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Hoje vou roubar as palavras e o título do post no Quinta da Ribeira

 

Fabian, o protagonista deste vídeo, vestiu uma roupa de urso carinhoso e foi para a rua tentar conseguir alguns abraços. O facto é que o Fabian, muitas das vezes que viaja de autocarro, tem o assento ao seu lado vazio. O vídeo foi feito pela ‘Pro Infirmis’ e tenta mostrar a verdadeira atitude das pessoas, perante as aparências.

 

Qual é o problema das pessoas? É preciso disfarce para aproximar as pessoas?

 

Veja o vídeo até ao fim... só assim entenderá!

 

 

 

O Vídeo fez-me recordar o Rafael, de que falei no post de segunda feira,  e os motivos que o fizeram terminar com a sua vida quando ela práticamente ainda nem tinha começado.

 

O Rafael morreu porque era diferente e porque o mundo à sua volta não soube aceitar e entender a sua diferença, quando me deparo com coisas destas fico sempre com um nó na garganta. Talvez porque também eu já senti o que é de um certo modo ser diferente, talvez porque tenho 3 filhos todos diferentes entre si e muito diferentes do mundo que os rodeia, talvez porque tenho consciência de que somos uma sociedade que não sabe respeitar as diferenças.

 

Olhamos para vídeo e no fim ficamos sempre com a dúvida, quantas daquelas pessoas seriam capazes de abraçar o Fabian se ele não tivesse o disfarce vestido? Quantos de nós o faríamos? Somos capazes de educar os nossos filhos para que o futuro da sociedade seja melhor e não sejam necessários disfarces?... atendendo à forma como o Rafael morreu, acho que não.

 

Qual é o problema das pessoas? É preciso  um disfarce para as aproximar?

 

Jorge Soares

publicado às 21:18


30 comentários

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De Kok a 27.10.2011 às 21:58

Jorge, respondendo directamente à tua, ou melhor às tuas 2 perguntas finais atrevo-me a dizer que as pessoas precisam de acreditar no que vêem.
E só assim têm uma reacção, positiva ou negativa.
Se não acreditam ficam indiferentes.

Ter-se-à passado o mesmo com o Rafael? E quantos mais Rafaels haverão???

1 abraço!
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De Jorge Soares a 28.10.2011 às 22:34

Talvez tenhas razão, mas isso significa que quando vemos alguém diferente não acreditamos?

Não acreditamos que por trás das diferenças há um ser humano que precisa ainda mais de carinho que nós?

Abraço
Jorge
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De Kok a 30.10.2011 às 15:06

O meu comentário é unicamente em resposta ao que questionas no final do texto. Só isso!
Nada tem que ver com diferenças e/ou anomalias.

Mas posso dizer que eu não ando na rua de braços estendidos para abraçar pessoas que não conheço (nem acredito que aceitassem o abraço), e nem a inversa acontece.
Independentemente de serem "normais" ou não!

1 abraço!
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De Rosinda a 27.10.2011 às 22:38

Boa noite Jorge.
Não tinha lido o post de segunda feira e fui ler. Não soube deste caso. Este vídeo deixa-nos transtornados. É triste este mundo ser assim.
Um abraço
Rosinda
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De Jorge Soares a 28.10.2011 às 22:36

É mesmo muito triste.. e o pior é que ao contrário do que seria de esperar as coisas não tendem a melhorar.

Bom fim de semana
Jorge
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De sentaqui a 27.10.2011 às 23:09

Sabes uma coisa? Estive a ver o vídeo com atenção e o que achei foi que as pessoas gostam mais de animais do que uns dos outros
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De golimix a 28.10.2011 às 09:46

Desculpa discordar de ti.
O que a experiência me tem ditado é que quem RESPEITA, digo respeita, porque há muita gente que trata os cães como pessoas e isso eles não são! Isso não é aceitá-los e gostar deles como são! Simplesmente cães! Que se lhes pedimos para ser aquilo que não são ficam com comportamentos desviantes.
Acho que quem respeita e gosta de animais aprende a respeitar a diferença, venha ela de onde vier!
Ah! E tenho a convicção que teria abraços na mesma, se não se vesti-se de ursinho! Poderia não ser das mesmas pessoas, mas abraços não faltariam. Até porque há crianças que teriam medo da fantasia!
Às vezes estas demonstrações são redutoras e lavam a análises mais precipitadas.
Beijos para ti, "sentaqui" :)
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De Cristina M a 28.10.2011 às 16:02

Concordo.
É verdade que muitos fugiriam ao abraço, mas tantos outros abraçariam. Para contrapor, e para não termos sempre esta ideia negra da humanidade, recordo aqui as reportagens da série 'Portugueses extraordinários'.

Cristina M.
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De Jorge Soares a 28.10.2011 às 22:42

Olá Cristina.. só colocando lá a pessoa sem o disfarce teríamos a certeza não é? ..

Jorge
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De Jorge Soares a 28.10.2011 às 22:43

Olá

Concordo com quase tudo... não sei se sem o disfarce ele teria abraços...

Jorge
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De golimix a 29.10.2011 às 10:24

Reparei no meu crasso erro ortográfico "...vesti-se e não ...vestisse", façam de conta que passei corretor (ando a cometer muitos erros destes! :()
Quanto a abraços, se tivesse o teu e da tua família o meu e do da minha família, e de algumas pessoas que aqui vêm, já seriam muitos e bons :)
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De Jorge Soares a 28.10.2011 às 22:41

Não se se estou de acordo contigo, o disfarce é de um urso de pelúcia, que faz parte do imaginário de todos nós... eu pelo menos não o associo aos animais...

Mas não deixa de ser verdade o que dizes.

Jorge
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De Sofia a 28.10.2011 às 00:07

Aqui está a prova de que aquela história da beleza interior é nada mais que isso...uma história!!! Se o exterior não se enquadrar nos estereótipos da sociedade passas a ser deixado de lado.
Este mundo precisa mesmo de uma lavagem cerebral
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De Cris a 28.10.2011 às 12:04

Mas quem é que faz os estereótipos? Quem é que os aceita e não os questiona? Nós! Nós é que nos temos que fazer a lavagem cerebral! Sempre detestei estereótipos, etiquetas e coisas que tais, porque são demasiado redutores, mas não estou imune às "pressões" dos "valores" que a sociedade impõe. Às vezes dou comigo a fazer juízos de valor completamente idiotas. Felizmente que ainda vou questionando aquilo que penso.
O valor, a beleza, etc. está dentro de cada um sim!
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De Jorge Soares a 28.10.2011 às 22:50

Estereótipos Sofia.. é isso mesmo, cada vez vivemos mais deles e para eles, tudo o que saia fora do padrão de moda é colocado de lado

Precisamos de mudar a sociedade... mas não estou a ver como.

Jorge
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De lagoa_azul a 28.10.2011 às 00:19

Olá Jorge,

O nosso problema parece-me que seja o umbigo, passamos demasiado tempo a olhar para ele, e tantas vezes esquecemo-nos de olhar para o lado, e ao nosso lado, esta precisamente alguém feito de carne e osso, alguém que sente exactamente igual a nós, que ri, que chora, que sente dor e sente alegria.

E quantas e quantas vezes, não vestimos um disfarce independentemente se é para aproximar ou afastar as pessoas. E tantas outras vezes em que damos aos outros apenas o superficial guardando a nossa essência.

Creio que o carinho dedicado ao urso não seria igual se não tivesse disfarce. A diferença assusta as pessoas, o que é pena que assim aconteça, pois é na diversidade que nos enriquecemos. Na parte que me toca aviso-te já que daria um abraço, não ao urso mas à pessoa, porque isso de abraçar peluches nunca me disse nada.

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De Jorge Soares a 30.10.2011 às 22:40

"E quantas e quantas vezes, não vestimos um disfarce independentemente se é para aproximar ou afastar as pessoas. E tantas outras vezes em que damos aos outros apenas o superficial guardando a nossa essência."

Ora, lá está, quantas vezes?... muitas mesmo, vezes demais, por isso é que cada vez somos uma sociedade de estranhos... nós, o nosso pequeno mundo ... tudo o resto nos assusta.

Jorge
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De golimix a 28.10.2011 às 09:30

Isto lembrou-me uma situação algo... interessante.
Fiz teatro amador durante algum tempo, atividade que depois partilhei com o meu filho (que tem mais jeito que a mãe :)). Uma das nossas peças foi encenada para a APPACDM da minha região e outra no auditório para pessoas sem deficiência. Resultado a interação que tivemos com o público foi muito maior e melhor com a Associação!
Eles batiam palmas, falavam connosco e respeitaram-nos prestando atenção!
No fim, foram muitos os beijos e abraços! Principalmente ao meu filhote que era o mais novo e pequeno do grupo! Guardamos até hoje essa impressão e boa recordação!
Para eles não há barreiras, dão-nos aquilo que têm e que conseguem...
Bjs
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De Jorge Soares a 30.10.2011 às 22:41

Olá

Pois, as barreiras só estão de um lado, somos nós os "normais" quem as cria e as coloca.... é triste, mas é verdade.

Jorge
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De Fátima Velez de Castro a 28.10.2011 às 09:59

Acho que a questão dos abraços deve começar em casa. (Em alguns casos) os filhos deviam abraçar mais os pais; os pais deveriam abraçar mais os avós; os avós deviam abraçar mais os netos; os pais deviam abraçar mais os filhos (generalizem este raciocínio a outros parentes).
O que me choca não é o facto de não se estar "apto" para abraçar um estranho. O que me choca é quando há recusa em abraçar quem gosta de si. Por exemplo, há pessoas que não gostam de abraçar idosos, "velhotes", porque a velhice tem a pele enrugada, os movimentos entorpecidos, um cheiro diferente... há uns tempos ouvi o relato de uma neta que se recusava a abraçar a avó velhinha e doente (de uma doença que não é contagiosa!!!). Esta rapariga não é humana, mas também não é animal. O que são estas pessoas?
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De Cris a 28.10.2011 às 12:09

Concordo. Abraçamo-nos muito pouco em casa. Parece que há um constrangimento em demonstrar carinho. Também tenho culpa nessa situação.
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De Fátima Velez de Castro a 28.10.2011 às 15:48

Nada disso Cris! Também somos influenciados por normas "sociais" que nos coagem a abraçar pouco.
Mas esqueça-as e comece a abraçar mais quem gosta (já hoje, se possível).
É uma sensação óptima, porque de certeza que irá ter retorno!
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De Jorge Soares a 30.10.2011 às 22:45

Boa,.. excelente conselho :-)

Jorge
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De Jorge Soares a 30.10.2011 às 22:43

Olá

O problema começa sempre em casa, a verdade é que temos imensa dificuldade em educar os nossos filhos para a diferença... nós não estamos preparados para a aceitar e portanto dificilmente conseguimos passar a mensagem.

Jorge

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De Miss Pepper a 28.10.2011 às 12:17

A mim parece-me que o busilis da questão está em nós mesmos enquantos pais, educadores e formadosres e na sociedade degradada e sem respeito pela diferença em que vivemos.
Acho que é OBRIGAÇÃO dos pais e educadores formarem e sensibilizarem as crianças/jovens para a diferença, ensinaresm a conviver e respeitar a diferença. Seja ela qual for.
Como tu sabes, eu trabalho num colégio particular onde surge um caso pontual de vez em quando. E nota-se principalmente em crianças que vêm de outros sítios. Quando isso acontece, o assunto é logo "tratado". No entanto, há um colega meu que sabe que tem alguns "focos de incêndio" na sua turma e não os apaga. Talvez porque a sua forma de ensinar seja a de competir mas de forma negativa e não com vista a desenvolver potenciais.
Ultimamente deparei-me com duas crianças a insultarem outras que, por acaso, têm alguns problemas. Imediatamente tratei do assunto directamente com "Deus", ou seja com o director, pois parece-me que ele não tinha conhecimento do que se andava a passar.
Quanto ao Rafael, parece-me que é o menino da escola Pedro de Santarém, é lamentável. Mas o pensamento de quem sofre de bullying é não contar com medo de ainda a coisa se tornar pior. E às vezes as coisas não chegam aos directores porque ninguém os informa. Será que era bom instalar câmaras de vigilância nas escolas? é um caso a pensar...

Beijoca e desculpa o testamento! :)
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De Jorge Soares a 30.10.2011 às 22:49

É obrigação de todos nós formar e educar de modo a que se respeitem as diferenças, que se respeitem as pessoas independentemente de se são ou não parecidas connosco. O que acontece é que a maioria das pessoas não sabe lidar com a situação.. ou prefere não ver o que se passa.

Felizmente ainda há pessoas como tu.

Jorge

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De poetazarolho a 28.10.2011 às 20:54

“Plastificados”

Na sociedade plastificada
Em que só a moeda conta
Tu já não contas pr’a nada
Se te indignas é um’afronta

Cresceste num meio hostil
Aprendeste com a solidão
Sentes-te só entre uns mil
Se te indignas lá vem bastão

Já não contas com os demais
Plastificado que foste também
Euforia provém da finança

Souberam engolir-te os natais
Aprenderam a tratar-te com desdém
Para que possam continuar a dança.
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De Joana a 29.10.2011 às 11:11

Jorge, educar para a diferença é das coisas mais difíceis que há, no meu entender... Já pensei tanto nisto...
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De Jorge Soares a 30.10.2011 às 22:54

Sem dúvida que sim, cá em casa somos todos o suficientemente diferentes como para conseguirmos educar pelo exemplo :-)

É uma assunto que nos deveria preocupar a todos.

Jorge

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