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A orientação sexual não pode ser critério para a exclusão e para vedar direitos.

Não existe nenhuma razão válida que justifique que os casais

do mesmo sexo continuem a ser proibidos de adotar.

Deputada Sandra Cunha

 

Foram precisas 5 votações e esperar que existisse uma maioria de esquerda no parlamento, para tornar legal algo que desde 1975 está escrito na constituição, "Todos os cidadãos tem a mesma dignidade social e são iguais perante a  lei", como diz a Sandra e muito bem, ninguém pode ser excluído ou discriminado devido à sua orientação ou gostos sexuais.

 

As leis hoje aprovadas não só são da mais elementar justiça, como tornam legal algo que todos sabemos que há anos é um facto, há em Portugal muitos casais homossexuais com filhos adoptados. Até agora tinham que o fazer de forma individual, muitas vezes escondendo a sua condição de homossexuais e em condições  em que não eram garantidos aos pais e às crianças todos os direitos garantidos ao resto dos casais e crianças portuguesas.

 

A partir de agora, não só não tem que esconder a sua condição de casal para poderem adoptar, como com a aprovação da lei da co-adopção, ambos os membros do casal poderão ter os mesmos direitos sobre os seus filhos.

 

Quase tão importante como as várias propostas que foram hoje aprovadas na assembleia da república é o facto de hoje ter ficado claro o que significa a existência de uma maioria de esquerda, na sua grande maioria as propostas agora aprovadas tinham sido chumbadas pela antiga maioria, ou no caso da lei do aborto, aprovadas em contra dos direitos dos portugueses. Hoje essas estas propostas foram aprovadas porque há no parlamento, pelo menos por uma maioria dos deputados, uma real vontade de fazer diferente do que tinha sido feito na última legislatura.

 

Havia muita gente com esperança de que alguns deputados do PS fossem contra a disciplina de voto do partido, parece-me que ficou claro que isso não vai acontecer, senhores do PSD e  CDS, querem mesmo formar um governo contra este parlamento?

 

Vídeo do discurso da Deputada do Bloco de esquerda Sandra Cunha em defesa de quem adopta e das crianças institucionalizadas.

 

 

Jorge Soares

publicado às 22:41

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Imagem do Público

 

Relação de Évora proíbe pais de publicarem fotos de filhos no Facebook

 

É o titulo da notícia no Público, mas poderia ser de outro jornal qualquer, porque foi assim que ela foi apresentada na maior parte dos jornais online. Um titulo que no mínimo podemos chamar de enganador, quando lemos a noticia percebemos que o tribunal proibiu aquela mãe de publicar fotografias da sua filha de 12 anos nas redes sociais, não os pais em geral de publicarem fotografias no Facebook.

 

Os tribunais não fazem as leis, quando muito tentam fazer com que elas se apliquem, e neste caso os juízes tentaram defender o direito à privacidade da menor ao impedir que a sua mãe publique imagens dela nas redes sociais, nada mais que isso.

 

Evidentemente não existem, nem faz sentido que existam, leis que impeçam os pais de mostrar fotografias dos seus filhos, já seja nas redes sociais ou de outra forma qualquer, se existissem, pelo menos metade dos pais que eu conheço estariam presos, porque o que mais se vê no Facebook, no instagram, nos blogs, etc., etc., é fotografias de crianças.

 

A maior parte das pessoas não tem ideia do alcance de uma fotografia publicada na net, nem faz ideia de que uma vez publicada foge completamente do seu controlo, além de que é quase impossível saber o que acontecerá com ela a seguir, é completamente impossível seguir o seu rasto ou simplesmente tentar apagá-la.

 

A maioria das pessoas acha que não há problema porque só publicam para os seus amigos, esquecem-se que qualquer um dos seus amigos a pode partilhar e a partir de ai qualquer amigo dos amigos, ou qualquer um no caso de essa pessoa não ter settings de privacidade activos, passa a ter acesso total à fotografia.

 

Além disso, o que é realmente um amigo no Facebook? Eu tenho 292 contactos no Facebook, a grande maioria são pessoas que conheço dos blogs ou das redes sociais e que nunca vi, muitas delas publicam fotografias dos seus filhos quase todos os dias, confiam em mim porque leram o meu blog ou eu sou amigo de um amigo deles no Facebook? Será que tem a noção que eu e muitos outros  como eu, que não fazem a menor ideia de quem são, temos acesso a essas fotografias e a todos os dados da vida delas que publicam?.. será isso bom senso?

 

Eu não sou dos que ache que há um sequestrador ou um pedófilo atrás de cada perfil do Facebook, mas nunca publico imagens dos meus filhos nas redes sociais, por uma questão de bom senso e, lá está, porque prezo e respeito a privacidade deles.

 

Como em tudo na vida, tem que haver bom senso, e era bom que os pais tivessem a noção real de que publicar uma fotografia na internet é como pegar nela e a atirar ao vento, pode cair ali aos nossos pés ou ser levada para muito longe e quem sabe às mãos e às motivações de quem.

 

Jorge Soares

 

PS:é claro que tudo isto é muito mais complicado quando falamos de crianças adoptadas, e aí o assunto pode ser mesmo muito sério.

publicado às 23:13

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Imagem de aqui 

 

A difteria é uma doença que estava erradicada na Espanha há mais de trinta anos graças aos programas de vacinação das crianças. 

 

Há uns dias, após a terceira vista às urgências hospitalares por parte de uma criança de seis anos sem que os diversos tratamentos tivessem qualquer efeito, um médico decidiu chamar alguém com mais experiência, um médico com idade suficiente para ter ouvido falar de doenças das que já nem se fala na formação dos médicos. Feitos os testes confirmou-se o diagnóstico, difteria.

 

A Doença é tão rara na Europa que nem na Espanha nem em nenhum país da união europeia havia os medicamentos necessários para o tratamento, tiveram que vir da Rússia.

 

Por influência de uma plataforma anti-vacinas, os pais da criança tinham-se recusado a vacinar o menino e agora este luta pela vida no hospital. Após estudos ao ambiente em que se movia a criança, concluiu-se que além desta há pelo menos outras oito entre as que este contactou, que deram positivo à presença da doença, como estavam vacinadas não desenvolveram os sintomas. 

 

Entretanto estas oito crianças foram obrigadas a ficar em casa, isto para evitar que contagiem alguma das outras que não estão vacinadas, calcula-se que entre 3 e 5 % das crianças espanholas não são vacinadas... 

 

Num destes dias na Radio Nacional de Espanha, ouvi um médico que era partidário de que tornassem todas as vacinas obrigatórios, isto porque os mitos sobre os efeitos malignos das vacinas e a moda de não vacinar as crianças, estão a contribuir  para que ressurjam doenças há muito erradicadas e que voltem a morrer pessoas por doenças que se supunha estarem controladas.

 

Entre as várias noticias que li e ouvi sobre o assunto chamou-me a atenção uma entrevista aos pais da criança doente que diziam sentir-se enganados pela plataforma anti-vacinas, a mensagem que lhes tinham passado era que não havia perigo nenhum em não vacinar o seu filho e agora o este estava ligado às máquinas no hospital...

 

Os meus filhos estão vacinados, tenho plena consciência de que há um risco associado a cada vacina, mas também tenho o conhecimento dos riscos inerentes ao facto de não as tomarem e que quanto a mim são muito superiores aos das vacinas.

 

Temos a noção de que há casos de crianças que reagem mal às vacinas e até podem terminar por morrer, é claro que é muito mais difícil de ter a noção de quantas crianças morreriam se não as tomassem. Acho que os pais desta criança espanhola ficaram agora com essa noção.

 

Jorge Soares

publicado às 22:59

O que muda mesmo na lei da adopção?

por Jorge Soares, em 21.05.15

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Imagem do Público

 

Vinha no carro quando na Antena 1 deram a noticia, "o governo quer agilizar os processos de adopção, estes vão demorar no máximo um ano",  a seguir dei por mim a falar sozinho:

 

- Um ano?, então mas a lei actual diz que as avaliações tem que demorar no máximo seis meses, onde é que passar de seis meses para um ano é agilizar o que quer que seja?

 

Cheguei a casa com as garras de fora e o mau feitio no máximo, a preparar-me para cascar forte e feio no Mota Soares e nos restantes governantes, felizmente decidi dar uma olhadela às noticias sobre assunto antes de começar a escrever o post.

 

Na verdade desde o ponto de vista do adoptante pouco irá mudar, os processos de avaliação continuam a demorar no máximo seis meses, o que realmente vai mudar (esperamos que consigam) é a forma como são tratados e avaliados os processos das crianças, não os que envolvem os adoptantes.

 

Actualmente as crianças estão institucionalizadas e passam anos e anos até que entre as instituições de acolhimento e o tribunal decidam qual será o seu processo de vida. Há crianças que chegam às instituições com um ou dois anos e os processos são decididos quando eles tem doze ou treze  e dificilmente alguém os quer adoptar.

 

O que este governo quer fazer é obrigar a que este processo seja agilizado, por exemplo: que ao fim de 18 meses após a sinalização de uma criança  exista uma avaliação da situação de modo a garantir que as medidas de protecção são as mais adequadas. Pretende também  que seja limitado a 12 meses o processo que medeia entre o estudo de caracterização da criança e a sua adopção... 

 

Parece que finalmente alguém percebeu onde está realmente o problema, não sei se haverá forma de fazer com que os responsáveis das instituições de acolhimento e os juízes passem a cumprir estes prazos,  mas que alguém do governo tenha percebido que  deve haver algo errado no processo quando há 8500 crianças institucionalizadas e pouco mais de 400 para adopção, já é um grande avanço.

 

Ver para crer.

 

Aos senhores jornalistas pede-se que antes de dar as noticias tentem perceber do que se está a falar

 

Jorge Soares

publicado às 22:32

Homenagem às mães de crianças com THDA

por Jorge Soares, em 03.05.15

 

 

Homenagem às mães de crianças com THDA (transtorno de hiperactividade e défice de atenção)

Está em Espanhol... mas vale na mesma

 

publicado às 23:08

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Imagem do Facebook

 

"Amanhã começa a minha dor de cabeça...estou com uma ansiedade que dá cabo de mim! Correram tão bem as férias! Passeou com o pai, passeou com a mãe, foi à feira, foi ao circo, correu, andou de bicicleta, jogou à bola, brincou com os vizinhos, com a prima, brincou com os cães, teve um aniversário de um amiguinho, dormia ate às 10h, 10.30h da manhã, n houve um castigo, n houve uma palmada...tentei que ele se esquece que a escola ia começar (andou a ultima semana a falar nisso e que não queria ir).... Andou tão bem o meu menino, tão feliz e eu feliz também! Agora estou eu aqui sozinha a remoer"

 

Desabafo no Facebook de uma mãe de uma criança com TDAH 

 

Durante as férias dei por mim a pensar assim mais que uma vez, pensamentos que não servem de muito, nem a mim nem a esta mãe, nem a todas as outras mães e pais de crianças com hiperactividade ou outros transtornos do mesmo tipo. Não há forma de que eles não voltem para a escola, e infelizmente cada vez me convenço mais que a maioria das escolas não sabe ou não quer saber lidar com estas crianças.

 

Algures no meio dos muitos pensamentos e constatações dei por mim a pensar qual será a solução, não é fácil retirar conclusões, para mim há uma que é evidente o meu filho está na escola errada... Não é difícil chegar a esta conclusão, mas o pensamento seguinte levou-me a um beco sem saída.... e haverá uma certa?

 

Para mim faz todo o sentido que a escola seja inclusiva, todas as crianças são diferentes, os nossos filhos só são mais diferentes, mas juro que há alturas que dou por mim a pensar se isso será mesmo possível, se a instituição em si, os professores, os responsáveis, querem realmente isso? É que muitas vezes o que sentimos é que é mais fácil excluir que integrar e que há muito boa gente que em lugar de ajudar complica com o intuito de se verem livres de crianças difíceis e pais exigentes.

 

Num dos comentários ao texto acima alguém deixou o seguinte:

 

"Hoje, meu filho com TDAH chega da aula e me diz que o professor o colocou virado para parede em pé"

 

e alguém a seguir disse o seguinte:

 

"Fizeram isso ao meu filho durante o 1ºano e o 1º período do 2º, até os colegas me contarem"

 

Estamos em 2015, colocar os alunos contra a parede era algo que se fazia algures nos anos 70 quando eu andei na escola. Eu e muitos outros pais já ouvimos e sentimos mais que uma vez que há por aí muitos professores que acham que a hiperactividade é um mito inventado pelos pais que não sabem educar os seus filhos, mas juro que não pensei que fosse possível em 2015 colocar as crianças de castigo contra a parede, pelos vistos há por aí muitos professores que continuam a viver nos anos 70. A maioria das crianças com TDAH tem enorme problemas de auto-estima, será que estes professores pararam para pensar que com isto só pioram a situação?

 

Jorge Soares

publicado às 21:25

Hiperactividade - Sou um PHDA…

por Jorge Soares, em 19.03.15

 

As coisas não andam nada fáceis por estes lares, tudo o que já aconteceu com o N. desde Setembro até agora, dava para muitos posts... dava para um livro sobre a hiperactividade... a escola... os colégios, ... vai de aí e se calhar dá mesmo, quem sabe e não é desta que o blog passa para o papel e o escrevo ... ainda estamos em Março e tenho a certeza que vão haver mais capítulos... espera-se um final feliz.... talvez.

 

Entretanto hoje encontrei o seguinte texto neste blog, um texto que deveria ser de leitura obrigatória para todas as pessoas que de alguma forma lidam com crianças com PHDA... leiam e reflictam.

 

Sou um PHDA…

Se não sabe o que é, continue a ler…

 

PHDA é Perturbação de Hiperactividade e Deficit de Atenção. Sim, sou um daqueles tipos que não consegue ficar quieto nem estar muito tempo a fazer a mesma coisa. Sabem, um daqueles que passou a porra da infância a levar chapadas porque não se portava bem. Não que as chapadas resolvessem fosse o que fosse, era mais para aliviar quem as dava que para ajudar quem as recebia. No meu tempo, ah a velhice começa com estas palavras, não havia Ritalinas e Concertas e quejandos, não, o que havia e de sobra era palmadas, chapadas e promessas de sovas de cinto. A única real diferença é que as Ritalinas e afins têm uma duração maior.

 

Entretanto lá cresci. Agora, dizem, sou um adulto e as chapadas são outras.

 

Entretanto vou lendo por todo o lado que SE os PHDAs SE mantivessem atentos eram os maiores da cantareira… De uma das vezes deu-me para responder assim:

 

“Ela não é má aluna… se estivesse concentrada na escola seria até excelente…”

 

No meu entender, muito pessoal entenda-se, é este a base do problema da maioria dos pais de PHDAs, o SE.

 

Meus caros/as, não há nenhum SE. A única coisa a fazer é ajustar as expectativas. Pois, eu também vivia melhor SE me saísse o EuroMilhões. Como diz a vox populi, SE a minha avó não tivesse morrido ainda hoje estava viva.

 

Vejo este problema continuamente, seja aqui, em conversas no café, nas reuniões com os professores, em todo o lado. Sempre o malfadado SE. Os nossos filhotes não têm culpa das expectativas que colocámos neles. Não têm a obrigação de cumprir os sonhos de ninguém a não ser os deles, não têm de ser melhores que ninguém a não ser eles mesmos. No entanto, avaliamo-los segundo critérios que não são justos para eles. SE estivesse atento era o melhor aluno, SE escrevesse de forma que se lesse copiava tudo do quadro, SE decorasse a tabuada tinha boas notas, SE estivesse quieto não incomodava ninguém. Já todos dissémos e pensámos isto, somos TODOS culpados.

 

O facto é só um, eles não vão ficar mais atentos, eles não vão escrever melhor, não vão decorar e não vão ficar quietos. E não vão porque não querem, apenas porque não podem. É o mesmo que agora alguém vos exigisse que mudassem a cor dos olhos ou a altura das pernas.

 

Ajustem as vossas expectativas ao que os vossos adorados “diabinhos” SÃO, não o que alguém desejaria que ele/a fosse, seja quem for esse alguém.

 

Entendam que eles têm limites, entendam que eles têm capacidades, respeitem ambas.

 

Vamos por os “peixes” a nadar e deixar as árvores para os “macaquinhos”, tá bem?

 

Sempre a mesma treta, sempre a mesma conversa… SE o meu gato fosse um cão, ladrava.

 

Vamos lá a ver se a gente se entende, é muito bonito dizer, ah e tal SE fosses mais alto não eras tão baixo, pois como SE fosse eu que mandasse no crescimento das pernas. É exactamente o mesmo com os PHDA, nós não fazemos como os outros, PORQUE não somos como os outros. Não se trata de educação, não se trata sequer de medicação, os nossos cérebros, excelentes diga-se, trabalham de maneira diferente. Não, não servimos para tarefas repetitivas, não, não somos bons para decorar resmas de papel (se fosse para decorar eram de uso único), não, não somos capazes de estar anos a fazer o mesmo. Mas, dêm-nos uma tarefa criativa, dêm-nos espaço e liberdade para melhorar os processos repetitivos, dêm-nos liberdade de consulta em vez de nos pedirem que decoremos, e vão ver a diferença.

 

Em vez de nos exigirem que sejamos o que nunca seremos, dêm-nos antes espaço para sermos o que somos e adoramos ser.

publicado às 22:03

Mãe, o que é ir à missa?

por Jorge Soares, em 25.02.15

Imagem minha

 

Um destes dias, já não sei a propósito de quê, a D na sua infinita curiosidade saiu-se com o seguinte:

 

- Mãe, o que é ir à missa?

 

A minha meia laranja ia tendo um fanico, e a seguir teve mesmo quando olhou para mim e eu disse:

 

- Finalmente à terceira fizemos o trabalho como deve ser! 

 

Ela ainda tentou argumentar, mas eu como quem não quer a coisa, lembrei-lhe como tinha corrido a experiência do N. e a R. com os escuteiros e a catequese (ver este post), deve ter funcionado, não se voltou a falar do assunto.

 

Os meus filhos são os três baptizados, a mais nova já tinha sido baptizada quando chegou cá a casa e os mais velhos são porque a P. e uma parte da  família faziam questão, a mim tanto se me dá que o sejam ou não, a educação que sempre pensei para os meus filhos não tem nada a ver com religião. Sempre tentei educar com o exemplo e se possível ensinando os meus filhos a pensar por sí, se no fim eles por si e pela sua cabeça chegarem a uma religião qualquer, isso é problema deles, mas se for pelo meus exemplo, não irão de certeza absoluta precisar de igreja ou religião para nada.Eu não preciso mesmo.  Ninguém é melhor pessoa por acreditar ou não em deus, pessoas boas e más há em todas as religiões do mundo e evidentemente entre os ateus.

 

Porque é que me lembrei de tudo isto, porque hoje pelo meu facebook passou o seguinte artigo: Famílias sem religião estão fazendo um trabalho melhor do que as demais

 

Trata-se evidentemente de um artigo sobre vários estudos feitos nos Estados Unidos, vale o que vale, mas não deixa de ser interessante olhar para as várias conclusões, vejamos:

 

-apresentam muito mais solidariedade e proximidade emocional entre pais e filhos

 

-A maioria parecia viver vidas plenas caracterizadas por uma direcção moral e um sentido de que a vida possui um propósito.

 

-têm seus próprios valores morais e preceitos éticos, entre eles a solução racional de conflitos, autonomia pessoal, livre-pensamento, rejeição de punições corporais, um espírito de questionar tudo e, principalmente, empatia

 

- tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados. Este é um imperativo ético antigo e universal, e não há nada nele que force a crença no sobrenatural

 

-Quando estes adolescentes se tornam adultos, eles tendem a apresentar menos racismo que seus colegas religiosos

 

-Os adultos seculares têm uma tendência maior a compreender e aceitar a ciência do aquecimento global, a apoiar a igualdade feminina e os direitos dos gays.

 

-No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto

 

Ora, a mim parecem-me argumentos suficientes, mas muito mais importante que tudo isto é o facto de eu querer que os meus filhos aspirem a ser pessoas cultas e integras com consciência, não por medo às consequências do pecado ou aos castigos divinos e sim porque essa é a forma correcta de se viver.

 

Jorge Soares

publicado às 23:25

Combater as doenças antes da fecundação

por Jorge Soares, em 03.02.15

feto-bebe.jpg

 

Imagem do ABC

 

Era uma lei que estava em discussão no parlamento inglês desde 2008, foi aprovada hoje por larga maioria, e que vai permitir que a partir de agora possa ser aplicado um novo método de fertilização in vitro que ajudará a combater as doenças genéticas associadas às mitocôndrias. Doenças estas que são transmitidas pela via materna e que afectam uma em cada seis mil e quinhentas crianças.

 

O novo método de fertilização que foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Newcastle, permite conceber bebés utilizando material genético de três pessoas diferentes, passa pela doação de ovócitos de uma mulher com mitocôndrias saudáveis. Primeiro, retira-se do ovócito doado o seu núcleo, onde estão os cromossomas humanos, usando a técnica de microinjecção intracitoplasmática. Neste ovócito (sem o núcleo original mas com as mitocôndrias saudáveis) podem ser introduzidos o núcleo do ovócito da mãe – evitando assim transmitir as suas doenças das mitocôndrias – e o núcleo vindo do espermatozóide do pai.

 

A criança partilhará na sua maioria o material genético da mãe e do pai, mas terá também uma pequena parte da doadora e será esta parte a que irá garantir que seja saudável e não herde a doença da sua mãe.

 

Este método  irá permitir que muitos casais que evitavam ter filhos devido à presença destes genes na mulher, possam ser pais e ter filhos saudáveis.

 

Esta decisão do parlamento Inglês é histórica pois o Reino Unido torna-se no primeiro país em que este método é permitido, mas não deixou de estar envolta numa enorme polémica já que as igrejas católicas e anglicanas mostraram-se contra o que eles chamam um método que permite ter "bebés a la carte"

 

Para mim, controvérsias à parte, qualquer método que ajude a que nasçam mais crianças saudáveis e que permita a mais pessoas cumprir o seu sonho de ser pais será sempre algo muito positivo e bem vindo.

 

Jorge Soares

publicado às 22:19

 

Terá sido há mais de dois anos que eu recebi um mail de alguém da  SIC em que me era pedida ajuda para encontrar um casal que estivesse a iniciar um processo de adopção internacional e estivesse disposto a ser seguido durante todo o processo. Tal como faço sempre, encaminhei o pedido para os candidatos à adopção que conheço, mas nunca pensei que alguém estivesse disposto a participar em algo deste tipo, a adopção é um assunto muito sério, na maioria dos casos colocam-se inclusivamente problemas legais e de privacidade da criança e dos adoptantes.

 

Tal como a maioria das pessoas que adoptaram fiquei chocado com a reportagem da SIC sobre a suposta "adopção" de uma criança em Cabo Verde.

 

Em primeiro lugar convém perceber que o que se vê na reportagem não é uma adopção, Portugal e Cabo Verde adoptaram a convenção de Haia, para haver adopção a criança tem que ser entregue a quem adopta através de um processo legal que terá sempre que envolver um tribunal. No caso apresentado a criança é entregue ao casal português directamente pelos pais, com a intermediação de um conhecido e sem qualquer intervenção das autoridades de Cabo Verde.

 

Eu não coloco em causa a honestidade de todos os intervenientes neste caso, mas sem a intermediação das autoridades portuguesas e de Cabo Verde, como é que se consegue garantir que a criança não foi entregue a troco de dinheiro? 

 

Mas há muitas mais coisas que me chocam, qual é a ideia de ir entrevistar a família biológica da criança, mostrar que há miséria em Cabo Verde? Qual é a novidade nisso? Mostrar que o que estão ali a fazer está certo? Desculpabilizar quem é capaz de passar por cima de todas a leis para conseguir aquilo que quer?

 

Como é que a senhora pode dizer que não tinha conhecimento da forma em que deveria tratar do processo? Eles eram candidatos em Portugal, não perguntaram às assistentes sociais  o que era necessário para um processo de adopção internacional? Não lhes foi explicado que o processo teria sempre que ir através da segurança social de Portugal para a de Cabo verde? 

 

Durante a reportagem falam várias vezes em justiça, então e a justiça para todas as outras pessoas que estavam à espera antes deles? Não conta? Então e a justiça e as leis que dizem como deve ser tratada  uma adopção internacional entre Portugal e Cabo Verde, não interessa?

 

Passamos a vida a dizer que os processos de adopção em Portugal são demorados, há casais em Portugal à espera há quatro e cinco anos, pelo que percebi a este casal foi-lhes proposta pela segurança social portuguesa uma criança com dois anos e meio, criança que eles não aceitaram. Entre os muitos comentários que li, alguém dizia que aquela criança de Cabo Verde tem direito a ser feliz, então e a criança portuguesa que lhes foi proposta não tem direito a ser feliz? Só eles tem direito a ser felizes?

 

Afinal qual é o propósito da adopção, arranjar bebes perfeitinhos para os casais? Mas não deveria ser arranjar famílias para as crianças que precisam?

 

Eu adoptei em Cabo Verde, pela via legal, o processo foi para Cabo Verde algures em 2008, a criança foi-nos entregue pelo tribunal em 2011, tivemos que lá voltar em 2012 para ser ouvidos pelo juiz que tinha o processo, os pais biológicos foram ouvidos umas cinco vezes, e a adopção foi decretada em 2014... é justo que um processo de adopção tenha estes passos todos? Se calhar não, mas é assim que funciona e é a forma de garantir que não se brinca com a vida das crianças.

 

Era bom que estes senhores se mentalizassem para o que se segue, depois do que eu vi e ouvi na reportagem, tenho muitas duvidas que algumas vez seja decretada esta adopção, entretanto a criança está em Portugal, o visto com que veio é válido por seis meses e dependendo da boa vontade dos funcionários do SEF, será renovável ou não cada três meses, nós desistimos das renovações quando enchemos todas as folhas do passaporte e a nossa filha passou a estar indocumentada... e o nosso processo tinha seguido todos os passos legais..

 

Quanto à  SIC, com esta reportagem que puxa à  lágrima fácil mas que mais que informar desinforma, deviam ter vergonha de chamar a este caso adopção, meus senhores isto não é uma adopção, o que mostraram na reportagem não tem nome, e a forma como expuseram a vida desta criança e da sua família biológica mostrando os lugares e as pessoas daquela forma, é uma enorme falta de respeito.

 

Já agora deveriam ter esclarecido que esta criança não veio para Portugal adoptada, terá vindo entregue em confiança judicial e que isto não tem nada a ver com adopção e vai passar muito tempo até que esta criança seja adoptada... se é que alguma vez o será.

 

Para quem estiver interessado a reportagem pode ser vista aqui

 

Jorge Soares

publicado às 21:40


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