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João César das Neves

 

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É curioso porque na mesma semana em que ouvi dois ou três economistas dizerem que tivemos um trimestre com crescimento positivo graças ao chumbo do tribunal constitucional que devolveu aos trabalhadores uma parte do seu salário e isso fez aumentar o consumo, ouvi hoje este senhor dizer que "aumentar o salário mínimo é um crime".

 

Eu percebo pouco de economia, mas a mim parece-me que o que impulsa o consumo é o dinheiro, quando as pessoas tem mais dinheiro gastam mais, quando as pessoas gastam mais, as empresas precisam de produzir mais, para produzir mais as empresas precisam de mais pessoas, e isso irá fazer com que diminua o desemprego. Mas é claro que há muitas formas de olhar para o assunto, este senhor olha para o assunto de outra maneira... ele deve ser da mesma escola daquele empresário de que falei no outro dia, o que preferia perder encomendas a pagar melhores salários e assim arranjar mão de obra... também acho que está à vista onde esse tipo de mentalidades nos tem levado.

 

Pelos vistos há quem ache que devemos voltar uns 30 anos atrás, ao tempo em que éramos competitivos porque os nossos salários eram os mais pobres da Europa, deve ser alguma teoria nova, porque se olharmos para os restantes países da Europa o que vemos é que os que estão em melhor situação financeira, até há quem tenha um enorme superávit, são os que tem os salários mais elevados.

 

Portugal é dentro da União Europeia um dos países com o salário mínimo mais baixo, onde é que isso nos levou até agora? Ao sucesso ou à penúria?

 

De resto, o senhor chega a contradizer-se, por um lado diz que não devemos aumentar os salários, e por outro diz que os jovens decidem emigrar porque "esquecemo-nos de criar empregos altamente qualificados", ora, como é que se criam empregos altamente qualificados se a ideia é manter os salários baixos?


O senhor também diz que "o Tribunal Constitucional não tem estado a funcionar em termos jurídicos, mas políticos" , e não será exactamente o contrário? O tribunal constitucional limita-se a olhhar para o orçamento de estado desde o ponto de vista legal e há quem, como ele, ache que o deveria fazer desde o ponto de vista político e/ou económico?

 

O senhor diz também que a maioria dos reformados não são pobres... ora, tendo em conta que a reforma média paga pela segurança social anda à volta dos 400 Euros... e que o limite da pobreza anda à volta dos 350 Euros... não sei onde foi ele buscar os seus dados, mas de certeza que não foi ao nosso país.

 

Numa coisa concordo com ele, há muita gente a falar em nome dos pobres, mas poucos representam mesmo os pobres... eu diria mais, os pobres tem falado pouco, principalmente na altura das eleições.. por isso é que gente como este senhor ainda tem voz....e não é precisamente para defender os pobres.


Mas em que país é que este senhor vive?

 

 

 

Jorge Soares

publicado às 21:03


13 comentários

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De AntonioCordeiro a 19.11.2013 às 17:47

Muito bem posto Jorge!

Este senhor esquece-se no entanto de mencionar que os CEOs das maiores empresas portuguesas, algumas com participação estatal ganham mais que os CEOs nas empresas americanas, francesas ou alemãs!
Que a verdadeira pornografia de dinheiros públicos gastos com ministros, assessores, sub-assessores, e suas proles é maior que em Espanha! E para não fazer uma crónica dentro da sua fico-me por aqui! :)
Mas o mal de Portugal são os reformados com 400 Eur e o ordenado mínimo de 485 EUR.

P.S. A irlanda saiu do resgate da troika sem nunca ter mexido no salário mínimo que é de +/- 1500 Eur.

mas em Portugal, o mal sempre foi do remador!
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De Jorge Soares a 20.11.2013 às 23:54

Eu acho que a Irlanda também mexeu nos salários..... mas mesmo assim se não me engano ficou-se pelos 1200 Euros... que é qualquer coisa mais que o nosso..

De resto, concordo a 100%

Jorge

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