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o que tem de mal as promoções?

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Desculpem lá a insistência, mas depois de passar o dia a ver comentários no Facebook, nos blogs, nos jornais, na televisão, eu juro que ainda não percebi que raio se está aqui a passar.

 

As milhentas criticas que se fizeram ao Pingo Doce tem só a ver com o facto de ter sido no dia em que foi, ou há algo mesmo errado com as promoções?

 

A sério, porque é que as mesmas pessoas que há uns dias atrás batiam palmas e promoviam a caridade de se dar os restos de comida para os pobres, agora estão entre os  que atacam mais ferozmente o Pingo Doce porque se atreveu a oferecer 50% do valor das compras? só é permitido dar aos pobres?, é isso?

 

Há pouco vinha no carro e um anuncio do Dia promovia uma campanha de leve 3 pague dois...ou seja, 33 % de desconto, não é 50, mas não anda longe, há muito que recebo os SMS dos Continente com os dias em que há 50% de desconto em cartão,... exactamente o mesmo que no Pingo doce só que o dinheiro vai parar ao Cartão e servir para outras compras em lugar de ir parar ao bolso. Porque é que nestes casos nunca ouvimos falar de Dumping e de investigações da ASAE?

 

Eu pensava que as promoções eram fruto da concorrência, que eram práticas comerciais que servem para chamar a  atenção dos clientes e como forma de publicidade, afinal parece que agora são coisas más, dignas de investigação por parte da ASAE, e até o governo já fala em criar leis contra elas... eu já não percebo nada disto... mas afinal as promoções não são boas para quem paga menos? 

 

Será que toda esta gente que se fartou de falar de dumping, de margens, de lucros, e de um monte de coisas mais sobre as que não percebem nada mas das que falam como se fossem experts, na próxima vez que forem às compras só vão comprar coisas que não estejam em promoção e vão exigir pagar o preço completo?

 

A sério, esqueçam lá a parte de ser dia do trabalhador, expliquem-me lá como se eu fosse muito burro, o que é que tem de mal os 50% do Pingo Doce?

 

Jorge Soares

PS:Por certo, desde ontem o Continente passou de 50 para 75%.. é aproveitar meus senhores antes que a ASAE descubra e vá lá terminar com a promoção.

publicado às 22:12


23 comentários

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De Sandra Cunha a 03.05.2012 às 16:30

http://www.esquerda.net/opiniao/o-pingo-doce-e-luta-de-classes/22986

O Pingo Doce e a luta de classes

O sr. Alexandre Soares dos Santos deu uma boa demonstração de consciência de classe – da sua classe, a dos capitalistas.
opiniao | 3 Maio, 2012 - 00:06 | Por Luís Leiria

A promoção dos supermercados do grupo Jerónimo Martins neste 1º de Maio foi uma provocação motivada por interesses de classe. Um dos maiores grupos capitalistas do país não se ralou nada de perder algum dinheiro (para eles não é perda, é investimento) para destruir uma conquista dos trabalhadores: o direito de não trabalharem, e de receberem o dia, no feriado do 1º de Maio, o dia internacional dos trabalhadores.

Para executar esse ato de agressão, usaram uma arma que não é nova: aproveitaram-se das dificuldades sofridas por setores da população para virá-los contra os direitos dos seus próprios funcionários e contra aqueles que os defendiam, nomeadamente os sindicatos e os cidadãos que tinham apelado ao boicote às compras nesse dia.

A manobra tem a marca dos métodos de classe patronal e é usada desde os primórdios do capitalismo selvagem. Nos tempos em que o direito de greve não estava minimamente regulamentado, os patrões recrutavam batalhões de fura-greves entre os desempregados. Desesperados, sem meios de subsistência, estes trabalhadores muitas vezes prestavam-se à quebra de solidariedade com os grevistas, em troca de uns trocos pagos por aquele dia de trabalho a furar a greve. Os grevistas desprezavam-nos; mas a melhor resolução deste dilema, a longo prazo, foi regulamentar a lei da greve e proibir os fura-greves. A proibição dos fura-greves é uma conquista dos trabalhadores, conseguida à custa de muitos piquetes de greve, de muitos confrontos com a polícia e os seguranças patronais, de muitas recolhas de fundo de greve. Os capitalistas acabaram por ser forçados a engolir o direito de greve, mas não perderão nunca uma oportunidade desafiá-lo e de pô-lo em causa. A isto, por muito que haja quem considere este termo ultrapassado, chama-se luta de classes.

A promoção do Pingo Doce seguiu exatamente o mesmo método: quis garantir que todos os seus funcionários iam trabalhar no feriado; ao mesmo tempo, derrotar todos os que tinham apelado ao boicote às compras nas suas lojas naquele dia. Para isso, aproveitou-se das dificuldades que atravessam largas camadas da população trabalhadora, e até de pequenos empresários, que invadiram as suas lojas para comprar, comprar, comprar. Um desconto de 50% não é desprezível para quem tem um orçamento apertado; não é desprezível para ninguém.

O sr. Alexandre Soares dos Santos deu uma boa demonstração de consciência de classe – da sua classe, a dos capitalistas. Mostrou que esta classe está perfeitamente sintonizada com o governo (onde está a proibição do evidente dumping?). E que capitalistas e governo estão empenhados em destruir todas os direitos conquistados, na sua maioria, com o 25 de Abril. Sejam eles o direito a gozar os feriados, a ter subsídio de desemprego, a ter contratos trabalho, e um longo etc..

Alguns comentadores maravilham-se com a “brilhante jogada de marketing”. Seria risível, se não fosse triste. Foi de tal maneira evidente a manobra dos donos do Pingo Doce, que chega a ser confrangedor ouvir estas “opiniões” e outros dislates sobre a “sociedade de consumo”. Quem foi ao Pingo Doce neste 1º de Maio não comprou Ipads, telemóveis, plasmas, Mercedes, até porque não estavam à venda. Comprou comida.

Quanto ao resultado do marketing, desconfio que foi negativo. Mas estes senhores não se preocupam muito com isso. O marketing da sua fuga aos impostos para a Holanda também foi negativo. Mas sempre haverá a Fundação Francisco Manuel dos Santos para explicar “cientificamente” que o grupo que a financia é muito correto, dinâmico e moderno – e que está ao serviço de uma sociedade de “concertação”, onde “não há lugar para luta de classes” – esse termo “fora de moda”. Pois.
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De Ladrão de açucar a 03.05.2012 às 17:43

Sandra, a senhora está muito incomodada com esta história do PD! Ou será dor de cotovelo? Sabe uma coisa, eu tb não fui prás manifs do 1 de Maio. Fiquei-me pela minha horta a cultivar hortaliças, respeitando o que cada um fez no seu feriado ou dia de trabalho.
Eu á minha maneira trabalhei.... para por couves e batatas na mesa lá de casa e de alguns amigos.
Eu teria muito gosto em lhe vender umas alfaces da minha horta, com 50% de desconto; mas já vi que não gosta de " gente que faz promoções".
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De Sandra Cunha a 03.05.2012 às 22:31

Enfim. Não é com os 50% de desconto que estou incomodada, como evidente. Convido-o/a a voltar a ler o artigo que partilhei. Está lá tudo explicadinho.

Em relação a quem foi à Manif fique sabendo que também estiveram a trabalhar. E é dos trabalhos mais ingratos. Lutar pela dignidade, pela vida, pelo futuro, o nosso, o dos nossos filhos, o das gerações futuras, o de todos, enquanto muitos se deixam estar ao abrigo, nas trincheiras, e só de lá saem para receber os louros e recolher as migalhas.

Enquanto uns lutam pela solidariedade, outros contentam-se com a caridade. Efectivamente, a segunda faz mais pelo ego do que a primeira. A justiça e a decência pelos vistos não é para aqui chamada.
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De Jorge Soares a 03.05.2012 às 23:03

Sabes Sandra, eu já tinha lido o artigo, ou outro muito parecido, antes de escrever o post.

Eu não consigo olhar para o mundo da forma em que as coisas ali foram colocadas, nem tudo o que acontece na sociedade é produto da luta de classes. Nem tudo o que fazem as empresas é para prejudicar os empregados. Há muitas gente que se esquece que sem empresas não havia empregos e que o objectivo de quem cria uma empresa é criar riqueza e lucro com ela, caso contrário não a abre e não há empregos para ninguém.

Há duas formas de olhar para tudo isto, uma é a que está ali escrita no artigo, outra é pensar que as lojas abriam na mesma com ou sem promoções. Quando lemos este artigo e muitos outros do mesmo estilo, parece que foi a promoção que obrigou as pessoas a irem trabalhar, não é verdade, o que obrigou as pessoas a irem trabalhar foi a vontade de terem emprego e salário no fim do mês, a promoção não foi uma forma de chamar empregados a trabalhar, foi uma forma de chamar clientes à loja, não confundamos as coisas.

Acredito que os empregados tenham sido coagidos a irem trabalhar, esta empresa não é exemplo para ninguém na forma como trata os seus empregados, mas a verdade é que as pessoas só foram trabalhar porque quiseram, foram ameaçados de terem falta injustificada, ok, isso não é lá muito ético, mas a verdade é que as pessoas não quiseram abdicar de um dia de salário para ficarem a festejar o dia do trabalhador. Se todos tivessem ficado em casa, não havia nem vendas nem promoção para ninguém.

De resto, como já disse nos comentários do post anterior, para mim este é um feriado como outro qualquer, acho que as pessoas tem direito ao descanso não por ser dia do trabalhador e sim por ser feriado... um destes dias escrevo a história e os motivos que me levaram a pensar e sentir assim...

Jorge
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De xana a 04.05.2012 às 01:29

"Acredito que os empregados tenham sido coagidos a irem trabalhar, esta empresa não é exemplo para ninguém na forma como trata os seus empregados, mas a verdade é que as pessoas só foram trabalhar porque quiseram, foram ameaçados de terem falta injustificada, ok, isso não é lá muito ético"

Acho que aqui dizes quase tudo... as pessoas não foram trabalhar porque quiseram... digamos que há violência psicológica associada a este ir trabalhar por querer. Digo-o por ter ouvido a confissão na primeira pessoa de um empregado da cadeia PD, que por acaso é meu familiar. Os empregados não sabiam que ia haver a promoção, a não ser alguns por internet, porque a empresa nada disse aos funcionários. Lá que houve "chantagem" para irem trabalhar, isso houve, encapotada, mas houve. Eu acho que o feriado do 1º de Maio, é mais sagrado que o Natal, porque nos direitos do trabalhador, na luta dos trabalhadores, no direito a ter este dia, e no direito a comemorá-lo todos acreditamos, já no Natal, é mesmo uma coisa de religião, que alguns aproveitam para usufruir de um dia, ou dois (com as tolerâncias de ponto) de descanso, e nem acreditam mesmo no nascimento que quem quer que seja, para mais tendo ocorrido há 2000 anos... Eu acho mesmo que neste dia, devia tudo parar, com a evidente manutenção dos serviços hospitalares para os doentes internados e serviços minímos de resto para alguma ocorrência. Com o devido respeito por todos os profissionais de saúde que não têm dias feriados.
Tudo isto, para dizer que não acho mal as promoções de 50%, o que acho mal, é o timing. Se normalmente a cadeia PD funciona todos os dias, com os fins de semana incluídos, então porque não fazer isto a um sábado ou a um domingo, ou noutro feriado qualquer, ou num dia de semana ao fim do mês? Pois, as pessoas iam faltar ao trabalho? Lá se ia a produtividade das empresas... Por mim, acho que podiam fazer isto sim, até mais vezes e em mais cadeias de lojas, até no combustível podiam os operadores fazer isto, é bom para quem tem orçamento apertado. Agora é preciso ter cuidado com a escolha do dia, porque há direitos consagrados na constituição, que a serem atropelados desta meneira, são uma forma de capitalismo, são uma forma de ditadura empresarial e de tortura dos empregados. Não é fácil, manter um trabalho nesta altura do campeonato, e é por isso que há muitas situações de exploração dos muitos que ainda conseguem levar a miséria de 485€ (antes dos descontos) para casa.Este foi um mau dia para explorar os empregados...
Havia outros dias para fazer as promoções que causariam menos sururu. Já a parte da concorrência, do dumping e dos descontos terem ou não sido suportados pelos fornecedores, é assunto para outras conversas, e não sou versada nisso para estar aqui a mandar bitaites a esta hora tardia... isso é coisa para a Asae e para quem deve averiguar estas situações.
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De Sandra Cunha a 04.05.2012 às 02:26

Apoiado!
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De Sandra Cunha a 04.05.2012 às 02:39

Jorge,
"nem tudo o que acontece na sociedade é produto da luta de classes". Esta tua afirmação até me fez sorrir. Pois, nem tudo o que acontece na sociedade é produto da luta de classes. Mas fazer isto, no dia do trabalhador é somente produto da luta de classes. Ou acreditas mesmo que isto teve a ver com o altruísmo e veia caritativa do PD? Sei que não és assim tão ingénuo...

"Há muitas gente que se esquece que sem empresas não havia empregos". Errado. Sem consumidores não havia empregos. pode haver muitos capitalistas, muitos investidores, muitos empresários, muitas financiamento, muitas ideias, mas se não houver quem compre os produtos ou serviços, aí é que nõ há empregos. Daí muitas empresas estarem a falir. Porque a procura diminui ou deixou de existir. Não são os empresários quem cria empregos. São os consumidores.

De resto, faço minhas as palavras da leitora anterior. Isto não é nada senão luta de classes. Se assim não fosse, teriam-no feito num qualquer outro dia. Mas é, acima de tudo, gozar descaradamente com os trabalhadores e com a miséria alheia. É a prepotência no seu auge, mostrando a todos que pode tudo, mostrando a todos quem manda afinal. Não se trata de lucro, não se trata de caridade. Trata-se sim, Jorge, de luta de classes. E é feito tão às claras, de forma tão evidente que não entendo como não percebes isso!

E independentemente de este ou outro feriado não terem significado especial para ti - penso que é porque achas que não deve haver um dia especial mas que devem ser todos os dias, dias especiais, devo dizer-te que isso é utópico e não se ajusta à realidade. O que é certo é que este dia simboliza a luta de gerações e a morte de milhares de trabalhadores por trabalho com dignidade. E Bem sei que deviam ser todos os dias. Mas não é assim, Cada vez menos. Tudo o que foi conquistado é agora surrupiado, gamado, roubado à descarada. por tudo isto, este dia assume cada vez mais uma maior importância. E o PD ter escolhido precisamente este dia para fazer o que fez, não é inocência nenhuma. Para mim, é imoral e devia aliás, ser ilegal (já ara não falar na prática de dumping (nacional)... (por isto é que a ASAE entrou).

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