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Um país com um povo abalroado

por Jorge Soares, em 20.02.13

Manifestantes cantam o Grândola Vila Morena

 

Imagem do Público 

 

Hoje foi a vez de Paulo Macedo ouvir o Grândola Vila Morena, a novidade é que quem cantou foi identificado pela policia, segundo fontes da PSP 10 pessoas foram “identificadas no seguimento da altercação”.

 

Segundo a lei, a polícia pode identificar qualquer pessoa que esteja num lugar público sempre que sobre ela recaiam suspeitas da prática de um crime. Parece que para a PSP cantar é uma altercação, um crime... será que só o Grândola  é que é considerado altercação?, será com qualquer música?, só com as músicas do Zeca? só quando está um ministro presente?

 

Entretanto há deputados do PSD que dizem que no caso do Miguel Relvas a democracia foi abalroada, como se todos nós não estivéssemos a ser abalroados há anos por este e pelos anteriores governos deste país. Eles tem direito à indignação, mas o povo que é quem realmente está a sentir a crise e a austeridade na pele, não tem esse direito.

 

Dizem os senhores que não há democracia se os eleitos do povo não puderem falar, então mas a democracia não é para os dois lados?, eles tem direito a falar mas o povo não tem direito a expressar a sua indignação pela forma como estão a ser governados? é a isto que os senhores deputados do PSD chamam democracia?

 

Não é com as estrofes de Zeca Afonso que a democracia está a ser abalroada, é com a forma como este governo está a impor as suas políticas, é com a  forma como hoje tentaram calar o povo mandando a polícia para identificar quem cantou, isso sim é abalroar a democracia.

 

É bom que alguém explique a estes senhores que como diz José Mário Branco, a cantiga é uma arma e que com atitudes como estas de certeza que o único que vão conseguir é daqui a uns tempos terem um país de voz afinada e metade do povo identificado pela polícia.

 

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

há quem canta por interesse
há quem cante por cantar
há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
para não perder o lugar

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

 

O faduncho choradinho
de tabernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções

 

José Mário Branco

 

Jorge Soares

publicado às 21:40


4 comentários

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De golimix a 20.02.2013 às 22:17

Estou a acabar de ouvir esta notícia, mas mantenho o que te disse no post de ontem sobre o facto de dizerem que cantar, ou outro tipo de manifestação exercida de forma saudável, e parece-me que cantar não pode ser mais saudável, seja um "abalroar da democracia". Lá porque foram eleitos não têm carta branca. Mais, eles defraudaram muitos dos que neles votaram, já que a conversa antes e pós eleições foi muito diferfente.

Querem um povo que não cante, que não se manifeste que os deixe "democraticamente" fazerem o que querem? Isso será a democracia? Ou será ter abuso de poder? Ou será destruir a voz do povo? Calá-la?

Pois é. A canção é uma arma! E a "Grândola" bate lá, no sítio onde deve!
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De poetazarolho a 20.02.2013 às 23:16

No país dos condados
Muito mal administrados
Estropiam os reformados
E querem-nos recuperados

Vão ver-nos naufragados
E na pobreza sitiados
Excepção aos iluminados
Por quem somos governados

Ou os filhos e enteados
Que estão bem encaixados
Servindo a nação valente

Eles não são os culpados
Por serem contemplados
Com este povo indigente.
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De Kok a 21.02.2013 às 11:28

Pois claro que não se pode cantar quando o ministro está "botando palavra" ou palavreado.
Parece mal! É falta de respeito! É condenável!
Porém nenhum destes conceitos é aplicável à actuação dos membros do governo (de ministros a sec. e sub-sec. de estado), que põem o país de pantanas.
Porque a democracia é isto: "a gente" governa e lixa-vos a vidinha e vocês (quase) todos aguentam!
Aguentam mas caladinhos e bem comportados para "a gente" não ter dificuldades lá fora.
Triste, triste (ou bem mais do que isso) foi ver o ministro relvas a tentar acompanhar a canção trocando os versos e exibindo um sorriso aparvalhado.
Como dizia alguém e aqui é aplicável ao governo: cantam bem mas não me alegram!

1 abraço!
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De Universo de Paralelos a 21.02.2013 às 20:15

José Mário Branco, um grande cantautor...

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