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Mãe, o que é ir à missa?

por Jorge Soares, em 25.02.15

Imagem minha

 

Um destes dias, já não sei a propósito de quê, a D na sua infinita curiosidade saiu-se com o seguinte:

 

- Mãe, o que é ir à missa?

 

A minha meia laranja ia tendo um fanico, e a seguir teve mesmo quando olhou para mim e eu disse:

 

- Finalmente à terceira fizemos o trabalho como deve ser! 

 

Ela ainda tentou argumentar, mas eu como quem não quer a coisa, lembrei-lhe como tinha corrido a experiência do N. e a R. com os escuteiros e a catequese (ver este post), deve ter funcionado, não se voltou a falar do assunto.

 

Os meus filhos são os três baptizados, a mais nova já tinha sido baptizada quando chegou cá a casa e os mais velhos são porque a P. e uma parte da  família faziam questão, a mim tanto se me dá que o sejam ou não, a educação que sempre pensei para os meus filhos não tem nada a ver com religião. Sempre tentei educar com o exemplo e se possível ensinando os meus filhos a pensar por sí, se no fim eles por si e pela sua cabeça chegarem a uma religião qualquer, isso é problema deles, mas se for pelo meus exemplo, não irão de certeza absoluta precisar de igreja ou religião para nada.Eu não preciso mesmo.  Ninguém é melhor pessoa por acreditar ou não em deus, pessoas boas e más há em todas as religiões do mundo e evidentemente entre os ateus.

 

Porque é que me lembrei de tudo isto, porque hoje pelo meu facebook passou o seguinte artigo: Famílias sem religião estão fazendo um trabalho melhor do que as demais

 

Trata-se evidentemente de um artigo sobre vários estudos feitos nos Estados Unidos, vale o que vale, mas não deixa de ser interessante olhar para as várias conclusões, vejamos:

 

-apresentam muito mais solidariedade e proximidade emocional entre pais e filhos

 

-A maioria parecia viver vidas plenas caracterizadas por uma direcção moral e um sentido de que a vida possui um propósito.

 

-têm seus próprios valores morais e preceitos éticos, entre eles a solução racional de conflitos, autonomia pessoal, livre-pensamento, rejeição de punições corporais, um espírito de questionar tudo e, principalmente, empatia

 

- tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados. Este é um imperativo ético antigo e universal, e não há nada nele que force a crença no sobrenatural

 

-Quando estes adolescentes se tornam adultos, eles tendem a apresentar menos racismo que seus colegas religiosos

 

-Os adultos seculares têm uma tendência maior a compreender e aceitar a ciência do aquecimento global, a apoiar a igualdade feminina e os direitos dos gays.

 

-No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto

 

Ora, a mim parecem-me argumentos suficientes, mas muito mais importante que tudo isto é o facto de eu querer que os meus filhos aspirem a ser pessoas cultas e integras com consciência, não por medo às consequências do pecado ou aos castigos divinos e sim porque essa é a forma correcta de se viver.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:25

bebes terroristas

 

Imagem de aqui

 

A noticia é do Público e começa assim:

 

"O Governo britânico, chefiado pelo conservador David Cameron, tem preparado um projecto de lei que pretende que os professores, incluindo os educadores de infância, detectem se há crianças nas suas salas que correm o risco de serem seduzidas pelo terrorismo.

O documento que menciona os infantários acompanha a Lei Anti-Terrorismo e Segurança preparada pelo Home Office (ministério do interior) e está no Parlamento, diz o jornal The Telegraph. Nele, os infantários e outros lugares onde se educam crianças de pouca idade (amas, por exemplo) são identificados como alvos, a par das restantes escolas e universidades."

 

É nestas alturas que sabemos que os terroristas estão a ganhar a guerra, quando um governo democrático decide que professores e educadores devem fazer de espiões é porque deixou de acreditar que esses mesmos professores são capazes de formar cidadãos íntegros e respeitadores.

 

Eu concordo que é na escola que se deve começar a combater o terrorismo, mas não é de certeza colocando marcas nos jovens que se consegue isso, é com educação e princípios democráticos sólidos. Converter professores em espiões só vai servir para que os jovens deixem de confiar definitivamente nestes e se neguem a aceitar o que eles transmitem, isso sim vai contribuir para que os jovens estejam mais vulneráveis e influenciáveis por quem os tenta desviar dos caminhos da liberdade e democracia.

 

Já agora, como é que se detecta que uma criança de cinco anos tem tendências terroristas ou está próxima de ser seduzida pelo terrorismo? Será que a minha mais nova passava no teste?

 

É com leis como estas que se dão armas a quem tenta influenciar os jovens ocidentais e é por governos como este que há tantos jovens ingleses a combater pelo estado islâmico na Síria e no Iraque, disso eu não tenho dúvida nenhuma.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:28

Imagem retirada de aqui

 

Passou quase um mês desde que escrevi este post em que para além de confessar que sim, eu gritava aos meus filhos, me comprometia em deixar de o fazer. Deixei de contar os dias quando ia em 12 ou 13, um dia esqueci-me de escrever a conta no post do dia, depois houve dois ou três dias em que as coisas correram tão mal que estive prestes a perder a calma , a voltar ao passado e aos gritos, quando dei por mim já nem sabia quando tinha começado.

 

Não foi um mês fácil, pelo contrário, foi um mês muito difícil, mesmo... só houve duas vezes em que estive prestes a gritar, mas houve algumas mais em que  me apetecia chorar... ou fugir.

 

Ter um filho hiperactivo não é nada fácil, ter um filho hiperactivo e impulsivo que pela enésima vez mudou de escola e passou de uma onde havia uma balda total para uma onde há um controlo férreo e até algum exagero na forma como se avaliam as coisas, não foi mau, foi mesmo muito mau... tão mau que já dei por mim mais que uma vez a pensar se vale mesmo a pena o esforço, até financeiro, que estamos a fazer, se não seria mais fácil enfrentar a escola pública com todos os seus problemas.

 

Durante este mês mudei completamente a forma como me relaciono com o meu filho, não há gritos, há muitas e longas conversas, muitas mesmo, quando não lhe estou a explicar o porquê dos castigos, estou a repetir as mesmas coisas uma e outra vez.... isto parece estúpido, mas acho que de tanto repetir algo deve ficar naquela cabecinha de adolescente que para além de esquecer tudo muito rapidamente devido à sua doença,  acha que sabe tudo e que eu sou um velho chato.

 

Há evidentemente um clima diferente cá em casa, curiosamente já estive mais perto de gritar com a mais velha, com a qual raramente gritava, que com ele, mas ela tem duas contras, é adolescente e mulher. Isso significa que para além da natural sobranceria de adolescente, há sempre aquela fase do mês em que o mau feitio,  o nariz empinado e a costela de Salazar, se multiplicam por 10... cada vez me pergunto mais como é que ela pode ser tão igual à mãe... os genes são mesmo lixados.

 

Quem conseguiu aguentar um mês pode perfeitamente aguentar um ano, se eu consegui com tudo o que aconteceu durante este tempo, de certeza que não volto a gritar, pelo menos com os meus filhos, (com os meus colegas de trabalho já não tenho tanta certeza...e com algumas outras pessoas não sei não),...mas também tenho a certeza que neste mês ganhei muitos cabelos brancos, e vou ganhar muitos mais, ao gritar aliviava a minha tensão, agora não grito, mas passei a seguir a vida deles de outra forma e tenho muita mais noção de tudo o que acontece... e acreditem em mim, com uma criança como esta não é nada fácil.

 

Mas como disse no primeiro dia, é um dia de cada vez e um problema de cada vez, na vida a única coisa que não tem solução é morte, e não será de certeza um adolescente problemático e um colégio que me irão vencer, até porque ele crescer mais tarde ou mais cedo vai crescer... e acabar a escola alguma vez... já não tenho é tanta certeza que até lá não me internam algures.

 

Jorge Soares

 

PS:O próximo que me fizer aparecer no Facebook  aquela imagem estúpida e que diz "esta escola transmite conhecimentos, as crianças devem vir educadas de casa" vai ser insultado de cima a baixo... ou passar uma temporada com ele. As crianças não são todas iguais e não devem ser tratadas da mesma forma nem em casa nem nas escolas.

 

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publicado às 23:08

Eu que grito aos meus filhos, me confesso!

por Jorge Soares, em 05.10.14

Imagem retirada de aqui

 

Eu para além de ter mau feitio, tenho um tom de voz elevado, muitas vezes a meio de uma conversa ou de uma discussão basta subir um bocadinho o tom para as pessoas acharem que eu estou chateado ou a gritar, na maioria das vezes não é o caso, mas já me senti prejudicado mais que uma vez por isso.

 

Ora tendo uma voz alta e três filhos que felizmente não primam pela perfeição, não é raro dar por mim a gritar com eles, e também já dei por mim  mais que uma vez a pensar: "Como é que as pessoas conseguem não gritar?".

 

A primeira resposta é inevitavelmente uma pergunta: porque é que os os meus filhos não são normais? Eu gostava tanto de ter filhos com os que não fosse necessário gritar....

 

Evidentemente o assunto já foi tema de conversa mais de uma vez com a minha meia laranja, que também grita, principalmente quando se trata das desarrumações da R.

 

Por vezes tento conter-me e consigo durante dois ou três dias, mas quando temos um hiperactivo, uma cabeça no ar e uma teimosa, damos muitas vezes por nós a repetir as mesmas repreensões dia trás dia, e há um dia em que perdemos a cabeça e inevitavelmente terminamos aos gritos.

 

Pior mesmo é quando chegamos àquela fase em que eles já pensam e no meio da repreensão nos dizem: "Não é preciso gritar!!"... aí é quando eu me passo mesmo, tomo aquilo como um desafio à autoridade e elevando ainda mais a voz lhes respondo com um : "Eu falo contigo da maneira que entender e tu tens que me ouvir sem reclamar!"

 

Resta-me o consolo de saber que pelo menos cá no prédio não somos os únicos e quem tem filhos da idade dos nossos grita tanto como nós.. o que não quer dizer que seja correcto.

 

Há muitas teorias sobre o efeito dos gritos nas crianças, a mais comum diz que as crianças repetem na escola o comportamento que temos com eles  e filhos de pais que gritam terminam a gritar com colegas e professores... se calhar é verdade... ou não! Comigo gritaram muito quando eu era pequeno, eu não gritava com os meus colegas e professores, mas agora grito com os meus filhos ... vale o que vale. 

 

Este fim de semana no meio de uma enorme crise com os efeitos da hiperactividade do N. na escola, dei por mim a pensar que tenho que mudar, para começar não volto a gritar e se possível e eles me deixarem, quando for necessária alguma repreensão, vou tentar que em lugar de gritos as coisas se resolvam com conversas cordiais, educadas e construtivas.

 

Não faço ideia quanto tempo é que vou conseguir manter o desafio, isto vai ter que ser mesmo dia a dia, cá em casa há matéria prima suficiente para levar à loucura qualquer santo, será portanto um dia e um assunto de cada vez.

 

Ontem e hoje consegui, portanto: Número de dias sem gritar - 2

 

Jorge Soares

 

PS: No outro dia a Joana perguntava aqui como farão os outros pais para se controlarem, eu também me pergunto o mesmo.

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publicado às 22:37

Angela ... ou Umm

 

Imagem do Expresso 

 

Hoje, para além de um novo vídeo em que um jovem que já foi identificado como sendo inglês, decapita barbaramente mais um jornalista americano, há uma reportagem no Expresso sobre uma jovem portuguesa que deixou a sua família e a sua vida para ir para a Síria com o único propósito de se casar com um combatente da jihad, o marido também é português e para além do Facebook, eles nunca se tinham visto antes.

 

A jovem, que vivia com a mãe na Bélgica, tinha uma vida perfeitamente normal como qualquer outro jovem ocidental e de um dia para o outro decidiu abraçar o islamismo na sua versão mais ortodoxa, tendo inclusivamente passado a vestir burqha.

 

Tenho lido os mais diversos comentários sobre este fenómeno que leva a que jovens que muitas vezes nem tinham nenhum contacto com a comunidade muçulmana dos países em que vivem, de um dia para o outro não só se convertam, mas abracem a religião de uma forma completamente fanática. Raramente consigo concordar com algum destes comentários.

 

Consigo perceber que jovens que são criados no seio da religião muçulmana olhem para ela de uma forma mais ortodoxa, tal como consigo perceber que haja jovens católicos que aspirem a ser freiras ou padres, ou jovens judeus que decidem converter-se em ortodoxos. Mas como entender que uma jovem católica culta e educada decida de um dia para o outro passar de um estilo de vida ocidental e mundano para uma vida em que a mulher tem um papel completamente secundário e passivo, em que não pode sequer sair à rua sem autorização do marido e sem vestir burqha?

 

O que acontece na Síria e no Iraque actualmente não deve estar muito longe do que aconteceu na idade média europeia em que grupos de jovens católicos europeus iam para o médio oriente para com as armas obrigar a quem por lá vivia a converter-se ao catolicismo, na altura utilizavam-se lanças e espadas, agora utilizam-se ak47 e canhões, mas se pensarmos bem, o fim a que se propunham e a barbárie com que o faziam, não devem andar muito longe.. só que agora as imagens entram-nos pela casa dentro via televisão ou Facebook.... No fundo tudo se resume a fanatismo religioso transvestido de guerra santa.

 

Ou seja, há jovens europeus que estão a repetir a história, só que na idade média estavam do lado dos bons e agora estão do lado dos maus... ou ao contrário.

 

Para mim que abomino qualquer tipo de religião, tudo isto só me deixa a pensar que será que o que leva os jovens europeus à jihad? Religião, fanatismo, loucura?

 

Certo, certo certo é que em algum lado estamos a falhar, porque loucuras  como as que vimos hoje e nos últimos dias não podem estar a ser cometidas pelos nossos filhos sem que a sociedade europeia e ocidental não tenha falhado algures...

 

Pelo sim pelo não, no que de mim dependa os meus filhos irão de certeza estar longe da religião... de qualquer uma delas... só aprendendo a pensar por si mesmos e sem estarem apegados a dogmas ou tabusse podem tornar  em jovens equilibrados.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:06

Em busca da natalidade perdida

por Jorge Soares, em 15.07.14

Natalidade

 

 

Ontem ao fim do dia decidimos aproveitar o verão e dar um passeio aqui à volta,  passamos pelo jardim da Algodeia e reparei que havia três crianças a jogar à bola, reparei porque eram as 3 de etnia chinesa, mais à frente outras três mais pequenas brincavam no parque infantil, por perto estavam dois casais também eles chineses. Eram as únicas crianças no jardim apesar de haver bastante gente na esplanada ali ao lado.

 

Na China com a política de filho único ainda em vigor, aqueles dois casais seriam certamente penalizados, por cá são uma bênção, aquelas seis crianças quase que duplicam a taxa de natalidade dos casais portugueses.

 

Curiosamente hoje a noticia do dia tem a ver com os supostos incentivos à natalidade que o governo pretende implementar algures no futuro. Tenho três filhos e sei o quanto custa criar, educar e alimentar uma criança, acolherei de bom grado qualquer coisa que ajude a diminuir a factura mensal, mas não será de certeza com um ou dois por cento no IRS que irei ver a minha vida aliviada e sinceramente acho que este não é o caminho.

 

Se o governo que realmente criar condições para que os portugueses tenham mais filhos terá que começar por apostar num sistema publico de cresches e educação pré-escolar. Lembro-me que quando a R. nasceu a única forma de arranjar uma vaga num infantário privado foi começando a pagar a mensalidade ainda ela estava na barriga da mãe. Ela nasceu em Outubro, começou a ir para o infantário em Fevereiro e nós já pagávamos, um balúrdio,  desde Setembro.

 

Como não tinhamos apoio familiar não havia mesmo alternativa, a hipótese das creches públicas nem se colocava, primeiro porque não havia vagas, segundo porque os horários eram pensados para quem estava em casa e podia ir levar e buscar a criança a meio do dia, não para quem trabalhava.

 

Este ano decidimos colocar a D. na escola pública, temos 4 escolas primárias a pouco mais de 500 metros de casa, até agora arranjaram vaga numa escola no fim do mundo e ninguém sabe quando ou como teremos uma resposta sobre vagas na escola à que pertence a nossa morada.... mas já percebemos que foi uma chatice (para eles) termos sido os primeiros a pedir a transferência... vá lá a gente perceber porquê.

 

Não sei como é nos outros sítios, mas em Setúbal nas escolas publicas às que não vai a policia todos os dias, só se arranja vaga com cunhas e esquemas, não sei para que inventam as regras da morada se depois o Liceu de Setúbal  está cheio de miúdos que moram em Azeitão e Palmela e não há vagas para crianças que moram na mesma rua da escola.

 

De apoio escolar para crianças com problemas nem falo, se a criança não é um modelo as escolas são rápidas a classifica-las como problemáticas, mas quem quer tentar resolver o problema o melhor é que se prepare para gastar mundos e fundos em apoio médico e escolar, porque nas escolas não há dinheiro, nem tempo, nem vontade para nada disso, e no fim quem pode só tem a alternativa de arranjar um colégio... infelizmente eu sei do que falo e também sei que não é com um ou dois por cento a menos no IRS que vou pagar a mensalidade.

 

Depois para a maior parte das escolas segurança é chamar a policia quando há problemas, não é arranjar formas de prevenir para não ter que lamentar.. e infelizmente os exemplos também abundam.

 

Dito isto, se os senhores do governo acham que é com trocos que vão incentivar a natalidade, está à vista que eles nunca tiveram que enfrentar o mundo real, além disso, só paga IRS quem tem emprego e salário... que são coisas que não  estão fáceis de encontrar... depois admiram-se que os jovens terminem todos por emigrar e ir incentivar a natalidade noutros países.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 23:16

É muito fácil educar os filhos dos outros

por Jorge Soares, em 29.05.14

Educar

 

Imagem gamada à Golimix.. que a tinha gamado algures na net

 

Anda a circular pelas redes sociais uma entrevista a Carlos González,  um pediatra espanhol, um senhor que até já escreveu uns livros, e que pretende desmistificar uma série de coisas e de formas de educar que são usadas pela maioria dos pais, para ele, de forma errada.

 

Parece que há muita gente que se esquece que a educação não é uma ciência exata, aliás, cada vez me convenço mais que criar e educar um filho tem muito pouco de ciência e teoria e muito de improviso, de ensaio e erro e até de sorte na distribuição dos genes.

 

Tenho dois filhos praticamente da mesma idade, cresceram juntos e sujeitos às mesmas normas e regras, infelizmente para mim (e para eles) o resultado não podia ter sido mais diferente, a forma de ser, de estar na vida e o comportamento dos dois, não podia ser mais diferente, algo assim como água e fogo.

 

Uma das coisas que o senhor diz é que os castigos não servem para nada... à primeira vista tendo a concordar, cá em casa os castigos são o pão nosso de cada dia, os mais variados e das mais variadas formas, funcionam uns mais que outros... é verdade que eu dou por mim muitas vezes em desespero e a perguntar-me para que servem tantos castigos se voltamos (quase) sempre ao mesmo? ... mas será que a questão a fazer é: Para que servem os castigos?", ou, "Como seria a nossa vida se fraquejássemos e não impuséssemos castigos e disciplina?"

 

Educar deve sempre pelo amor e pelo exemplo, mas cá em casa exemplo só há um e o amor é distribuído de forma equitativa ... então porque é que eu tenho duas criaturas tão diferentes?

 

Depois há aquela parte da comida, segundo ele, não devemos obrigar as crianças a comer, isso é fácil de dizer quando temos filhos que não gostam de uma ou outra coisa, mas o que fazemos quando temos uma criança que simplesmente não come nada do que lhe aparece à frente? 

 

Uma criança que não come é das coisas mais complicadas que existe, cá em casa também passamos por isso, vão ler este post, não obrigar e/ou só apresentar à criança o que ela gosta é sempre uma opção, mas o que se faz quando ela não gosta mesmo de nada? (sim há casos desses). E como se evita que a criança cresça só a comer bifes e batatas fritas? Ele diz que quando crescemos passamos a gostar de tudo, está visto que ele não conhece o meu irmão e muitos dos meus colegas...

 

Educar crianças "normais" é muito fácil,  a maior parte do que ele e muitos outros autores de livros dizem aplica-se a essas crianças, se calhar para elas nem seria necessário livro nenhum, acredito que amor sensibilidade e bom senso são mais que suficientes.

 

O problema é que para além dessas crianças há todas as outras e para essas não se escrevem livros. A quem não lhe aconteceu ver uma birra na rua e pensar: "se fosses meu filho não fazias isso" Educar os filhos dos outros é fácil, todos nós nos achamos os melhores pais do mundo, eu também achava e pensava que havia coisas que nunca me iriam acontecer.. até que elas  acontecem e não há como fugir à realidade da vida. E acreditem, às vezes é muito difícil mesmo, sobretudo porque tenho a certeza que não é por falta de amor, de atenção, de insistência e de muita preocupação.

 

Cada criança é uma criança e cada caso é um caso, e ao contrário do que parece resultar das palavras do senhor na entrevista, não há receitas nem fórmulas mágicas, nem mágicas nem de nenhum tipo, há ensaio e erro, doses enormes de paciência e muita muita insistência... e algum cuidado para não enlouquecer de vez.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:52

Co-adopção

Imagem do Pontos de Vista

 

 

Na próxima Sexta-Feira a lei da co-adopção volta ao parlamento, sim, a mesma lei que já foi votada e aprovada e que foi travada pelos jotinhas do PSD, vai de novo a votos.  

 

Hoje no Público um artigo da jornalista Ana Cristina Pereira ajuda a desmistificar sobre um estudo de dois cientistas  da Universidade do Porto, tenta desmistificar e trazer luz à muita gente que teima em viver noutras épocas e com outros usos e costumes...

 

"As crianças precisam de uma mãe e de um pai? Após extensa revisão de estudos científicos, Jorge Gato e Anne Marie Fontaine, da Universidade do Porto, atestam que, “apesar do preconceito e da discriminação”, as crianças educadas com dois pais ou duas mães desenvolvem-se tão bem como as outras.

 

A adopção singular está prevista em Portugal – a orientação sexual do adoptante não conta. A adopção por casais homossexuais não passou no Parlamento, apesar das várias tentativas. O diploma esta sexta-feira em debate concerne à co-adopção — prevê a possibilidade de um dos membros do casal adoptar o filho, biológico ou adoptado, da pessoa com quem vive em união de facto ou com quem se casou.

 

Em debate está o superior interesse da criança, um conceito indeterminado que se define ao analisar cada caso concreto. Os proponentes enfatizam a desprotecção jurídica em que fica a criança no caso de morte do pai ou da mãe reconhecidos como tal. Indicam também obstáculos no quotidiano, como a representação legal no acesso à saúde ou à educação.

 

Na base do discurso de que as crianças precisam de um pai e de uma mãe está a ideia de que “a maternidade e a paternidade implicam capacidades mutuamente exclusivas e estereotipadas em termos de género e que estas devem ser transmitidas à geração seguinte”, escrevem, num artigo publicado na revista ex aequo, em 2011, Jorge Gato e Anne Marie Fontaine. Estaria, “de um lado, uma mãe ao serviço da criança, prestadora de cuidados e guardiã de todos os afectos e, de outro, um pai, razoavelmente distanciado e introdutor da Lei social”. Ora, os papéis já não são tão rígidos, embora as mulheres ainda invistam mais na família.

 

No entender destes investigadores, “considerar a família heterossexual, com uma divisão tradicional de papéis, como o modelo desejável de parentalidade corresponde mais a um projecto ideológico do que a um facto cientificamente provado”. Passada a pente fino as “investigações que comparam homo e heteroparentalidade”, concluíram que não há grande diferença.

 

Duas mulheres até exercem a parentalidade “de uma forma mais satisfatória, em algumas dimensões, do que um homem e uma mulher ou, pelo menos, do que um homem e uma mulher com uma divisão tradicional do trabalho familiar”. As crianças crescem como as outras, só que “parecem desenvolver um reportório menos estereotipado de papéis masculino e feminino”.

 

O tema é polémico. A Ordem dos Advogados, por exemplo, deu ao Parlamento um parecer a recusar a parentalidade homossexual. A propósito do projecto do BE sobre adopção, deu o Conselho Superior do Ministério Público parecer oposto: “Vale para a orientação sexual o mesmo argumento que valeria, por exemplo, se se considerasse, à partida, que determinadas situações genéricas, por exemplo a situação de desempregado, de deficiência ou de pertença a um grupo social, fossem impeditivas de adoptar.”"

 

ANA CRISTINA PEREIRA no Público

 

 

Faz todo o sentido não é, no fundo todos sabemos que é assim, a capacidade de amar e educar não tem nada a ver com preferências sexuais, para amar só basta ter vontade, espírito aberto e coração, infelizmente há muito boa gente por aí que parece que não tem nada disto, mas acham-se muito normais e superior aos outros só porque vão pela vida como carneirinhos no rebanho.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:34

à espera do Justin Bieber

 

Imagem do Público 

 

A reportagem é de ontem, mas foi hoje durante o dia que eu fui dando por pelo barulho causado por um vídeo que passou na SIC, uma miúda de 15 anos confessou ao repórter que tem 6 tatuagens do Justin Bieber

 

Tenho dois filhos pré adolescentes, a conversa das tatuagens já passou cá por casa mais que uma vez, desde muito pequeno que o N. apanha todas as tatuagens de brincar que pode e não perde uma oportunidade de as colar no corpo. Com mais ou menos explicações, tanto eu como a mãe sempre deixamos claro que enquanto viverem cá em casa e/ou não ganharem o dinheiro deles, não há tatuagens.

 

Ver uma miúda de 15 cheia de orgulho diz que tem 6 tatuagens com referências a um miúdo que ainda esta semana foi noticia pelos piores motivos, faz-me muita confusão.

 

As coisas de que gostamos quando temos 15 anos não tem nada a ver com o que vamos gostar aos 18 e muito menos com o que vamos gostar aos 25, como é que há pais que permitam que estas coisas aconteçam. Daqui a 3 ou 4 anos quando o Justin Bieber não for mais que uma recordação do passado ou no melhor dos casos um artista que não tem nada a ver com o que é hoje, o que fará esta miúda com as tatuagens?

 

Como reagirá ela daqui a 5 ou 6 anos a tudo isto?, quando tiver 21 ou 22 anos e já não gostar do ídolo das criancinhas, ela será capaz de vestir um bikini e ir para a praia mostrar-se e ser a piada de amigas e conhecidas? E como explicará aos futuros namorados que tem o corpo preenchido com o nome de outro?

 

É claro que há sempre a hipótese de pagar uma fortuna para retirar as tatuagens com laser, mas isto era mesmo necessário? Como é que há pais que permitem que isto aconteça?

 

E como é que há pais que permitem que adolescentes entre os 12 e os 16 anos passem dias a dormir ao relento para fazer fila para o concerto? e como é que justificam as faltas às aulas do dia de hoje porque as suas filhas estiveram na fila para o concerto?

 

Sou só eu que acho que estamos a criar (mais) uma geração em que tudo se dá e se permite e que há muita gente que em lugar d edar educação dá mimos e satisfaz todo e qualquer capricho?

 

O vídeo sobre as tatuagens:

 

 

Jorge Soares

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publicado às 21:46

Uma terrorista de trazer por casa

Imagem minha do Momentos e Olhares

 

Imaginem a situação: estão 3 crianças de 5 anos no recreio da escolinha, duas meninas e um menino. Vá lá saber-se porquê decidem brincar às lutas, meninas que gostam de brincar às lutas não é lá muito comum, mas estas gostam. A meio a brincadeira, talvez porque não gosta de lutar com meninas, talvez porque acha que elas estão a levar a melhor, o menino farta-se e diz que não quer brincar mais, mas as duas meninas estão-se a divertir e insistem em continuar... o menino não quer mesmo e desata a chorar... não sei como terminou a coisa, imagino que algum dos adultos que controlam o recreio tenha aparecido, e a brincadeira parou.

 

Este tipo de coisas acontece todos os dias no recreio da escola, crianças a chorar porque não querem brincar mais e outras a insistir para que a brincadeira continue, deve ser o pão nosso de cada dia em todas as escolinhas do mundo... reparem, a brincadeira terminou com o choro do menino, não houve feridos, nem marcas, nem sequelas... nada... bom, quase nada.

 

Estava eu na festa de natal da escolinha quando atrás de mim, uma senhora se começa a referir de uma forma muito pouco simpática sobre a D. De inicio fingi que não ouvia, mas como a coisa continuava e já estava a roçar o racismo e a falta de educação, o meu mau feitio veio ao de cima e não me pude conter.

 

- Olhe, desculpe lá, mas o pai da menina de quem a senhora está a falar está aqui, porque é que não me diz isso directamente?

- O senhor é o pai?

- Sim, sou!

- A sua filha bate no meu filho e a culpa é sua que não lhe dá educação.

 

Não vou repetir aqui a conversa toda, para a senhora, a minha filha é a vilã da escola, bate em tudo o que mexe e a culpa evidentemente só pode ser minha. É claro que o filho dela é um anjinho que nunca bateu em ninguém, é uma vitima da D.

 

A coisa aqueceu e só não passou a vias de facto quando o pai, marido da senhora se vira para mim e diz: "A sua filha não tem educação e se o senhor não lha dá, dou eu!", porque eu me lembrei que estava no meio de uma festa de natal. Decidi sair dali, não sem antes avisar o senhor que se livrasse sequer de chegar perto da minha filha.. porque aí a coisa podia mesmo terminar muito mal.

 

Convém lembrar que estamos a falar de crianças de 5 anos, pelos vistos há pais que acham mesmo que tem em casa os santinhos..e há crianças que para além de mariquinhas, são queixinhas.

 

Imaginem só o que teriam feito estas pobres almas se o filho lhes chegasse a casa com um corte na testa feito por um pião, como me chegou um destes dias a D.?

 

Continuo a achar que isto é um problema da escola e é a escola que tem que resolver, mas há muita gente por aí que vai ter muitos problemas na vida se acha que tem um filho perfeito, e que as brincadeiras de criança se resolvem com discussões de adultos... porque para além de discutir comigo, a senhora fez a mesma cena com a mãe da outra menina. 

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:47


Ó pra mim!

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