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Imagem do Facebook

 

Disclaimer: Por favor não entendam os meus posts como um incentivo ao voto em Bolsonaro ou contra o Bolsonaro, na minha situação actual eu nunca votaria nele ou em alguém que esteja sequer próximo das ideias dele... Entre alguém que eu sei que quase de certeza me vai cortar a liberdade de pensar e de dizer o que quero e alguém que quase de certeza vai governar mal e manter a situação actual, eu optaria sempre pelo segundo, pelo menos neste caso eu sei que passado algum tempo vou poder escolher outro, com o primeiro já não tenho a certeza que isso aconteça.

 

A imagem acima é uma das muitas que anda a circular nas redes sociais e que pretende simbolizar o porquê é errado votar em Bolsonaro.  Mas será que é assim tão simples? Será que as pessoas só votam nele porque não gostam do PT? Sinceramente não acredito, o texto abaixo foi escrito por mim no post do dia 05.03.2013 (Aqui), dia em que morreu Hugo Chavez.

 

Eu vivi 10 anos em Caracas na era pré Hugo Chavez, eu vivi na Venezuela quando por cada litro de leite que se comprava, o estado pagava três à empresa produtora, por cada bilhete de autocarro o estado pagava três à empresa de transportes, era uma economia subsidiada em que não havia inflação e era tudo baratíssimo.

 

Por outro lado, era um estado em que a corrupção era lei, não se pagavam multas, não se pagavam impostos e não se fazia absolutamente nada, desde tirar o bilhete de identidade a fazer qualquer negócio, sem untar as mãos a alguém.

 

Esta situação manteve-se assim durante muitos anos até que um dia o baixo preço de petróleo, a corrupção generalizada e a situação mundial fizeram com que as reservas do estado não fossem suficientes para continuar a manter uma economia artificial e então foi o caos. Sem os subsídios do estado o povo teve que passar a pagar os verdadeiros preços pelas coisas e a inflação galopante levou o pouco que restava da economia.

 

Isto durou 15 anos até que o povo se fartou, decidiu deixar de apostar nos mesmos de sempre e optou por mudar, foi aí que apareceu alguém que soube falar ao povo, aos pobres que são a maioria da população. Nessa altura eu já não vivia lá, mas se vivesse, de certeza que votaria nele, porque simplesmente o país não podia continuar a ser governado pelos mesmos de sempre, os que o tinham levado  até aquela situação.

 

Hugo Chavez era um demagogo, um homem sem qualquer sentido de estado, e não foi capaz de tirar o país do enorme buraco donde ele se encontra, mas a verdade é que ele foi eleito em 5 ou 6 eleições, ganhou dois referendos e sempre com percentagens acima de 70% dos votos.

 

Façam o exercício de trocar Hugo Chavez por Bolsonaro, e a Venezuela pelo Brasil .... e talvez não seja preciso muito esforço para se perceber o resultado das sondagens e o que se vai passar no próximo Domingo.

 

A diferença é que Bolsonaro é um ex-militar que está na extrema direita e Hugo Chavez era um militar que  (supostamente) estava na extrema esquerda, de resto o discurso não é assim tão diferente e quase de certeza que se esperarmos o tempo suficiente, o resultado também não será muito diferente. Não há milagres, políticos ignorantes só podem levar a resultados desastrosos.

 

No outro dia alguém (não me lembro mesmo quem) dizia o seguinte algures no Facebook:

Quando a situação económica é má, as pessoas apoiam cegamente qualquer diabo que apareça mascarado de Messias e a própria liberdade torna-se irrelevante. Sempre assim foi e sempre assim será.

 

Só espero, pelo bem do povo do Brasil, que a seguir a Bolsonaro não apareça um Nicolás Maduro qualquer, que é um senhor que não está nem à direita nem à esquerda, só lá está  mesmo pelo poder e pelos benefícios do mesmo.

 

Jorge Soares

 

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publicado às 21:35

Fake News

por Jorge Soares, em 24.10.18

Imagem retirada de aqui

A imagem acima anda a circular há umas semanas nas redes sociais, lembro-me que me apareceu no Facebook um ou dois dias depois da primeira volta das eleições no Brasil. Na altura estava inserida numa noticia que dizia que apoiantes de Bolsonaro tinham agredido uma jovem lésbica e a tinham marcado desta forma. Estive quase a voltar ao blog nesse dia para falar do assunto, não foi na altura, é hoje. 

 

Hoje a noticia do Globo diz que a jovem se auto-mutilou e inventou toda a história.  Tenho o Globo como um jornal sério, mas para ser sincero, já não sei no que acreditar. Há outras noticias (Ver aqui) sobre o nazismo e o aparecimento de suásticas no Brasil, mas será que serão reais ou só mais um produto da gigantesca fábrica de noticias falsas em que degenerou o país nos últimos tempos? 

 

E será que tudo aquilo que lemos e ouvimos sobre o Bolsonaro é verdade? E o que se diz sobre Lula e o PT? Podemos acreditar em quê? 

 

Vivemos numa época em que a maioria das pessoas usa as redes sociais para se manter informado, já vi passar pelo Facebook desde a maior das barbaridades, até noticias com 4 ou 5 anos que são apresentadas e comentadas  por quem as partilha, como sendo a maior das actualidades.

 

Naquela semana de Agosto em que Portugal chegou aos 45 Graus, alguém foi buscar uma noticia de Abril em que se dizia que na semana a seguir ia nevar, era uma noticia que tinha sido real em Abril, ninguém via a data mas todo o mundo comentava como se aquilo fosse mesmo acontecer em Agosto.

 

As pessoas acreditam simplesmente no que lhes aparece à frente, na maior parte dos casos só lêem o cabeçalho e nunca entram na noticia, mas todo o mundo comenta como se fosse um especialista e claro, não podem deixar de partilhar.

 

Há muito que deixei de acreditar em sondagens, desde a vez em que participei numa e que percebi como é que se leva as pessoas a escolher o candidato que interessa a quem a pediu. Mas quando nos perguntamos como é que o Bolsonaro pode ter quase 60% das intenções de votos, talvez uma parte da resposta esteja neste tipo de comportamentos. ... Uma parte, do resto falo noutro dia.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:05

Somos um atraso de vida!

por Jorge Soares, em 22.10.18

atrasodevida.jpg

 

Hoje de manhã numa das crónicas da  Antena 1 alguém contava que recebeu este mês uma multa de transito do dia 15 de Outubro de 2017, tinha sido apanhado em excesso de velocidade quando ia algures a tentar fugir do fogo numa estrada rodeada de incêndios por todos lados... vá lá a gente perceber porque é que a GNR estava a medir velocidades no meio da maior catástrofe que aconteceu em Portugal no século XXI.

 

Bom, eu em Agosto estive de férias em França, aluguei um carro e andei a visitar pequenas cidades algures entre Poitiers e Bordéus. Munido de GPS dei por mim a percorrer kms e kms de estradas rurais, estradas onde tão depressa temos limites de 90, como de 70 porque há um cruzamento, como de 50 porque há uma casa de cada lado, como voltamos aos 90... 

 

Quem me conhece sabe que na estrada eu não abuso, cumpro os limites e pronto, algures numa terça-feira às 15:35 não devo ter visto um sinal de 70 e continuei a 90 precisamente onde havia um radar. Na quarta às 14 eu tinha um mail da companhia de aluguer a avisar-me que tinha uma multa e que me iam identificar às autoridades francesas. 

 

Na segunda-feira seguinte quando estava no aeroporto de Bordéus à espera de entrar para o avião para voltar para casa, decidi ir ver o mail. Lá estava o mail das autoridades de trânsito francesas com os avisos e as instruções todas para carregar num link e caso o pretendesse, pagar a multa. 

 

Reparem, eu fui multado na terça às 15:35, na quarta às 14 já a companhia de aluguer tinha sido avisada, na segunda seguinte, menos de uma semana depois, já eu tinha sido notificado e tinha as instruções para pagar a multa... que era mais barata se eu carregasse no link no prazo de 7 dias. Tinha uma semana para o fazer , caso contrário o link deixava de ser válido e a coisa seguia o procedimento normal e claro, pagava o máximo.

 

França é muito maior que Portugal, a julgar pelos que eu vi, deve haver milhares e milhares de radares, milhões de multas .... eles demoraram uma semana a tratar da burocracia com a companhia de aluguer e a enviar-me a multa por mail com tudo pronto para eu entrar no link, escolher o modo de pagamento, colocar os dados e pagar. ... cá demoram meses e meses para enviar a multa e há milhares de multas que prescrevem porque não são tratadas a tempo.

 

Se os franceses conseguem, porque é que nós não conseguimos? Porque somos um atraso de vida!

 

Não é que interesse muito para o caso, durante uns segundos ainda pensei se carregava no link ou não, decidi que sim, se eles demoraram  menos de uma semana a tratar da papelada toda.. .de certeza que a multa me ia chegar a casa. Paguei 45 Euros, eles aceitam cartões de crédito, paypal, transferências, o que preferires.

 

Jorge Soares

 

PS:Hoje não caminhei ... mas escrevi um post.  

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publicado às 22:49

Marcia.jpg

 

Imagem de aqui

 

A expectativa era grande, nomes como Luísa Sobral, Márcia, Samuel Uría, Rita Redshoes, etc, deviam ser a garantia de que algo ia mudar. São músicos consagrados, que dão cartas na nova música portuguesa, com muito sucesso e que não ficam a dever nada a muita coisa que se faz pelo mundo fora.... desta vez é que era.

 

Afinal, a montanha pariu um enorme rato.... desde a  semana passada na rubrica da Antena 1, "A contar", David Ferreira tem estado a recordar alguns dos festivais dos anos 60... Bom, algumas das músicas que se cantaram nesta primeira meia final poderiam ter sido encaixadas no meio de qualquer um desses festivais sem que ninguém desse pelos quase 50 anos de diferença temporal.... 

 

É verdade que há letras muito bonitas, muito bem escritas... mas que claramente não tem nada a ver com um Festival da Eurovisão, podem ter muito a ver com o Festival RTP da canção dos anos 60 e 70.... mas dificilmente irão fugir aos últimos lugares na Eurovisão.

 

Qual é o problema da RTP com a música portuguesa do século XXI? Porque é que em lugar de escrever uma balada de outros tempos a Rita RedShoes não pode participar com uma das suas músicas em inglês? Porque é que o Samuel Uría, que escreve e canta coisas fantásticas, não pode participar no festival com uma das suas criações do século XXI? 

 

Porque é que o Rui Drummond que tem uma das melhores e mais versáteis vozes do panorama nacional , não pode cantar mais que uma balada insossa e sem jeito?

 

Se realmente queremos participar na Eurovisão e ficar  pelo menos a meio da tabela, porque é que não fazemos um festival a sério com:  os the Gift , os Clã,  os Xutos, os GNR, David Fonseca, The Legendary Tigerman, os Tambor, Isaura, Mimicat, Capitão Fausto, Acordes c/ arroz, Miguel Araújo, os Azeitonas, Marta Hugon, Aurea, etc, etc, etc,..... 

 

Há tanta gente fora de série no panorama musical português que a única explicação que eu tenho para que ano após ano raramente se passe do medíocre, é que as regras de participação estão completamente erradas..... 

 

Este ano esforçaram-se para trazer músicas escritas por jovens consagrados, mas esqueceram-se de mudar as regras... que de certeza são as mesmas de 1960.... se é que não são mais arcaicas. Como é que conseguem fazer um festival tão fraco com tantos nomes sonantes e cheios de sucesso na música nacional? O que é que a RTP tem contra a música POP e o Rock nacional? Esta vez até tivemos música em inglês... tão chata e sem graça como as baladas em português.. porquê?

 

Que tal esquecermos que este fim de semana aconteceu e começarmos de novo?

 

Jorge Soares

 

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publicado às 22:55

espirito santo.jpg

Imagem de aqui

 

Ontem à noite o noticiário abriu com imagens da Cidade de Espírito Santo no Brasil, com a policia em greve a violência e o crime desataram-se. No ecram sucedem-se as imagens de violência, lojas pilhadas, tiroteios e corpos espalhados. Não soubéssemos que tudo isto se passa no Brasil e bem que podiam ser imagens das guerras civis da  Síria ou do Iraque, tal o grau de violência que nos entra pelos olhos dentro.

 

As últimas imagens são as dos camiões militares a despejar soldados armados até aos dentes enviados pelo governo brasileiro para tentarem tomar conta da situação. 

 

Por momentos voltei à Caracas de 27 de  Fevereiro de 1989, quando os protestos pelo aumento dos transportes degeneraram numa espiral de violência que deixaram centenas de mortos e milhares de lojas saqueadas. Recordo que a situação só começou a acalmar quando o governo despejou milhares de soldados como os da fotografia por toda a cidade.

 

Ontem não foi fácil explicar aos meus filhos o que se estava a passar nas imagens da televisão, após perceberem a questão foi imediata: 

 

- Cá pode acontecer?

 

Não, cá não pode acontecer, primeiro porque por cá a policia não pode fazer greve e segundo, porque, mesmo que a polícia fizesse greve, o nível de violência e civismo da sociedade portuguesa não tem nada a ver com os do Brasil ou da Venezuela.

 

Há quem ache que em Portugal há criminalidade e insegurança, é nestas alturas, quando temos um nível de comparação com o que se passa noutros países e noutras sociedades, que percebemos que afinal... vivemos no céu... só que não sabemos.

 

Jorge Soares

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publicado às 13:15

Num daqueles dias

por Jorge Soares, em 16.11.16

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá, e é esta a razão intima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

 

Fernando Pessoa

 

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publicado às 14:35

Serei pobre ou irresponsável?

por Jorge Soares, em 06.10.16

classemedia.jpg

 

Retirado do Facebook

 

A crónica do Ricardo Campelo Magalhães no Jornal económico existe mesmo, aqui.

 

Estive a fazer as contas, e das duas uma, ou sou pobre ou sou irresponsável. É que mesmo tendo em conta que cá em casa há dois salários razoáveis, que pagamos uma prestação de casa muito baixa, que ambos os carros estão pagos, não são novos nem de marcas caras, mas estão pagos, não estou a ver como é que conseguia poupar o suficiente para chegar à idade da reforma com 500000 Euros acumulados.

 

E não, não vou jantar fora mais que duas ou três vezes por mês, e mesmo assim quando vou é a sítios onde raramente pago mais de 50 ou 60 Euros... para comermos os 5!

 

Também não tenho os últimos telemóveis e gadgets, o meu telemóvel é um iphone é verdade, comprei-o agora, novo, mas é um 5S, e custou menos de metade do que custa um da última geração, o anterior era um 4 e tinha mais de três anos, foi agora herdado pela minha filha mais velha.

 

Se calhar a irresponsabilidade é mesmo ter três filhos, ter que pagar roupa, médicos, colégios, atl's, actividades, livros, explicações, instituto de inglês.... se calhar se  não os tivesse e poupasse tudo isso... mas olhem que mesmo assim não sei se dava.

 

Até agora eu achava que me enquadrava na classe média, salários razoáveis, casa própria e quase paga, dois carros, educação para  mim e para os meus filhos... vida razoável.. afinal, e tendo em conta que a menos que me saia o Euro milhões nunca na vida vou conseguir poupar 500000 Euros, afinal sou pobre e ainda por cima irresponsável.

 

Não sei o que se poderá chamar a quem sobrevive e mantém uma  família com um salário mínimo ou ainda menos...

 

Sabem uma coisa? Acho que senhor ali da fotografia não faz a menor ideia do que diz. Para a grande maioria dos portugueses, classe média incluída, 500000 Euros é uma enorme fortuna!

 

Jorge Soares

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publicado às 23:06

Votar para abdicar da privacidade?

por Jorge Soares, em 27.09.16

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Imagem da internet 

 

A noticia é da RTP e diz :  "Suíços abdicam da privacidade em prol dos serviços secretos" no domingo passado, em mais um dos muitos referendos que se fazem no país helvético, mais de 65 % dos Suíços votaram a favor de uma  lei que vai permitir aos serviços  secretos espiolhar as vidas privadas dos cidadãos.

 

Isto acontece na mesma semana em que em Portugal se armou um enorme burburinho porque o governo enviou para aprovação do presidente da república, uma lei que permitirá aos bancos avisarem o fisco de qualquer um que tenha contas bancárias com mais de 50000 euros...  aposto que há muita gente por aí a rezar para que Marcelo vete a lei... é que há coisas que são dificeis de explicar ao fisco.

 

Curiosamente também aconteceu na mesma semana em que a minha filha mais velha ouviu falar de um senhor chamado Edward Snowden, que como se recordarão ficou conhecido porque mostrou ao mundo que  os serviços secretos americanos espiolhavam a vida privada não só dos americanos, como de muita gente mais ou menos importante pelo mundo fora.

 

Ela considera o senhor digno da maior admiração porque foi capaz de gritar ao mundo o que já todos mais ou menos sabíamos mas ninguém se atrevia a dizer e/ou a provar. 

 

Tal como ela aplaudo a atitude de Snowden, mas confesso que ante os últimos ataques terroristas e tendo a certeza que se tal como dizem os países Europeus, é verdade que se tem evitado muitos ataques terroristas nos últimos tempos, isto se deve a que algures há máquinas e sistemas a trabalhar e pelos vistos a funcionar bem. 

 

Tentei explicar à minha filha que entre o preto e o branco, há muitos  tons de cinzento pelo meio e que se calhar há alturas em que os fins justificam os meios....  acho que não tive muita sorte, talvez porque nem a mim me consigo convencer.

 

O problema de tudo isto é que dificilmente se conseguem impor limites ou controlar até onde chega quem tem as máquinas e o poder de as utilizar.. e depois acontece como nos Estados Unidos, começa-se por escutar os terroristas e termina-se a ouvir os telefonemas dos lideres de outros países sem importar muito se são amigos ou inimigos.

 

Na Suíça há algo que querem chamar democracia directa e tudo é referendável, desde os minaretes das mesquitas até à privacidade do cidadão, passando por se podem ou não expulsar  emigrantes... Em muitos casos o populismo leva a melhor e no fim dá asneira... como acho que aconteceu neste caso.

 

Em Portugal felizmente confiamos nas instituições para fazer as leis, o que será que acontecia se se fizesse um referendo para decidir se quem tem mais de 50000 Euros no Banco  tem ou não que explicar ao fisco de onde saiu o dinheiro? Ou se quem, tem património imobiliário com valor superior  a x mil euros tem que pagar um imposto especial?

 

Não é nada fácil decidir o que significa democracia directa ou o que é ou não privacidade.... mas eu teria uma enorme dificuldade em ser Suíço.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:17

Pode a escola educar para a pontualidade?

por Jorge Soares, em 20.09.16

Pontualidade (1).jpg

 

Imagem de aqui

 

Já aqui falei sobre a pontualidade ou a falta dela, foi neste post, hoje vou voltar ao assunto, porque ele foi tema na reunião de pais do inicio do ano na escola da R:

 

Há episódios que nos marcam, andava eu no segundo ano da faculdade no IST e tinha uma cadeira chamada Medida da Integração, era uma coisa super teórica em que se falava de teoria dos números e de muitas outras coisas super abstractas da matemática. O professor era o Manuel Ricou, trabalhava numa multinacional e dava aquela cadeira  às oito da manhã, era sempre super pontual.

 

Um dia, deviam ser oito e quinze quando entram dois alunos atrasados, ele interrompeu a aula e virando-se para eles disse:

 

-Desculpem lá, para eu poder estar aqui às  oito da manhã em ponto, os meus filhos tem que se levantar às seis e meia de modo a que eu os possa deixar na escola, se eles se podem levantar a essa hora para eu estar aqui a horas, vocês pelo menos deviam ter a decência de chegar a horas, façam favor de sair e não voltem a chegar atrasados.

 

A semana passada na reunião com a directora de turma da R., fomos informados que o liceu de Setúbal alterou o regulamento interno, acabaram-se os 10 minutos de tolerância e as faltas por atraso, a partir de agora após cinco minutos as portas das salas são encerradas e quem não tiver entrado já não entra. E os alunos ficam inclusivamente proibidos de andar pelos corredores após  este tempo.

 

Confesso, não pude deixar de sorrir ao ouvir isto, a professora reparou e ficou a olhar para mim... alguns dos pais pediram esclarecimentos mas o assunto foi pacifico. No dia a seguir fiquei a saber pelo Facebook que houve turmas em que os pais que não acharam piada nenhuma e inclusivamente exigiram que ficasse a sua reclamação em acta.

 

Pessoalmente não posso estar mais de acordo com esta medida, que melhor lugar que uma escola para ensinar aos jovens a importância da pontualidade?

 

Imagino que os pais que estão contra são os mesmos que chegam sempre pelo menos 15 minutos atrasados às reuniões de turma, à hora em que devia iniciar-se a reunião, numa turma de 23 alunos,  estávamos: a professora, eu e uma mãe. A reunião começou 15 minutos depois da hora marcada e houve muita gente que chegou depois disso.

 

É claro que quem não consegue ser pontual dificilmente consegue transmitir a ideia aos seus filhos, e quando o exemplo não vem de casa ... 

 

Custa-me entender que os pais sejam contra uma medida destas, se a importância da pontualidade não se ensina em casa e não queremos que seja ensinada na escola, então queremos o quê? Alguma coisa se tem que fazer porque a verdade é que cada vez mais este país é um atraso de vida com tanta gente a chegar sempre atrasada..

 

Jorge Soares

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publicado às 23:33

Café sem açúcar? Nãooooooooo!

por Jorge Soares, em 19.09.16

café.png

 

 

Imagem do El Pais

 

Há uns tempos li um artigo (este artigo)  num dos blogs do El País em que o autor escrevia que só há dois países do mundo em que ao pedir um expresso há 99% de probabilidades de se tomar um bom café, Itália e Portugal... eu diria que no resto do mundo e principalmente na Espanha, as probabilidades são quase ao contrário.

 

Eu comecei a tomar café aos 11 anos mais ou menos na mesma altura em que os comecei a servir. Não sei como será agora, mas na altura na Venezuela o café tomava-se em copos de plástico. Quando cheguei a Portugal estranhei as taças de cerâmica e principalmente o sabor do café, que pouco tinha a ver com o que eu estava habituado.

 

Com o tempo habituamos-nos a quase tudo... principalmente quando tomamos pelo menos 3 cafés por dia... ainda que na altura da faculdade podiam ser alguns  mais.

 

Com a idade e o aumento de peso passei do açúcar para o adoçante, no inicio estranhei, depois entranhei até ao ponto de não gostar de café com açúcar.

 

De há uns tempos para cá virou moda o café puro, sem açúcar e sem adoçante, a maioria dos meus colegas é assim que o toma, dizem eles que é a única forma de conhecer o verdadeiro sabor do café... 

 

Como estou numa de perder peso e é uma resolução mesmo a sério, uma das medidas foi retirar o adoçante, segundo as últimas teorias, para quem quer perder peso o adoçante é pior que o açúcar, isto porque no açúcar há uma parte que se transforma em energia e outra em gordura, no adoçante não há energia, vai tudo para a gordura....

 

A ideia era mesmo passar a tomar o café sem açúcar em nome da boa forma e do peso certo... como não é fácil comecei por tomar com meio pacote de açúcar.... o objectivo era ir diminuindo até passar a tomar sem açúcar.

 

Segundo os meus colegas em menos de uma semana devia estar habituado ao "verdadeiro sabor do café" .... pois. Passado mais de um mês e após algumas tentativas eu continuava com mais ou menos meio pacote de açúcar, umas vezes mais e outras menos, estava claro que a coisa não estava a resultar.

 

Como o que tem que ser tem muita força, e eu não sou de deixar resoluções a meio, um dia decidi que não devia ser tão difícil e deixei mesmo de colocar açúcar.. A realidade é que para mim o café sem açúcar sabe mesmo mal, é amargo, horrível... de inicio achei que tinha que dar tempo.. aquela semana de que todos me falavam....

 

Passado uma semana o sabor continuava a ser horrível, um dia dei por mim a pensar que tinha que tomar uma decisão, ou voltava ao açúcar, ou deixava de  tomar café... Para mim tomar um café era um prazer, agora é um suplicio, acho que basta olhar para a minha cara para se perceber que há algo de errado.

 

Ainda não voltei ao açúcar, fixei uma meta para o meu peso ideal e não vou sair da linha até lá, todas as restantes alterações alimentares que tenho vindo a fazer são fáceis de seguir e não são sacrifício nenhum, o verdadeiro sacrifício, o que custa mesmo,  é o raio do sabor do café sem açúcar e sem adoçante.

 

Os meus colegas continuam a dizer que gostam do café assim, desculpem lá, mas não acredito que alguém goste mesmo de uma coisa que só sabe a amargo e a queimado...  horrível.

 

Sejamos sinceros, o verdadeiro sabor do café inclui açúcar ou algo que o torne mais suave e bebível, se o verdadeiro sabor do café fosse o que eu tenho estado a sentir nos últimos tempos, não haveria artigos como o do El país e ninguém gostaria de tomar café expresso. A minha meia laranja sugeriu adicionar canela... fica melhor, menos amargo, mas não o suficiente.

 

E sim, vale a pena o sacrifício, perdi quase 7 quilos em dois meses.... mas podem ter a certeza que das duas uma, ou volto ao café com qualquer coisa doce ou deixo de tomar café... assim não dá!

 

Jorge Soares

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publicado às 23:33


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