 18, gostava também de lembrar que os dias que correm (e os anos que antecederam também) não são a mesma coisa. Eu não ganhava fortunas, mas ganhava o suficiente para arrendar um estúdio, despesas, transporte e comer. Não sobrava, mas chegava.Ora, conheço muito boa gente (jovens adultos) que trabalham em Centros Comerciais, nos Fast-Food, nas caixas de supermercado, etc... pela módica quantia de 485,€. Os que têm mesmo muita sorte chegam aos 550,€ ou 600,€.

Ora façam lá as contas comigo, se faz favor. Renda de casa (estúdio ou mesmo um quarto) em Lisboa: 300 a 400,€. Fora de Lisboa poderá encontrar quartos a partir de 200/250,€ (mas não há assim tantos! Nem estúdios! O que mais há é apartamentos, mas isso só se o jovem adulto tiver alguém com quem dividir a renda, como calculam). Se viver fora de Lisboa e trabalhar em Lisboa, gasta pelo menos quase 100,€ em transporte o que vai dar quase ao mesmo de viver em Lisboa. Mais 100, € (eu sei, estou a sonhar!) para outros bens essenciais (luz, água e gás). Comida: ops. Já não há dinheiro para comida.

Penso que perceberam a ideia. Concordo que existam bastantes situações como as que referem (post e comentários) mas existem outras tantas que são o contrário. Eu, aqui na minha zona conheço vários miúdos que trabalham para pagar os estudos (e basta ir a qualquer um dos seis(!) supermercados da Freguesia para ver que o(a)s funcionário(a)s das caixas são na, esmagadora maioria, jovens entre os 18 e os vinte e tal anos.

Por fim Jorge, quanto à tua afirmação: "A geração actual tem bons empregos, bons carros e excelentes condições de vida, não se casam, vão namorando, porque é muito mais fácil viver em casa dos pais, onde são bem tratados e mimados." deixa-me que te diga que é mesmo muito enviesada, tendenciosa e preconceituosa. Eu alteraria para: "Alguns jovens da geração actual......" e gostava de te apresentar a uma carrada deles, para discutires com eles essa ideia de «excelentes condições de vida».

É que, como tu já várias vezes me disseste, as coisas não são todas a branco e preto. Há várias nuances pelo meio :)
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De Jorge Soares a 26.09.2011 às 23:16

Sandra, a generalização é de facto uma coisa terrível, se calhar eu não deveria ter escrito "A geração actual", deveria ter escrito " Uma parte da geração actual"... é por estas e por outras que eu não podia ser politico... estavam-me sempre a apanhar nos detalhes.

Sandra, eu parto sempre do principio que as pessoas que me lêem são suficientemente inteligentes para conseguirem contextualizar, é evidente que todos sabemos que não é toda a geração actual que vive bem, assim como todos sabemos que não é toda a geração actual que vive com 500 Euros... a maioria dos que eu conheço tem curso superior, um bom emprego e ganha vários salários mínimos.... será essa a realidade da população?, não, claro que não, mas o contrário também não é.

Este era um post sobre os filhos que vivem em casa dos pais até muito tarde mesmo quando podiam sair antes..era desses que eu estava a falar,e acho que nem eu, nem as pessoas que me lêem esquecem que existe outros além desses... mas o facto é que estes existem...

Jorge

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