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Livro: o Fim da inocência

por Jorge Soares, em 01.11.10

o fim da inocência - Francisco Salgueiro

"Hoje em dia os pais têm pouca ideia daquilo que realmente se passa com o filhos.

 

Julgam que as suas adolescências são iguais às que tiveram e deixam-nos à solta. Acontece que a realidade actual é muitíssimo diferente daquilo que oiço dizer que era nos anos setenta, oitenta e noventa.

 

É uma realidade em que o sexo e as drogas fazem parte do dia-a-dia"

 

É assim que começa este livro, uma nota escrita pela Inês e que funciona quase como que um aviso para o que nos espera nas páginas seguintes. Diz o autor que o livro é baseado em histórias reais contadas pela Inês, confesso que tenho sérias dúvidas, não é que todas estas coisas não possam acontecer com os nossos filhos, os filhos da vizinha, os de um colega de trabalho, alguém que conhecemos, eu tenho é sérias dúvidas que todas estas coisas possam acontecer com uma só pessoa.

 

No livro podemos encontrar todos os males da nossa sociedade, da simples utilização do telemóvel para partilha de coisas pouco inocentes, até à utilização do Facebook para fins mais ou menos morais.  Pelo meio passamos por tudo, absolutamente tudo, os perigos das salas de chat e do messenger, a droga na noite, a droga nos festivais de verão, etc, etc, etc.

 

A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam.  Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por  ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.

 

O livro é um relato fiel de muitas coisas, coisas que no fim explicam a forma como nós como pais estamos a deixar que os nossos filhos se destruam. Tudo o que possam imaginar.. também muitas coisas que nunca imaginamos, está ali relatado, de uma forma dura e crua e em primeira pessoa

 

Independentemente de que toda a historia tenha saído da imaginação da Inês, da do Francisco Salgueiro, ou seja mesmo real, a verdade é que tudo o que está ali relatado existe mesmo, e a maioria de nós terá ouvido falar de tudo ou de quase tudo. É precisamente isso que me deixa na dúvida.. dificilmente alguém conseguiria passar por tantas coisas na vida .. e muito menos se no fim do livro a protagonista nem 18 anos fez.

 

Tirando o detalhe das cenas realmente chocantes, é um livro muito bem escrito, um livro que nos deveria deixar a pensar sobre a forma como estamos a educar os nossos filhos, sobre as muitas coisas que lhes damos todos os dias e sobretudo as que não lhes damos, atenção, formação e informação sobre o mundo real que existe lá fora.

 

"Se estiver a ler estas linhas e disser: Com o meu filho isso não acontece, porque é bom aluno e não o educo para se meter nessas coisas, talvez não seja má ideia ler o livro até ao fim.  Eu também era boa aluna e os meus pais não me educaram para me meter nessas coisas.

 

Sinopse:

Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional. Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas

 

Jorge Soares

publicado às 21:24

Barriga de aluguer

 

Imagem do DN

 

O assunto apareceu já a madrugada ia alta, tudo a propósito do filho do Cristiano Ronaldo, por aqueles dias falava-se de uma barriga de aluguer, coisa em que eu não acreditava.. também não interessa nada, porque rapidamente deixamos a pobre (rica) criancinha para trás e passamos a discutir o conceito.

 

Dizia a Manu que é contra e que não consegue entender como é que alguém possa fazer algo assim... que ninguém que não seja estéril o deveria fazer, que não é a forma normal de ter um filho, e muito menos se for um pai sozinho a encomendar o filho, dizia ela que um homem não deve ter um filho sozinho... tudo argumentos que para a maioria serão válidos.

 

O nome em Portugal é "maternidade de substituição". Curiosamente, por estes dias no Dias do avesso da antena 1, a Isabel Stilwell e o Eduardo Sá, discutiam o assunto desde outro ponto de vista, principalmente o Eduardo Sá que se colocava no papel da mãe que do seu ponto de vista, vende uma criança.

 

Há muitas formas de olhar para um assunto destes, basta ver um filme ou uma série americana para vermos como este é um conceito comum nos Estados Unidos, tão comum que por vezes é e presta-se a ser, um negócio. Por vezes fico com a ideia de que existem mulheres que fazem disto quase um modo de vida, dar vida a um ser para que uns pais possam de alguma forma ter um filho. Podemos olhar e ver um acto de altruismo, dar felicidade a quem muitas vezes desesperadamente quer o filho que a natureza lhe nega, ou como um acto de egoísmo, gerar dentro de si um ser vivo a troco de dinheiro, muitas vezes muito dinheiro, sem o menor sentimento maternal por esse ser.

 

Não tenho uma opinião formada, qual a diferença entre uma destas mães que aluga o seu útero e outra que simplesmente ficou grávida porque não se preocupou mais que com viver o momento, decidiu ter o filho e depois entrega o mesmo para adopção?... haverá diferença?

 

Qual a diferença entre pegar em dinheiro, muito dinheiro, e ir por exemplo adoptar à Rússia, pagando a mediadores e centros de acolhimento, ou pagar a alguém para que mais fácil e rapidamente se  tenha esse filho?. Afinal, para quem vai criar essa criança não há diferença nenhuma, se a criança vem de um centro de acolhimento onde foi abandonada ou de alguém a quem se pagou.. é um filho, ponto final.

 

Em Cabo Verde em conversa com um dos taxistas, este contava-me o caso de uma mãe que ia a tribunal entregar mais um dos seus filhos para adopção, era  o terceiro processo e a quem a juiza perguntou directamente se ela era barriga de aluguer. Certamente não era, era só mais uma das muitos milhares de mães com uma dezena ou mais de filhos que não conseguem criar.. e que sabe que na adopção garante pelo menos a vida da criança.

 

Sou homem, nunca conseguirei sentir o que é levar um filho dentro de mim, não consigo conceber que se possa sentir tal coisa e não sentir algo por esse ser.. no entanto, já conheci mais que uma mulher que depois dos filhos nascerem, tiveram muitas dificuldades em sentir carinho por eles.. acontece.

 

Uma coisa posso dizer, sou pai adoptivo, e acredito que para mim não faria a menor diferença se os meus filhos tivessem sido abandonados algures ou nascido porque alguém decidiu ser barriga de aluguer..  e imagino que isto será verdade para a maioria das pessoas que adoptam.  A adopção por desejo de ajudar as criancinhas não existe.

 

Barriga de aluguer, será  um acto de altruísmo por quem não consegue cumprir os seus sonhos?, Será um negócio em que alguém se aproveita da ansiedade e do desejo das pessoas que querem ser pais e não conseguem?

 

Jorge Soares

 

PS:Andava à procura de uma imagem para o post..e encontrei este artigo do DN sobre o que se passa em Portugal.. a ler

publicado às 22:28

Sabem uma coisa?.. pai sofre!!!!!

por Jorge Soares, em 17.10.10

Pai sofre

 

Imagem Minha do Momentos e Olhares

 

Eu hoje ia colocar mais uma das minhas receitas... mas isto por cá não está fácil.. tentar escrever com miúdas a reclamar, crianças a chorar, o outro a  inventar coisas para chamar a atenção.... não dá mesmo.

 

Uma das coisas que sempre funcionou bem cá em casa é a hora de dormir das crianças, desde muito pequenos, quando chegava a hora de deitar, iam para a cama e ponto final.. se queriam ou não dormir era com eles, mas tinham que ficar na cama. E isto sempre funcionou, mesmo quando dormiam no beliche..e uma dormia como uma pedra mal caia na cama e o outro ficava às voltas durante horas. A medicação para a hiperactividade tira o sono ao N.,  e não há muito a fazer quanto a isso, o certo é que ele vai para a cama e fica lá, muitas vezes quando me vou deitar depois da meia noite ele continua acordado.. mas é ponto assente que não sai da cama.

 

O facto de termos em casa duas crianças com poucos meses de diferença de idade fez com que as coisas funcionassem, porque as regras eram as mesmas para os dois. Com a chegada da D. as coisas complicaram-se. Ela tem 3 anos, com 3 anos os mais velhos iam para a cama às 20: 30. Com dois pré adolescentes em casa, com actividades desportivas, trabalhos de casa, etc,.. raramente terminamos de jantar antes das 21....

 

A hora de deitar dos mais velhos é por volta das 22.. e claro que é impossível tentar deitar a D. antes disso..e é quando a deitamos que começa a guerra seguinte.. porque a mais pequena começa por não querer deitar... depois insiste em não ficar quieta na cama.. depois é claro que não fica calada.. desde chorar a cantar... ela tenta tudo para seguir a festa. Entretanto, na cama do lado há uma dorminhoca com 10 anos que quer dormir e reclama com todos os santinhos por alguma vez ter tido a ideia de pedir uma mana. Isto depois de maldizer pai, mãe e irmã porque não a deixam dormir.

 

O resultado de tudo isto é que andamos pelo menos meia hora de um lado para o outro, a mandar calar uma, reclamar com a outra, gritar com as duas para que se calem.. normalmente a mais velha adormece primeiro e a mais pequena vai atrás... isto depois de a mãe já estar com os cabelos em pé...

 

Já tentamos colocar a mais pequena a dormir antes.. mas ela não adormece antes de chegar a irmã.. e esta não está para esperar... e o raio do Euromilhões não há modo de me sair.. isto resolvia-se facilmente com um quarto para cada um... eu sei que quem corre por gosto não cansa.. mas pai sofre.. Mesmo!!!!!

 

Jorge Soares

PS:Pois.. eu sei, devia era ter escrito a receita.. que este post não tem ponta por onde se lhe pegue.

publicado às 22:08

ARTIGO 128º – Dever de obediência

por Jorge Soares, em 27.09.10

Obediência por decreto

 

Imagem minha do Momentos e olhares

 

Recebido hoje por mail ..e copiado para aqui sem autorização (Obrigado Sandra)

 

Para aqueles pais que, à beira de um ataque de nervos, já não conseguem arranjar argumentos (antigamente era mais fácil…)

MÃE: VAI JÁ ARRUMAR O TEU QUARTO.
FILHO: Não vou!
MÃE: Tens de ir! Eu estou a mandar!
FILHO: E porque é que tenho de fazer o que tu dizes?
MÃE: Está no Código Civil Português, ARTIGO 128º .


(ARTIGO 128º – Dever de obediência)
" Em tudo o quanto não seja ilícito ou imoral, devem os menores não emancipados obedecer a seus pais ou tutor e cumprir os seus preceitos. "

 

A minha meia laranja diz

 

VOU IMPRIMIR , AUMENTAR E AFIXAR NA PORTA DO FRIGORIFICO!!!!

Com dois pre-adolescentes lá em casa. Estamos mesmo, mesmo a precisar!!!

 

Conhecendo eu os dois pré-adolescentes de que aqui se fala.... tenho sérias dúvidas que isto resolva o que quer que seja... mas quem sabe.

 

Jorge Soares

publicado às 22:04

 

Amor de pai

Imagem de aqui

 

"o filho não é do pai e não é da mãe. O filho é livre, é da vida!"

 

É assim que o Sérgio termina este seu post, O Sérgio é o pai do Gonçalo, ele mora perto do Porto, O Gonçalo há mais de dois anos que vive algures em Angola com a mãe, um dia no inicio de 2009 o Sérgio deixou o filho com a mãe e simplesmente não o voltou a ver, e não houve leis ou tribunais que conseguissem fazer cumprir a determinação que regulava as visitas do Gonçalo ao seu pai.

 

Encontrei o Blog do Sérgio, Filho para sempre,  por acaso, porque um dos blogs que costumo ler fazia referência ao caso, desde esse dia tenho seguido com atenção tudo o ele escreve... e torço por ele.  Nem acredito que acabo de escrever isto.. torço por ele?, podemos torcer para que as leis finalmente se cumpram e um pai possa ver o seu filho?

 

Hoje chamou-me a atenção a forma como o Sérgio termina um dos seus posts... e seguindo o fio à meada encontrei o seguinte comentário:

 

...Que tenhas o direito de estar com o teu filho. É um direito teu, tanto como considero que é direito da mãe guardá-lo.
A justiça, se não vier pela mão de um juíz, virá pela mão do G. Em posse da verdade (eu nada sei, para lá do que aqui é escrito...), ele julgará quem tiver de ser julgado.

 

Há coisas que não consigo entender, uma delas são estas guerras entre pais desavindos e que utilizam os filhos como arma de arremesso, as pessoas podem amar-se ou odiar-se, podem decidir casar ou viver juntos e depois separarem-se, podem até ter filhos por acidente, mas quem lhes dá direito a brincar assim com a vida dos seus filhos?

 

Quanto ao comentário acima, o que é o direito a guardar um filho?.. e porque é este um direito da mãe? para se fazer um filho são necessárias duas pessoas, em condições normais é necessário que lá estejam os dois e que cada um faça a sua parte.. porque raios é que alguém pode achar que a mãe tem direito a guardar o filho?

 

Como diz o Sérgio na sua resposta, um filho não é do pai ou da mãe, em todo caso é responsabilidade dos dois, ambos são responsáveis e poderão ter que responder pelo seu crescimento feliz e saudável, mas assim como ambos têm deveres, ambos têm direitos...

 

O caso do Sérgio e do Gonçalo é assustador, porque mostra a fragilidade da nossa justiça, porque neste caso o Gonçalo até estava noutro país, mas há muitos casos como este em que a criança está na mesma cidade.., por vezes até na mesma rua, e a justiça, muitas vezes em nome desse direito da mãe a "guardar" o seu filho, limita-se a olhar para o outro lado.

 

No caso do Sérgio a mãe há muito que não cumpria com as suas obrigações, agora decidiu cumprir, mas quem devolve ao Sérgio e ao Gonçalo estes quase dois anos que estiveram longe um do outro?...  e quem faz pagar a mãe do Gonçalo por este incumprimento?, por ignorar o que tinha sido determinado pelo tribunal?... ninguém!

 

Hoje finalmente o Sérgio pode rever o seu filho.. esperemos que depois das férias a mãe não decida "guardá-lo" de novo, esperemos que a partir de  hoje o Gonçalo e o Sérgio possam partilhar a vida, como qualquer pai e filho.. porque o amor não se guarda, partilha-se!!!!!

 

Jorge Soares

publicado às 23:02

Adopção: Como (não) adoptar um bebé!!!!

por Jorge Soares, em 22.07.10

Como (não) adoptar bebés

 

Imagem da internet

 

Este post é dedicado à Ana, que me deixou um comentário ao post de ontem e a todas as pessoas que chegam até este blog procurando informação sobre como adoptar bebés em Portugal... e eu sei que são muitas.

 

O Comentário da Ana dizia o seguinte:

 

Eu ando a procura de uma bebe de 4 meses para adoptar obrigada e urgente

 

Bom Ana, não sei o que queres dizer com é urgente, mas deixa-me dizer-te que na adopção nada é urgente... nada, nem para as crianças, nem para os candidatos...

 

Como em tudo na vida haverá excepções, mas adoptar um bebé de 4 meses é algo que quanto a mim, pela via legal não é possível,  vejamos porquê: Mesmo que no momento do nascimento a mãe assine um documento a dizer que entrega a criança para  adopção, por lei há um prazo de seis semanas para que a esta possa reconsiderar e decidir ficar com o seu filho. Ao fim de seis semanas é considerado abandono e o caso é encaminhado para o tribunal de família.

 

Chegado ao tribunal, o juiz inicia um processo de averiguação, na maioria dos casos este não considera válido o documento assinado pela mãe no hospital, para ser válido tem que ser assinado ante um notário. Há juízes que exigem ouvir a mãe pessoalmente o que na maioria dos casos é muito difícil pois as pessoas que deixaram os filhos no hospital não costumam deixar moradas reais.. entretanto o caso fica parado enquanto se averigua  onde está a família. Depois de ouvida a mãe  e no caso de que ela mantenha a decisão, é consultada a família alargada, mais tempo de espera...

 

Com tudo isto o tempo foi passando e quando finalmente se decide que a criança vai para adopção, já passaram muitos meses e o bebé já cresceu.. Por tudo isto eu diria que pela via legal, dificilmente alguma criança possa ser entregue aos candidatos a pais antes dos 8 ou 9 meses de idade.

 

Voltando ao pedido da Ana, se descontarmos as 6 semanas iniciais, para ser entregue com 4 meses, todo este processo legal deveria ser concluído em 6 semanas.. alguém acredita que isso seja possível? Para já não falar de que antes sequer de poder adoptar, é necessário passar pelo processo de selecção de candidatos.. pelo menos seis meses... lamento Ana, mas nas adopções não há urgências... ter um filho é algo que leva o seu tempo... e nas adopções é sempre mais de 9 meses.... infelizmente na maioria dos casos é muito mais de 9 meses.

 

É verdade que como diz a Cristina noutro comentário ao mesmo post, ultimamente temos ouvido falar da entrega de bebes de 3 e 4 meses aos candidatos... atendendo ao que disse acima, será que a segurança Social está a entregar estas crianças com os processos legais concluídos? E no caso de os processos não estarem concluídos será que os candidatos sabem o risco que correm ao receber uma criança nestas condições?

 

O N. foi-nos entregue com um ano de idade e com o projecto de vida definido pelo tribunal, mesmo assim, um ano depois no processo de adopção plena a juíza decidiu que queria ouvir a opinião do pai.. já ele tinha dois anos, ninguém imagina o que nós sofremos ao pensar que o senhor se poderia opor à adopção. É a isto que os candidatos se arriscam ao receberem crianças com 3 ou 4 meses.

 

É claro que há quem se arrisque a mais... há uns tempos li o seguinte neste  blog:

 

Eu como percebi que ela não estava a entender o motivo e percebeu certamente algo que não me agradou como se nós estivemos contra isso, disse-lhe na cara que o Prof. conceituado me propôs um bebé da MAC com dois dias!!!!!

 

Não era adoptar mas sim eu sair da MAC com um filho nos braços e registar como meu! Claro que o negámos de IMEDIATO!!!

 

Não é novidade nenhuma, todos já ouvimos falar disto, todos sabemos que estas coisas acontecem.. infelizmente há muita gente que se aproveita do desespero de quem quer ser pai e não consegue. São casos como este que depois levam a situações como a da Esmeralda ou o da menina russa... mas se calhar explicam algumas das "adopções" de bebés de que ouvimos falar.

 

Portanto, se chegou até aqui à procura de como adoptar bebés,..esqueça, isso não existe.

 

Jorge Soares

publicado às 22:03

Pai solteiro

 

Imagem de aqui

 

A conversa começou a propósito do Cristiano Ronaldo e do seu "aparecido" filho, a minha amiga acreditou na historia da barriga de aluguer e achava incrível que alguma mulher se submetesse a tal coisa.... estávamos no messenger a a coisa estendeu-se, a páginas tantas estava assim:

 

M. diz: pensei que se fazia por capricho..estilo..quero ter uma criança

Jorge diz: não,  é claro que há homens solteiros que o fazem

M. diz:como se fosse a mesma coisa que querer um carro ou uma casa

Jorge diz: mas é porque acham que não vão ter com quem ter filhos

M. diz: são doidos..se não sabem relacionar-se com uma mulher, achas que vão saber fazê-lo com um filho?

Jorge diz: hahahahahahaha.. e achas que a vida é assim tão fácil?

M. diz: não é para ninguém, mas o melhor da vida são os desafios esses são comodistas...mas esquecem-se que os filhos crescem e também terão problemas com eles o melhor treino é viver com alguém

Jorge diz: mas nem sempre se consegue esse alguém e por vezes as pessoas escolhem viver sozinhos

M. diz: Se querem viver sozinhas também acho estranho quererem um filho, agora..se não encontraram ninguém, aí já é diferente

Jorge diz: são coisas diferentes

M. diz: conheço muita gente que optou por viver sozinha e nunca lhes passaria pela Cabeça terem um filho, são do género de não quererem chatices

Jorge diz: Pois eu conheço muita gente que vive sozinha e quis ter filhos e são excelentes pais

M. diz: pois...eu nunca conheci caso desses mas acredito que os haja, acho até que já li num comentário um homem sozinho com filhos..estou enganada?

Jorge diz: claro que há, eu conheço dois que adoptaram, um já adoptou dois, conheço mais que querem adoptar e  estão à espera

 

Curiosamente no dia a seguir saiu um enorme artigo no DN em que se falava dos 43000 homens que são pais solteiros em Portugal, podem ler aqui uma parte.

 

Conheço a M. há relativamente pouco tempo, mas do pouco que vou conhecendo, não a tenho por preconceituosa, bem pelo contrário, é uma pessoa de mente aberta. Só posso concluir que esta visão pessimista sobre os pais sozinhos tenha a ver com os preconceitos que a sociedade ainda tem sobre este assunto.

 

Curiosamente os dois únicos pais solteiros que conheço são ambos por adopção, são-no portanto por verdadeira opção, eles escolheram ser pais e criar os seus filhos sozinhos. Sendo que no caso do que tem dois filhos, foi em processos separados, não só decidiu que queria ser pai solteiro, como depois de já ter o primeiro há uns anos, decidiu que queria ter outro....e acho que é um dos melhores pais de família que alguma vez conheci.

 

Os dois tem filhos rapazes, nunca me vou esquecer de um mail delicioso em que o Luís explicava o motivo pelo que tinha limitado a sua candidatura à adopção de um menino, ele tinha pensado em tudo...  "Como é que um pai vai com a sua filha à casa de banho numa estação de serviço?" ... Ouvi dizer que o Luis também vai adoptar o segundo, vamos ver se ele consegue vencer os preconceitos de muita gente na segurança social... porque tenho a certeza que mais uma criança será muito feliz.

 

No nosso país a adopção singular é olhada de lado, ainda há pouco tempo uma candidata do Norte do País nos contava que a equipa de adopção lhe tinha dito que o facto de ser solteira a atirava directamente para o fundo da lista. Agora imaginem como serão tratados os candidatos homens.

 

Este facto faz com que os candidatos singulares terminem por adoptar as crianças que sobram, crianças com problemas de saúde, crianças mais velhas, crianças de outras etnias. As próprias equipas de adopção, utilizam o facto de estes serem os candidatos  que para elas estão no fim da lista, para lhes propor os casos mais complicados, não será isto um contra-senso?  Porque propor os casos mais difíceis precisamente aos candidatos que pela sua condição de solteiros, terão menor apoio?, não deveria ser ao contrário?

 

O sentimento de querer ser pai ou mãe é muito difícil de explicar, até porque varia de pessoa para pessoa, mas quem já passou por ele sabe que é real..e não amiga M., não é por capricho...

 

Gostei especialmente desta parte do artigo no jornal:

 

Mas será que existem diferenças na forma de educar dos homens e das mulheres? Sim. "Os pais tendem a ser mais descontraídos do que as mães", aponta Catarina Mexia. A especialista elogia também o "equilíbrio bastante bom" na forma de educar dos pais. "Sabem impor regras, e na hora de brincar são mais companheiros do que a mãe", ....

 

Quanto ao Cristiano Ronaldo e ao seu "filho"... quem sabe e um destes dias é assunto aqui neste mesmo canal 

 

Jorge Soares

publicado às 21:24

Adopção, a felicidade é algo que se constroi

 

Há bocado eu e a minha meia laranja decidimos aproveitar a verdadeira noite de verão que temos hoje e fomos a pé tomar café, levamos a D. connosco. Ela foi e veio a dançar e a cantarolar, esta criança é a  alegria em pessoa .. é claro que de vez em quando faz uma ou outra birra, mas é consensual até na escolinha, que para além de uma gozona, ela é a imagem da boa disposição e da felicidade.

 

Dei por mim a pensar várias coisas, estes dias fez seis meses que ela nos foi entregue, no mesmo dia em que em Cabo Verde  a conhecemos e a vimos pela primeira vez. Hoje olhamos para ela e dificilmente diríamos que alguma vez teve outra realidade de vida, que teve outros pais ou outra família. Não sei se haverá um exemplo perfeito adaptação de uma criança adoptada, mas se existe, ele está aqui. Sei que seis meses é muito pouco tempo, que no futuro e tal como aconteceu com o N., haverá outras fases, que haverá perguntas, reflexões, negações, tudo coisas pelas que já passamos e que de certeza estamos muito melhor preparados para enfrentar que da primeira vez. Mas tenho a certeza que a D. será sempre uma criança alegre e feliz, disso não me restam nenhumas dúvidas.

 

Mas os meus pensamentos levaram-me mais atrás no tempo, até às trocas de emails no grupo de discussão nos adoptamos em que se falava de adopção de crianças de outras raças. Centenas de emails com discussões muito mais que acaloradas em que se esgrimiam argumentos, se debatiam os prós e os contras, e  invariavelmente se terminava a falar de racismo, com pessoas ofendidas e a abandonar o grupo.

 

Um dos argumentos que mais se debatia era o da adaptação a uns pais com uma cultura e um tom de pele diferente, uma dessas discussões deu origem a um dos posts mais discutidos e ainda hoje mais visitados neste blog, o das diferenças culturais.

 

Sempre achei que as crianças não querem saber de culturas ou de tons de pele, e a prova é que das dezenas de crianças que conheci até hoje e que vieram da adopção internacional, crianças que na sua grande maioria tem pais com cor de pele diferente e com uma cultura que pouco tem a ver com a sua origem, crianças que não passaram por períodos de adaptação e que em muitíssimos casos saíram dos braços dos pais biológicos para os dos pais adoptivos, não conheço um único caso que não tenha corrido bem, nunca ouvi falar de crianças inadaptadas, ou de casos dificieis.

 

Cada um retirará as suas conclusões, as minhas são, as crianças querem é ser felizes...e para que o sejam, basta que exista alguém disposto a abrir o seu coração e a dar felicidade, o resto vem por si só.

 

Jorge Soares

publicado às 22:41

Crianças

 

Há uns 2 ou 3 meses, a propósito de uma noticia que falava da existência de mais de 500 crianças no nosso país que ninguém quer adoptar, tive uma longa conversa com uma jornalista sobre os verdadeiros motivos que levam a que estas crianças fiquem encalhadas no sistema. Não vão voltar à família, o facto de ter sido decretado um projecto de vida que passa pela adopção normalmente significa que foram esgotadas todas as hipóteses de recuperação familiar. Por outro lado, não são adoptadas porque apesar dos milhares de candidatos que esperam um filho, não há quem consiga fazer o matching  com o candidato que as tire de um aparente limbo em que vivem.

 

Por norma o instituto da segurança social atira a culpa para os candidatos que só querem bebés, os candidatos que não querem bebés, eu por exemplo, atiram a culpa para a segurança social que só se preocupa com os seus candidatos e as suas crianças, sem se preocupar com o que acontece no distrito ao lado.

 

Uma das perguntas que me fez a jornalista foi, como é que isto funciona nos outros países? Na altura não lhe soube responder.. mas fiquei a pensar no assunto. Hoje alguém enviou por email este artigo da Isabel Stilwell no Destak onde podemos ler o seguinte:

 

"....é por isso que a Heart Gallery é uma ideia tão genial. A organização que se dá por este nome e defende que todas as crianças têm direito a uma família, percebeu a força de um bom retrato e conseguiu que 150 dos melhores fotógrafos norte-americanos aderissem à sua proposta: fotografar as crianças e os adolescentes que vivem em instituições ou em famílias de acolhimento, para um portfólio de crianças que precisam de pais a sério, e que pode ser visualizado em www.heartgalleryofamerica.org (vá também a www.time.com/time/photoessays/heartgallery/)"

 

Não é a primeira vez que ouço falar de algo assim, na Inglaterra há a semana da adopção, uma semana em que se chama a atenção para as crianças que estão para adoptar, fazem-se artigos nos meios de comunicação , reportagens na televisão em que se mostram as crianças, visitas aos centros de acolhimento, etc.

 

Como a maioria das pessoas que conheço, de inicio eu fiquei chocado, um filho não é algo que se escolha por catálogo ou porque se vê na televisão, mas a verdade é que está provado que durante essa semana muitas destas crianças são mesmo adoptadas porque alguém as viu e se apaixonou pelo seu sorriso. É uma forma de chamar a atenção para a adopção e de dar uma hipótese de vida a crianças que dificilmente as teriam de outra forma.

 

Como diz a Isabel Stilwell no artigo, é muito diferente ouvir falar de números, de que ainda por cima duvidamos, a ver rostos, crianças reais que existem mesmo. As experiências inglesa e americana mostram que as taxas de adopção aumentam significativamente e que são projectos de sucesso.

 

É claro que sei que Portugal não é os Estados Unidos, para o bem e para o mal estamos muito longe da mentalidade e das leis americanas, mas a verdade é que no nosso pais  o numero de crianças esquecidas aumenta todos os anos, e algo tem que ser feito. Por muito que a comunicação social repita até à exaustão que os candidatos só querem bebés, todos nós sabemos que isso não é verdade, há muitos candidatos que aceitam crianças mais velhas, que aceitam irmãos, que aceitam crianças com problemas de saúde... o que falta é a forma de juntar quem espera, a forma de juntar corações.

 

Passei algum tempo a olhar para as fotografias de sites como este: https://www.utdcfsadopt.org/heart_gallery.shtml, é verdade que quem vê caras não vê corações, é verdade que podemos pensar que escolher um filho por ali pode ser chocante.. mas se essa for a única forma de que estas crianças possam ter uma família, se for a forma de fazer com que a espera de tantas famílias seja menor .... será que não vale a pena? Será que é preferível que estas crianças  fiquem esquecidas para sempre nas instituições?

 

É claro que em Portugal não precisamos de ser tão radicais, não vamos colocar as fotografias das crianças na internet, mas que tal elaborarmos uma lista das crianças existentes, mesmo que sem fotografia, só com as suas características, que seja apresentada aos candidatos de modo a que estes possam pensar no assunto?

 

Todos ouvimos falar das 500 crianças... mas quando perguntamos, ninguém sabe como são, onde estão.. e elas continuam lá.. está na altura de fazermos algo para mudar isto... está mesmo.

 

Jorge Soares

 

PS:Este post saiu um bocadinho para o comprido... desculpem lá.

publicado às 21:56

A ciclista de palmo e meio

 

Só passaram 15 dias... mas a verdade é que parece muitíssimo tempo... aqui que ninguém nos ouve, voltar à rotina do trabalho, ao telefone a tocar o tempo todo, aos colegas chateados no outro lado do mundo, aos servidores que teimam em dar chatice sempre a meio das noites do fim de semana em que sou eu quem está de prevenção...  não imaginam como isto está a custar.

 

Mas cá por casa a vida segue, este mês é a minha meia laranja quem está de licença... e sabem uma coisa, ela está pelos cabelos. Tenho a certeza que se  pudesse voltar atrás... era eu quem continuava de licença... já lhe disse que para a próxima não há cá 5 meses a 100%.. são mesmo os seis meses e eu tiro 5.... juro. É claro que a menos que o Euromilhões se apiade de mim... não vai haver próxima... mas pronto... fazemos de conta.

 

Lembram-se de aquele meu diário em que se falava de comida e no que eu concluía que são as mães quem faz das criancinhas uns diabinhos? este post, está completamente provado. Desde que está em casa com a mãe, a D. está cada vez mais terrível, reivindica, reclama, exige, faz umas birras enormes, trinta por uma linha ...da miúda alegre e amorosa que encontramos em Cabo Verde...resta muito pouco....

 

Nos meus tempos com ela as coisas eram muito mais calmas.... é claro que fazia birras, mas rapidamente percebia que assim não ia a lado nenhum e lá se resignava, mas cheira-me que ela encontrou o ponto fraco da mãe...e que faz gato sapato dela.. e acho que a mãe encontrou outra pedra no seu sapato... definitavamente as mulheres desta casa teimam em não se entender.

 

Jorge

publicado às 21:42


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