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Adopção, ao cuidado de todos os candidatos

por Jorge Soares, em 22.05.13

Filhos

 

A propósito do post de há dois dias em que se falava da devolução de crianças, a Ana (muito obrigado) em resposta àquela mãe, deixou o seguinte comentário:


Em 2009 chegaram os meus filhos, também pela via da adopção, na altura o meu filho tinha apenas 5,5 anos e a minha filha tinha 2 anos. O meu filho com apenas 5,5 anos, bateu-me a mim, a todas as professoras que encontrou pelo caminho durante os 6 meses seguintes, pintou o cão da escola, bateu em quase todos os colegas da escola, arrancou inúmeros cabelos ás professoras, arrancou-me cabelos a mim, partiu coisas em casa, disse várias vezes que queria era estar na instituição, que lá é que tinha os amigos/as dele, etc.etc . Podia contar muito mais, mas acho que estes exemplos chegam. Desistir do meu filho nunca! Ele era mau por fazer isto e não gostava de nós? Não!


O meu filho é e sempre foi um doce, ama-nos acima de tudo, lembra-se da outra mãe? Claro que sim, falamos disso sempre que ele precisa, mas eu sei que ele me ama muito e não é porque o diz mas porque eu o sinto. Ele fazia todas aquelas coisas para nos testar, para nos levar até aos limites, para ver se também esta nova família o iria deixar novamente a ele e á irmã.

Cara Madalena, não corrigimos estes comportamentos dando todos os presentes que o meu filho queria, corrigimos aplicando regras desde o primeiro dia, aplicando castigos quer na escola quer em casa sempre que necessário, foi um primeiro ano de intensa luta entre nós, a escola e ele.

Quantas vezes me apetecia abraça-lo e tinha que o castigar? Quantas vezes lhe disse que fizesse o que fizesse mal, nós agora éramos sempre a família dele e gostávamos sempre dele e ele tinha que acreditar nisso. Não lhe consigo dizer quantas vezes foram, mas uma coisa posso garantir que não passa em 3, 4 ou 6 meses! Levou um ano ou mais até que o meu filho melhorasse radicalmente o seu comportamento!

Hoje (passaram apenas 4 anos), não temos uma queixa da escola, todos os dias ele tem que nos dizer que nos ama, que todo o coração dele é meu, que tem o melhor pai do mundo, que não se vai casar porque quer viver sempre nesta casa com os pais….(até já brincamos com ele, que se não sair para a casa dele até aos 30 anos saímos nós!!!!!!)

Cara Madalena, nós não temos que pagar sessões de psicoterapia para que os nossos filhos gostem de nós, temos que pagar um pedopsiquiatra para ajudar os nossos filhos a lidarem com o sofrimento deles e também para nos ajudarem a nós. Estas crianças, os meus filhos e as suas filhas o que mais querem é ter a certeza que vocês (nós) vão estar sempre aí para as apoiarem e amarem.

Agora deixo esta pergunta no ar : e se eu, durante os 6 meses do período de pré adopção tivesse desistido dos meus filhos? Acredite que também foi terrível! Nunca tal nos passou pela cabeça mas se tivesse acontecido, hoje não teria ao meu lado os Melhores Filhos do Mundo, com todas as preocupações que já nos deram e que sabemos que ainda vão dar! E o que teria sido dos meus Filhos com o peso de mais uma família a desistir deles?

Peço desculpa Jorge, por ocupar o seu espaço desta forma, mas não ficava bem comigo mesma se não apelasse à Madalena que deve procurar ajuda, existem pedopsiquiatras maravilhosos, mas não desista de amar estas duas crianças!


Ana

 

Um texto para reflectir,  um texto que deveriam ler todos os candidatos à adopção e todas as pessoas que alguma vez pensaram em adoptar, é claro que nem todos os casos são assim, mas acreditem em mim, não há casos fáceis. E não, adoptar bebés não minimiza os problemas, nós adoptamos um bebé com um ano e basta procurar neste blog a palavra hiperactividade para se perceber como nada é  fácil, mas não há a mínima dúvida, o amor pode sempre mais que qualquer tipo de problema.

 

Ana, não tem que pedir desculpa, eu é que agradeço as suas palavras.

 

Jorge Soares

publicado às 21:15


11 comentários

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De energia-a-mais a 22.05.2013 às 23:23

Absolutamente maravilhoso este texto. Como dizes muita gente deveria ler e refletir. Quando temos filhos biológicos apenas, não podemos, porque não temos um conhecimento por dentro, comentar como o fez esta mãe. Aliás foi por isso que nem me atrevi a comentar o post que motivou este. Seria presunção minha achar que sei opinar quando não vivo uma situação idêntica...mesmo que no meu caso possa afirmar que sei bem o que é ter uma criança que me obriga a lutar por ela desde que nasceu, uma criança a quem tenho de conquistar dia a dia, da qual não posso desistir, a quem procuro sempre mostrar que o amor e o respeito são a chave da nossa vida.

Teresa
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De golimix a 23.05.2013 às 08:45


Para a Ana, que não conheço, mas que deixou aqui o pouco da sua alma.

Obrigada também eu pela oportunidade de poder ler as vossas palavras.



Lina
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De susana aguiar a 23.05.2013 às 10:32

Há que louvar esta senhora. Um muito bem haja para si, Ana.

Obrigada
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De gina a 23.05.2013 às 12:00

Identifico-me imenso com este post :)
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De Migusta a 23.05.2013 às 14:33

Adotei um menino com 6 anos. É um doce de criança. Mas também tem problemas na escola com os colegas e também faz frente quando temos de impor regras (especialmente às pessoas do sexo feminino). Não é fácil, mas ele é meu filho, um presente na minha vida. Já não imagino a minha vida sem ele. Ao final de quase um ano, as queixas na escola terminaram...É preciso dar tempo ... muito amor e paciencia.. :)
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De RMC a 24.05.2013 às 14:30

Olá

Acompanho este blog pelas questões da adopção, dado ser... um sonho, um apelo, um objectivo, uma vontade ou um desejo (nem sem explicar), que vai crescendo em mim e quem sabe um dia amadureça e se concretize.

Tenho lido sobre estas situações e concordo com o que o Jorge e outros leitores defendem, que é o não desistir da criança porque o que elas precisam é de validar o nosso amor e a verdadeira vontade de lutar por elas enquanto filhos. Mas a questão que gostaria de colocar é como se passa por um processo destes quando já se tem um filho biológico, que é meu caso? Como se pode conciliar esta luta pelo amor de uma criança quando já temos outra, sem que esta se magoe e que guarde o melhor desta fase? Alguém passou por isto? Obrigada.
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De Jorge Soares a 29.05.2013 às 22:45

Olá

Acho que esta semana não é uma boa altura para responder a esta pergunta... mas eu vou tentar na mesma.

É claro que ter um segundo filho afecta sempre o primeiro, não há forma de que não afecte.. o coração não se divide, o amor não se divide, aumenta com cada filho que temos.. mas há coisas que não aumentam, o tempo por exemplo, ter um segundo filho implica sempre menos tempo e atenção para o primeiro, não há como fugir a isso.

É evidente que quanto mais problemático for um filho mais atenção requer de nossa parte e evidentemente isso implica sempre menos atenção para os outros, também não há como fugir a isso.

Cá em casa há três, tentamos ser equitativos e dar a mesma atenção, que quando nos pomos a pensar é sempre pouca aos três, mas evidentemente isso nunca é possível e no fim há sempre alguém que é prejudicado...

E por muito injusto que possa parecer quem tem menos problemas, quem tem mais segurança em si próprio,.. é quem tem direito a menos atenção, a menos apoio, não é que isso signifique menos carinho e amor, mas sem duvida nenhuma que significa menos atenção.

Depois há sempre os inseguros que fazem tudo para ser o centro das atenções, e cá em casa também temos disso.

Eu sei, a pergunta era sobre filhos adoptados, mas o que eu disse antes aplica-se a filhos, não importa se são adoptados ou biológicos, isto é sempre verdade..e depois, como já disse muitas vezes, não há filhos biológicos e adoptados, há filhos.

Jorge Soares
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De Equipa SAPO a 24.05.2013 às 16:37

Boa tarde,

O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente,

Catarina Osório
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais - portal SAPO
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De Jorge Soares a 29.05.2013 às 22:33

Obrigado Catarina

Jorge Soares
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De SG a 28.05.2013 às 16:49

Boa Tarde Ana

Eu também tive um filho pela via da adopcão em 2010, na altura quase com 9 anos. Revejo-me em todas as suas palavras. Nos maus comportamentos, na dificuldade em impôr limites, nas milhares de vezes em que tive de lhe dizer que esta era a sua familia para sempre. O meu filho tem hiperactividade e defice de atenção e por isso é acompanhado por uma pedoppsiquiatra para o ajudar e para nos ajudar a nós a lidar com esta doença e com os seus traumas. Durante muitos meses foi muito dificil mas devolvê-lo nunca nos passou pela cabeça. É o nosso filho, o nosso grande amor que veio para ficar. E olhem que muitas vezes nos deixou com os cabelos em pé. Ganhei uns quantos cabelos brancos !
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De Lígia a 17.09.2014 às 15:37

Olá boa tarde, acho que em tempos já havia lido este texto que considerei muito pertinente, entretanto "recebi" o meu filho de 9 anos em casa e ao fim de 6 meses estas palavras tomam um novo significado.
Em momento algum me imaginei a "devolver" (acho esta palavra estranha quando falamos do nosso filho) o meu filho, mas há alturas em que me sinto completamente inadequada para o ajudar, em muitos momentos duvido de mim mesma....conforme o tempo passa as coisas vão mudando uns dias para melhor outros para pior e daí o meu receio de não estar a fazer o que é certo para o meu filho.
Ler as experiências de outros, que passaram pelo mesmo, faz-me sentir menos só!!! Obrigada, é raro encontrar este tipo de partilha sobre este tema em Portugal.

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