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Ela é a Joana e quer pagar impostos

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Ela é a Joana, e quer pagar impostos, e ter direito a férias, e à segurança social e à protecção no trabalho que tem qualquer outro cidadão em Portugal, à reforma e a trabalhar sem estar sujeita ao insulto,  ao escárnio e à discriminação... ela quer ter direito a ganhar a vida com o corpo dela, o que tem isso de mal?

 

A Joana é prostituta, mas podia ser  stripper ou  operadora de linha erótica, ou acompanhante de luxo.. tudo profissões que em Portugal não existem... ou será que existem?


Será que as coisas que não queremos ver deixam de existir? Durante anos em Portugal não existia aborto, quer dizer, todos conhecíamos alguém que já tinha abortado, ou que contribuiu para que uma mulher abortasse, mas na realidade o aborto não existia... ou existia?


É evidente que a prostituição existe em Portugal, basta uma qualquer viagem que não seja por auto-estrada para percebermos que sim, que a prostituição existe, ou comprar um qualquer jornal diário e olhar para as páginas dos classificados, mas há muita gente que insiste em fazer de conta que ela não existe.


É claro que estas coisas existem e ao contrario do que muita gente acha, nem sempre são causadas pela pobreza e as drogas, há quem o faça porque escolheu esse modo de vida, nem todos são vitimas e coitadinhos, há quem o faça porque gosta de o fazer e porque acha que essa é a melhor forma de viver bem. 

 

E nestes casos, porque é que quem escolhe viver assim, não pode ter direito a que se lhe reconheça a sua profissão? 

 

A campanha “Trabalho sexual é trabalho” pretende contribuir para contrariar “o estigma que recai sobre quem faz trabalho sexual”, porque o estigma tem “um impacto negativo nas condições de trabalho, na saúde, na segurança”.


Estamos no século XXI e era bom que a mentalidade das pessoas evoluísse à mesma velocidade que evolui o mundo, para que de uma vez por todas deixemos de olhar para o lado e aceitemos que estas coisas existem mesmo e não, não é só lá fora, por cá também.



 

Jorge Soares

publicado às 21:24


13 comentários

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De Marta M a 10.10.2012 às 14:39

Jorge.
Este assunto é muito polémico e daria para um debate comprido e aceso. Não pretendo ir por aí, apenas emitir uma opinião pessoal e uma convicção como mulher.
Neste assunto, serei politicamente pouco "correcta".
O eufemismo com que é chamada e comparada a triste realidade social que é a prostituição (feminina ou masculina , sublinhe-se) não a torna nem mais acéptica nem mais dignificante para os envolvidos...O facto de ser prática corrente ainda menos.
Não faltariam práticas sociais que ocorrem todos os dias em todo o lado e, não são por isso, mais aceitáveis. O mundo sempre evoluiu e baniu práticas que, à altura, eram correntes, e todos beneficiámos com isso em termos de progresso civilizacional.
Por isso, "acontecer" e "dever acontecer", são coisas muito diferentes.
As mulheres glamorosas que praticam esta actividade existem, pois...Mas é mais nos filmes, novelas e livros - a vida real é bem menos bonita na esmagadora maioria dos casos.
Partilhar intimidades a troco de dinheiro, vender o único bem com que nascemos e ser literalmente usada e descartada como um objecto...Pois me parece muito triste e não conheço ninguém que o faça de ânimo leve ou com qualquer tipo de orgulho, ainda que o encare de forma- cedamos- "profissional".
Como ioguer e como ser humano em particular, considero que o nosso corpo é uno com a nossa alma e, portanto, sagrado. A sua partilha e entrega, acredito, deve respeitar esse princípio.
Abraço
Marta M
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De Jorge Soares a 10.10.2012 às 22:31

Marta, a forma como olhamos e sentimos o nosso corpo é algo que tem a ver com a nossa forma de ser, é algo muito pessoal.

A forma como olhamos para o sexo e para tudo o que se desenvolve à sua volta é antes de mais uma questão cultural, somos educados a acreditar que tudo o que se relacione com o corpo e o prazer está ligado ao pecado e dificilmente nos conseguimos abstrair dessa forma de pensar.

Respeito a tua forma de pensar, mas não é assim que eu entendo nem o corpo, nem o sexo, nem as pessoas que fazem de um e outro um negócio.

É verdade que uma boa parte de tudo isto está ligado a uma realidade social triste e pobre, mas não entendo em que é que isso vai em contra de que se protejam as pessoas que a praticam e se lhes dê o direito a serem tratadas como qualquer outro cidadão, será que manter a clandestinidade e a precariedade vai fazer com que as coisas melhorem?, em que é que manter tudo como está vai ajudar as pessoas?

Jorge Soares
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De golimix a 10.10.2012 às 17:59

Já comentei o mesmo tema na "Mini saia" e vou tentar não repetir muito o comentário.
Segundo a notícia são Stripers, actores de filmes Porno e operadores de linhas eróticas interessados em falar de "profissões de sexo". E não só prostitutas(os) que querem ser chamadas de "trabalhadoras de sexo". Vejo que na maioria dos comentários tanto lá, como aqui, focam-se muito na prostituirão, talvez porque seja o que nos "impressiona" mais. Vender o corpo, e tal como diz a Marta, não deve ser algo que se faça de animo leve e pensando bem é mesmo algo só muito nosso, cuja ideia de partilha assenta, ou deveria assentar, no amor, no sentimento, na atracção ou paixão e num certo envolvimento, mas sabemos que a realidade não é assim...
Muita da prostituição é uma triste realidade, uma troca de favores, um acto comercial. Isso acaba por ferir a ideia que a maior parte de nós tem do acto sexual. Daí ser estranho encarar a prostituição livremente como uma profissão.
Não me parece que sendo encarada como profissão, e com todos os direitos e obrigações a ela relativos, se acabe com insultos, escárnio e discriminação. Assim como não me parece que os problemas associados à prostituição de rua tenham uma solução assim tão simples. Nada é assim tão simples, mas é de facto um começo. Não me causa confusão que descontem se o querem fazer, e que encarem a entrega do seu corpo a troco de dinheiro como "trabalho".
Mas vou ser-te muito sincera, mete-me é confusão a ideia de "vender o corpo" e talvez, mesmo eu, que sei que tenho uma certa mente aberta, se alguém perguntar num local público (como é costume muitas vezes) "Profissão?" e do outro lado responderem "Prostituta", acho que não deixarei que me cause impressão.
Quanto ao resto das actividades, são muitas vezes esquecidas, e também não vejo porque não sejam tenham aquilo que pretendem, afinal existem e consideram o que fazem trabalho.
Não me perece assim tão descabido que queiram descontar para a SS e até ter direito a reforma, mas eu que sei, não é?

Bjinhs
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De Jorge Soares a 10.10.2012 às 22:36

"e pensando bem é mesmo algo só muito nosso, cuja ideia de partilha assenta, ou deveria assentar, no amor, no sentimento, na atracção ou paixão e num certo envolvimento,"

Porquê?, tu não acreditas que há pessoas que se entregam pelo simples prazer de sentir?

A nossa cultura diz que o sexo deve estar ligado ao sentimento, mas será que isso tem que ser mesmo assim? para mim é perfeitamente natural que as pessoas tenham sexo simplesmente porque lhes apetece e porque gostam do prazer e a descontracção que este lhes proporciona.. e acredito porque já conheci pessoas que me diziam que o praticavam assim e o que riam assim, aliás, conheci quem me dissesse que só gostava assim, que tinha terror ao peso de uma relação com algo mais que isso.. prazer.

Quanto ao resto, acho que estamos de acordo que legalizar estas actividades só iria trazer benefícios para quem delas vive e para a sociedade em geral.

Jorge
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De golimix a 11.10.2012 às 08:54

Acredito sim, que existem pessoas que o fazem só pelo prazer e sem querer o peso de uma relação mas deve certamente existir algum tipo de atação, de envolvimento. O que vai alguma distância até fazerem disso profissão. Vender o corpo.O que me causa alguma impressão, e claro que é a questão cultural a falar mais alto em mim, não falando da educação.

Tem um bom dia
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De Anónimo a 11.10.2012 às 22:29

Mesmo as pessoas mais liberais, ou aparentemente mais liberais, têm algo tipo de pré-conceito. Pode não ser neste tema mas noutros será. Todos somos o produto de uma cultura ou sociedade, até os muçulmanos. Então não te culpes por teres a tua opinião. :p
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De golimix a 12.10.2012 às 08:50

Penso muitas vezes nisso, principalmente quando vejo as atitudes extremadas de alguns povos, lá está é a questão cultural. Tento, no entanto, ter a consciência que a questão cultural ou a educação pode estar a influenciar a minha opinião em determinado tema.
Neste caso não me culpo por ter uma opinião muito precisa em relação à entrega do corpo, acreditando e aceitando outras opiniões diferentes da minha.

Obrigada ;)
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De Anónimo a 11.10.2012 às 22:27

A questão é que as atrizes/atores porno e as prostitutas na sua esmagadora maioria não têm prazer com a pessoa a quem entregam o corpo. Já vi documentários em que referem ter que tomar medicação e lubrificantes para ajudar na coisa. É uma ingenuidade achar que quem chega ao fim do dia com 20 ou 30 sessoes de sexo em cima, às vezes com pessoas de aspecto desprezível, esteve a ter prazer. Se existe quem o faça por gosto, acredito que existe, mas será uma parte pequeníssima. Logo, tudo isto me parece muito sórdido, mas nem tanto da parte desses profissionais e sim de quem recorre as esses serviços. Quanto ao tema em discussão não vejo porque não possam descontar.
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De DyDa/Flordeliz a 10.10.2012 às 18:50

Ela quer pagar.
Mas...
Muitos de nós não aceita dinheiro "ganho sujo" - vender o corpo em troca de dinheiro ou favores.
Assim continuamos a sentir-nos mais em paz. Sabemos, conhecemos, mas é muito mais fácil ignorar ou tapar o sol com a peneira.
Limitamo-nos ao "sonho", entregar o corpo - por amor, esquecendo que quem o faz ,é umas vezes, por necessidade, mas em muitos casos porque assim o quis, assim ganha mais e assumiu.

Há sempre excepções - casos em que foram obrigada(o)s , por motivos vários e que também temos conhecimento. E esses não são profissão, é escravidão, é crime.

Mas há os que simplesmente assumiram que preferiam ganhar mais, usando o que é seu (eu uso as mãos e a cabeça para trabalhar e recebo por isso) de direito, sem pudor, sem medo e com profissionalismo.
Se alguém contrata é porque é bem servido, ou não haveria clientes.
Então: Porque não descontar e pagar impostos?
Então: Porque não ter direitos e deveres?

Dignifique-se o ser humano, esquecendo que tipo de profissão exerce.

É a minha opinião.
Não! Eu não gostava de ser prostituta.
Mas também não gosto muito do que faço e pago impostos por isso.
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De Jorge Soares a 10.10.2012 às 22:38

Olá

Sabes, tudo isto deixou-me a pensar, há tantas actividades piores e mais prejudiciais à sociedade que esta.... há tanta gente que abusa de seres humanos com o beneplácito da sociedade.. porque será que este tipo de actividades choca tanto quando tacitamente aceitamos as outras?

"Dignifique-se o ser humano, esquecendo que tipo de profissão exerce."

Nem mais.

beijinho
Jorge
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De energia-a-mais a 10.10.2012 às 23:00

Olá Jorge
o assunto não e pacífico mas por isso mesmo deve ser debatido - pena é que muitos assuntos são ignorados em vez de debatidos socialmente. Só com reflexão, debate opiniões diferentes, a sociedade evolui. Claro que existem muitas maneiras de ver isto da prostituição. Eu consigo entender que a maioria das pessoas veja o assunto mais pelo lado emocional do que pelo racional - porque pelo racional não haverá qualquer dúvida: trata-se de uma prestação de serviços, pois então que se paguem os respectivos impostos e se tenha o respectivo retorno na protecção social.
E o Gaspar é que ainda não viu bem a coisa - afinal se o jogo fosse limpo, o estado iria concerteza arrecadar uns quantos milhares, principalmente se obrigasse os clientes a pedir fatura...até porque seriam depois poucos os que se atreveriam a pedir o reembolso nas despesas do IRS

Teresa
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De Anónimo a 11.10.2012 às 22:31

Por isso é que não vejo forma de isso resultar lol. Até porque muitas prostitutas iriam fugir ao fisco. Nem todas com certeza querem ser obrigadas a descontar. Então ia ficar tudo na mesma.
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De Maria dos Santos a 24.07.2014 às 12:10

Näo vejo onde reside o problema de tornar a prostituicäo com "profissäo" desde que elas queiram; isso näo iria estigmatizar de forma alguma a mulher- com imposto ou sem imposto prostituta é prostituta e elas sabem e sentem-no.A legalizacäo da profissäo iria libertá-las de "chulos" esses sim nojentos, dar-lhes-ia assistencia na doenca, reforma e seguranca física. Vivo há 25 anos na Alemanha e desde a minha chegada soube que aqui "prostituta" é profissäo legal. Um dos maiores pagadores de impostos em Hamburgo é o Rei da Reepebahn, que de profissäo é Proprietário de Bordeis, e os impostos anuais atingem milhöes.
Näo compreendo, como no nosso país onde se toma a palavra Democracia como estandarte haja tantos a pensar retrogadamente tipo Idade Média.Este tema näo me choca e tenho 81 anos de idade, tive 4 filhos, 7 netos e 3 bisnetos, mas quem me conhece sabe que a minha mentalidade está muito para frente gracas a Deus.Sejam tolerantes senhores e senhoras.Choquem-se com a violência e criminalidade actual, inclusivé, no nosso país e näo com o que existe há tanto tempo, täo velho como a própria humanidade.Se legalizaram o aborto porque a barriga pertence à mulher grávida, porque näo legalizar o que estas damas querem fazer com o que é delas? Hipocrisia é o que é e vinda com certeza de muitos que delas se servem.

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