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Hiperactividade, a visão de uma professora

por Jorge Soares, em 16.12.11

Hiperactividade

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Em todas as profissões há melhores e piores profissionais, os professores não são excepção, à medida que os nossos filhos vão crescendo vamos tendo a consciência plena disso, nós já passamos por quase tudo, desde a menina que achava que qualquer criança que saía um bocadinho da norma dela era um problema, tinha que ser avaliada e se possivel medicada, até à senhora professora à moda antiga, super disciplinadora, que levava a turma com mão de ferro, mas que olhava para qualquer diferença, cor da pele incluída, de lado, passando pela professora que tinha consciência plena do problema e que sabia como lidar com ele.

 

Com o tempo a sensação que fica é que a maioria não sabe ou não quer saber, já seja porque não se preocupa, porque simplesmente desistiram, ou porque se acham acima do problema... felizmente há excepções,.... hoje a Marta deixou-me um comentário ao meu post sobre a hiperactividade de terça-feira passada que não posso deixar de partilhar porque é importante termos a visão do outro lado. Obrigado Marta.

 

 

Jorge:
Voltei aqui porque este é um tema que me toca e gostaria de deixar aqui umas palavras, ainda que breves que o tempo é de avaliações e, DT de uma turma complicada, o tempo voa.


Já fui professora de vários alunos com as mesmas características do teu filho e este ano, tenho outro menino que,como referes, tem uma dificuldade enorme em se concentrar e trabalhar com algum silêncio. E, refira-se, em deixar trabalhar a turma.


Se é um desafio? Enorme e saberás melhor do que eu do que falo, mas é preciso nunca esquecer que não é algo intencional, muito menos reflecte directamente pouca vontade de colaborar.


Ou de aprender.


É mesmo mais forte que eles e, portanto, por muito difícil e exigente que seja no dia a dia, há que contextualizá-lo.


A maioria dos professores entende, conhece as particularidades desta doença e trabalha no sentido de os integrar e minimizar os impactos para ele e para os outros. E tudo deve ser feito no sentido de os incluir e socializar, eu sei.


Este meu aluno deste ano, passa ainda pelo processo de divórcio altamente litigioso entre os pais e, portanto, pedir-lhe que se acalme assemelha-se uma quase impossibilidade. Como directora de turma e receptora de todas as queixas, procuro ser assertiva e escolher os momentos que pedem, de facto, uma intervenção minha ou uma convocatória dos EE à escola. 


Até agora tenho conseguido atenuar os percalços e "acalmar" os ânimos , os do menino inclusivé.


Posso dizer-te que até a técnica da respiração abdominal e umas noções de Yoga tenho sugerido e treinado na turma e ele sempre participa na medida que vai conseguindo... Tem sido engraçado vê-lo tentar ficar quieto e, pelo canto do olho, ir olhando para os outros ;)


Outro dia desapareceu a meio da aula e fui dar com ele debaixo da banca do laboratório. Tive que conter-me muito para não rir (não fossem os outros querer imitá-lo depois), porque ele é muito engraçado.


Há que entender as características e as dificuldades que uma criança dessas passa, há que olhar com atenção os seus olhos e perceber que, às vezes, eles não conseguem nem ter os olhos focados num mesmo objecto por mais que uns segundos...


É um verdadeiro jogo de paciência, de harmonização entre interesses que se chocam e as necesidades de pedagogia diferenciada destas crianças. E tentamos corresponder.


Mas depois são todas aquelas pressões de cumprimentos de programas e metas de aprendizagem e sucesso educativo...E avaliações cegas.E toneladas de papéis que nos tiram energias...


Estamos atentos Jorge e tenho a certeza que muitos pensam (e agem) como eu.


Desculpa-me o lençol,mas tinha que dizer algo e tentar ser solidária com pais que nos pedem ajuda.


Nesse caso, contigo.

 

Marta M 

 

Jorge Soares

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publicado às 22:15


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