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Pedro Marques, enfermeiro português de 22 anos, emigra quinta-feira de madrugada para o Reino Unido, mas antes despediu-se, por carta, do Presidente da República e pediu-lhe para não criar “um imposto” sobre as lágrimas e sobre a saudade.

Imagem do Público


"Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito)."


Não tinha lido a carta do Pedro para o presidente da República completa, só as poucas frases que a comunicação social mostrou, o original está aqui, e vale a pena ler, porque para além do que já se conhece há lá mensagens bem mais lúcidas e importantes...

 

Há pouco no telejornal na reportagem sobre a partida para Londres, ouvia o Pedro e a Mónica a falar e não pude deixar de pensar como há tantas formas diferentes de olhar para o mesmo assunto. 

 

Conheço a Mónica e a sua família graças a este blog, sei que a sua tristeza é genuína porque ela deixa para trás, para além da sua família, muitas outras coisas e alguns sonhos, mas quando na televisão a vi entrar para o aeroporto não pude deixar de pensar que aquela era a cara de quem estava a agarrar a oportunidade com ambas as mãos.

 

Será que se em lugar de em Londres lhes tivessem oferecido um emprego em Lisboa ou no Algarve a ganhar os mesmos dois mil euros eles teriam escolhido ficar por cá? duvido muito...

 

Tal como dizia esta tarde à Linda, a mãe da Mónica, na época em que vivemos é mais rápido e mais barato chegar de Londres ao Porto do que desde Lisboa, e para todos os efeitos a distância da família e dos amigos é a mesma.

 

Vivemos num mundo global em que cada vez mais pessoas tem acesso à educação, o que está a acontecer com os enfermeiros e com muitas outras classes profissionais, tem a ver com a crise mas também tem a ver com o facto de independentemente da situação económica, o nosso país não ter estruturas para absorver todas as pessoas que consegue formar.

 

Já existia excesso de enfermeiros antes da crise e já existia excesso de enfermeiros quando o Pedro e a Mónica entraram para a universidade, mesmo assim eles escolheram seguir os seus sonhos, agora está na altura de continuar esse sonho noutro sitio qualquer... felizmente ainda há lugares onde são necessários.

 

Quanto ao facto de acharem que o país não os está aproveitar, eles tem a vida toda pela frente, de certeza que o que aprenderam até agora lhes servirá de base para aprenderem muito mais no futuro e quem sabe um dia voltarem com muito mais para dar.

 

Pedro e Mónica, não olhem para isto como um castigo, como uma falha do país, o país deu-vos as ferramentas, agora é a vossa vez de as utilizarem em prol do vosso futuro, de certeza que o que é bom para vocês,será bom para o país.

 

Jorge Soares

publicado às 22:05


2 comentários

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De golimix a 20.10.2012 às 10:37

E completando o meu comentário...

Estive calada a semana toda! ;)
Era para falar desta notícia, Jorge, mas ando sem vontade e animo para escrever, ainda bem que o fazes, aliás a minha esperança era que o fizesses .

Concordo em algumas coisas contigo. É mais fácil, para quem vive no Norte ir trabalhar para Londres do que para Lisboa. Se calhar demora menos a chegar a casa se vier de Londres. Mas, sabes? É outro País, outra cultura e é o facto de partir. Fica aquela sensação de que está a deixar algo para trás. Não acredito que tivessem ido embora se lhes oferecessem as mesmas condições aqui.
Mas realmente o mercado de trabalho não tem condições para absorver tantos profissionais e fechar cursos é destruir o sonho de muitos, que com esta globalidade têm hipótese de continuar o sonho em outro local. E o ensino de Enfermagem em Portugal está cotado como um dos melhores da Europa, orgulhe-mo-nos disso!

Quanto a existirem excesso de enfermeiros... humm... será?
Algo me diz que se as coisas funcionassem como deveriam, muitos não precisam de sair, e faziam cá falta! mas é o mesmo com os professores! Bem, mas isto é OUTRA história.

Talvez por ter andado com os meus pais "de Jou para Já", mais ou menos como tu, é que vejo estas "andanças" como oportunidades e como boa forma de interagir, aprender, conhecer...
Se me dissessem que íamos emigrar, com emprego já pronto e o meu marido e filho fossem comigo, eu iria já amanhã. Mas, mesmo assim, olharia para trás com aquela sensação no estômago de que algo ficava para trás....

Um bem haja para eles!

Um bom fim de semana e um bj para vós =)
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De Jorge Soares a 21.10.2012 às 23:20

Sabes, talvez porque há muito que me sinto um cidadão do mundo e porque sempre achei que poderia viver em qualquer lado desde que tivesse a minha meia laranja e os meus filhos comigo... não via problema nenhum em ir viver para Londres... mesmo hoje, se me oferecessem o dobro do que ganho por cá.. ia sem olhar para trás.

Sabes o que eu fazia se me saísse o Euromilhões?, pegava numa boa parte do dinheiro e ia para Cabo Verde fazer a diferença...

Mas eu já aqui disse que por vezes me acho um extraterrestre.

Jorge

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