Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Crónica de uma manifestação triste

por Jorge Soares, em 03.03.13

2 de Março em Setúbal

Imagem minha do Momentos e Olhares 

 

Não vou entrar aqui na história dos números ontem, como tinha acontecido antes, muitos milhares de pessoas saíram à rua, e não foi só em Lisboa e no Porto, foi por todo o país.

 

Eu não sou lá grande espingarda a fazer cálculos destes e ainda não vi os números em lado nenhum, mas eu calculo que em Setúbal tenham sido perto de 4 mil pessoas. Num distrito que terá mais de 50000 desempregados é pouco, muito pouco mesmo... mas nem foi isso o que me causou mais impressão, não foi a quantidade, foi a forma.

 

O que mais me impressionou foi a forma quase resignada em que as pessoas se apresentaram, terá sido a manifestação mais silenciosa que já vi, isto apesar do esforço dos organizadores para lançar as palavras de ordem... e nem as estrofes do Grândola Vila Morena escritas nos cartazes faziam com que as pessoas se esforçassem em cantar. 

 

Os manifestantes percorreram a avenida Luísa Tody, no centro da avenida decorria a feira de velharias que estava cheia de gente... e cheia continuou, com todo o mundo indiferente ao que se passava... atrevo-me a dizer que havia pessoas que nem davam porque estava a passar uma manifestação.

 

Esta sensação de batalha perdida e até de indiferença assusta-me sobremaneira, é algo que venho sentindo quando falo com as pessoas, que se sente no encolher de ombros, na forma como percebemos que quem elegeu estes senhores e os anteriores o vai continuar a fazer, na forma como se calam quando perguntamos em quem vão votar a seguir.

 

Tiro o meu Chapéu aos diversos movimentos que organizaram as manifestações, o seu esforço é digno de louvar.. mas a verdade é que falta muito mais, porque o que senti ontem é que  a mensagem não está a passar... ou isso ou as pessoas já não acreditam que seja mesmo "O Povo quem mais ordena"

 

Hoje a Golimix perguntava e agora?.. agora, noutro país qualquer o governo tiraria ilações, a Troika tomaria nota e se calhar algumas coisas mudariam. Por cá o governo vai esperar até às autárquicas, porque é aí onde se verão as verdadeiras consequências da sua política... e a julgar pelos muitos encolher de ombros que eu vou vendo... não vai acontecer nada.

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:58

O resultado da austeridade?.. desemprego!!!

por Jorge Soares, em 13.02.13

O desemprego em Portugal

Imagem do Público 

 

Fala-se da volta aos mercados, a realidade é que não há volta a dar, após ano e meio de insistência na austeridade os resultados estão à vista, no último ano perderam-se duzentos mil empregos...e o pior é que a procissão ainda vai no adro.

 

A insistência na austeridade está a levar a economia a níveis de há décadas atrás. A falta de dinheiro faz descer o consumo, que faz parar a produção, que faz abrandar a economia, que faz aumentar o desemprego, que traz falta de dinheiro ...  está à vista e até Passos Coelho já o reconhece... não percebo é porque insiste no erro apesar de tudo isto.

 

Qual será o limite do que é aceitável para estes senhores? Qual a percentagem de pobreza que é necessário para que estes senhores admitam que assim não vamos lá? Será que lhes importam o que o povo sofre com tudo isto?

 

A verdade é que mercados ou não, a nossa economia está cada vez mais parecida com a da Grécia e a luz no fundo do túnel parece cada vez mais longe.... 

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:36

Enfermeiras trabalham por casa, comida e roupa lavada

 

Imagem do Público

 

Há uns dias numa conversa noite dentro numa pequena aldeia Alentejana discutíamos alternativas ao sistema económico em que vivemos, de um lado quem achava que mal por mal o sistema actual ainda é aquele que melhor garante que quem se esforça é recompensado, do outro quem achava que o sistema ideal é aquele em que não há a cultura do prémio e a produtividade é assegurada pelo interesse comunitário em que todos os indivíduos vejam satisfeitos os seus desejos e necessidades.

 

A coisa terminou em impasse quando o Paulo disse que o seu desejo era ter um Ferrari, que tinha direito a ter esse desejo e a trabalhar para ele... e do outro lado não nos conseguiram convencer de que a comunidade ia fazer o esforço para satisfazer o desejo do Paulo sem criar desigualdades.

 

Hoje lembrei-me dessa conversa quando li no Público que já há em Portugal quem se aventure país adentro a trabalhar a troco de casa, comida e roupa lavada.

 

É preciso ler a noticia para percebermos que na verdade as coisas não são bem assim, as duas enfermeiras idearam durante três meses um projecto de voluntariado que aproveita o abandono a que foi votado o o interior de um país que cada vez mais aposta no litoral,  para numa pequena aldeia de Miranda do Douro mostrar os seus serviços com a esperança de no fim serem recompensadas com um contrato que lhes garanta o tão desejado emprego.

 

Não sei se era a isto que se referia Passos Coelho quando falava nas oportunidades do desemprego, mas é de facto uma forma original de enfrentar a situação. Resta saber se as medidas a colocar em prática pela junta de freguesia de Atenor, assim se chama o lugar onde as duas senhoras decidiram assentar arraiais, serão suficientes para cobrir os salários das duas enfermeiras.... 

 

Acho a iniciativa de louvar, mas tenho sérias duvidas que ela sirva de exemplo para muita mais gente,.. é que com uma população cada vez mais envelhecida, médicos e enfermeiros terão sempre trabalho, mas duvido que isso seja válido para o resto dos milhares de jovens profissionais desempregados... 

 

Jorge Soares

 

PS: Gosta de boa Música?, experimente a First Class Radio ali na banda lateral do Blog

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:59

O que significa empreendedorismo?

por Jorge Soares, em 22.05.12

espírito empreendedor

Retirado de aqui 

 

 

empreendedorismo 
(empreendedor + -ismo

s. m.
1. Qualidade ou caráter do que é empreendedor.

2. Atitude de quem, por iniciativa própria, realiza ações ou idealiza novos métodos com oobjetivo de desenvolver e dinamizar serviços, produtos ou quaisquer atividades de organização e administração.

(retirado do Priberam)

 

 

Hoje encontrei o seguinte vídeo:

 

Não há pior cego que quem não quer ver, eu percebo o ponto de vista do Herman, quando temos tudo à mão, quando a nossa única preocupação é arranjar mais uma piada parva (ou não) para fazer rir o povinho... acreditamos que tudo é possível, até fazer nascer as oportunidades.

 

Toda esta história do empreendedorismo fez-me lembrar outros tempos, quando eu vivia num dos países com mais recursos no mundo e onde apesar disso ( ou se calhar por isso) a crise se instalou. Como não havia Euro a solução foi proibir a venda de divisas e desvalorizar a moeda.. de um momento para o outro deixou de haver bens importados, a economia parou completamente e uma enorme franja da população viu-se sem emprego e na miséria.

 

Como era um pais em que mais de 50% da população tinha menos de 25 anos a solução foi o empreendedorismo, em pouco tempo todos os passeios das principais avenidas da capital se encheram de gente que vendia tudo e mais alguma coisa, desde roupa a cassetes piratas, passando por comida, verduras e até pequenos serviços. Em todas as esquinas e semáforos havia gente com baldes e panos que insistiam em lavar os vidros dos carros, mesmo que estes tivessem sido lavados no semáforo anterior, por entre as filas de transito havia crianças a vender pensos, pilhas, rebuçados...

 

É claro que há sempre aqueles que sonham mais alto, aqueles para quem um lugar num passeio em frente a uma loja chique ou numa esquina qualquer, não é suficiente... esses arranjaram armas e montaram outro tipo de negócios bem mais lucrativos... os sequestros expresso por exemplo.

 

De certeza que não era destes tipos de empreendedorismo que falava o nosso primeiro ministro Passos Coelho, devia ser mais do tipo Cupkakes de que fala o Herman no vídeo... mas não restam muitas dúvidas que é para ali que caminhamos... resta saber quem no meio disto tudo fará o papel do Hugo Chávez português.

 

Jorge Soares

 

PS: Por certo, no vídeo alguém falava da prostituição como saída... não sei se sabem, mas na Holanda, talvez já a pensar no futuro e numa de empreendedorismo, alguém abriu uma escola para prostitutas ... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:31

Passos coelho vive noutro mundo

 

Imagem de aqui 

 

 

"... Passos Coelho referiu-se em especial aos portugueses que estão sem emprego: “Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida”.

 

 

E eu que pensei que já tinha ouvido tudo, sinceramente já não sei se o homem só tem falta de tacto ou se vive num mundo paralelo, existem neste momento em Portugal qualquer coisa como 700 mil desempregados, será que ele acredita mesmo que toda esta gente vai conseguir mudar de vida e reconverter-se de um dia para o outro?... ou será que ainda estão à espera que todos emigrem?

 

Então e mandarem o senhor para o desemprego para que ele agarre uma oportunidade e deixe de nos chatear com as suas ideias, as suas politicas e as suas bocas tristes?

 

Jorge Soares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:54

A vida pode ser um jogo de carimbos?

por Jorge Soares, em 26.07.09

 

Indice de desemprego

 

Nos meus tempos de estudante quando ainda vivia lá para o Poço dos Negros, todos os dias adormecia a ouvir alguma das emissoras espanholas, gosto da rádio falada e para isso não há como os espanhóis. Numa dessas noites que entrou pela madreugada, o tema era os mais de 10% de desemprego que atingia, e atinge, a Espanha. Um dos locutores de serviço dizia que não acreditava, simplesmente não era possível que 12 ou 13% da população estivesse sem emprego. A explicação, mais que obvia para o caso, era a enorme economia paralela, as pessoas declaram-se sem emprego, ficam a receber o subsídio de desemprego e paralelamente tem um segundo emprego não declarado e vivem, muitas vezes muito bem, disso.

 

Este fim-de-semana lembrei-me desta conversa, primeiro foi este post no Blogando-me, que mostra alguma da realidade do que acontece em Portugal e depois, na viagem a Bragança, o Neca, que me falou do jogo dos carimbos.

 

O Neca tem uma pequena loja no centro de Bragança, não precisa de empregados, a loja é dele e para ele, mas mesmo assim, nos últimos tempos há muito quem lhe entre pela porta dentro com um papel na mão e um pedido:

 

-Pode colocar-me um carimbo?

 

Assim, sem mais conversa ou preâmbulos, não há ninguém que pergunte se precisa de empregados, ou se tem algum trabalho que possa fazer, a pergunta é mesmo pelos carimbos.

 

Para quem não sabe, a nova lei do subsidio de desemprego obriga as pessoas a fazer prova da procura de emprego, para isso basta um papel com carimbos de algumas empresas, de aí até à corrida aos carimbos, foi um muito pequeno passo, e não me estranhava nada, que até já exista um mercado negro de carimbos.

 

Esta corrida aos carimbos e o que é contado no post do Blogando-me, são o espelho da sociedade em que vivemos, é o lado perverso do estado previdência, hoje fala-se em 10% de desemprego, há quem coloque em dúvida estes números, há quem diga que a percentagem é muito maior. Para se questionar estes números haveria que começar por perguntar o que é um desempregado.

 

Um desempregado é alguém que não tem emprego e que está de alguma forma há procura dele, agora eu questiono, será que as pessoas de que se fala no post do Blogando-me querem mesmo um emprego?

 

Quem não ouviu falar de pessoas que estão a viver do subsídio de desemprego e que só aceitam empregos onde lhes paguem mais que o que recebem? Ou de pessoas que são chamadas e inventam todas as desculpas para não aceitarem o emprego que lhes é proposto? Ou de casos como os que são referidos no post do Blogando-me?

 

A Espanha é desde há muito tempo o país da Europa Ocidental com maior índice de desemprego, mas também é desde há muito tempo o país com a maior economia paralela. Há quem diga que o dinheiro vivo que existe escondido na economia espanhola daria para retirar o país da crise. Em Portugal ainda estamos longe disso, mas quando falamos em desempregados falamos de quê?, das pessoas que querem um emprego ou das que andam à cata de carimbos que garantem que podem continuar a receber o subsidio? ou daquelas que são referidas no post do Blogando-me?

 

Jorge Soares

PS:imagem retirada da internet

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:36


Ó pra mim!

foto do autor



Queres falar comigo?

Mail: jfreitas.soares@gmail.com






Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D