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Alguém me deixou o seguinte comentário no Post "Quem se importa com os professores?":

 

"... a verdade, é que somos nós, os alunos de 12º ano, que vamos ficar extremamente prejudicados, porque uma greve a um exame de Português significa que todos os prazos vão ter que ser adiados, inclusive as datas de colocações na universidade e o início do ano lectivo para os alunos do primeiro ano de faculdade. Para não falar de que as próprias greves às avaliações já vão ser um enorme problema, porque os alunos devem ir todos a exame sem ter a nota, e depois? E aqueles que depois do exame feito descobrem que afinal não tinham nota e o exame é anulado? Esteve o aluno a perder tempo a estudar para um exame que não lhe vai contar para nada quando podia ter estado a estudar para outros?
Estas greves vão ser portanto, brincar com o nosso futuro, o futuro daqueles que são o próprio futuro da país."


Eu cheguei a Portugal em 89, vinha para entrar na faculdade, já ninguém se lembra mas o ano lectivo de 89-90 começou em Janeiro de 1990, foi sair do ano novo para as inscrições na faculdade, se não me engano quem corrigia as provas de acesso estava em greve e portanto não havia notas para ninguém .. nem entrada na faculdade... como era muito tempo sem fazer nada, arranjei emprego...  

 

Reparem, não estamos a falar de duas semanas de atraso num exame, estamos a falar de quase seis meses de atraso... se isso teve influência no meu futuro?, teve, é claro que teve, aqueles meses a trabalhar foram muito importantes para decidir o que queria fazer na vida.. e ainda hoje é isso que faço.... e sim, de Janeiro a Julho deram-se dois semestres nas faculdades, e não me lembro de ouvir queixas por isso.

 

Hoje ao ouvir os comentários de pais e alunos, quase todos contra a greve e contra os professores, dei por mim a pensar em como é estranha a vida.. as pessoas acham que adiar duas semanas um exame porque os professores decidiram lutar pelos seus direitos é um atentado ao seu futuro.. as pobres criancinhas ficam com os planos de estudo estragados... estiveram a estudar para nada....

 

Então mas espera aí, eles estão à semanas a estudar e só porque adiam o exame duas semanas ficam com a vida estragada... então mas o que estudaram nos últimos dias esvazia-se se o exame não for hoje?.. fantástico.

 

É incrível como neste país as pessoas olham para o lado e esquecem tudo quando se sentem prejudicadas, de repente parece que todo o mundo menos  os professores esqueceu o estado lastimável em que está a nossa educação. Falta de segurança nas escolas, excesso de alunos nas turmas, falta de materiais, falta de dinheiro para aquecimento, salas em que chove lá dentro por falta de manutenção, escolas com cartões nas janelas porque não há dinheiro para vidros, etc, etc, etc... Tudo isso passa para segundo plano quando as criancinhas do 12º ano não podem fazer o exame no dia que estava marcado... fantástico.

 

E hoje pelos vistos valeu tudo, como li algures professores a  vigiarem exames para os quais não estavam preparados ; colaborarem em ilegalidades sem fim..trancarem as portas das salas para os alunos não saírem..e outros não entrarem...começaram os exames com 15 minutos de atraso...houve tolerância de 40 minutos..foram para refeitórios onde estavam 70 alunos...alguns vigilantes eram formadores dos Cursos Cef, de culinária...coadjuvante não existia..falavam com os alunos para os incentivar a continuarem...não se lembraram que estavam a ignorar um principio básico...a equidade.


Pelos vistos basta as pessoas se sentirem atingidas para esquecerem que os problemas que existem na educação nos afectam a todos de uma forma ou outra, não, não são os professores os únicos a serem afectados, porque todos temos filhos, irmãos, sobrinhos, amigos, conhecidos... que ou são alunos ou professores e é o futuro de todos eles que está em risco e é por esse futuro que se fazem greves... onde anda a consciência cívica deste povo?

 

Jorge Soares

publicado às 22:42


44 comentários

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De golimix a 18.06.2013 às 08:58

Já sabes o que penso disto.
Aliás já escrevi um post sobre isto.
O meu filho não está no 12º está no 6º, vai fazer exame e está preparado para uma data ou para outra. Se estivesse no 12º era igual, eu assim espero, é para isso que me esforço.

Gostaria de saber onde andaram os pais e os alunos indignados com exames ao ver tudo o que está a ser feito na Educação, e não, não é ao professores, é a eles!!!! Mas agora porque lhes mexe com as férias, porque têm que estudar (que desgraça!), porque têm que adiar, coisa que sabemos não estarem preparados para fazer, porque o "JÁ" e o "AGORA" impera! Por isso já é uma desgraça!

IRRA! Olhem para o lado uma vez na vida! Vejam que o vosso futuro não é só exames é também lutar pelo que está certo!Lutar por uma sociedade melhor, com vida, com uma Educação decente, com Escolar Públicas decentes, com Governos que olhem para os alunos sempre, e não quando interessa fazer braço de ferro! Lutar por todos e não só por nós! Porque nós seremos os outros em alguma vez na nossa vida!

Muitos desses alunos esquecem que poderão vir a ser professores! E então?

É estranho olhar para tudo o que está a ser feito, tudo o que foi feito no sistema de Educação e ver que só agora é que se ouvem vozes, mas não, não é contra tudo isso, é contra uma greve que atrasa exames e férias (não me venham com tretas que também se trata das férias)....
Olhem! De certeza que é esse o maior problema no momento? De certeza que é esse o maior problema na Educação?


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De carlos sousa a 19.06.2013 às 23:46

Senhores profs . têm o ano escolar para todas as greves, ou o ano todo se quiserem, chama-se a isso direito á greve, mas pensem sempre nos direitos da criança, pois são parte desses direitos que os sres . representam, direito ao ensino, são os profs . que marcam as faltas de atraso aos alunos mas aos profs . os atrasos quem marca, ensinar regras tais como cumprir horários incentivar aos estudos atenção aos testes, e aos exames no fim do ano lectivo, são os profs . com turmas de 20 ou 30 ou etc. alunos, para na hora dos exames jogarem com as crianças, sai greve! Bem como ficamos, muito mal jogado, e ainda pediram ao ministro da educação para mudar o dia, isto é brincar com as pessoas .
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De golimix a 20.06.2013 às 10:58

Bem, não sou professora. Sou mãe. E acho que o nosso sistema de Educação está uma autêntica vergonha! Não acha? Ou só está preocupado com greves em dias de exame?

Desculpe-me mas a minha preocupação é mais abrangente, Claro que acho extremamente chato que os exames não sejam quando os alunos esperavam e que isso pode causar certa ansiedade, é óbvio que sim. Mas repare, se a greve não fosse nesse dia alguém se importaria? Ou olhariam para o assunto com um encolher de ombros e pensariam "Auh, mais uma greve de profs".

Esta greve foi escolhida nesses dias mesmo para criar alguma mossa, para que as pessoas abrissem os olhos e olhassem, não só para o que os professores estão a reivindicar mas também para tudo o que se transformou o nosso Sistema Educacional. Está satisfeito da maneira como isto funciona? Quem acha que vai pagar no final se as turmas continuarem com 30 alunos, os professores estiverem sempre em posições instáveis, excesso de horas de trabalho e sem condições para as executarem? Eu acho que os alunos serão os primeiros prejudicados, não os professores!

E agora diga-me onde estiveram as associações de pais quando se andou a deslocar alunos para Mega"lomanias"?
Eu vivo em Trás-os-Montes e deslocar crianças com 6 anos de idade a correm de "Jou para Já" de madrugada e deslocadas alguns quilómetros tem sido tarefa quase Hercúlea. Compreendo que dar aulas a três gatos pingados é de repensar. Mas será que não se podiam deslocar para outras escolas dentro de aldeias próximas e não para os Mega?

Diga-me, onde estiveram as associações e os pais quando se aumentaram o número de alunos por turma? Acha que é pedagogicamente viável ensinar, educar e ajudar os que mais precisam assim?

Onde estão os pais e associações no resto do ano? Onde estão a cada cajadada que é dada na Educação?
Onde os aquecedores não funcionam, não há dinheiro para fotocópias, não há auxiliares suficientes, o peso das mochilas é incomportável, .... e poderia estar aqui a falar.... mas acho que até já percebeu a ideia.

Não meu caro. Não sou professora. Sou mãe e gostaria que o meu filho, que só tem hipótese de frequentar uma Escola Pública, tivesse direito a uma Educação de qualidade! E enquanto não se perceber que a Educação é o nosso handicap e que deve ser contemplada como investimento não sairemos, como se costuma dizer, da "cepa torta".
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De carlos sousa a 21.06.2013 às 20:36

Cara Sr.ª mãe, tem toda a razão sobre o que escreveu, realmente tenho visto na televisão ao longo do tempo anos após anos, noticias sobre as escolas no interior do país, com os pais a denunciar o estado da escola, chove no interior, não tem aquecimento, os nossos filhos não conseguem estudar, outras queixas são as faltas constantes dos professores dias e dias, não há Prof. . substituto, assim as crianças não aprendem nada, e resolvem fechar a escola com correntes e cadeados, estou a mencionar noticias repetitivas sobre pequenas escolas.
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De Educação especial a 18.06.2013 às 09:05

Para que não se ponha a elevar o direita á greve em detrimento da educação, vou-lhe deixar aqui um exemplo:

Alunos do ensino especial. Que dependem dos professores para fazerem exames, porque para alguns é preciso que lhe leiam os enunciados.
Alunos que embora diferentes devem ser olhados pelo mesmo prisma da sociedade com os mesmo direitos que todos os outros têm. Se não até mais pelas suas dificuldades.
Vai dizer também com a mesma ironia a estes alunos que não é o adiamento de duas semanas que lhes vai fazer assim tanta diferença?...
Pois eu digo-lhe que quando não se sabe do que se fala, não se tenta opinar sobre isso. E que nem todos os direitos adquiridos na revolução como as greves se sobrepõem á situação que Pais e alunos enfrentaram nesta greve.

Eu digo-lhe que praticamente a maioria dos professores que estiveram a orientar estas provas foram professores ligados ao ensino especial. Só não posso dizer 100% porque seria uma abuso sem conhecimento dos números exactos.

Mas é nestas alturas que me fazem rir comentários e opiniões como a sua expressa aqui:
1 Queixa-se que no seu tempo teve de ir trabalhar porque não havia notas nem entrada na universidade. E por isso teve de trabalhar e que isso até o ajudou....
2 Mas no entanto nas suas opiniões aqui, quer deixar sempre a ideia do vanguardista da esquerda que vive no limite das inovações libertadoras e das liberdades adquiridas quase sem limites...

Afinal em que ideologia você se baseia?

Quando os seus filhos chegarem para efectuarem esses exames. Espero que seja coerente tb . E os obrigue a entender que nem que seja por 2,3 ou 4 meses. Eles vão ter de esperar para fazer um exame que lhe pode gerar ansiedade e atrasar um futuro de anos.
Diga-lhes nessa altura que em primeiro está o direito à greve porque ela se eleva acima dos interesses dos seus próprios filhos e do futuro eles. Eles vão entender porque sabem que, como você disse, têm de estar preparados durante nem que seja meio ano até o exame ser feito...

Vai desculpar os erros de português. Mas como a prova foi adiada, como de certo é sua opinião deveria ser. Não consegui corrigir os erros que possam aparecer escritos.

Coerência e bom senso e consciência da consciencialização de todos. São, mais que o próprio direito á greve e liberdade, uma saudável consciência da sanidade mental para uma sociedade Sá.

Haja paciência...
gora não me venha deixar a mim questão nenhuma. Vá perguntar aos Pais dos filhs que não fizeram os referidos e exames e aos Pais dos que se por ventura tiraram negativas, se vão poder realizar novamente...
Sabe. SE os professores deixassem o ego de olharem para o proprio umbigo e fizessem greve numa outra altura, nada disto estaria a ser discutido,
E não me venha dizer que o ministério deveria adiar a realização destes exames. Por acaso voce sabe toda a logística que é preciso fazer e tratar para que isso acontecesse? E o que isso iria acarretar em mais despesas e até prejuízo para os próprios professores?

PS Agora espero a reacção furiosa tantos dos professores, como dos defensores a todo o custo, do direito á greve e da liberdade conseguida no 25 de Abril


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De Jorge Soares a 18.06.2013 às 09:24

Se acha que eu não sei do que falo é porque não leu o que escrevi para trás... basta pesquisar por hiperactividade ali na caixa de pesquisa na barra direita para perceber que sei do que fala.

Precisamente por isso é que sei do que falo, sei dos problemas que afectam a educação, e sei que esta qual a importância desta greve.

Por acaso foi algo que se falou cá em casa, o adiamento dos exames iria obrigar a mais dias de estudo ao lado do meu filho, mas eu olho para o mundo e vejo mais além do meu umbigo e não é por me sentir prejudicado que esta greve deixa de ser justa.

Jorge Soares
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De Anónimo a 18.06.2013 às 11:39

Eu acho piada é dizerem que os professores estão em greve pelo futuro dos alunos. Quem diz isso ou é naive ou hipócrita. Os professores estão em greve por si mesmos! contra a mobilidade e mais horas de trabalho! São uns umbiguistas é o que é. A maioria anda a dar explicações a verdadeiras legiões de estudantes, acumulam mais em explicações que de salário, fugindo ao fisco, mas isto já não compensa que se saiba... Era muito bom que esta gente fosse toda denunciada e obrigada a pagar o que deve ao Estado e a todos nós.
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De António Manuel Dias a 18.06.2013 às 14:20

Os professores, em luta por temerem serem despedidos no fim deste ano escolar, são "umbiguistas". Os pais e os alunos, porque o adiamento de um exame por duas semanas (que podia ter sido por três dias) poder ter implicações nas suas férias já marcadas, já não o são. Estranho mundo em que vivemos, em que o direito a gozar as férias na data marcada é mais importante que o direito à luta pelo posto de trabalho.
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De carlos sousa a 20.06.2013 às 00:39

Qualquer pessoa programa a sua vida em função do trabalho e do seu agregado familiar, neste programa estão os horários escolares dos filhos onde consta OS EXAMES do fim do ano escolar, assim como o Sre . prof . com o horário escolar, para beber um café ir ao ginásio ou ás reuniões do sindicato organizar as greves, penso que também deve constar as férias.
Nunca passou pela cabeça de um encarregado de educação que ia aparecer uma greve aos exames, porque os prof . estão com férias á porta e com elas não existe sindicato (greves) alem do mais andaram o ano a incutir responsabilidade aos alunos das suas obrigações escolares e agora puxam o tapete aos jovens.
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De António Manuel Dias a 20.06.2013 às 19:32

Mais um comentário para a categoria "As minhas férias são mais importantes do que teres emprego".
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De Rodericum a 19.06.2013 às 19:04

Compare duas situações:
1 -Um aluno que espera 16 dias para realizar um exame, com a vantagem de já conhecer o 1.º exame e mais tempo para estudar. Ou então até tendo que estudar novamente e com alguns incómodos
2 - Um professor de 40 - 50 anos que é despedido. O seu filho (talvez em exames nacionais...) fica com o futuro comprometido porque não pode prosseguir estudos, nem daqui a 16 dias nem nunca.
Compare o incómodo de um adiamento com o incómodo de um despedimento. Sabe o que é estar despedido? E quer os professor calados a fazer o que lhes mandam e comer o que lhes dão?
Claro que os professores lutam por si. Mas conscientes que o incómodo causado aos seus alunos (com os quais têm ligações afetivas muito maires que um desconhecido) não é grande incómodo e não prejudica, de forma alguma o seu futuro.
Mas, se quiser, como efeito secundário, os alunos também beneficiam da luta: porque o recuo do governo nas suas intenções significa que não haverá mais alunos por professor, não haverá tantos tempos letivos, logo o professor fica com mais tempo para preparações, não será deslocado até 200 km, logo podendo coabitar com a sua família, logo mais mentalmente saudável, etc. De tudo isto beneficia o ensino. Não pretendo dizer que os professores não pensam em si em primeiro lugar. Isso é o que toda a gente faz, mesmo quando se sacrifica pelos outros.
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 10:12

Se a matemática não é uma batata, com uma enorme percentagem de exames realizados e uma adesão grandiosa á greve, então há carradas de professores a mais.
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De António Manuel Dias a 18.06.2013 às 14:23

São necessários 2 professores para vigiar uma sala com 20 alunos a fazer exame (não contando com as ilegalidades que aconteceram ontem). Foram convocados 2 professores por aluno. Percebe agora porque os números não são incompatíveis? Quanto a haver professores a mais, suponho que não faz ideia do que é ser professor nem a diferença na qualidade do ensino a turmas de 20 ou 30 alunos.
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 15:29

Por acaso até faço uma ideia do que é ser professor. Nos anos 50 do século passado até sabiam ensinar a tabuada coisa que agora deve estar fora de uso que nem pelos dedos devem saber contar. Benditos contínuos desse tempo que asseguravam a vigilância e até sabiam onde corria o rio Douro.
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De António Manuel Dias a 18.06.2013 às 15:58

Sim, nos anos 50 do século passado todos os alunos aprendiam a cantar a tabuada e as estações de comboio das linhas de Portugal Continental e Ultramar. Estranhamente, é agora que a qualidade dos alunos portugueses começa a subir nas estatísticas internacionais independentes...
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 16:53

Relativamente ao que diz existem indicadores assustadoramente contraditórios, mas se for essa a realidade não terei duvidas em acompanha-lo em tal motivo de satisfação. Por exemplo é frequentemente referido o analfabetismo funcional entre doutores.
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De António Manuel Dias a 18.06.2013 às 22:21

Indicadores do nível de educação/desenvolvimento assustadores em relação a indicadores semelhantes da década de 50 do século passado?
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 22:55

Por exemplo o salto gigante na escolaridade está na razão inversa da educação cívica. Não se pode ter tudo não é? O desenvolvimento é como uma caminhada que começa sempre no primeiro passo.
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De Jorge Soares a 18.06.2013 às 23:22

Pois, mas entre ter tudo e não ter nada... acho que prefiro a situação actual, foi por existir muita educação cívica no passado que vivemos 40 anos de costas para o mundo e que foi preciso o homem cair da cadeira para que mudasse algo neste pais?

A minha mãe também acha que escola era no tempo dela em que se aprendia a tabuada à base de reguada, e ela tem muito orgulho porque sabia os rios de cor ... mas curiosamente é da mesma altura em que 80% dos portugueses que chegavam à tropa não sabiam o nome do presidente da república, muito menos qual era a capital da Bélgica ou da Holanda.. para que é que isso servia?, importante mesmo eram os caminhos de ferro de Angola.

Já aqui escrevi sobre isso, cada vez que alguém me diz que as condições quando eu andei na escola eram melhores que as de agora eu passo-me... porque não há comparação possível.

Jorge Soares
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De Bento Norte a 19.06.2013 às 08:46

Eu nem sequer coloco a questão da preferência, dado que a aceitação do que temos é uma inevitabilidade. Só que existem muitas feridas para por o dedo com tanta coisa para melhorar ou corrigir. Quanto à cadeira do outro, o nosso mérito não estará em esperar que eles caiam, mas com a nossa opinião e participação cívica contribuir para que ervas daninhas não se perpetuem no poder. Não podemos utilizar a liberdade ao desbarato e ajoelhar de medo num estalar de dedos. Ou a inversa. E atenção, com o devido respeito tenho que lhe dizer que não fui eu que disse que no antigamente as condições eram melhores. Li outro dia uma máxima que dizia mais ou menos isto: "Um povo que não sabe ou não quer encarar o seu passado histórico pode estar condenado a repeti-lo". Aceite os meus cumprimentos.
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De António Manuel Dias a 19.06.2013 às 09:28

Acho que está a confundir educação cívica com medo da autoridade.
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De Bento Norte a 19.06.2013 às 10:10

António Manuel Dias acha que eu não percebo, acha que eu confundo, acha que eu não faço ideia. E para concluir de forma brilhante também acha que eu confundo educação com medo da autoridade. Se o seu argumento se baseia em diminuir e adjectivar com defeitos quem troca opiniões consigo fica aqui terminada a conversa.
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De Cristina Lopes a 19.06.2013 às 21:10

E o primeiro passo é a educação cívica em casa. Sem essa, não há nível de escolaridade que lhe valha, pois a educação (cívica ou não) nao é exclusivo da escola.
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De Bento Norte a 19.06.2013 às 22:13

Cristina Lopes, aplaudo de pé o seu comentário.
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De golimix a 20.06.2013 às 11:03

Ó meu senhor anos 50 é no século passado!!!

Por Deus! Avance lá um nadica!!!
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De Bento Norte a 20.06.2013 às 11:17

Já agora faça o favor de completar o esclarecimento dizendo-me onde devo poisar.
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De golimix a 20.06.2013 às 18:07

Talvez para o presente! E um presente onde se veja um futuro mais risonho. Gosto de sorrir, sabe!
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De Rodericum a 19.06.2013 às 19:08

Não, a lógica não é uma batata.
O que se passa é que, para vigiar os exames, não são precisos mais que cerca de 10% dos professores. Assim, havendo 90% de adesão à greve (desconheço o número exato), até podia haver 100% de exames, sem isso implicar alguma coisa em relação à lógica.
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De sentaqui a 18.06.2013 às 12:15

Fico imensamente triste ao ler e ouvir comentários de pessoas que estão contra a greve dos professores.
Gente assim nem imagina as dificuldades pelas quais eles estão a passar e menosprezam um trabalho que deveria ser super valorizado, não admira que não o façam , porque seguem o exemplo dos nossos governantes.
Não se trata só das medidas que agora o ME quer implementar, isto foi a gota de água que transbordou, porque o mal vem detrás.
O governo quer falar de prejuízos para a educação e para o País? E que tal falarmos dos 40% de estudantes que, indo fazer os exames do 12º ano, já sabem que não querem concorrer à Universidade? Um percentagem sem precedentes na nossa história recente que se explica pelas dificuldades financeiras das famílias, incapazes de comportarem os estudos por mais um ano que seja.
O governo quer falar do prejuízo para os estudantes? E que tal falarmos da redução de verbas para alimentação de alunos desfavorecidos, que hoje experimentam a fome na sala de aula por causa da criminosa política de austeridade? Ou do aumento do número de alunos por turma, que torna o acompanhamento aos estudantes com mais dificuldades numa impossibilidade. Ou do ataque ao enriquecimento curricular, que deixará milhares de famílias sem saber o que fazer aos seus filhos quando estes saírem das aulas.
E poderia continuar a desfiar aqui um rosário de injustiças quem têm vindo a ser cometidas pelo ministro Crato, esquecendo muita gente da época em que ele era colunista e que criticava severamente o centralismo autoritário que detinha o Ministério da Educação.
Enfim, chegam ao poleiro e são todos iguais!



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De golimix a 18.06.2013 às 18:27

E onde estiveram todas as pessoas que agora se levantam contra a greve aos exames? Que sendo justa ou não, deixa que pensar quanto ao resto, onde não foi ouvido nem um pio dos pais!

Mas de facto passa-se alguma coisa na relação pais/professores que é preciso rever e reverter, é notório que existe uma tensão e não deveria! Afinal, ambos deveriam lutar por uma melhor educação lado a lado. É do interesse dos pais em primeiro lugar a seguir dos profissionais que leccionam, que também educam e formam, as pessoas esquecem muitas vezes isso! Assim como esquecem que quem passa a maior parte do dia com seus filhos são os professores...
A culpa não está só de um lado, está dos dois. Tenho ouvido comentários de um e de outro lado que seriam de evitar....

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De Jorge Soares a 18.06.2013 às 23:24

A culpa amiga?.. mas tu ainda não percebeste que a culpa é sempre dos outros?

Jorge
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De golimix a 19.06.2013 às 08:45

Invariavelmente....

cansa...
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De Jorge Soares a 18.06.2013 às 23:30

Pois Manu... mas sabes o que eu acho mais curioso?, passamos anos a dizer que os políticos não prestavam, que importante para a educação era ser gerida pelos professores, curiosamente os últimos ministros eram professores.... e pior não podia ser...

Raio de coisa..

Jorge
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De golimix a 19.06.2013 às 08:45

Casa de ferreiro...
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De Cristina Lopes a 19.06.2013 às 21:36

Eram professores? Do ensino básico e secundário? Não devem ser necessários muito mais do que os dedos das minhas duas mãos para contar os anos que os últimos quatro ministros da educação, incluindo o actual, têm como professores em exercício efectivo no ensino básico e secundário. E de formação específica em ensino... nem merece a pena falar!
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De Bento Norte a 18.06.2013 às 12:58

Nem contra nem a favor, antes pelo contrário.
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De Equipa SAPO a 19.06.2013 às 17:17

Boa tarde,

O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente

Catarina Osório,
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais - Portal SAPO
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De Anónimo a 19.06.2013 às 21:50

Ponham o Bigodes a tomar conta dos alunos nos exames que eles nunca mais os fazem,porque esse fulano não faz nada a muiiiitoosss anos,só manda vir, deve-se julgar a razão o burrinho.
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De energia-a-mais a 19.06.2013 às 22:26

Olá Jorge. Parabéns pelo destaque. Já deves saber o que penso, acho que já comentei este assunto vezes suficientes. Tudo é uma questão de civismo, coisa que em portugal anda a anos luz de existir...
Pena não haver uma visão mais alargada daquilo que este governo se prepara para fazer à educação pública no país, se calhar existiriam menos comentários idiotas e mais gente preocupada, não com a greve mas com o que virá depois dela

Teresa
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De Joaquim fernandes a 19.06.2013 às 22:51

A treta de projodicar os alunos é treta um aluno preparado tanto faz 17 como a 20 não preparado aproveita!......!!
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De maria clara a 19.06.2013 às 23:15

Estou plenamente de acordo com o Jorge...
O "estado da educação" em Portugal está a atingir um tal patamar que cabe a quem está no convento e sabe o que se passa lá dentro tomar uma atitude e dizer basta...
Não são os professores que estão a fazer os alunos reféns. Quem está a fazer dos alunos reféns é o governo que ano após ano faz "cortes" na educação; aqueles (governo) que vêm aos midia acusar os professores são os que não hesitam em sobrecarregar ainda mais os professores com mais horas de trabalho, alguns com extensas viagens para fazer antes e depois do trabalho, encher mais as turmas, dar condições infrahumanas a alunos...
Os encarregados de educação deveriam parar e pensar: que futuro queremos para os nossos filhos? Será que preferimos que os nossos educandos estejam em turmas sobrelotadas? Com professores sobrecarregados de trabalho, esgotados, cansados com viagens de uma e duas horas antes de entrar na sala de aula? Será que nestas condições o professor prestará um serviço de qualidade aos seus alunos?

Afinal quem está a fazer os alunos reféns?

Até quando vamos permanecer calados e permitir que a educação e formação (o futuro) dos nossos jovens seja hipotecada a troco de euros que servirão para pagar ordenados milionários a deputados incompetentes, ministros e adjuntos que nunca aprenderam o que é trabalhar de verdade?
Afinal eles pagam exorbitâncias em colégios particulares para educar os seus (deles) filhos...


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