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Africa


No Domingo passado fomos ao museo do traje, por uma daquels coincidências, havia uma serie de iniciativas sobre cultura africana, e tivemos a sorte de assistir a uma apresentação de contos da cultura oral africana, nessa apresentação foram contados de forma magistral 4 contos, transcrevo abaixo um deles, foi escrito de memoria.....

 

Escolher entre quem é capaz de matar e quem é capaz de morrer por amor

 

Aquele menino nasceu num dia de sol e calmaria, era o menino mais bonito que alguma vez tinha nascido, mais bonito que as flores que nasciam na Savana depois das primeiras chuvas, mais bonito que qualquer por do sol, mais bonito que uma noite estrelada. Era tal a sua beleza que  todos os chefes de todas as aldeias à volta o vieram conhecer.

O menino foi crescendo e com ele a sua educação e a sua valentia, além do mais belo de todos os meninos, era o mais inteligente, o mais valente e o mais atrevido.  E o povo da sua aldeia estava contente porque entre eles vivia a mais incrível das perfeições
.

Perto da casa do menino nasceram um dia duas meninas, e se a beleza dele era muita, a delas era ofuscante, se uma era a beleza do nascer do sol, a outra era a beleza do pôr do sol, se uma era linda e cristalina como a agua de um riacho, a outra era a beleza suave das aguas
calmas de um lago, não havia uma mais bonita que a outra, porque ambas tinham a beleza de cada flor, a perfeição do canto de cada pássaro e o brilho da luz de cada estrela.

E as meninas cresceram, cada uma na sua beleza, e à medida que iam crescendo iam adquirindo qualidades que faziam delas mulheres perfeitas e desejadas por todos.

Como em tudo na vida, a beleza atrai beleza e um dia as duas meninas já mulheres, conheceram o menino já homem, e ficaram ambas terrivelmente apaixonadas por ele. Se uma o amava muito a outra amava-o mais, se uma sonhava com ele de noite, a outra sonhava com ele de dia, se uma o desejava, a outra desejava a sua presença.

E ele?, ele estava num terrível dilema, tinha que escolher uma das duas, e tinha que decidir entre uma beleza tão grande como a beleza do nascer do sol e outra tão grande como a beleza do pôr do sol, entre a pureza cristalina da agua que corre no regato e a calma serena da superfície de um lago, entre a beleza de todas as flores e a perfeição do canto de todas as aves. E ele não se conseguia decidir, tinha que escolher uma das duas, mas não era capaz, como escolher entre a perfeição e a perfeição?.. não conseguia, mas  tinha que escolher, porque elas estavam à espera.

O tempo passava e ele não se conseguia decidir, e elas sonhavam e suspiravam, e imploravam.. mas ele não conseguia decidir. Até que um dia, estava sentado a pensar no seu dilema, quando de repente apareceu uma cobra e mordeu-o. Ao ouvir o seu grito de dor, toda a aldeia correu, e entre eles as duas meninas. Quando chegaram ele estava agonizante, e se uma se agarrou a ele a gritar e a dizer que ia morrer com ele, que estava disposta a morrer por amor, se ele morresse ela morria também. A outra decidiu ir atrás da cobra e vingar a sua dor, ela ia matar por amor.

Saiu da aldeia e embrenhou-se na savana, e durante dias seguiu o rasto, até que encontrou a cobra, e quando já lhe ia cortar a cabeça, esta disse:

-Não me mates.
-Mato, tu mataste o homem que eu amava, agora vais morrer
-Não, não me mates, se não me matares, eu prometo que faço com que tudo volte para trás e o teu amor não morre

E ambas voltaram à aldeia. Quando chegaram efectivamente o menino estava bem, estava sentado ao lado da outra mulher. E ambas perguntaram:

 

-Então, qual das duas escolhes?

-Não sei, como é que se pode escolher entre quem é capaz de  morrer  e quem é capaz de matar por amor?

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

publicado às 20:46


21 comentários

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De xana a 22.05.2008 às 23:52

Pois é, o conto é lindo, e o amor é assim mesmo, não podemos escolher. Até as cobras sabem...
beijinho
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De Jorge Soares a 24.05.2008 às 11:13

Olá Xana

Bom, a maior parte das vezes, o problema não é escolhermos. é sermos escolhidos..... um dos outros contos que contavam.... falava disso.... a ver se a minha memória ainda consegue lá ir.

Beijinho
Jorge

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