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O big Brother existe mesmo

 

É uma falha terrível na minha educação cultural, eu nunca li o 1984 de George Orwell, algo que tenho que resolver mais não seja porque dá muito jeito para citações, sobretudo em casos como o de hoje.

 

Ontem foi noticia o facto de ter sido detido em Colares um dos criminosos mais procurados nos Estados Unidos que andava desaparecido desde 1973, há qualquer coisa como 38 anos. O senhor vivia entre nós há mais de 20 anos, mesmo sendo um fugitivo americanos, conseguiu casar e formar família e adquirir a nacionalidade Portuguesa sem que nunca ninguém desconfiasse de nada. 

 

Fiquei a pensar como é forte o braço da lei americana que consegue descobrir alguém numa pequena aldeia de Sintra quase 40 anos depois da sua fuga do país.

 

Hoje podiamos  ler no Público que o senhor terá sido traído pelas saudades da família lá nos states, uma chamada telefónica para um familiar que teria os telefones sob escuta, denunciou o actual paradeiro.

 

Quase ao mesmo tempo, através e do Perplexo, chegava uma versão diferente da história. Segundo dois jornais americanos, o Huffington Post e o New York Times, as autoridades americanas identificaram-no pela impressão digital no cartão do cidadão, onde aparece como José Luís Jorge dos Santos.

 

A ser verdade esta versão, os americanos não só tiveram acesso à base de dados do cartão do cidadão português, onde estão os meus dados, os dos meus filhos, os de todos os portugueses que tem cartão do cidadão, como se deram ao trabalho de comparar uma a uma as impressões digitais de cada um de nós com a base de dados dos criminosos americanos. 

 

No meio de tudo isto é complicado saber em que versão acreditar, mas para mim é mais fácil de acreditar que o nosso governo, ou alguém por ele, deu acesso aos nossos dados às autoridades americanas, que no facto de que as autoridades dos Estados Unidos estiveram 38 anos a ouvir as conversas telefónicas da família do senhor até que ele finalmente se decidiu a ligar. 

 

Tudo isto não deixa de ser assustador, assim de repente ficamos a saber que os nossos dados pessoais, é preciso recordar que no cartão de cidadão constam todos os nossos dados, morada incluída, estão à disposição de quem os quiser ver.

 

É evidente que quem não deve não teme, mas neste país existem leis que é suposto protegerem a nossa privacidade, existe até uma coisa chamada Comissão Nacional de Protecção de Dados, o facto de agora descobrimos que afinal os nosso dados andam por aí a passear.. é assustador... pelo menos para mim é.... 

 

É preciso recordar, que tal como diz o Perplexo, o contrário nunca sería possivel, nos Estados Unidos só se podem tirar impressões digitais aos criminosos, sendo que esta não está em documento nenhum... o que só prova que apesar de tudo, os americanos são muito mais ciosos da sua privacidade e dos seus direitos que nós...

 

É claro que eu posso simplesmente estar a ser paranoico e se calhar os americanos estiveram mesmo 40 anos a ouvir as conversas telefónicas da família do senhor. Tenham cuidado, the big Brother is watching You.... mesmo.

 

Jorge Soares

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publicado às 21:08


8 comentários

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De Kok a 30.09.2011 às 21:47

É verdade que os jornais americanos são muito "dados" ao exibicionismo e de uma simples e vulgar notícia fazem primeiras páginas enaltecendo os seus dotes jornalísticos.
Por outro lado, uma notícia destas esclarece toda (ou muita) a opinião pública de que as autoridades estão "de olho" e passem os anos que passarem, acabam sempre por "agarrar" o bandido.
Propaganda, acho eu!
Contudo, (e isto é o que importa agora) pensar que todos os meus elementos, informações e actos (bons e/ou outros), podem estar ao alcance de uma qualquer organização nacional ou estrangeira, não me deixa indiferente nem descansado, nem com vontade de fazer o sacana do cartão do cidadão.
Se já não tinha...
Há qualquer cena bizarra em todo este processo!

1 abraço!
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De Jorge Soares a 30.09.2011 às 22:03

Eu tinha o New York Times como um jornal sério... sim, eu sei, sou lírico... a seriedade é algo que já existiu e está desde há uns tempos extinta... mas pronto, eu gosto de ser lírico.

Infelizmente o BI tem data de validade e mais tarde ou mais cedo todos vamos ter um... devíamos era exigir que o raio das leis se cumpram e se a Comissão de dados não serve para nada, então vamos poupar uns milhões e deixar de fazer de conta que ela existe... não?

Jorge

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