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Bangladesh - O último abraço da globalização

por Jorge Soares, em 09.05.13

O ùltimo abraço da globalização

Imagem do Público 

 

De entre o que restou do edifício Rana Plaza, no Bangladesh, foram até agora retirados mais de 900 corpos, mas ninguém consegue prever quantos mais estarão ainda por descobrir, calcula-se que estariam perto de 5000 pessoas no edifício e ainda falta chegar aos pisos inferiores.


Também não há certezas, mas suspeita-se que para além da construção deficiente, terá sido a trepidação causada pelos gigantescos geradores que mantinham as três fábricas de roupa a funcionar, o que terá causado o desabamento do edifício.

 

O Bangladesh é neste momento a última paragem da globalização, depois do Vale do Ave, de Taiwan, da Malasia, da China, a procura dos preços mais baixos chegou ao Bangladesh. As três fábricas , há quem fale em cinco, que se diz existiam no edifício, produziam roupa para grandes marcas Europeias como a Primark ou a Mango. Mas estas são só um exemplo, porque nas centenas  que nascem como cogumelos por todo o país produz-se roupa e outros artigos para a grande maioria das marcas mais conhecidas.

 

O Bangladesh é o país com o menor salário mínimo do mundo, perto de 29 Euros por mês, mas há quem ganhe metade disto por 12 ou mais horas de trabalho ao dia  nas piores condições possíveis. É também frequente a existência de trabalho infantil.

 

O negócio dos texteis movimenta mais de quinze mil milhões de Euros todos os anos e gera lucros astronómicos, mas tudo isto é feito à custa do trabalho quase escravo de muita gente.

 

As grandes marcas tem muita preocupação com os volumes de vendas e os lucros, mas pouco ou nada se preocupam com o preço que paga a população dos paises mais pobres para que se possa produzir a custos tão baixos . Era bom que a sociedade que tanto consome tivesse a noção da realidade que está por trás dos seus caprichos mais mundanos.

 

As muitas centenas de vidas que se perderam na queda do edifício no Bangladesh são o preço social da roupa barata, um preço demasiado alto que milhares tem que pagar para que uns poucos ganhem muito dinheiro e todo o mundo possa presumir de andar bem vestido.

 

A fotografia é de Taslima Akhter e revela  um abraço de um homem e de uma mulher congelado pela derrocada do edifício Rana Plaza, ao Bangladesh chegou o último abraço da globalização.


Jorge Soares

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publicado às 21:56


7 comentários

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De golimix a 09.05.2013 às 22:41

Tens a noção que é isto que o Belmiro Azevedo quer e procura?


Talvez toda a sociedade contribuísse com um punhado de terra que soterrou todas estas pessoas.
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De Jorge Soares a 09.05.2013 às 22:49

É claro que tenho a noção, e hoje mesmo ouvimos mais gente poderosa a sugerir a baixa dos salários, há muita gente que acha que se deve viver À custa do sacrifício da população e as marcas portuguesas não são diferentes das restantes.

E tens razão, no fundo todos somos um pouco culpados do que aconteceu no Bangladesh.. porque somos nós que compramos as coisas que lá se produzem.

Jorge
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De Justo a 10.05.2013 às 11:14

Eu optei por comprar produtos texteis produzidos apenas no ocidente, do oriente só Japão e Coreia do Sul no que toca a outro tipo de compras...é verdade que são muito mais caros mas...prefiro. por exemplo juntar e dar 200 ou 300 € por um par de sapatos que me vão durar anos do que 60 € por um par de sapatos que dura 6 meses. No entanto no que toca roupa e calçado desportivo é praticamente impossível encontrar produções ocidentais, apenas a New Balance produz nos EUA e no Reino Unido e a marca inglesa Pointer produz quase na sua totalidade em Portugal.
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De Maria a 10.05.2013 às 12:23

Sinto-me culpada ...

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De Alice Alfazema a 10.05.2013 às 20:13

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De Fininho a 11.05.2013 às 11:58

Todos temos culpa, mas os principais culpados são todos os politicos qie têm fechado os olhos a esta concorrencia desleal da parte destes paises orientais e que está na base da actual crise Portuguesa e europeia. A Deslocalizaçao da maior parte da nossa industria deixou-nos sem trabalho e sem esperança.
A uma industria em portugal exigem 1001 burocracias e condiçoes de trabalho, mas se o produto for importado pelas grandes multinacionais já ninguem quer saber.
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De José Correia a 11.05.2013 às 18:11

De uma vez por todas convençam-se que só a redução da jornada de trabalho poderá melhorar as coisas. Depois da revolução industrial em que as máquinas começaram a fazer o trabalho de muitas pessoas e o desemprego subiu imenso, só com a diminuição da jornada de trabalho (depois de muita luta) se entrou num período de prosperidade. Desde então, apesar de todas as evoluções tecnológicas (muito maiores do que as da revolução industrial) nunca mais houve uma efetiva redução do tempo de trabalho. As políticas atuais de mais horas de trabalho, menos feriados, reforma em idade mais avançada tem piorado imenso este efeito normal. Se não se fizer nada o desemprego continuará a aumentar ao ritmo do desenvolvimento tecnológico. Só uma redução do tempo de trabalho e consequentemente de um aumento do tempo de lazer e para dedicar à família é que se pode reverter este ciclo vicioso atual e converte-lo num ciclo virtuoso que inclusivamente pode fazer crescer a produtividade, a economia ao contrário do que nos dizem. Faço um desafio a todos os sociólogos e economistas para fazerem um estudo sério sobre o impacto da redução da jornada de trabalho na economia e no bem estar das pessoas.

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