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Portugal somos nós

por Jorge Soares, em 24.05.12



O vídeo acima foi-me mostrado pela Sentaqui neste post, o título que ela escolheu é esclarecedor sobre a forma que nós portugueses temos de olhar para o mundo, "Vende-se Portugal"... na verdade ela está errada, Portugal não se vende, e o que se mostra no vídeo não é um Portugal em venda, até porque Portugal não é uma marca de cerveja, não é uma empresa telefónica, não é a EDP ou a REN, Portugal somos nós, Portugal é a nossa história e a nossa forma de sentir.


Não percebo qual é o objectivo do vídeo, se é atacar as marcas e empresas ali representadas ou as campanhas que apelam a comprar português, em qualquer dos casos é uma parvoíce pegada, primeiro porque nada do que ali está é novidade nenhuma, segundo porque não há mal nenhum em que exista quem invista o seu dinheiro para garantir que estas empresas existam e criem riqueza e emprego para todos nós.


Será que no fim de ouvir o vídeo alguém se pergunta porque é que as coisas são assim?  Podemos discutir se o governo devia ou não ter vendido a EDP, mas no caso de vender, será que havia alguma empresa em Portugal com capacidade para a comprar?, a venda foi há uns meses, entre os candidatos havia alemães, brasileiros e chineses... onde estavam os grupos portugueses?


O problema é que nós somos um país pequeno em recursos e sem dinheiro, se algum dia os donos da Sagres decidirem ir embora,  se quiserem vender a sua parte, obrigatoriamente terão que vender a outra empresa estrangeira, porque não há em Portugal quem tenha dinheiro suficiente para comprar. E por outro lado, sem a presença dos estrangeiros, estas empresas não teriam nunca crescido como cresceram, porque  só com o dinheiro e o conhecimento que eles trouxeram foi possível que elas ganhassem a dimensão que ganharam e que na sua grande maioria sejam hoje multinacionais que exportam todos os dias muitos milhares de Euros.


O caso da PT é paradigmático,  nos últimos 20 anos tornou-se numa multinacional que para além de criar a maior empresa de telemóveis do Brasil, que lhe rendeu qualquer coisa como 70000 milhões de Euros, é dona de várias outras empresas pelo mundo.. será que também achamos mal que seja uma empresa de Portugal a ser dona de empresas noutros países?


A verdade é que sem o investimento estrangeiro as empresas que aparecem no vídeo e muitas outras, ou não existiriam ou não passariam de pequenas empresas familiares, quase diria que são empresas maiores que o país que as viu nascer, empresas que para além de gerarem milhares de empregos, todos os dias geram riqueza. É verdade que no fim muito do dinheiro em dividendos vai parar a outros países, mas alguém acredita que sem investimento de grandes empresas e bancos estrangeiros existiriam a TMN a Vodafone e a Optimus por exemplo? 


Jorge Soares

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publicado às 21:49


2 comentários

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De Dona das Chaves a 26.05.2012 às 01:58

Se fossemos todos só querer trabalhar em empresas portuguesas, e até com capital português, então estaríamos 90% de portugueses desempregados.
O facto de uma empresa portuguesa ter capitais estrangeiros, não a torna menos portuguesa, enquanto estiver sedeada em Portugal, enquanto der trabalho a portugueses. As coisas, só mudam no momento em que os porrugueses não são produtivos. E não ser produtivo, não significa que faz ponte nos feriados, descontando dias das férias que tem para gozar. Não ser produtivo, é ir para o local de trabalho, e não se preocupar com o que lá está a fazer, é ir beber café, fumar, conversar mais que as vezes necessárias. É deixar que o trabalho role, num rame-rame lento, porque não está para se chatear. É empurrar para os colegas, tarefas que pode desempenhar, mas que não lhe apetece fazer porque faltam 20 minutos para a hora de sair. São estas coisas e outras que não vou estender-me a referir, que fazem as empresas abandonar este país e ir à procura de mão-de-obra produtiva noutras paragens. E as empresas que vão embora, não são as potuguesas, ainda que possuam nos seus activos capitais estrangeiros. Os capitais estrangeiros é que podem ir embora, mas isso não deve acontecer grandemente porque normalmente só estão presentes em grandes empresas como a PT por exemplo. O facto de o dinheiro dos lucros ir para outras paragens, já é outra conversa e outro departamento. As empresas que vão para outras paragens normalmente são as grandes multinacionais que cá se instalam, com as benesses do Estado, mas que quando a mama acaba, como não somos povo produtivo, vão para outros países onde a mão de obra até poderá ser mais barata e mais produtiva. É assim que a maioria se comporta. A Lear Corporation esteve cá, com benesses do Estado, nunca empregou os tais 5000 trabalhadores que dizia ir ter, deixou as instalações junto á Auto Europa, e veio para onde eram os seus armazéns na antiga Control Data em Palmela, onde fazia as capas para o EOS e outro modelo da Auto Europa. Acabou por ir para o Leste Europeu, e continua a fazer os bancos para os dois modelos da Auto Europa.
Não sei se a história da cerveja Sagres, é mesmo assim, mas vou perguntar a quem sabe mais do assunto que eu.
O meu pai trabalhou 27 anos na distribuição da cerveja sagres, numa empresa aqui em Palmela, que tinha outro armazém em Grandola. A distribuição de toda a margem sul, e Alentejo e Algarve era feita por esta empresa. Tudo português... tudo lindo, até ao dia em que os donos mais velhos morreram e deixaram a empresa nas mãos dos filhos... pois... a administração portuguesa é mesmo uma treta. Aquilo dava muito trabalho a gerir, apesar de ser uma empresa com uma facturação fantástica, e não vão de modas, vendem aos donos da Parmalat, rescindem com os empregados mais antigos e mais velhos, como o meu pai... Depois foi o fiasco total. Fazem alterações na forma de vendas e distribuição, começaram a tirar dinheiro daqui, para cobrir os rombos de outras empresas que tinham, e não pagavam o produto à Central de Cervejas, que lhes cortou o crédito obviamente, e poucos tempo depois, fecham portas sem pagar as devidas indemnizações aos trabalhadores que lá estavam. O meu pai, veio na primeira vez, aquando da venda da empresa, o meu tio que ficou por ser mais novo, não recebeu nada dos seus direitos quando fecharam a distribuidora. Portanto, por vezes o ser português, significa muitas vezes, que a fiabilidade não é lá grande coisa.
Actualmente o mei tio continua a ser técnico das máquinas de cerveja Sagres, mas trabalha num outro armazenista em Casal do Marco, que ficou com a rede geográfica da Margem Sul e Lisboa, que antes pertencia à empresa que faliu.
Portanto, este é assunto que tem muito que se lhe diga, e que tem muitas nuances positivas e negativas. Agora resta-nos a nós, cada um decidir por si, o que deve ou não comprar, e se vale ou não a pena apostar no nome Portugal nos rótulos das embalagens. Eu por mim, continuo a comprar português. Já diz o ditado: Em Roma, sê romano! Por isso, compro o que é nosso.
Xana
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De Jorge Soares a 27.05.2012 às 21:40

Olá Xana

Ora lá está.... alguém que me entende e se explica muito melhor que eu.

Jorge

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