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estado termina com exames diferentes para alunos com necessidades especiais

 

 ...Ministério da Educação e Ciência esclareceu ...... os alunos do 6.º com limitações cognitivas farão, já este ano, as mesmas prova finais de Língua Portuguesa e Matemática do que os seus colegas. Estas provas realizam-se este ano pela primeira vez e têm um peso de 25% na classificação final da disciplina. 

 

Esta noticia fez-me lembrar algumas das professoras do N., que se recusavam a acreditar nos diagnósticos de médicos e terapeutas e insistiam em o avaliar e tratar como aos colegas. Parece que agora é o estado que se recusa a aceitar que existem crianças com problemas...ou isso, ou se prepara para colocar um rótulo em quem tem más notas.... temo o que possa vir a seguir.

 

Actualmente as crianças são obrigadas a estar na escola até aos 16 anos, imagino que a seguir a esta medida virá uma que acabará com os currículos alternativos e os planos de recuperação, para que estar a investir em apoio e alternativas se depois os alunos chegam ao exame e são avaliadas com as mesmas regras? De que serve um plano alternativo se as exigências e forma de avaliar são as mesmas?

 

E qual o incentivo para enviar uma criança com necessidades especiais para a escola se à partida sabemos que esta será avaliada como se fosse normal, o que significará que na grande maioria dos casos a reprovação estará garantida?.. os pais enviam os filhos para a escola só para eles estarem ocupados?.. qual o incentivo ao esforço para uma criança destas?

 

Eu tenho um filho com Hiperactividade e dislexia, cá em casa sabemos em primeira mão o esforço  que é necessário para manter as coisas a funcionarem, a luta diária com ele para que acredite que é capaz, as guerras constantes com escolas e professores para que não desistam dele... temo que com medidas como esta tudo será em vão, afinal parece que o estado que é quem deveria dar o exemplo para a integração, já desistiu do meu filho e dos muitos milhares de crianças que necessitam de apoio para que possam ter direito a uma educação digna.

 

E já agora, como é que se decide uma coisa destas a meio do ano, quando professores e alunos já estavam preparados para exames diferentes e com condições diferentes?

 

E foi precisamente no  Dia Internacional da Síndrome de Down que saiu uma noticia destas.... deixo aqui as palavras da minha filha de 12 anos...

 

O simplesmente diferente

 

Não aguento,
não compreendo,
porquê julgar-me,
se só veem aquilo que não tenho culpa de ser,
porquê  odiar-me,
sem  sequer  tentar perceber-me

 

Jorge Soares

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publicado às 21:37


5 comentários

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De Abigai a 22.03.2012 às 18:11

Olá Jorge,
Será porque hoje é dia de greve? É que estranhei não ver aqui ainda nenhum comentário... ou será que pouco há a dizer?
Não me parece...
No final do 1º período fui chamada à escola, a DT queria precisamente informar-me destas novas regras de avaliação... Fui informada e tive que assinar um documento a certificar de que o fui! Tanta luta para conseguir os apoios devidos e uma avaliação diferenciada para depois ser tratado como os outros, não que eu queira que ele seja diferente, mas simplesmente tenho de aceitar que o seja e que seja tratado de acordo com as suas dificuldades e diferenças, que não seja prejudicado com isso, que seja tratado de forma justa. Ora, após imensa luta e um pedido de esclarecimento à DREN, consegui que tivesse uma avaliação diferenciada, consegui que se sentisse melhor, reforçar a sua auto-estima, pois é diferente ter constantemente avaliações negativas ou conseguir notas melhores, nem que sejam apenas satisfaz. A vontade de estudar aumenta, o esforço é recompensado.
Agora deparo-me com isto!
Só posso esperar novamente frustração, desanimo, e uma baixa da sua auto-estima, para já não falar que irá provavelmente reprovar o 6º ano...
Depois de uma avaliação diferenciada e exigências diferentes, é suposto espalhar-se completamente nas provas nacionais e tendo em conta que representam 25% da avaliação final e que com negativa a português e a matemática não transita... já estou a ver o filme!
Mas se calhar é isso mesmo que precisam estas crianças, serem rotuladas de "burras", e desistir logo à partida, darão certamente menos trabalho...
Bjs,
Anabela
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De lua a 22.03.2012 às 19:11

Este é um post muito apropriado para o momento que estou a passar. A minha filha é considerada uma menina normal (não gosto desta expressão mas pronto!) a nivel cognitivo. Mas a verdade é que não consegue ter os resultados esperados. A auto estima é baixa, não acredita nas capacidades, dificuldade de concentração etc, etc, etc... "dramas" que muitos pais devem conhecer tão bem como eu, fruto de um passado muito complicado. A chegar ao final do 2º periodo a minha filha tem negativa a Matemática, Português e História e já estou a ver o filme. Vai reprovar. A minha filha apesar de todos os precalços esforçou-se muito. Apesar de muitos professores acharem que não e que ela é apenas pouco esforçada e irresponsavel e agora vai ver todo o esforço de um ano ir por agua abaixo. Vai ser + uma vez rotulada de burra e vai sentir que afinal o esforço dela não serviu para nada. O que é que será mais importante? Será que apenas as notas dos testes contam? Ainda não sei bem o que fazer, se devo fazer alguma coisa ou se simplesmente deixo que reprove este ano e pronto. Mas que consequencias trará isto a nível futuro? Estou um bocadinho baralhada e até triste com esta situação. Não sei bem o que fazer e acho injusto que o nosso governo, nos coloque a nós pais nesta situação.
Abraço Jorge e desculpa o desabafo
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De xana a 22.03.2012 às 22:40

Olha que porra esta... mas em vez de ir em frente, andamos ao contrário...???
Começo a acreditar que voltaremos ao tempo, em que os pais fecham em casa os filhos diferentes...
:(
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De energia-a-mais a 23.03.2012 às 12:19

pois, como deves calcular já tenho uma série de pedidos de esclarecimento de pais com crianças que apesar do PEI agora vão ter de fazer exames iguais aos dos outros meninos...No nosso país parece que o direito à diferença só existe em relação aos políticos - eles podem, os outros não!

Teresa
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De golimix a 23.03.2012 às 17:03

Por acaso foram precisamente essas as palavras da tua filha que mais me impressionaram.
Infelizmente as nossas escolas não estão preparadas para receberem crianças com dificuldades, e se até agora ainda ia existindo alguma preocupação, temo que estas medidas a "cortar sem lei nem roque" irão tornar o cenário, já de si difícil, mais aprazível.
Não interessa investir na educação. Quem consegue óptimo, quem não consegue azar. Não há contemplações. Não há contemplações nem para professores nem para alunos.
Tantos professores dignos a querem trabalhar, tantas crianças a precisarem deles, tantas turmas com excesso de alunos, mas o que interessa é cortar-cortar-cortar.
Cortar a quem precisa
cortar no futuro
cortar na tolerância
cortar na nossa dignidade

E não me venham com a crise, que estas problemas estão só a caminhar tipo bola de neve! A ficarem cada vez maiores a a rolarem sem conseguirem parar e sem existir quem os pare.
Porque não se juntam os pais todos? Sempre que eu sugiro algo fogem todos para trás!! Não é a berrar que se conseguem as coisas, é com acções concertadas, coerentes e com união! Mas pensam que é só com o filho dos outros esquecendo que todos pagam! Paga o nosso futuro! E esquece-se que um dia os "outros" podemos ser nós!

Bom fim de semana Jorge

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