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Como o governo aposta no modelo errado

por Jorge Soares, em 10.09.08

Crianças

 

Como estou com mais tempo tenho estado com alguma atenção aos logs do blog, nos últimos dois dias tive algumas dezenas de entradas de leitores que chegaram até aqui desde o google pesquisando por familia de acolhimento ou por adopção. Por norma isto acontece cada vez que algum destes temas está em destaque nos meios de comunicação, esta vez não foi a excepção, além de um programa na RTP sobre centros de acolhimento, encontrei esta noticia.

 

Não vi a reportagem na RTP, mas a noticia da Rádio Renascença chamou-me a atenção, porque do meu ponto de vista, o governo está a apostar e a gastar dinheiro no modelo errado, está-se a apostar no problema e não na solução.

 

Até 2006 existiam em Portugal 15000 crianças depositadas em centros de acolhimento, e o ritmo de crescimento era de aproximadamente 1000 por ano, desde o ano passado a segurança Social fala de  11000 sem que ninguém tenha explicado o que aconteceu ás restantes. 

 

Certo é que o país tem institucionalizadas milhares de crianças, destas, aproximadamente 1000 tem como projecto de vida a entrega para adopção, as restantes tem como projecto de vida o limbo das instituições. O estado vai gastar entre 12 e 15 milhões de Euros para reforçar este modelo, um modelo em que as crianças são entregues ao estado e ficam esquecidas, em que as crianças passam toda a sua vida nos centros de acolhimento, sem direito a uma família e sem direito a sonhar. Será isto o que queremos para as crianças?

 

O modelo dos centros de acolhimento tal como está é completamente errado, porque as crianças ficam perdidas em instituições que não se preocupam com definir projectos de vida, instituições que recebem muito dinheiro por cada criança e portanto não tem interesse em que estas saiam.

 

Diz a noticia que as crianças ficam institucionalizadas até um ano, talvez fiquem até um ano nos centros de emergência, a verdade é que há milhares de criança que vivem institucionalizadas toda a sua vida e só saem dos centros quando são adultos. Entretanto há milhares de candidatos à adopção que esperam e desesperam por uma criança.

 

O estado deveria apostar em definir o projecto de vida de cada uma das crianças que tem a seu cargo e através disto no encerramento de centros de acolhimento. Reforçar a rede de centros de acolhimento sem apostar nos projectos de vida das crianças e sem se preocupar em que estas tenham uma família é uma aberração.

 

Quantas famílias carenciadas poderiam ser ajudadas com estes 15 milhões de euros?

 

Jorge

PS:imagem retirada da internet.

publicado às 21:43


11 comentários

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De Luisa Maria a 11.09.2008 às 05:28

Como está com mais tempo recomendo que visite o blog http :/ esmeralda-sim.blogspot.com /, bem como o livro
Esmeralda - Sim!... Histórias de uma menina que foi traficada.

Várias questões se me colocam quando vejo notícias sobre este assunto.
Como é possível esta tentativa de "adopção" completamente à margem da lei?
Como é possível a Segurança Social ter dado cobertura a esta ilegalidade?
Como é possível que impeçam durante anos que um pai dê todo o seu afecto a esta criança?
Como é possível que este caso ainda não tenha sido encerrado, após já 2 acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça sobre o assunto?

Se a criança se manter com o casal que a recebeu, quem vai ligar a qualquer processo de adopção? Afinal basta arranjar uma criança a jeito, ter uns conhecimentos, mexer uns cordelinhos, fazer muito barulho na comunicação social e esperar uns anitos. Modelo de adopção, o que é isso?
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De Jorge Soares a 12.09.2008 às 23:07

Olá

Já passei pelo blog, que não conhecia.

Partilhamos o ponto de vista, ainda que eu não faça juizos de valor, simplesmente acho que as leis são para cumprir...e que assim não vale a pena estarmos com tretas de processos de adopção.

Jorge
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De Titi a 28.09.2008 às 11:34

Os interesses da criança estão em primeiro lugar... E o que é facto é que aquele pai teve de lutar muito... Não aligeiremos tanto as coisas.
Cumprimentos.
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De maria ferreira a 23.04.2011 às 07:39

Concordo inteiramente com tudo que´é dito nestes textos. Também tenho dois filhos adoptados e são uma grande alegria para mim. Entretanto, estou a pensar fazer mais uma adopção, mas espero não ter de esperar tantos anos, como é dito.
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De Miss Pepper a 11.09.2008 às 13:25

Continuo a defender o mesmo: os interesses das crianças em primeiro lugar. Seja em caso de aopção ou de famílias de acolhimento ou seja o que for. Qual é a criança que é feliz estando institucionalizada, independentemente do motivo? O estado preoxupa-se com o bem-estar destas crianças? Obviamente que não... senão tomaria medidas efectivas.

xinhus
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De Jorge Soares a 12.09.2008 às 23:08

É isso amiga, retirar as crianças dos centros de acolhimento deve ser a prioridade, não investir em centros de acolhimento.

Investir sim na felicidade das crianças.

Beijinho
Jorge
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De maria ferreira a 23.04.2011 às 07:49

Com efeito, é verdade tudo aquilo que diz nos seus blogues. Quando as crianças passam de instituições de emergência, para outras que integram um maior número de crianças, como conheço algumas, dicilmente, terão um projecto de vida e aí, permanecerão até aos 18 anos. Conheço alguns colégios que são autênticos depósito de crianças e à saida, o seu futuro não é risonho para a grande parte deles. Haja alguém que faça alguma coisa, por estes meninos.
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De aespumadosdias a 12.09.2008 às 08:39

Viva! E qual a razão para que seja tão dificil adoptar essas crianças? Será só 1 questão burocrática?
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De Jorge Soares a 12.09.2008 às 23:16

Olá

A principal razão é que apesar de haver tantos milhares de crianças institucionalizadas, só umas poucas centenas podem ser adoptadas e há muitos mais candidatos que crianças. Isto aliado a algum desleixo e excesso de burocracia faz com que os processos durem anos.

Abraço
Jorge
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De NC . vincos-na-alma a 12.09.2008 às 14:41

e a juntar a tudo isso ainda vemos como essas instituições funcionam maravilhosamente (ironia, claro).
é preciso mais!
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De Jorge Soares a 12.09.2008 às 23:26

Pois, funcionam mesmo bem..

Mas está para breve uma chamada de atenção para isso...vai passando por cá.

Obrigado pela visita
Jorge

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