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escolher quem vive e quem morre

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Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo


Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justifica uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros?


As frases acima fazem parte de um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) que foi elaborado a pedido do Ministério da Saúde e incidiu principalmente sobre três grupos de medicamentos: para o VIH/sida, para os doentes oncológicos e para os doentes com artrite reumatóide.

 

Traduzindo por miúdos, o parecer que recorde-se é de uma comissão Nacional de Ética,  permite que a partir de agora o ministério da Saúde , os hospitais, ou os médicos, possam decidir por exemplo se um doente com cancro em estado terminal vai ou não ter direito a tratamentos que sirvam para lhe prolongar a vida.

 

Na pratica, este parecer dá às autoridades de saúde o direito a decidir quem vai viver e quem vai morrer, quem vai ter direito aos medicamentos mais caros e quem  só tem direito aos mais baratos, quem vai ser tratado atá ao ultimo momento e quem vai ser abandonado quando chegar a um estado em que a doença seja incurável.

 

Onde está a ética em  passar para as mãos dos médicos a decisão de quem tem direito a morrer e quem tem direito a viver?

 

Há algo nisto tudo que me faz imensa confusão, existem neste país leis contra a eutanásia e o suicidio assistido, um doente ou os seus familiares não podem decidir quando parar o seu sofrimento ou o dos seus seres queridos, mas agora acha-se ético que em nome de interesses económicos os médicos e hospitais possam decidir por eles.... e chamam a isto Ética?

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:44


16 comentários

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De Jorge Soares a 28.09.2012 às 14:02

André

A Cris já o disse, mas eu digo de novo, se fosse o teu pai a ter cancro tu aceitavas que alguém escolhesse um tratamento diferente do melhor que existisse para ele?

A questão é que isto vai abrir uma caixa de pandora, como é que se decide quando é que uma pessoa tem direito a mais um mês de vida? e porque é que uma pessoa de 40 anos com cancro deve ter melhor tratamento que uma pessoa com 85 anos com cancro?

Porque é que com 40 anos tens direito a mais uns meses de vida e com 85 anos não?

Jorge
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De André a 28.09.2012 às 20:16

Não sejam assim tão previsíveis nos vossos argumentos.

Claro que já pensei nisto. A minha avó que muito importante foi na minha educação, morreu aos 85 anos com cancro dos rins. E não fazia qualquer sentido gastar-se mais dinheiro dos contribuintes (dinheiro=trabalho) em manter uma doente terminal em dores viva mais tempo.

Há que aceitar a noção de "fim de vida".

Este argumento de que a via humana não tem preço, ignora que esse preço é o trabalho de todos nós.

Devem as pessoas trabalhar mais para que doentes terminais tenham mais tempo de vida. Para mim a resposta é não. Esse dinheiro tem de ir para a prevenção e educação, não para a saúde terminal.
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De Cris a 02.10.2012 às 18:26

Não seja assim tão materialista nos seus comentários!

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