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Porque não fiz greve?!

por Jorge Soares, em 24.11.11

Não queremos esta?, queremos qual?

 

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Imagino que muita gente irá achar isto um contra-senso, eu que passo a vida a dizer que somos nós que devemos fazer as coisas acontecer, que não nos podemos calar, hoje, eu fui do contra e fui trabalhar.

 

Na verdade, não foi bem ser do contra, na empresa em que trabalho a adesão foi de zero por cento, não dei pela falta de ninguém. Não sei quais os motivos dos meus colegas, a greve não foi motivo de conversa, nem hoje nem durante os dias anteriores... mas vamos ao que ia:

 

Porque não fiz greve?

 

Em primeiro lugar porque acho que a empresa em que trabalho não merece que eu faça greve, é uma empresa Portuguesa que exporta 100% da produção, que se preocupa com os empregados, que paga religiosamente dois dias antes do fim do Mês, e que na maior parte dos 15 anos em que lá trabalhei até agora, pagou 15 e até mais salários aos seus empregados. Uma empresa que cumpre com os seus funcionários, com o país e com os clientes e que ia ser a única prejudicada com um dia de paragem.

 

Em segundo lugar, há muito que deixei de acreditar em sindicatos e em greves, acho que só há um lugar em que podemos fazer a diferença, é nas urnas.  Onde estava no dia das eleições  a maiora das pessoas que hoje fez greve?, porque não foram votar?...e se foram, porque é que os três partidos que governaram o país nos últmos 35 anos, somaram mais de 80% dos votos? De que serve ir para a rua fazer manifestações, fazer greves, atirar pedras à policia, tentar queimar repartições públicas, se depois temos 50% de abstenção e quem vai votar vota nos mesmos de sempre? Olhamos ali para a fotografia e pensamos, não queremos esta Democracia?, queremos qual?, mas se não vamos votar podemos aspirar a quê?

 

Depois há algo que não percebo nem vou perceber, qual o papel dos piquetes de greve?, se a greve é um direito, o não a fazer também o é, porque é que há pessoas que utilizam o direito à greve, muitas vezes o vandalismo a violência e até a destruição, para não deixar que outras pessoas  utilizem o seu direito a não fazer greve?.. que sentido tem tudo isto?

 

Eu não sou dos que acha que não há alternativas às medidas que anunciou o governo, há alternativas, não são é aplicáveis por quem está no poder, porque em primeiro lugar não acreditam nelas, em segundo lugar sentem-se com a legitimidade de quem foi eleito com maioria absoluta, e em terceiro lugar, tem as mãos atadas por um acordo que assinaram com quem vai cá meter o dinheiro..... 

 

Como eu vejo as coisas há tempos para tudo, e estes não são tempos para greves... lamento se desiludi alguém, mas antes isso que meter um dia de férias ou vir para a rua falar de greves em empresas que na realidade utilizaram subterfúgios para dar um dia de folga que vai ser trabalhado noutra altura. E, sinceramente, eu acho que faço mais pelo país aqui neste cantinho todos os dias, que não indo trabalhar um dia... e agora estou a ser convencido, eu sei.

 

Já agora, aconselho uma visão algo diferente da mesma coisa, é da Suspeita, aqui

 

Jorge Soares

publicado às 22:49


12 comentários

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De golimix a 25.11.2011 às 12:57

Já li o teu artigo e o de "suspeita". Tal como disse lá, não fiz greve (só no blogue :)). Também acharam que eu que falo de mudança deveria ter feito greve. Mas penso que não mudamos nada com greves. Embora entenda e respeito quem o fez. Não trabalho numa empresa como a tua (que sorte a tua :)), sou funcionária pública. Mas o que acho é que todos trabalhamos para o Estado de uma forma ou de outra, às vezes alguns pensam que não.
Também me parece que muitas vezes as greves são feitas pelos partidos da oposição e não pelas pessoas, mas se calhar estou errada, sou humana e erro muitas vezes.Mas alguns exageram nesse seu direito humano de errar :)
Bj e bom fim de semana para todos aí em casa.
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De Jorge Soares a 28.11.2011 às 22:46

Olá

É claro que devemos respeitar que decidiu fazer greve, assim como deve ser respeitado que não fez.

As greves são feita por quem participa... ou em último caso por quem não tem alternativa, mas não tenhas dúvidas que são pensadas e organizadas a nível politico..e evidentemente quem está no governo não organiza greves.. de resto, um dos maiores problemas que vejo no sindicalismo em Portugal é a sua falta de independência... que nos leva quase sempre a duvidar dos seus motivos.

Jorge
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De golimix a 29.11.2011 às 20:34

Pois o problema dos sindicatos é mesmo esse. Cada vez estou mais desiludida com o meu. Deixei de acreditar nos sindicatos e passei a acreditar mais nas pessoas.Pessoas livres sem terem âncoras nos pés.Não sei se me percebes?
Já aderi a algumas greves, mas não me consegui posicionar devidamente em relação a esta, e na dúvida não aderi. Errei? Talvez. Mas não errei há uns meses atrás nas urnas! ;)
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De Kok a 25.11.2011 às 16:31

Fizeste bem!
Partindo daquele princípio democrático que as decisões e ideias de cada um devem ser respeitadas, fizeste bem!
Porque a empresa onde trabalhas é cumpridora das suas obrigações, quer com quem lá trabalha, quer com as suas obrigações sociais e fiscais, fizeste bem!
E, sobretudo, porque foi essa a tua vontade, fizeste bem!

Mas quem sou eu para afirmar esse: fizeste bem?!?!?!
Ninguém! é somente uma maneira de falar, dizendo o que me parece correcto dizer, porque é o que penso.
Quem fez, fez e possivelmente voltará a fazer e que não fez o mais certo é continuar a não fazer.
Cada um tem as suas razões e procederá de acordo com elas.
As razões porque cada um faz ou não faz greve? é com cada um!
Mas as razões e os motivos porque quem nos governa não seja capaz criar condições para evitar que as greves aconteçam, já respeita a todos os governados.
Mas como é que se pode resolver isto?
Pelos votos? Achas?
Mas não "escolhemos já" entre a prepotência, a mediocridade, a incompetência, a tecnocracia e até a competência?
Faltará somente votar em honestidade? Achas?

1 abraço!

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De Jorge Soares a 28.11.2011 às 22:57

Todos temos direito a uma opinião... e é da troca de ideias e opiniões que se costuma fazer luz...

Votar na honestidade era uma boa ideia, o problema está em descortinar árvore da honestidade por entre floresta de políticos que temos

Jorge
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De António Manuel Dias a 25.11.2011 às 17:37

[Não fiz greve] "porque acho que a empresa em que trabalho não merece que eu faça greve"

Ou seja, como é a casa do meu vizinho que está a arder e não a minha, não vale a pena pegar no balde de água para lhe acudir.
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De Jorge Soares a 25.11.2011 às 18:48

Por acaso leste o resto ou só leste essa frase? é que eu acho que no resto explico mais umas coisas.
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De António Manuel Dias a 25.11.2011 às 23:56

Li tudo o resto e penso que sabes que, como tu, também me chateio com as pessoas que só aparecem quando lhes vão ao bolso e, quando podem efectivamente mudar radicalmente a situação (nas eleições) se esquecem e vão para a praia e para o centro comercial, e também sou contra a violência gratuita, etc.

Mas nada disso invalida que nos devemos sempre associar à lutas que consideramos justas, mesmo que não sejam as nossas lutas, porque hoje estamos a lutar com eles e amanhã estarão eles a lutar connosco. E, portanto, acho que a frase que citei é na verdade a que resume todo o artigo. Solidariedade é essencial Jorge: tu achas que eles deviam votar, eles acham que tu devias fazer greve e participar nas manifestações. Resultado? Nunca estão todos na luta ao mesmo tempo.
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De Sofia a 25.11.2011 às 20:14

Eu não fiz greve, também porque era o meu dia de folga... Mas sinceramente, acho que são necessárias um outro tipo de medidas para fazer frente a todo este "nosso" problema.
A greve é uma forma de protesto e respeito quem adere, mas para mudar acho que é preciso algo mais...e uma completa união do povo português.
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De António Manuel Dias a 26.11.2011 às 00:09

Achas que é preciso algo mais, Sofia, mas o quê? O que achas que se devia fazer? Já manifestaste essas ideias do que achas que se deve fazer num sindicato? Num partido? Em alguma outra organização que as possa colocar em prática?

E depois dizes que é preciso uma completa união do povo português. Concordo em absoluto contigo. Podemos começar por participar nas iniciativas que as associações profissionais e políticas convocam. Se ontem tivesses ido à manifestação, uma vez que até era o teu dia de folga, terias sido mais uma. Se levasses uma amiga já seriam duas. Se essa amiga levasse um amigo seriam mais três... e a união do povo português estaria mais perto.
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De artesaoocioso a 27.11.2011 às 23:32

Assino por baixo.
Cumprimentos
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De José Correia a 11.05.2013 às 18:27

Não sei se é com greves que se consegue aquilo que vou escrever a seguir , mas que isso é absolutamente necessário, lá isso é.


De uma vez por todas convençam-se que só a redução da jornada de trabalho poderá melhorar as coisas. Depois da revolução industrial em que as máquinas começaram a fazer o trabalho de muitas pessoas e o desemprego subiu imenso, só com a diminuição da jornada de trabalho (depois de muita luta) se entrou num período de prosperidade. Desde então, apesar de todas as evoluções tecnológicas (muito maiores do que as da revolução industrial) nunca mais houve uma efetiva redução do tempo de trabalho. As políticas atuais de mais horas de trabalho, menos feriados, reforma em idade mais avançada tem piorado imenso este efeito normal. Se não se fizer nada o desemprego continuará a aumentar ao ritmo do desenvolvimento tecnológico. Só uma redução do tempo de trabalho e consequentemente de um aumento do tempo de lazer e para dedicar à família é que se pode reverter este ciclo vicioso atual e converte-lo num ciclo virtuoso que inclusivamente pode fazer crescer a produtividade, a economia ao contrário do que nos dizem. Faço um desafio a todos os sociólogos e economistas para fazerem um estudo sério sobre o impacto da redução da jornada de trabalho na economia e no bem estar das pessoas.

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