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Feitio ou falta de educação?

por Jorge Soares, em 26.11.08

 

Desbocado 

Imagem retirada da internet

 

Por vezes há coisas na vida que nos marcam, eu tenho muitas memórias, mas hoje não é de memórias que se trata, ainda que eu vá começar por uma.

 

Fui para a Venezuela com 10 anos, cheguei lá em Agosto e em Setembro entrei para a escola publica, num mês aprendi a língua, é claro que as primeiras palavras que aprendi foram as asneiras. Já ia bem entrado o ano escolar e eu já falava e escrevia fluentemente, na cadeira ao lado da minha sentava-se a Ligia, er a uma miúda pequenina e muito gira. De vez em quando lá metíamos conversa, mas ela era muito mais educada que eu. Lembro-me perfeitamente de um dia em que a meio da conversa disse uma asneira, uma asneira inocente, mas ela reagiu de imediato:

 

-Maestra, Jorge digo una groseria.

 

A professora era compreensiva e eu era bom aluno, devo ter escapado com uma reprimenda leve. Mas a mim serviu-me de lição, e como bom latino que passei a ser, as asneiras foram banidas do meu vocabulário, principalmente porque as miúdas não gostavam

 

Sou uma pessoa que não digo asneiras, não digo e não gosto de ouvir, acho que é feio e fica mal, principalmente quando ditas por senhoras.... apesar dos quase 20 anos em Portugal continuo latino em algumas coisas, e desculpem lá, mas a minha educação de cavalheiro diz que as senhoras não dizem asneiras, e eu não gosto de ouvir...nem a senhoras nem ninguém, é uma questão de educação.

 

Vem isto a propósito de quê? de que parece que existe a ideia de que o pessoal do Norte diz asneiras, e de que isso não é mal visto, não é defeito, é feitio. Vamos lá por partes, eu sou do Norte... bom, Oliveira de Azeméis é Norte?... e não me lembro de por lá se dizerem asneiras assim...e alguém me contava que os transmontanos não dizem asneiras, portanto...vamos lá ver, a coisa não é  no norte, é no Porto e arredores. 

 

Pronto, o pessoal do Porto diz asneiras, e isso é evidente até em alguns blogs, e eles acham bem, acham que não tem nada de mal, escudam-se na ideia que a malta do norte diz asneiras e isso é normal,.... acham eles, porque eu não acho...e pelos vistos o resto do país também não, porque no resto do País não fala assim.

 

E não pensem que se reduz ao povo, nada disso, um destes dias uma amiga aqui do Sul esteve numa reunião com pessoas do norte, gente fina e supostamente com cultura e educação, ela veio de lá escandalizada, porque a meio da reunião estalou o verniz e desataram a insultar-se uns aos outros e a utilizar o melhor do vernáculo para isso. 

 

É claro que todo o mundo acha normal, mas será?, vejamos, utilizam o vernáculo em casa com os filhos? e na escola?, os professores e alunos utilizam esse vocabulário entre si e é aceite? e quando estas pessoas aparecem na televisão?, falam assim? Não, pois não?, Pois

 

Será feitio e forma de falar, ou falta de educação?

 

Jorge

PS:Pronto, agora é que fico sem leitores!

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publicado às 22:32


2 comentários

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De cigana a 27.11.2008 às 00:14

Ora bem, esse é um problema agudo nas escolas do Porto. Os meninos dizem palavrões desde que nascem, os pais falam ainda pior mas negam, de uma forma geral toda a gente acha graça dizer palavrões e depois a coisa pega. Porquê especialmente no Porto, não sei.
Vivo aqui há mais de 30 anos, estou habituada a ouvi-los. Se me perguntarem se gosto, digo que não, mas concordo que por vezes até têm graça. Num ambiente de intimidade e de riso, confesso que é impossível resistir à onda.
Mas cá em casa as regras são muito claras: nunca numa discussão, nunca fora do contexto de piada.
O mal é banalizar o uso, depois não se medem as palavras.
Uma achega valiosa: http://trazoutroamigotambem.blogs.sapo.pt/41793.html
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De Jorge Soares a 29.11.2008 às 17:07

Desculpa lá... mas quando é que as asneiras tem graça?.... por exemplo, nos comentários do teu post, se até tem graça, porque é que utilizaram os * em lugar das palavras? Se até tem graça, qual é o pudor? ou só tem graça se forem ditos nas ruas da Ribeira por algum tripeiro de gema? Desculpa, mas não percebi!

Beijinho
Jorge

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