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Glória Araújo deve ou não renunciar?

 

Imagem do Público 

 

Gloria Araújo diz que não é o facto de ter sido apanhada a conduzir com uma taxa de álcool de 2.4, quase cinco vezes acima do nível legal permitido, que a deve fazer renunciar ao cargo de deputado... 

 

Bom, se há quem roube gravadores a jornalistas, seja até condenado por isso e não só não renuncie ao cargo como volte a concorrer nas listas do seu partido e volte a ser eleito, porque é que ela havia de renunciar só pelo facto de ter conduzido com uns copos demais?.. curiosamente, ambos pertenciam à comissão de ética... o que se calhar explica muitas coisas.

 

Já agora, imaginemos que em lugar de ser apanhada pela polícia, a senhora que com 2.4 de álcool no sangue estava claramente ébria, tinha atropelado e matado alguém, será que olharíamos para a situação com a ligeireza com que olhamos agora?

 

Se calhar até é verdade que a senhora nem costuma beber tanto, mas naquele dia bebeu e depois de o fazer assumiu uma atitude completamente irresponsável quando mesmo assim decidiu conduzir.

 

Há muita gente neste país que se esquece que tal como a mulher de César, quem tem a responsabilidade de exercer cargos públicos não só deve ser sério, deve também parecer.

 

Já agora, se as eleições fossem uninominais, alguém votaria nesta senhora ou em deputados que roubam gravadores?.. se calhar a resposta não é assim tão simples, afinal o Isaltino continua a ganhar eleições e o Adelino Ferreira Torres até se vai voltar a candidatar...

 

Jorge Soares

publicado às 22:10


14 comentários

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De Ajom Moguro a 05.02.2013 às 11:40

Captado on-line, autoria de comentador identificado como A raiz da partidocracia :
1ª Parte
-1) Desde a instauração da "democracia", a qualidade dos partidos em Portugal tem caído constantemente, estando hoje ao nível do lixo. Os portugueses não têm controlo sobre os seus políticos. A "casa da democracia" é na realidade a casa da partidocracia . O chamado "julgamento nas urnas" é um logro, pois os candidatos das listas perdedoras têm garantia prévia de que se mantêm no parlamento, duma maneira que não tem relação com a vontade dos eleitores. Na verdade, os eleitores nem sequer têm oportunidade de se pronunciar sobre os candidatos. Podem ser agentes secretos, maçons ou outra coisa qualquer, não interessa: a ida para o parlamento não depende do seu voto. A causa profunda do problema é a ausência do voto nominal no sistema eleitoral.
2) Os portugueses têm menos direitos democráticos que os outros europeus. As chefias partidárias fazem listas cuja ordem é essencial, mas é imposta. As listas não figuram no boletim de voto e é impossível votar num membro da lista sem os anteriores terem sido já "eleitos". Surgem os "lugares elegíveis", que dão aos candidatos dos maiores partidos a GARANTIA de que vão ser deputados, independentemente dos votos. Em cada eleição, o cenário é sempre o mesmo: semanas antes de ser deitado o primeiro voto, parte do elenco parlamentar já está decidido. Como não existe uma relação entre o voto e a atribuição dum lugar de deputado, os deputados NÃO representam os eleitores. Seguramente representam alguém, mas não é quem vota.
3) As consequências deste sistema são muitas e graves
(A) Os barões dos principais partidos vivem na impunidade. Sabem que não podem ser desalojados do parlamento pela via dos votos. Mesmo com baixas intenções de voto, têm muitos "lugares elegíveis" para onde se refugiar. Isto influencia o seu comportamento de maneira decisiva.
(B) Corrupção: os lóbis contornam o eleitorado e agem diretamente sobre os oligarcas do parlamento para fazer valer os seus interesses. Na prática, são os lóbis que têm representação no parlamento, não os eleitores.
(C) Cria-se um "fosso" entre cidadãos e políticos e um (forte e crescente) sentimento de desprezo e ressentimento dos cidadãos para com os políticos portugueses.
(D) A ausência de voto nominal bloqueia a renovação interna dos partidos. 4) 4)
4) "Renovação" é uns serem substituídos por outros. É o papel do eleitorado dizer quem vai e quem fica. A maneira natural e democrática de conduzir a renovação é os novos políticos que têm mais votos ascenderem gradualmente às chefias dos partidos. Porém, como o sistema eleitoral impede os eleitores de expressar preferências dentro duma lista, o sistema está na realidade a impedir o eleitorado de exercer o seu papel na renovação partidária. Atualmente , as chefias partidárias eternizam-se e só os que têm o seu beneplácito sobem nas estruturas partidárias.

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