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Uma terrorista de trazer por casa

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Imaginem a situação: estão 3 crianças de 5 anos no recreio da escolinha, duas meninas e um menino. Vá lá saber-se porquê decidem brincar às lutas, meninas que gostam de brincar às lutas não é lá muito comum, mas estas gostam. A meio a brincadeira, talvez porque não gosta de lutar com meninas, talvez porque acha que elas estão a levar a melhor, o menino farta-se e diz que não quer brincar mais, mas as duas meninas estão-se a divertir e insistem em continuar... o menino não quer mesmo e desata a chorar... não sei como terminou a coisa, imagino que algum dos adultos que controlam o recreio tenha aparecido, e a brincadeira parou.

 

Este tipo de coisas acontece todos os dias no recreio da escola, crianças a chorar porque não querem brincar mais e outras a insistir para que a brincadeira continue, deve ser o pão nosso de cada dia em todas as escolinhas do mundo... reparem, a brincadeira terminou com o choro do menino, não houve feridos, nem marcas, nem sequelas... nada... bom, quase nada.

 

Estava eu na festa de natal da escolinha quando atrás de mim, uma senhora se começa a referir de uma forma muito pouco simpática sobre a D. De inicio fingi que não ouvia, mas como a coisa continuava e já estava a roçar o racismo e a falta de educação, o meu mau feitio veio ao de cima e não me pude conter.

 

- Olhe, desculpe lá, mas o pai da menina de quem a senhora está a falar está aqui, porque é que não me diz isso directamente?

- O senhor é o pai?

- Sim, sou!

- A sua filha bate no meu filho e a culpa é sua que não lhe dá educação.

 

Não vou repetir aqui a conversa toda, para a senhora, a minha filha é a vilã da escola, bate em tudo o que mexe e a culpa evidentemente só pode ser minha. É claro que o filho dela é um anjinho que nunca bateu em ninguém, é uma vitima da D.

 

A coisa aqueceu e só não passou a vias de facto quando o pai, marido da senhora se vira para mim e diz: "A sua filha não tem educação e se o senhor não lha dá, dou eu!", porque eu me lembrei que estava no meio de uma festa de natal. Decidi sair dali, não sem antes avisar o senhor que se livrasse sequer de chegar perto da minha filha.. porque aí a coisa podia mesmo terminar muito mal.

 

Convém lembrar que estamos a falar de crianças de 5 anos, pelos vistos há pais que acham mesmo que tem em casa os santinhos..e há crianças que para além de mariquinhas, são queixinhas.

 

Imaginem só o que teriam feito estas pobres almas se o filho lhes chegasse a casa com um corte na testa feito por um pião, como me chegou um destes dias a D.?

 

Continuo a achar que isto é um problema da escola e é a escola que tem que resolver, mas há muita gente por aí que vai ter muitos problemas na vida se acha que tem um filho perfeito, e que as brincadeiras de criança se resolvem com discussões de adultos... porque para além de discutir comigo, a senhora fez a mesma cena com a mãe da outra menina. 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:47


4 comentários

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De Natália a 28.01.2013 às 13:04

Pois...

Hoje em dia é sempre mais fácil ver/dizer que os problemas vêm de fora da escola... é sempre mais fácil etiquetar/diagnosticar problemas, raças...
Espero que a D. tenha dias melhores, e que os outros pais se vejam "ao espelho", olhem para o que têm em casa, e tentem perceber o que realmente se passou...
A minha filha (20 meses) chegou a casa com a cara arranhada... diz que foi o amiguinho... e eu vou fazer o quê? Ela às vezes também o arranha... e, neste caso, sei e percebi que estavam a brincar... não vou "educar" o amiguinho dela, nem chatear os pais do menino... Há que saber ver e compreender o que se passa!

Beijinho
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De eu ando às voltas a 28.01.2013 às 15:39

É sempre mais fácil olhar pelas janelas dos outros que ver o que se tem em casa.
O grande desafio de um pai é conseguir abstrair-se e ver como o filho é, com virtudes e defeitos.
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De Susana Carvalho a 29.01.2013 às 11:26

Subscrevo por inteiro.
Oh Jorge, isto realmente, quem tem filhos tem cadilhos.
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De Rosinda a 28.01.2013 às 17:26

Sabes Jorge, não quero ferir susceptibilidades, mas embora o disfarcem ainda existe muito racismo, que vai sendo transmitido aos filhos por criaturas como essa e respectivo marido, uma tristeza.
Rosinda

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