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Afegã violada e obrigada a casar com o violador

 

Imagem do Público

 

Há coisas que não têm nome, estou para aqui às voltas à procura de um título para o post e não consigo, porque há coisas que simplesmente são tão difíceis sequer de imaginar que dificilmente há palavras que as possam explicar.

 

Gulnaz tem 21 anos e é Afegã, está presa desde os 19, tem uma filha de dois anos, a sua pena? adultério, sexo com um homem casado. Gulnaz estava um dia em sua casa, o marido de uma das suas primas entrou, fechou portas e janelas e violou-a. Dessa violação resultou uma gravidez, ela foi julgada e condenada a 12 anos por ter tido sexo com um homem casado... e é na prisão que ela e a sua filha vivem.

 

Para sair, só tem uma solução: casar-se com o seu agressor. A única forma de uma mulher afegã ultrapassar a desonra de ter sido violada, ou de ter incorrido em adultério, é casar-se com o seu atacante.

 

Por vezes temos a tendência a esquecer que existem muitos mundos no mundo em que vivemos, damos por garantidas tantas coisas que esquecemos que há quem viva noutros mundos, noutras realidades.

 

É difícil entender que em pleno século XXI existam realidades destas no mundo, mas a verdade é que elas existem mesmo, segundo a notícia do Público .... "casos como o de Gulnaz são comuns no Afeganistão mas este tornou-se notícia após uma disputa entre a UE e uma equipa de realizadores contratados pela própria União Europeia para levarem a cabo uma série de documentários sobre os direitos das mulheres no Afeganistão."

 

O Afeganistão é um país em guerra desde há muito tempo, um país onde a cultura e a religião relegam a mulher para um papel completamente secundário na sociedade e onde casos como estes são comuns..... porque neste país as mulheres não são pessoas, não são coisas, não são nada ...e  nós desde aqui, desde a nossa zona de conforto onde damos tudo por adquirido e definitivo, continuamos a olhar para o lado.

 

Gulnaz vai aceitar o seu destino e casar-se com o homem que a violou.. porque essa é a única forma de que ela e a sua filha vivam juntas e em liberdade... dá que pensar sobre o significado da vida.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:46


19 comentários

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De VM a 24.11.2011 às 00:58

Caro Jorge, a situação que descreve não é mais do que seguir à risca o que vem escrito na bíblia. "Dá que pensar sobre o significado da..." religião.
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 00:02

Olá

Eu não quis ir directamente por aí... mas não há dúvida que a religião tem uma enorme quota parte de responsabilidade.... e não digo toda porque a estupidez das pessoas também conta.

Jorge
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De DyDa/Flordeliz a 24.11.2011 às 02:45

Se eu tivesse uma faca e estivesse ao pé do agressor, talvez a minha mão fosse mais rápida que o meu pensamento ( oque seria uma desgraça também para mim).

Mas eu, graças ao destino nasci em Portugal e conheço esta realidade e não a da Gulnaz.
O que não significa que não continue com vontade de usar algo capaz de capar alguém só de imaginar a injustiça que a rapariga passa e vai continuar a passar.

Raio de mundo cão o nosso.

Desculpa o desabafo Jorge. Ultimamente ando meio avariada com o mundo que nos rodeia.
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 00:03

Não tens que pedir desculpa... é mesmo de ficarmos avariados
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De Cris a 24.11.2011 às 08:53

E a Gulnaz até teve sorte em só ter sido presa, porque há quem seja apedrejado até à morte ou queimado. Esta história é daquelas em que apetece pegar nessa gente que pensa dessa forma juntá-las e deitar uma bomba. Só que assim estaria a ser tão má ou pior do que eles. Dá vontade! Mas...
Mas não é preciso ir ao Afeganistão. Aqui neste país de "brandos costumes" também se cometem barbaridades. Quantas mulheres já morreram às mãos dos maridos, companheiros, namorados que julgam que elas são objectos que podem manipular a seu bel-prazer? Quantos juízes (homens e mulheres!!!) já libertaram homens que violentaram ou agrediram mulheres, como se fosse um crime menor? É que nós estamos no caminho em que o património é mais importante que uma pessoa e a sua integridade física e psicológica. Mais um pouco e não devemos estar muito melhor do que no Afeganistão.
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 00:04

A violência de género não tem fronteiras, nem credos, nem religiões, nem classes sociais... é verdade...

Jorge
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De Maria a 24.11.2011 às 10:30

É por isso que considero que há, efectivamente, culturas inferiores. Há. Não vale a pena insistir na conversa politicamente correcta de que são diferentes e há que respeitar as diferenças e por aí a fora... É triste. Revoltante.
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De golimix a 24.11.2011 às 18:34

Não acho que existam culturas inferiores, acho que existem é mentes rastejantes que se valem da cultura para ganhar forma! Isto não é cultura! Isto é pior que ser animalesco desce abaixo de qualquer limiar de pensamento existente na face da terra! Contando que as minhocas também lá devem ter o seu pensamentosito ainda que pequenino.
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De naterradosplatanos a 24.11.2011 às 18:53

Golimix, defina-me lá cultura, já que não concorda com o comentário da "Suspeita"!
Quando por sistema há falta de respeito por alguém inocente ,como é o caso de alguns países muçulmanos, com certeza estamos perante uma sub cultura!
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De golimix a 24.11.2011 às 20:35

Ora bem...para mim cultura é sinónimo de "saber" de uma certa aplicação do "espírito", talvez eu esteja errada, mas é assim que eu vejo as coisas.Por considerar que é assim parece-me que este tipo de atitudes e visões mais acéfalas não deveriam entrar no domínio da cultura. Aliás acho que não entra em nenhum domínio de seres vivos com alguma faísca nos neurónios.
Respondi? :)
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 00:13

Na verdade eu também não concordo, diferenças culturais não significam necessariamente avanço ou atraso, superioridade ou inferioridade. O que se passa no Afeganistão tem mais a ver com religião que com tradições culturais, é a religião muçulmana e a forma como é interpretada que relega as mulheres para um papel inferior na sociedade....

Jorge
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De naterradosplatanos a 25.11.2011 às 20:03

Jorge, não será que a religião está entroncada na cultura?
Temos que tirar isso a limpo com alguém entendido no assunto!
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 00:09

Eu não lhe chamaria culturas inferiores, se calhar quis ir pela tangente no post e não deveria ter ido.. tudo isto tem um nome, religião, é a cultura religiosa destes países que insiste em manter as mulheres num papel menor e que impede que estas sejam vistas como iguais... só um mundo livre de religiões poderá deixar de ter os preconceitos que as relegam para o lugar na sociedade em que estão e que permite que estas coisas aconteçam

Jorge
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De Fátima Velez de Castro a 24.11.2011 às 10:35

É muito revoltante ler noticias destas e perceber a sorte (o azar, digo) de tantas e tantas mulheres por esse mundo fora. Por isso é que, apesar de tudo, me dou por feliz por ter nascido num país, numa cultura, que me permite ser aquilo que sou: uma mulher com igualdade de direitos face aos homens.
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 00:10

É triste que a vida e a morte das pessoas dependa de uma questão de sorte com o lugar em que se nasceu... quando seremos capazes de criar um mundo em que todos sejamos realmente iguais?
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De Kok a 24.11.2011 às 11:34

A bestialidade dos costumes e tradições de países onde os seus dirigentes se regem (como e quando lhes convém) de acordo com os "ensinamentos" baseados na religião nunca trazem nada de bom para quem está na parte mais baixa da sociedade estabelecida!
E, com maiores ou menores graus de repressão, há imensos exemplos em variados países de diversas culturas e credos.
O ser humano é uma besta; mas às vezes não parece...

1 abraço.
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De Rosinda a 24.11.2011 às 11:46

Sabe Jorge, quando alguém me pergunta se sou racista, eu respondo que sim, e sou, exactamente racista de culturas que ainda existem por esse mundo afora.
Um abraço
Rosinda
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De golimix a 24.11.2011 às 18:37

Jorge estas notícias dão-me sempre náuseas. Acho que já disse um pouco do que penso (numa resposta). Tenho é asco de dividir o mundo com seres mentalmente incapazes de produzir uma faísca cerebral positiva.
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De xana a 24.11.2011 às 22:58

Não sei qual o pior cárcere... se viver na cadeia com a filha, ou casar com o agressor e passar certamente a ser violada pelo mesmo, vezes sem conta e sujeitando a filha a sabe-se lá que futuro. E... nem sei mais que dizer.
bjks

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