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Para o coração não há prescrição... haverá direito ao perdão?

 

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

A noticia é do Público, que se baseou num jornal inglês, que se terá baseado num italiano...  antes as histórias passavam de boca em boca, agora passam de página online em página online... e ainda bem, porque o que se perde em objectividade ganha-se em conhecimento... mas vamos ao que interessa.

 

Ele chama-se António e tem 99 anos, ela chama-se Rosa e tem 96, estão juntos desde 1934, qualquer coisa como 77 anos, uma longa vida inteira de alegrias e tristezas da que resultaram cinco filhos, doze netos e até um bisneto. Por estes dias António decidiu dar uma olhadela numas coisas antigas que encontrou num velho móvel lá de casa e descobriu que Rosa guardava cartas de amor que datam dos anos 40 do século passado... cartas que não eram dele e sim de outro homem, cartas que mostravam que algures, há 60 anos atrás, Rosa o teria traído.

 

Apesar da confissão e do arrependimento de Rosa, António não perdoa e o casal está em processo de divórcio.

 

Eu tenho uma máxima, só sabemos como vamos reagir ante qualquer situação da vida quando passamos por ela, a vida já me ensinou muitas coisas e nem sempre me deixou bem na fotografia. Visto desde aqui, sem saber muito mais que o que li nas poucas linhas da notícia do público, custa-me a crer que 77 anos de vida em conjunto não possam pesar mais que algo que aconteceu há 60 anos.... se aturar alguém durante mais de 70 anos não nos fazem merecedores do céu e do perdão por algo que aconteceu há  tanto tempo, o que poderá fazer?

 

Não deixa de ser engraçado ler os comentários à notícia e a alguns posts da blogosfera, há quem fale da honra vingada, há quem ache que o facto de a senhora guardar as cartas durante tanto tempo é sinal de que continuava a amar o outro, há quem ache uma parvoíce e que não merece que duas pessoas terminem a vida em solidão, há quem jura que perdoaria e quem garanta a  pés juntos que não... e claro, nunca falta alguém que ache que o senhor não tinha nada que andar a bisbilhotar os papeis antigos... então e o direito à privacidade da senhora?... 

 

Está visto que para os crimes do coração não há prescrição... haverá direito ao perdão? vocês acham que perdoavam?

 

Jorge Soares

publicado às 20:44


22 comentários

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De Smootha a 02.01.2012 às 21:36

60 anos? Mais que prescrito.
Depois de tantas décadas em comum, alegrias e tristezas (que todos as temos), um divórcio, aos quase 100 anos não faz sentido nenhum.

Bjs
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:04

Olá Smoo

Concordo completamente,,,, 60 anos é mais que o que a maioria das pessoas vivem, toda uma vida.

Jorge
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De miilay a 02.01.2012 às 21:45

Jorge, um Bom Ano, e quanto ao post, penso que perdoava, e volvidos tantos anos ainda colocam a situação de divórcio... não concordo, mas quem sou eu.
Afinal estão juntos é porque são parceiros, amigos, confidentes ,e o que lá longe aconteceu, não teve tanta importância , senão ela tinha ido embora.
miilay
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:06

Olá

Justamente, se conseguiram conviver tantos anos em comum, como é que algo que foi à tanto tempo consegue apagar uma vida inteira?

Jorge
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De Sara a 02.01.2012 às 22:07

Em primeiro lugar - BOM ANO!!
Em segundo, não conhecia a noticia e ainda bem que a fizeste chegar.
Em terceiro e agora sim direccionado ao tema em questão - Todos nós temos telhados de vidro. A ser verdade a historia, só ele saberá o que sentiu ao descobrir, só ela saberá porque mentiu e o que sentia pelo tal "caso". Uma coisa é certa - a historia é deles e de mais ninguém Se se querem divorciar isso é um direito que se lhes assiste. São pessoas com a sua dignidade e vontade própria Porque criticar é fácil , mas só quando estivermos nas situações poderemos julgar e ainda assim nunca conseguiremos compreender 100% pelo simples facto de sermos todos diferentes!

Sara.
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:07

Olá Sara

Precisamente porque todos temos telhados de vidro é que deveríamos aprender a perdoar, a aceitar que se não somos perfeitos os outros também podem falhar.

Não achas?
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De Sara a 05.01.2012 às 08:50

Claro que acho. Ninguém é mais que ninguém. Mas também não temos o direito de o julgar, entendes?! Só a ele cabe a decisão porque só ele sabe e entendo o que sofreu com aquela descoberta.
Julgar é fácil...
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De DyDa/Flordeliz a 02.01.2012 às 22:59

Com 99 anos e consegue ter opinião? É pá viva o "jovem"!

Não o vou julgar, vou apenas colocar a situação como se fosse minha.
Eu com essa idade (tenho um pouquinho menos e já me sinto cansada) queria umas tostinhas, um leitinho, os pés quentes e paz, resmas de paz.
Qual divórcio, qual quê?
Mas que ele tem direito - tem!
E se tem força para lutar e acredita que o deve fazer...não sou eu que o vou criticar.
Viva a liberdade em qualquer idade, desde que haja lucidez para tal.
Espero que tenha tempo de se arrepender e pedir a mão da esposa em casamento
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:12



Já queríamos todos chegar aos 99 anos com capacidade e autoridade para decidirmos que nos podíamos divorciar

Aposto que o homem não demora muito a arrepender-se... .

Jorge
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De xana a 03.01.2012 às 00:16

Bom 2012!
Bem, lá venho eu meter a colher...
Antes de mais, se as cartas são dos anos 40 do século anterior, é de lembrar que já têm bem perto de 70 anos ou mais, logo deve ter sido uma altura complicada para a senhora, gerir dois amores e ter de optar por um... Depois vem a parte do senhor e do meu ponto de vista é compreensível a reacção do mesmo, para quem como eu "conhece" Itália e os italianos. Um italiano nunca, mas nunca aceita uma traição, ainda que a mesma tenha acontecido em tempos de namoro, e a ter em conta a região onde as coisas se passaram, que pode ter uma influência de uma das máfias por lá existentes, onde a honra é antes de tudo ponto de partida para tudo. Se fosse por cá, haveriam outras coisas a atenuar ou não a situação, mas passou-se em Itália e nos anos da 2ª Guerra, ou logo depois provavelmente. Foi um época dificil para os italianos, Mussolini estava no poder e estava do lado errado da barricada, arrasatando consigo os homens de todas as idades para se alistarem nas tropas. Tendo em conta a época em que as coisas se passaram e as personalidades envolvidas, não é fácil encontrar uma resposta à questão.
Tal como diz o ditado português: "_ Quem está dentro do convento, é que sabe o que lá vai dentro...!"
Apenas posso dizer que a uma vida assim, e acontecimentos assim dariam um daqueles livros que tanto gosto de ler, recheados de histórias, de amor, de partilha, de filhos e netos, de passado, de presente de futuro, e penso eu recheado de cheiros e sabores, de mesas cheias de gente em redor, de muita gritaria e alegria, muitas brigas e muitas reconciliações, e acima de tudo de um modo de vida tão idêntico ao português, que só damos pela diferença quando fechamos a última página do livro, estamos na nossa sala, e sentimos que afinal estamos tão longe, e que queremos ir lá conhecer in-loco as diferenças e semelhanças entre tudo o que lemos e tudo o que conhcemos da nossa vida por cá, tão difrentes, mas tão iguais.
( primeiro discurso do ano)
bjks
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:13

Olá Xana

Gosto dos teus discursos .... sempre esclarecedores.

Jorge
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De energia-a-mais a 03.01.2012 às 11:18

Olá! bem não haja dúvida de que esse casal não quis iniciar o novo ano com assuntos por resolver lol! mas piada à parte, acho que o tema só pegou atendendo à idade dos dois...se fosse um casal mais novo, ninguém acharia estranho que o homem não perdoasse a «escapadela» da senhora. Eu cá acho que o coração nestas coisas, tem sempre razão - se calhar faria o mesmo, nem que andasse de bengala e o meu homem estivesse entrevadinho quando o descobrisse...ou talvez não! pois tal como dizes, só passando por elas é que a gente vê como reage....olha, seja lá o que decidirem no final, o que importa é que não se arrependam
Bom ano!

Teresa
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:15

Olá

Pois, isto só é assunto devido à idade do casalinho... porque divórcios e traições é o que mais há por aí... e aposto a que o senhor se arrepende.

Jorge
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De Kok a 03.01.2012 às 11:37

Olá Jorge, um ano jeitoso é o que se me oferece desejar-te.

Não sabia deste acontecimento que acho ao mesmo tempo bizarro, caricato, disparatado, sério, enfim...
Ocorre-me uma questão:
-todos os 5 filhos têm o mesmo pai?
Nunca podemos ter a certeza (acho eu) como procederemos em casos alheios; daí que não saiba dizer como reagiria, independentemente da idade que tivesse!
Mas a eventualidade de chegar perto dos 100 anos já é preocupante o suficiente; artroses, diabetes, cataratas, azias, e outras não serão "dores de cabeça" bastantes?
Acho que a "proposta" da Xana tem mais "a ver": seria certamente um óptimo romance envolvendo amores, romances e factos históricos.
Aquele "gajo" que escreveu "As palavras que..." é bem capaz de se interessar pelo assunto!

Ena pá, já me estiquei! ! abraço!!!

§- aquele sublinhado das "dores de cabeça" não têm segundo sentido. E no entanto agora que presto este esclarecimento até me parece que faz sentido.
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:17

LOL

Partimos do principio que a senhora só pecou aquela vez.... caso contrário o senhor bem merece.. por inocente.

Abraço
Jorge
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De golimix a 03.01.2012 às 12:45

Penso que é difícil dizer o que faríamos em determinada situação, existem tantas variáveis que analisadas a frio, e de fora do acontecimento, que não me permitem dar uma resposta objetiva.
Posso dizer-te que talvez tantos anos passados juntos contribuíssem para que o senhor se sinta magoado e traído. Perdoar é difícil, mas não impossível. A capacidade de perdoar é algo que não serve a todos, e que muitas vezes pode ser considerada como algo valioso e poderoso.
O que seria do mundo se não existisse o perdão?
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:19

Perdoar é difícil.. é verdade, mas faz parte da vida..e eu neste caso... acho que perdoava... 70 anos em conjunto tem que significar algo de importante.

Jorge
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De Sofia a 03.01.2012 às 12:56

Não há dúvida de que só quando passamos pela situação é que vemos! Se perdoaria? Agora até te posso dizer que sim, no momento poderia mudar de ideias.
Mas duma coisa não nos podemos esquecer foram muitos anos em conjunto e se ela ficou com ele (apesar das cartas de outro homem) eu diria que será porque o seu coração lhe pertencia e nesta altura, tantos anos depois, isso deveria pesar mais do que qualquer outra coisa.
Beijinhos*
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:20

Olá Sofia

Concordo contigo, 70 anos de convivência em conjunto deveriam significar algo.

Jorge
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De Fátima Velez de Castro a 04.01.2012 às 19:10

Se perdoava? Não sei...
Mas não deixa de ser triste um casal separ-se nesta fase da vida :(
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De Jorge Soares a 04.01.2012 às 23:20

Olá

É verdade, é triste.

Jorge

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