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Adopção, palavras de uma mãe, para reflectir

por Jorge Soares, em 15.02.12

Adopção

 

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

O seguinte texto foi-me deixado num comentário ao Post Ainda as adopções falhadas e as crianças devolvidas  que copiei para o Nós Adoptamos. Apesar de olhar para o tema de forma diferente e até discordar de algumas das coisas, entendi copiar todo o texto já que representa a opinião de alguém que, imagino eu, passou ou está a passar por uma situação complicada, são palavras fortes, para ser lidas e reflectidas, com tempo voltarei ao assunto, por agora, deixo as palavras da Estrela.

 

Tenho estado a pesquisar sobre este caso e cheguei a isto: E pena haver tantos comentários de quem nunca adoptou, e para mais de quem não teve de passar anos em tratamentos de infertilidade até desembocar na adopção, não como a única resposta, mas com a esperança de que ao fim de tanto tempo tinha o direito de ser pai e mãe, construir uma família e ser feliz.

 

Mas como nada é perfeito, muito menos neste país, até os sinais de alerta dos novos pais, e dos novos filhos são ignorados por todas as técnicas do caso. A verdade é que nem todas as crianças, para não dizer quase todas... são abandonadas pela família, pelo contrário, mas são retiradas e nem sempre da forma mais correcta.

 

Depois, a Lei da adopção em Portugal é tão boa que foi alterada recentemente, e continua a ser insuficiente e pobre. As instituições que acolhem as crianças não lhes dão o apoio necessário, pelo menos a que tive oportunidade de conhecer, nem a nível alimentar, médico ou higiénico, quanto mais acompanhamento psicológico! Não as preparam para a possibilidade de virem a ser adoptadas, não lhe perguntam se o querem, não respeitam a sua vontade, mas a resposta que me deram é "são crianças, não sabem o que querem!" mesmo que queiram voltar para a instituição, o local onde sabem que a mãe prometeu ir buscá-los, e desesperam porque agora ela não sabe onde eles estão, mas estiveram lá 2 anos, e ela não foi...continuam há espera, até hoje, já se passaram anos, sofrem eles e nós pais também, nada podemos fazer.

 

Não aceitam a ajuda de nenhum técnico, ignoram a autoridade do adulto, usam-nos, rejeitam-nos, eles sim, desde o princípio rejeitaram-nos, até ao ponto de ir para um hospital por rejeitar a alimentação, por desistir de viver. E agora o que fazer? disseram que era a adaptação, que ao fim de 6 meses estaria tudo regularizado, ao fim desse tempo até um ano, e ao fim de 18 meses disseram que não tinham nada a ver com isso, estavam adoptados!

 

Os sonhos ficaram por isso mesmo, apenas a dor de não ter um filho que corra para nós à procura de um abraço, pergunto porquê e a respota não vem, ou tardiamente escuto "não sei".

 

As crianças deviam ser escutadas, olhadas com olhos de ver, nem todas querem uma casa onde há regras e figuras adultas, até porque as vítimas de abuso não têm isso escrito no processo, para não serem rejeitadas pelos candidatos. como se cura feridas que se desconhecem?

 

Quem ensina a quem vai pela primeira vez adoptar o que devia estar escrito, o que é que deviam mostrar e não está no processo? Eram estas perguntas que deviam fazer e pensar no sofrimento de quem toma estas decisões, na família alargada que os acolhe, ou não..."não havia lá mais pequenos?", "são tão grandes", "sabes lá se vão gostar de vocês!".

 

Quem vê crescer A BARRIGA, Dá mama, colo, ensina a falar, muda fraldas, dá biberão e recebe sorrisos, que É A ÚNICA MÃE, porque o pariu e o tem consigo nos braços não imagina a dor de todos os meses imaginar que está gravida enquanto decorre mais um tratamento de infertilidade, e depois adopta e é tratada como um alvo a abater.

 

São palavras fortes, eles não têm culpa não me escolheram, mas eu também não tive culpa, a não ser de ter a esperança de que viessem a gostar um pouco de nós em comparação com o que os amo. Agora podem indignar-se à vontade, principalmente porque escrevi muito!

 

Agradeço a vossa atenção, felizmente não conseguem ver as lágrimas. 

 

Estrela 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:21


17 comentários

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De DyDa/Flordeliz a 15.02.2012 às 23:59

Tenho-me mantido calada sobre este assunto.
Porquê?
Porque não o conheço e não posso mesmo dar opinião.
Eu sou daquelas que só pode fazer perguntas, como tantas vezes o fiz contigo e, talvez até te tenha aborrecido com tanta ignorância sobre um assunto que dominas como eu não conheço ninguém.

Sobre o assunto relatado, como costumo dizer:
A vida é madrasta às vezes e escreve torto vezes demais.

Isto porque: a culpa é solteira e morrerá - assim!

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De Jorge Soares a 16.02.2012 às 23:16

Tu nunca me aborreces, e muito menos com estes assuntos

A vida é muitas vezes aquilo que fazemos delas, o0 que eu retiro do escrito é que há pessoas que não tem muito a noção de aquilo que é ter filhos... mas já lá irei.

Jorge
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De energia-a-mais a 16.02.2012 às 11:53

São palavras fortes sim, de quem vive por dentro esta realidade (não é o meu caso...)
No meu caso apenas sei que amar um filho, especialmente quando esse filho não corresponde à imagem idealizada de filho, pode ser simplesmente devastador

Teresa
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De Patricia a 16.02.2012 às 14:04

"apenas sei que amar um filho, especialmente quando esse filho não corresponde à imagem idealizada de filho, pode ser simplesmente devastador"

As tuas palavras Teresas, são as minhas também...

Bjs
Patricia
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De Jorge Soares a 16.02.2012 às 23:18

Teresa, os filhos nunca são aquilo que idealizamos... nunca, e não são eles que tem que ser perfeitos, nós é que temos que saber estar à altura... e no caso apresentado, não são eles que se devem deixar adoptar, nós é que devemos aprender a ser os pais que eles querem...e ....

Jorge
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De Leamar a 16.02.2012 às 17:06

...eles não têm culpa não me escolheram, mas eu também não tive culpa, a não ser de ter a esperança de que viessem a gostar um pouco de nós em comparação com o que os amo."

Minha cara. Aqui não há culpas a atribuir!! Se os ama de coração...se tenta de tudo...se tudo faz...e ainda assim os AMA...então minha querida está a ser uma Mãe na verdadeira acepção da palavra! Porque mesmo que venham da nossa barriga, nada dos garante a eterna felicidade...podem trazer problemas para os quais nem encontramos justificação!...Sei que tudo se tornará mais difícil na prática, mas não se esqueça, ainda assim AMA e CUIDA!

E pensar que aquele calhorda de Beja terá tido mãe! Mesmo que falecida, estará a chorar por dentro e a pensar onde terá falhado!!...

Beijinhos e abraços!

Leamar

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De Jorge Soares a 16.02.2012 às 23:19

Olá

nem mais... muitas vezes esquecemos que as crianças são eles, e que nós é que temos que saber educar e amar... eles só lá estão para que os ensinemos a viver
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De Rosalino a 16.02.2012 às 17:19

Depois de ler tudo o que está transcrito. Só me apetece ironizar, porque me recuso a concordar com a maioria do que elas transparecem.
E ironizando digo: " Vou ali ao super mercado comprar aquele brinquedo que o meu filhote já anda á imenso tempo a desejar. E eu por acréscimo compro a PS3 utilizando o desejo do meu filho como desculpa. E quando o meu filho se desinteressar do seu brinquedo, porque deixou de lhe achar graça. Ou porque afinal não lhe satisfaz plenamente o que o brinquedo lhe aparentava. Eu nessa altura penso em descartar-me da PS#. Isto se a Sony tiver uma consola nova na altura com melhor e maior capacidade". Pois... Isto de se julgar que a criança vem por prazer próprio ou porque o desejo pessoal se sobrepõe ao da criança... Tem muito que se lhe diga. Tem Pais que realmente merecem ter filhos. Mas muitos há que nunca o deveriam ser. Uma criança nunca será um embrulho cujo o papel é muito bonito. Mas que a surpresa que lá dentro traz pode não ser aquilo quer queremos. Seja um filho biológico ou por adopção, o crescimento e educação que cada Pai deve dar terá de ser a mesma. Independentemente da capacidade da criança ou da sua personalidade. Não sejamos adoptantes. Deixemo-nos adoptar. è uma grande diferença.

Rosalino
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De Leamar a 16.02.2012 às 17:49

Pois Rosalino...mas assim de chofre doi:))) Claro que cada um tem a sensibilidade que tem! Mas no fundo trata-se de amar um ser humano, mesmo que não seja o idealizado! Eu amo a minha filha...tenha ela os problemas que tiver! Amo...simplesmente Amo e farei de tudo para que ela disponha de Amor para dar um dia!...Assim como amo o meu marido, que com a quantidade de defeitos que lhe encontro já teria certamente sido "reciclado" por muita boa gente...mas Amo...assim com defeitos e tudo:)) A bem da verdade...quem os não tem???

Gostei dessa!!! Deixemo-nos adoptar...
Mas penso que é esse o ponto fulcral da visão da senhora...ela sente que os filhos não se deixaram adoptar! E por isso poderá sentir que está a faltar/falhar qualquer coisa...Mas qual é o pai/mãe que não sente isso??

Cumprimentos.
Leamar
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De Rosalino a 16.02.2012 às 18:24

Precisamente. " Qual é o Pai ou Mãe que não sente isso?" . Sejam os filhos adoptivos ou biologicos. Porque desde o seu nascimento até que perece, qual é o Pai ou Mãe que não sofrerá pelo seu filho . E que não se questionará sobre o modo ou a maneira como educar. Não importa de onde "vem". Mas sim para onde ele vai e os caminhos que seguirá. Problemas? Todos os temos e se queremos sobreviver, temos de os enfrentar. Virtudes e defeitos completam o ser humano. È isso que o torna único. Criança ou adulto.
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De Rosalino a 16.02.2012 às 18:28

Ups esqueci.. O Verbo AMAR aqui é a coisa mais importante. Alias como muito bem refere Leamar.

Rosalino
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De Jorge Soares a 16.02.2012 às 23:21

Concordo..

Adoptar não é ajudar uma criancinha abandonada, adoptar é ter um filho, com todas as alegrias e tristezas que tem qualquer outro filho e alguns desafios extra com os que vamos aprendendo a viver todos os dias. Adoptar não pode nem deve ser uma questão de bom coração e boa vontade, adoptar não é um acto de caridade, quem adopta tem que começar por entender uma coisa, não há filhos biológicos e adoptivos, só há filhos.
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De Kok a 17.02.2012 às 16:26

Jorge, sabes do meu desconhecimento nesta área.
O comentário da flor bem poderia ser o meu, em praticamente todo o seu conteúdo.

1 abraço!
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De Estrela a 19.02.2012 às 23:48

É pena só se terem focado na parte das frases que vos interessou, e não em todas, repito: TODAS as palavras, não posso dar mais detalhes, porque se trata da minha vida pessoal, mas lamento que pessoas com situações como a minha sofram e sejam incompreendidas. Quantos dos que responderam têm filhos? eu adoptei uma fratia, a mais velha quase com seis, voces adoptaram que idades? quantos foram acusados por simulação de maus tratos, ou foram afastados dos vossos circulos sociais e familiares por mentiras dos vossos filhos? QUANTOS JÁ TIVERAM PROBlEMAS COM A JUSTIÇA? a minha consciência está tranquila, o meu coração partido e a minha saúde mental em risco, já não sei porque vivo, respiro e trabalho por eles e para eles, para lhes dar o melhor, apesar dos roubos e de todos os problemas causados - não é esta a educação que lhes dou, nem o futuro que quero para eles. Não há rosas neste mar, só espinhos, e graças a Deus que para a maioria das pessoas não é assim... Bem-hajam, não escreverei mais porque de facto não vivendo a situação não é fácil aceitar nem entender, aqui não há lojas nem supermercados, e já agora sou psicóloga, por isso critiquem negativamente, porque é o que fazem de melhor, mais uma vez falam com desconhecimento de causa, só lêem metade e aproveitam o que lhes convém, como pais que adoptam e têm dificuldades deviamos estar unidos, esclarecer dúvidas uns aos outros, trocar conhecimentos para ajudar-mos outros. Da instituição de onde os meus vieram no ano anterior houve 2 devoluções, um não se adaptou, noutro caso a crianaça "começou a ficar mais escura" do que a irmã e foi devolvido - esses pais sim, não estavam preparados para aceitar e lidar com essa situação, mesmo assim não os sensuro, os sentimentos não se esolhem nem aniquilam, nestes casos vale mais antes que depois...se é para pensar então pensem em tudo, e principalmente que são pessoas com uma vida que não se pode esquecer e que elas próprias a recordam, ás vezes com toda a força do seu coração para manter a imagem viva dos que perderam, irmãos e pais!
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De Ana a 22.02.2012 às 11:38

Olá Estrela,
Quero dizer-lhe que lamento, lamento profundamente todo o seu sofrimento.
Não consigo imaginar o quão difícil tem sido a sua vida. Tento colocar-me no seu lugar e a tristeza que sinto por si, por mim, e por todos os que passam por uma situação semelhante é devastadora.
Eu não adoptei, ainda, mas é um sonho que alimento todos os dias. Tenho dois filhos biológicos mas nunca desisti da ideia de vir a ter outro filho por via da adopção. Claro que a ideia de que algo parecido com o que lhe aconteceu a si, me possa vir a acontecer também já me assolou milhões de vezes.
Claro que a Estrela já deve ter pensado que antes não era feliz por não ter filhos e que agora não é feliz porque os têm e porque eles não a querem.
Não sou psicóloga mas a mim parece-me que essa repulsa que ele/ eles demonstram é um acto de defesa, exacerbada é certo, mas de defesa pura e dura. O modelo de vida que possuíam quando foram parar à instituição era semelhante por certo. Estão cansados de serem mal amados, rejeitados e que lhe imponham regras. E qual animal ferido defende-se atacando e o alvo preferencial desse ataque são aqueles que lhe estão mais próximos, aqueles que mostram sofrimento pelos seus actos ou palavras pois os outros não lhes interessam, porque esses, os outros não sofrem por eles. Infelizmente a Estrela está na linha da frente… mas felizmente a Estrela está na linha da frente! Pronta para os defender, pronta para lhes mostrar que os ama e que não desiste, que a luta pode ser longa e penosa, mas que no final ainda vai estar lá, de pé, e de braços abertos! Porque um dia eles vão ceder, mas até lá não desista de lhes dizer que os ama, e que os ama muito e que por mais que eles a magoem ainda assim os amará, doa a quem doer!
Rezo por si, Deus vai ajudá-la, tenho a certeza!
Um Abraço bem apertadinho
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De Jorge Soares a 22.02.2012 às 16:05

Estrela, já lhe tinha deixado o comentário no nós adoptamos, mas vou-me repetir, nós já adoptamos dois para além de que temos uma filha biológica, apesar de que os nossos foram adoptados ainda bebes, também temos alguns dos problemas de que fala ali.... eu e a minha mulher gostávamos de falar consigo, tem razão, quem passa por estas coisas deveria poder falar, trocar experiências, e evidentemente não é aqui em público.... se quiser, envie-me um mail para jfreitas.soares@sapo.pt , gostávamos mesmo de falar consigo...

Jorge
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De Gina a 22.02.2012 às 15:50

Estrela,
só posso dizer que o meu coração está consigo. Não consigo imaginar o quanto está a sofrer...

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