Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os ratos a fugir do porão

 

Imagem do Henricartoon 

 

Assim de repente era fácil seguir a ideia do cartoon e deixar fugir o tema para a piada fácil, afinal foi o primeiro ministro e o governo quem sugeriram aos portugueses que o melhor a fazer era emigrar... a verdade é que o assunto é muito sério.

 

No outro dia a seguir ao fogo de artifício, no caminho da baixa de Setúbal até cá a casa, a Sandra, que costuma passar por cá pelo blog, dizia-me que era mais que certo que lá para o inicio da Primavera seremos expulsos do Euro, primeiro a Grécia e a seguir nós.. na altura achei que ela estava a exagerar, a nossa saída do Euro seria o descalabro para a banca europeia, principalmente para os bancos alemães..e  não me parecia que a coisa já estivesse nesse ponto.

 

Hoje a Grécia anunciou que ou chega mais dinheiro ou sai do Euro e por cá os ratos começam a abandonar o barco..., sinal de tempestade pela certa.. vai dai e a Sandra é que sabe.

 

Não é preciso pensar muito para se perceber o que levou os senhores do Pingo Doce a mudarem a sede da empresa para outras paragens, nem das consequências que de aí advém, o fim de qualquer empresa é dar lucro para os seus accionistas...e menos impostos significam mais lucro. Também não é difícil de concluir que isto também é resultado das politicas económicas que a mando da Troika tem sido implementadas por quem nos tem governado... por algum motivo a Irlanda se recusou a aumentar os impostos às empresas para além dos 12% que nas últimas décadas converteram o pais num paraiso para a industria mundial.... alguém ouviu falar da possibilidade da Irlanda sair do Euro?

 

Por fim, convém recordar que há uns tempos atrás o Patrão do Pingo Doce numa entrevista com a Fátima Campos Ferreira, disse na televisão que havia empregados seus a roubar nos supermercados porque havia fome nas suas casas... ainda hoje estou para perceber porque é que a Fátima não lhe perguntou se essa fome não seria resultado dos salários e condições de miséria que eles dão aos empregados... pois é, o que importa é o lucro, o resto é conversa.

 

Uma coisa é certa, não é assim que vamos sair da crise.

 

Jorge Soares

publicado às 21:57


18 comentários

Sem imagem de perfil

De xana a 03.01.2012 às 23:10

E eu pergunto mas alguém tem ouvido falar quer da Irlanda, quer da Islândia (embora não esteja na UE, estava em bancarrota)? Pois, parece que por lá a saída da crise é para se fazer com pés e cabeça, com sucesso, sem grande alarido. Por cá tenta-se levar o povo à miséria, e ao obscurantismo de outras épocas. Vai daí a nada e estamos numa nova ditadura, com um Fidel sem barbas mas que nos vai dar água pelas barbas.
bjks
Imagem de perfil

De Traquinasmother a 04.01.2012 às 00:11

há tempos deu um programa aqui numa das tV que nem a propósito sobre as especulações..e que o que muitas empresas/particulares podem fazer para afundar um pais..desde que ganhem uns milhões... é que um fica na duvida, se realmente há crise ou se tipos que controlam empresas(lembrando o famoso anuncio da Mody( ou lá como se chamava ..tenho péssima memória ´controlam-nos a todos e pior á nossa carteira...

dá que pensar

beijocas ora aqui esta um tema que podiamos falar tb no estaminé..eu sinto-me muito desinformada..sei que em parte é falta de paciência minha...mas ja o coloquei nos favoritos para vir ler mais
Sem imagem de perfil

De Maria a 04.01.2012 às 14:05

Pois, nem sei que te diga. Percebo a posição da empresa, por outro lado lamento a falta de consciência social e de dever patriótico... Acho que o que está mal é mesmo a política do nosso governo, a falta de uma linha orientadora que pense estas situações antes de elas acontecerem, que saiba promover uma economia ... continuamos com défice de cabeças pensantes. Das boas...

Imagem de perfil

De golimix a 04.01.2012 às 18:08

Penso que a nossa crise é sobretudo de atitudes que ponham quem nos atirou para este buraco sem fim no sítio devido.
A crise é de cabeças que nos coloquem no rumo, que não que se submetam, como bons meninos, ao poder Angel-Sarkosy.
A crise que temos é de visionários.
A crise está naqueles que não querem ver que para unas engordarem, outros ficam sem comida.
A crise é de quem nada fez para que o "barco" não afundasse....
A crise, está em crise!
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 06.01.2012 às 00:27

Está tudo em crise... a começar pelas consciências e responsabilidades...
Imagem de perfil

De Fátima Velez de Castro a 04.01.2012 às 19:08

Falta uma coisa às empresas - RESPONSABILIDADE SOCIAL!!! (entre outras, claro está).
Fiquemos descansados que quando o país voltar "a dar", este volta de certeza...
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 06.01.2012 às 00:26

Olá

O problema é que com saídas como esta, o país vai demorar muito tempo em sair do buraco
Imagem de perfil

De Kok a 04.01.2012 às 23:00

A solidariedade social das empresas? Ora, ora...
Houve no mundo algum país que ultrapassasse uma crise com medidas restritivas como a que estão a ser implantadas em Portugal?
Não acredito que tal tenha acontecido.
Não admira pois que pingos destes comecem a tornarem-se amargos!
E quando um 1º Ministro sugere que emigrar é a solução mais aconselhável...

1 abraço!
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 06.01.2012 às 00:25

Não, não houve...estas politicas não nos levam a lado nenhum.. e vai haver muita amargura por cá.

Jorge
Sem imagem de perfil

De DH a 05.01.2012 às 15:41

Olá :)
Pois... acho que me vais "bater", pois se eu tivesse hipótese de pagar menos impostos, mesmo que soubesse que o dinheiro dos meus impostos não reverteria a favor do meu País, neste momento não pensaria duas vezes. Sinto o Estado a faltar continuamente aos compromissos que assumiu com os trabalhadores, sinto-me roubada, sinto que os meus filhos não contam quando se vai fazer cálculos para o pagamento de taxas, como se eles não fossem cidadãos portugueses, como se não existissem... Estou um bocadinho amarga em relação a estes senhores A Jerónimo Martins está a dançar a música que o Governo toca, desde que não vá à falência, os trabalhadores agradecem.

Beijinhos
Dulce
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 06.01.2012 às 00:24

Se te batesse a ti tinha que bater a meio país... porque há muita gente que tem a oportunidade e não a desperdiça... essa é uma enorme parte do problema.

Enfim

Jorge

Sem imagem de perfil

De DH a 06.01.2012 às 10:50

Bom dia Jorge.
Gostava de te contar o porquê desta minha revolta (eu que até hoje sempre paguei tudo aquilo que me coube pagar de impostos, mesmo sabendo que me estavam a roubar cobertos pela lei), mas um blog não é sítio para contar a minha história.
Beijinho
Dulce
Sem imagem de perfil

De Maria de Portugal a 05.01.2012 às 21:50

Sinto-me dividida.

Sou cidadã portuguesa e cumpro com o que o meu país implementa, altera, faz, desfaz e vai mudando conforme o som da música que cada governo vai tocando. Com tudo isto, eu e muitos outros como eu, cada dia vamos pagando mais e usufruindo cada vez menos do que nos foi descontado e que hoje nos vão taxando.
Também sou empresária portuguesa. E também nesta “categoria” vou pagando cada dia mais, cada dia mais obrigações, mais exigências, mais impostos. Exigem inovação, mais formação e mais taxas que nem sei bem para que servem, já perdi a conta (são tantas!...)
Tenho uma certeza - É PARA SER PAGO! E pouco importa se outros me pagaram ou mesmo se recebi ou vou receber?!...
- É prazo? Cumpra-se!

Por este facto (por ter o nobre título de empresária) o meu descendente não teve direito a: bolsa de estudo, abono de família... porque tive a pouca sorte de um dia ter feito uma casa e ter cumprido atempadamente com o seu pagamento. Ter gerido as minhas poupanças e comprado viatura própria (cá parece crime)...mesmo que nos dias de hoje o único vencimento a entrar em casa seja o meu (o tal de empresária).

Como empresa, sou um grão de areia nesta praia imensa. Mas como comecei por dizer no inicio deste meu lamento (já nem é comentário) - estou dividida.

Se eu fosse um areal do tamanho do património do dono do Pingo Doce, neste momento partia de malas e bagagens (ou sem elas) para onde fosse "bem querida" em lugar de "bem explorada".
Estamos a ser tratados como material descartável. Então porque não fazer exactamente o mesmo? Se eu como portuguesa tenho deveres, o meu país tem para comigo (nós) a obrigação do respeito, de não me (nos) retirar benefícios que me (nos) obrigou a pagar para deles usufruir e hoje mos (nos) está a negar.
Falo principalmente no direito à saúde, educação, à dignidade e aos bens essenciais – luz, gás, combustível e alimentação.
Começa a ser insuportável aguentar a vida, particularmente juntando-lhe ainda o encargo e responsabilidade de ser empresário neste país sem ficar com dívidas às finanças, ao talho, ou ao supermercado…

Se eu fosse mais jovem, o primeiro-ministro nem precisava abrir a boca para descarregar o chorrilho de disparates a que nos habituou. Na hora de a abrir já só me veria a parte traseira – as costas.
Com este desabafo, acabei de descobrir que não estou dividida, mas sim – Imensamente desiludida com o desnorte do meu país.
Imagem de perfil

De Jorge Soares a 06.01.2012 às 00:05

Desiludidos estamos todos, se pensarmos bem e apesar do que parece, o país não é feito de pingos doce, é feito de grãos de areia.... dos muitos grãos de areia como a Maria... o Pingo Doce até podia fechar ... é claro que ia ser muito mau, porque há muita gente a trabalhar para eles... mas o país ia continuar a existir, as pessoas iam arranjar outro emprego, nós íamos passar a comprar noutro supermercado, talvez num de uma empresa alemã, ou Espanhola, ou francesa, mas a comprar na mesma e os mesmos produtos nacionais ou não...

Se Por hipótese todas as Maria Portugal, todos os grãos de areia que realmente fazem este mar de gente que se chama Portugal um dia decidissem ir embora o que ficaria?

Sem pessoas não há país, sem pessoas que se esforcem em cumprir as suas obrigações não há país, sem as milhares de pequenas empresas que grão a grão trabalham para que exista economia, não há país... ir embora é uma tentação, ainda que a minha experiência, já fui emigrante, já conheci muitos emigrantes, me diga que lá fora não está o eldorado que a maioria sonha, reconheço que para muitos será a solução... ... mas a sangria do país não vai ajudar em nada a que esta situação se resolva, só trabalhando, só sendo sérios, só cumprindo com as nossas obrigações, poderá haver País... a politica de o último a sair que apague a luz, leva-nos onde?


Jorge Soares
Sem imagem de perfil

De Maria de Portugal a 06.01.2012 às 02:04

Talvez a pergunta deva ser feita a quem nos governa e nos indica a porta de saída como serventia da casa.

Eu continuo a lutar e vou cumprindo, mesmo desiludida e com o horizonte nublado.

Querem processar o Otelo por declarações excessivas. E não processam o primeiro ministro pela idiotice quando apela à saída de gente especializada e com formação do nosso país?

Se é para processar a asneira - comecemos a sério!


http://pegada.blogs.sapo.pt/1165896.html
Que tal processar esta "gente" também?

Imagem de perfil

De Jorge Soares a 06.01.2012 às 11:30

Não sei se é leitora habitual ou não, mas eu fui dos que disse que o primeiro ministro e demais membros do governo não podem dizer aquilo...

Se calhar está na altura de se começar a processar quem não é sério, quem não cumpre, quem governa mal.. .

Jorge
Imagem de perfil

De Sofia a 06.01.2012 às 10:34

E será que com esta saída eles abrem os olhos e vêem que o que estão a fazer não é em nada benéfico para o país?!
Acho que se o país fosse governado por uma pessoa "do Povo", digamos assim, que ganhe apenas o salário mínimo e esteja habituado a trabalhar a crise não existiria.
Sem imagem de perfil

De Sandra Cunha a 07.01.2012 às 11:50

Não resisti a vir cá deixar-te isso. Como já lá diz o ditado: Não há fumo sem fogo :)

"O presidente da Jerónimo Martins (JM), Alexandre Soares dos Santos, afirmou não saber se Portugal fica no euro e garantiu que a transferência do accionista maioritário da empresa para a Holanda teve em conta essa hipótese, insistindo que tem direito a “defender” o seu “património."

Considerando que as condições fiscais em Portugal são as mesmas já há algum tempo. Falo a nível fiscal para as empresas, é um bocadinho estranho que agora de repente ele e mais uns quantos comecem a abandonar o barco. É claro que não tem exclusivamente a ver com impostos. Tem sim, a ver em grande parte com o que está em cima da mesa: a saída do euro.

Mas tenho a certeza que, que mesmo dito e confessado por eles, haverá ainda muita gente em Portugal a abanar a cabeça em sinal de negação e a arranjar mil e uma justificações, a enterrar a cabeça na areia e a não querer ver o óbvio. É o país que temos.


http://tinyurl.com/7ebzf5z

Comentar post



Ó pra mim!

foto do autor


Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D