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O baptismo e as pessoas mesquinhas

por Jorge Soares, em 06.07.08

 

Hoje fui a um baptizado, uma cerimonia religiosa numa igreja católica cujo objectivo é inserir na fé da igreja a pessoa baptizada. Este sacramento é uma cerimónia de iniciação, um rito que serve para iniciar uma criança num culto.

 

No caso da igreja católica o significado é alargado, dizia o padre que com aquela agua aspergida por sobre a criança, esta passa a estar livre do pecado original com que foi concebida, ao mesmo tempo que é apresentada à igreja e os pais e padrinhos ficam obrigados a educar  conforme os preceitos católicos.

 

Como 95% da população portuguesa eu fui baptizado, tinha uns meses de vida e evidentemente não tive voto na matéria, levaram-me, alguém me deitou água na cabeça, os meus pais assinaram uns papeis e desde esse momento entrei para a estatística. Como não tinha muito voto na matéria, também passei pela catequese, fiz a primeira comunhão e a comunhão solene....no dia em que comecei a ter voto na matéria e a pensar por mim, concluí que nada daquilo fazia sentido, mas continuo a fazer parte da estatística... porque algures está escrito que fui baptizado..... e para a igreja católica é muito importante contar com os 95% de fieis.

 

Eu acho que o baptizado é algo que faz sentido, se acontecer quando a pessoa vai lá com convicção e quando sabe o significado da cerimónia, antes disso é uma imposição, uma marca. A criancinha é levada à igreja,  é marcada, e passa a entrar para a estatística.

 

Se em lugar das pessoas baptizadas, fossem catalogadas como católicas as que participam regularmente nas cerimónias, qual seria a percentagem de católicos em Portugal?

 

Mas a Igreja católica vive destas pequenas coisas, o N. anda há ano e meio nos escuteiros, no agrupamento 59 do CNE. O CNE é um corpo de escutas ligado à Igreja e quase tudo o que faz gira em volta da mesma.

 

O N. é uma criança que tem muita dificuldade para decorar coisas, mesmo assim, ele fez todas as provas e estava pronto para fazer a promessa e obter o tão almejado lenço. Faltava decorar o pai nosso e a avé Maria. No ultimo dia, as guias decidiram que ele não fazia a promessa porque não tinha decorado a avé Maria.... Ora, desculpem lá, mas depois de ano e meio nos lobitos, depois de fazer todas as provas, obrigar uma criança de 8 anos a ficar de fora a ver os outros fazer a promessa, porque não sabe uma lenga lenga, é uma de uma crueldade atroz... e mostra que as guias deste agrupamento tem muito pouco sentimento católico. É claro que para o ano eu vou encontrar algo de útil para ele fazer aos Sábados em lugar de catequese e escuteiros, algo onde não se tenham que aprender lenga lengas e de preferência sem pessoas mesquinhas.

 

Jorge

PS:Imagem retirada da internet

publicado às 21:42


32 comentários

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De António Manuel Dias a 06.07.2008 às 23:12

Mais grave do que baptizar uma criança é ensinar-lhe a doutrina de uma religião. As crianças, na idade em que a religião lhes é ensinada, confiam nos adultos, esforçando-se por aprender e fazer parte. Se se lhes ensina uma mentira, altera-se-lhes definitivamente o modo de ver o mundo, independentemente de, no futuro, algumas conseguirem escapar às garras dessa mentira. Tu conseguiste, eu também, mas quantas vivem para sempre sob o jugo da religião? Quantas matam e morrem por isso, no mundo? Poucas coisas tocam tão fundo e criam tanto ódio e violência como a religião (e não, a cristã não é mais tolerante que as outras).

Ensinar religião como verdade a uma criança é um crime, mesmo que isso não esteja na lei.
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 00:26

Olá Antonio

A religião pode ser algo positivo ou algo negativo, tudo depende da forma como é ensinada e encarada.

Estou de acordo contigo, há coisas que só devem ser transmitidas quando há capacidade para serem entendidas, vender a religião como uma verdade absoluta é um absurdo...

Abraço
Jorge

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De António Manuel Dias a 09.07.2008 às 09:34

"A religião pode ser algo positivo ou algo negativo, tudo depende da forma como é ensinada e encarada."

Esta ideia dá pano para mangas, como se costuma dizer. Há pessoas que realmente preferem uma mentira caridosa à crua verdade. Eu prefiro sempre a verdade, por muito incómoda que seja.
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De Jorge Soares a 09.07.2008 às 23:18

Sim, isto dá pano para mangas.... e para mais uns posts.

Eu tento sempre ver o lado positivo da vida, se esqueceres a ideia da existência de Deus, dos santos e afins... se olhares só para o ama o próximo, para o ajuda o próximo, para a partilha.... de certeza que haverá algo de positivo.

Uma religião não é mais que uma ideologia, e todas as ideologias partem de um principio positivo... pena que depois apareça o ser humano a deturpar.

Abraço
Jorge

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De António Manuel Dias a 10.07.2008 às 08:57

Se eu esquecer Deus, os santos e afins estou a esquecer a religião.

A moral não necessita da religião -- é uma colecção de princípios de como viver em sociedade que são independentes de qualquer crença no sobrenatural. Um dos problemas de ser educado numa religião é precisamente esse: pensar que para se ter moral é necessária a religião, pensar que sem ela não seríamos capazes de viver em sociedade, enfim, pensar que a moral é um dos aspectos positivos da religião. Sempre que se fala na possibilidade de viver sem a religião há alguém que lembra as obras de caridade, as madres-teresas e misericórdias, o papel que a religião desempenhou na educação arte da humanidade, como se sem religião tudo isso desaparecesse. Isso é um erro. A moral existe antes e para além da religião. Não se precisa da promessa do paraíso nem da ameaça do inferno para se praticar o bem, nem para ter coragem ou esperança. Aliás, muito haveria para dizer de quem é bom apenas por medo do castigo eterno...

Vendo apenas o lado positivo da vida, como dizes, ou da religião, neste caso, é fácil esquecer-se o lado negativo. É fácil esquecer-se a discriminação, o ódio, as tentativas de impor uma moral. É fácil esquecer-se das guerras santas e inquisição. Eu prefiro ver a vida como ela é, o positivo e negativo de tudo, para poder escolher bem.
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De Antonio americo a 02.10.2012 às 22:47

O Antonio. Obrigado pelas tuas sábias palavras e de todo verdade no que escreves. Se não te importas, faço minhas as tuas palavras.
CRIDADE: Lembrem- se que as religiões, são as maiores empresas do mundo. Houve aquele terramoto em Itália, foi lá o Papa fazer o quê? Levar dinheiro ou outros bens necessários ás vítimas?
Caridade? As palavras enchem barrigas? Tanto ouro, tanto dinheiro, porque não reparti- lo?
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De Mia a 06.07.2008 às 23:51

O que fizeram ao teu filhote é indecente! Quer dizer ele esteve apto até à vespera... e depois que se lembraram que ele nao sabia a cantilena... ora pelo amor da santa paciencia. Olha a minha filhota frequentou 1 mes de catequese... depois disse-me que n percebia nada daquilo e n queria mais. Oh minha filha... por quem me tomas, nem precisas de ir lá dizer adeus! LOL
Fazes bem em tirar o pikeno... concerteza k irás encontrar uma actividade qualquer sem estar rodeado de tanta hipocrisia!
bjokinhas
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 00:30

Olá Mia

Pois, parece que o importante é saber a cantilena, não os principios ou as regras..... enfim... actividades é o que não falta nesta terra.....

Beijinho
Jorge

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De DyDa/Flordeliz a 07.07.2008 às 00:07

És Ateu? Só! Ou também és também objector de consciência?
É que nestas ocasiões deve ser necessário algo muito forte para que o braço não vire a mesa ao contrário.
Raios parta a "Avé Maria"... Não fez o miúdo batota porquê? Se querem ser enganados pois então..
Fiquei furiosa não por ti porque não te diz nada. Mas pelo petiz que deve ter sentido uma grande desilusão.
Viva o N.
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 00:32

Há alturas em que apetece mesmo dar um murro na mesa...

É claro que para ele foi uma desilusão, e mais um motivo para se sentir mal e descer a autoconfiança,.. que é precisamente o contrario daquilo que ele precisa.

Beijinho
Jorge
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De Teresa a 07.07.2008 às 09:09

Indecente o que fizeram ao teu pequeno, isso é que é espírito de escuteiros sim senhor...lamentável! Tu tira o miúdo disso e arranja-lhe outra actividade, pelo menos com gente mais agradável e com coraçao.

Olha eu fui baptizada e fiz a primeira comunhao e só a fiz porque me disseram que nao podia ser madrinha se nao tivesse a primeira comunhao lol é a coisa mais estúpida que já fiz, mas pronto...e se soubesse nao teria feito, porque fui madrinha com outra mulher, em vez de ser o tradicional padrinho e madrinha, logo só fui testemunha...de bem me serviu ir à catequese e à missa todos os domingos, tb chegou uma altura que disse à minha caracoleta nahhh isto nao é para mim! Enfim é tudo uma palhaçada, respeito quem pratica, mas bem faz qualquer pessoa boa, nao precisa de ser baptizada ou ter a biblia na cabeça! Beijinhos***

P.S.- ora aqui está uma coisa que nao acredito, na igreja :P
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 19:36

Essa é outra coisa que acho completamente errada, a igreja agora exige que as pessoas sejam baptizadas e até crismadas para serem padrinhos, é claro que iso só leva a que mais pessoas se afastem, quando até para ser padrinho de casamento é necessário ser baptizado.

Quanto ao espirito de escuteiro...estamos conversados.

Besos
Jorge
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De António Manuel Dias a 09.07.2008 às 09:38

A exigência de se ser baptizado para ser padrinho de casamento ou baptismo não é errada. Pelo contrário, faz todo o sentido: o baptismo serve como iniciação de uma pessoa à religião e o casamento (religioso) é um dos actos simbólicos dessa religião. Assim, só devem assumir essas responsabilidades (porque ser padrinho, para a igreja, é uma responsabilidade) quem já foi iniciado. De outro modo não faria sentido.
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De aespumadosdias a 07.07.2008 às 12:41

Não sou baptizado. As crianças deviam ter oportunidade de escolhar se desejavam ou não.
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 19:38

Olá

É isso mesmo, os baptizados só deveriam acontecer quando a pessoa tem a noção do significado do sacramento, nunca antes, porque antes é sempre uma imposição.

Jorge
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De Paola a 07.07.2008 às 16:14

Jorge,

Também eu faço parte das estatísticas. Mas também a mim me fizeram crítica. Gosto de pensar. Odeio que escolham por mim. As convicções são pessoais, individuais e intransmissíveis. Nada me faz ser isto ou aquilo se eu não quiser. Não pode ser imposto. E o baptismo é.
A igreja, se calhar as pessoas ou algumas pessoas, são "cegas", até cruéis. Ave Maria!!!!!!!!
Eu não baptizei os meus rapazes, eles que o façam se o desejaram. Já são crescidos. Podem escolher esta religião ou outra qualquer. Ou nenhuma. Sou mais pelo Benfica... que também é uma convicção pessoal.

Bjo
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 19:40

Olá

É isso mesmo, devemos pensar por nós e decidir em consciência, e escolher de acordo com as nossas ideias, não pelas dos nossos pais.

O Benfica.... bom, ninguém é perfeito não é?.

Beijinho
Jorge
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De C.M. a 07.07.2008 às 18:45

Essas pessoas não são mesquinhas. São más e não podem ser chamadas católicas nem estão aptas para lidar com crianças.
Tive recentemente um reencontro com a igreja quando decidi casar pela Igreja. E fiquei encantada com a pequena comunidade de gente maravilhosa e desprendida que encontrei nessa paróquia. Mas isso da religião dá pano para mangas. Não podemos ser só 50%católicos , mas nem sempre me revejo nos actos da igreja. A começar pelo facto de depender do padre "obrigar" ou não a fazer o CPM. Fui fazê-lo obrigada e saí de lá agradecida, iluminada. Fez-me bem. Mas foi uma vez sem exemplo, calculo.
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 19:47

Olá

Como em tudo na vida, também na igreja há pessoas boas e más, deves ser das poucas pessoas que saiu do curso agradecida e iluminada.

Acho que a religião pode ter coisas posistivas se encaradas com um espirito aberto e positivo, infelizmente isso acontece muito poucas vezes.

beijinho
Jorge
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De C.M. a 08.07.2008 às 20:00

É verdade. Pelo que me tenho apercebido, é mesmo um trauma para toda a gente fazer o curso. Parece-me que devo felicitar publicamente a paróquia do Santíssimo Sacramento do Porto pelo excelente trabalho realizado este ano. Aos casais que partilharam experiências e de quem nos tornámos amigos e ao sr. padre Jorge, cuja simpatia e palavras são abençoadas. Não é normal encontrar um padre aberto a todos, mesmo não católicos.
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De Miss Pepper a 07.07.2008 às 23:24

Compreendo o que o n. deve sentir pois eu passei por algo semelhante. Como todas as miúdas da minha idade estavam na catequese, a minha também me colocou lá. chegou a hora da primeira comunhão e foram todos fazer menos eu. Já nem me lembro porquê. A decepção foi muita e a minha mãe também não deve ter achado piada nenhuma, tanto que me retirou de lá. O que eu verifico é que muitas coisas ligadas à igreja e ao catolicismo não passam de fachadas. E nem digo mais nada para não ofender susceptibilidades pois sei muito bem aquilo que estou a dizer. Com co nhecimento de causa. Enfim, parece que os mandamentos de Deus já não são o que eram.

xinhus
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 19:50

Olá

Por vezes falta bom senso às pessoas, neste caso faltou bom senso e compreensão, mas as acções ficam com quem as pratica.

Tens toda a razão, a igreja é muito mais fachada que outra coisa, as pessoas vivem no engano... em todos os sentidos

beijinho
Jorge
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De Mamã Gansa a 08.07.2008 às 02:12

Fui catequista. Sou católica não praticante.Acho vergonhoso terem feito aquilo que contas.assim como acho vergonhoso os entraves que põem aos padrinhos e pais das crianças que querem baptizar.Não sou contra o ensino da religião em si.Tem é que se ensinar de uma maneira que as crianças respeitem que nem todos acreditam da mesma forma. Afastei-me da igreja, depois de ter sido obrigada a trocar de madrinha de crisma. Realmente é vergonhoso fazer uma criança de 8 anos passar por isso.Só demonstra também a falta de bom senso pedagogia, humanidade, solidariedade das monitoras ou monitores dos escuteiros que dessa forma contrariaram os princípios que defendem.Já tive alunos escuteiros com promessa feita que eram cúmulo da má-educação, de que lhes valia saberem a avé maria de cor, se de resto eram uma vergonha como escuteiros.haja paciência neste país.E depois queixam-se que as pessoas não vão à Igreja.Vá-se lá saber porquê...
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 22:14

O problema é que a igreja acha que contraria o o facto de as pessoas se estarem a afastar criando regras e obrigações, não percebem que isso só afasta mais as pessoas.
Quanto aos escuteiros, pois, para orientar crianças é necessário algo mais que frequentar a igreja, é necessário bom senso, coisa que não vi neste caso.

Jorge

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De Crisálida a 08.07.2008 às 04:49

A Bia não é batizada, porque não tinha a menor lógica, sendo eu e o pai dela espíritas, batizarmos na igreja católica. Foi um perturbação na família, mas não cedemos de jeito nenhum.
E quanto à mim, juro que queria saber como faço para ser excomungada!!! :-)))

Beijinhos. :-)
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De Jorge Soares a 08.07.2008 às 22:22

Olá Lu

Os meus são ambos baptizados, porque a minha meia laranja queria mesmo e eu achei que com o tempo saberei criar filhos inteligentes e que sejam capazes de pensar por si...... mas mantenho a minha opinião..

Beijinho
Jorge
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De Crisálida a 08.07.2008 às 22:30

Quando isso parte do cônjuge e não por pressão da família, acho que é o mais correto. No caso da Bia, nem eu e nem o pai queríamos batizá-la, porque não temos vínculo algum com a Igreja católica. Seria o mesmo que, sendo católico, levasse o filho para realizar algum sacramento do budismo (nem sei se tem alguma coisa disso, é apenas um exemplo ilustrativo). Batizar por pressão ou por tradição, não.
Quanto à educação religiosa, creio eu que devemos educar nossos filhos dentro das nossas convicções, simplesmente porque, se adotamos para nós, é porque faz-nos bem, sendo assim é natural que queiramos passar esse bem também para os filhos. Se no futuro, quando tiverem idade para discernir por si mesmos, quiserem seguir outra coisa, será respeitado, claro.

Beijinhos. :-)
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De António Manuel Dias a 09.07.2008 às 18:16

Tirando o facto de me parecer estranho um casal não pensar da mesma forma numa coisa tão fundamental como esta, discordo completamente da ideia que os pais devem educar os seus filhos na religião que professam. A razão é a que apontas no teu comentário: as crianças não têm capacidade de discernir o que está certo ou errado, o que é verdade ou mentira.

Dizer a um miúdo de sete anos, a idade em que geralmente começa a catequese, que Jesus ressuscitou Lázaro e transformou água em vinho ou dizer-lhe que Neil Armstrong aterrou na Lua em 1969, é o mesmo. Ele não tem possibilidade de verificar nenhuma das afirmações e, porque são ambas ditas por adultos que ele considera responsáveis irão ser encaradas da mesma forma. Isto é errado, não é?
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De Crisálida a 09.07.2008 às 19:43

Dizer as coisas, no meu entender, não é dar educação religiosa. Creio eu que isso se extende para muito além de contar histórias bíblicas. Pelo menos na religião que professo é assim. Das outras não sei. Eu prefiro, por achar que foi muito importante para minha formação como ser humano, dar a minha filha uma educação religiosa, que deixá-la sem orientação alguma nesse sentido, só porque ela não pode provar ou verificar os fatos cientificamente. Isso seria de uma tremenda negligência da minha parte, na minha opinião. Uma negligência estúpida, inclusive. Passa-se para a criança os conceitos básicos de moral religiosa, ilustrado pelos acontecimentos como a água virando o vinho, por exemplo, e no futuro, se ele quiser, ele aprofunda isso dentro das ciencias e filosiofias disponíveis. Mas deixar de ensinar a somar dois mais dois só porque a criança não tem condições de entender esse dois mais dois dentro de uma equação de 2º grau, é uma tremenda negligência dos pais, no meu entendimento.

Abraços.

Lu
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De António Manuel Dias a 10.07.2008 às 10:39

Dizer as coisas, no meu entender, não é dar educação religiosa.

Precisamente. Contar apenas as histórias não faz mal nenhum, é como contar as histórias da Branca de Neve ou do Pinóquio. A Bíblia faz parte da nossa herança cultural e sem umas noções básicas e um conhecimento relativo das passagens mais famosas é por vezes difícil entender outras coisas, às vezes tão simples como as expressões "dar a outra face" ou "dente por dente, olho por olho". Muitas dessas passagens têm até, como bem referes, um conteúdo moral valioso.

No entanto, quando se deixa de pegar nisso como parte da nossa cultura e se passa a olhar como conteúdo religioso, o mal que se faz a uma criança é tremendo e um dos melhores exemplos é precisamente o ensino da moral. Como digo num comentário acima, a moral é independente da religião. Aliás, ensinar a moral associada à religião tem dois efeitos perversos. (1) Ensinar como motivo para praticar o bem o facto de existir um ser sobrenatural que tudo vê e tudo julga, recompensando as boas acções e punindo as más, nem que seja na vida depois da morte, esvazia desde logo o valor dos conceitos. As crianças aprenderão que devem fazer as coisas de uma forma não pela sua justeza e lógica mas por medo do castigo. Ou seja, em vez de aprenderem a questionar as suas acções e motivos, passam a agir cegamente pelas regras ensinadas. (2) Outro problema da moral religiosa é que está cristalizada em livros e/ou práticas estáticas. Isto quer dizer que tem dificuldade em se adaptar às evoluções da sociedade, criando um atrito à mudança que pode ter efeitos bastante negativos. Basta ver a resistência que a igreja (e outras religiões) colocam às uniões homossexuais ou à contracepção, só para dar dois exemplos.

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