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hiperactividade.jpg

 

Imagem do Facebook

 

"Amanhã começa a minha dor de cabeça...estou com uma ansiedade que dá cabo de mim! Correram tão bem as férias! Passeou com o pai, passeou com a mãe, foi à feira, foi ao circo, correu, andou de bicicleta, jogou à bola, brincou com os vizinhos, com a prima, brincou com os cães, teve um aniversário de um amiguinho, dormia ate às 10h, 10.30h da manhã, n houve um castigo, n houve uma palmada...tentei que ele se esquece que a escola ia começar (andou a ultima semana a falar nisso e que não queria ir).... Andou tão bem o meu menino, tão feliz e eu feliz também! Agora estou eu aqui sozinha a remoer"

 

Desabafo no Facebook de uma mãe de uma criança com TDAH 

 

Durante as férias dei por mim a pensar assim mais que uma vez, pensamentos que não servem de muito, nem a mim nem a esta mãe, nem a todas as outras mães e pais de crianças com hiperactividade ou outros transtornos do mesmo tipo. Não há forma de que eles não voltem para a escola, e infelizmente cada vez me convenço mais que a maioria das escolas não sabe ou não quer saber lidar com estas crianças.

 

Algures no meio dos muitos pensamentos e constatações dei por mim a pensar qual será a solução, não é fácil retirar conclusões, para mim há uma que é evidente o meu filho está na escola errada... Não é difícil chegar a esta conclusão, mas o pensamento seguinte levou-me a um beco sem saída.... e haverá uma certa?

 

Para mim faz todo o sentido que a escola seja inclusiva, todas as crianças são diferentes, os nossos filhos só são mais diferentes, mas juro que há alturas que dou por mim a pensar se isso será mesmo possível, se a instituição em si, os professores, os responsáveis, querem realmente isso? É que muitas vezes o que sentimos é que é mais fácil excluir que integrar e que há muito boa gente que em lugar de ajudar complica com o intuito de se verem livres de crianças difíceis e pais exigentes.

 

Num dos comentários ao texto acima alguém deixou o seguinte:

 

"Hoje, meu filho com TDAH chega da aula e me diz que o professor o colocou virado para parede em pé"

 

e alguém a seguir disse o seguinte:

 

"Fizeram isso ao meu filho durante o 1ºano e o 1º período do 2º, até os colegas me contarem"

 

Estamos em 2015, colocar os alunos contra a parede era algo que se fazia algures nos anos 70 quando eu andei na escola. Eu e muitos outros pais já ouvimos e sentimos mais que uma vez que há por aí muitos professores que acham que a hiperactividade é um mito inventado pelos pais que não sabem educar os seus filhos, mas juro que não pensei que fosse possível em 2015 colocar as crianças de castigo contra a parede, pelos vistos há por aí muitos professores que continuam a viver nos anos 70. A maioria das crianças com TDAH tem enorme problemas de auto-estima, será que estes professores pararam para pensar que com isto só pioram a situação?

 

Jorge Soares

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publicado às 21:25

Conto - Uma conta que não fecha

por Jorge Soares, em 21.03.15

O NASCIMENTO DO MUNDO.jpg

 

O sangue. Esse delator maldito que navega arrogante por veias e artérias. É o sangue que vai lhe contar o que ele não quer saber. Quem ele não é; quem ele nunca foi. Que não é o primogênito de seus pais. Nem o irmão de seus irmãos. As sobrancelhas grossas como as do pai, o nariz alongado da mãe, o sinal sobre o ombro esquerdo: coincidências fabricadas à força do afeto. E ele não será o filho de mais ninguém. Somente um nada sem raízes próprias. Um pastiche.

 

O sangue vai mostrar que ele não serve, que não é compatível. Que num minuto é o provável doador para o seu pai e, no outro, apenas um desconhecido, uma conta que não fecha. E ele, que nunca se afasta dos fatos, não saberá o que fazer com os fatos: se confrontará a mãe ainda ali, no hospital precário, roubando para si uma cena que não é sua; se exigirá com urgência os detalhes da sua história desviada; se apenas perguntará por quê. 

 

Ele ainda não sabe que um estopim será aceso. No instante em que a mãe e os irmãos lhe pedirem que compreenda. Compreender é tudo o que ele não conseguirá. Ao contrário, será tomado por um deboche furioso. Uma vontade insana de chutar as portas frágeis da UTI onde o pai está deitado sem saber de nada. E de sacudir aquele homem que o enganou por tanto tempo. O pai paciente e amigo que o ensinou a assinar seu nome e sobrenome. E lhe mostrou as letras, os números, os mapas, os elementos, as constelações. O pai que lhe mostrou a vida por meio de uma prática respeitosa de atos sem voz. O pai que o levou para nadar, para andar a cavalo, para navegar no mar que ambos tanto amam. A quem entregou seus boletins escolares, suas dúvidas, suas discussões adolescentes, suas broncas com Deus, seus diplomas, suas paixões, seus argumentos. O homem que, ele ainda não sabe, será, brevemente, um estranho.

 

Ninguém devia saber assim, como ele saberá, que foi rejeitado. Por uma mulher quem nunca chamou de mãe. Que o jogou fora ou o entregou sob um pretexto qualquer; talvez, por dinheiro. Por um homem a quem nunca chamou de pai. Que sequer o conheceu ou que provavelmente nem tenha sabido que o fez existir. Ninguém devia se deparar com a própria história de repente. Não para descobrir que é uma história oca. Nem desse jeito, por acaso, por causa de um acidente de carro estúpido. O pai lançado de cabeça no asfalto; a falta de recursos da cidade pequena; a necessidade de uma transfusão; ele se oferecendo para doar, apesar da insistência estranha da mãe em lhe dizer que não precisa, que não precisa... Ele lendo na ficha do pai: sangue tipo A+. E se lembrando de que o sangue da mãe é O+, e de que o sangue dele é B-. Tudo isso antes que a voz apressada da enfermeira sentencie que o doador tem que ser da família ou alguém compatível. 

 

Um homem não devia ser lançado assim ao inferno. Cara ou coroa?, perguntam-lhe as atitudes. Desnorteio; e ele se reconduz, feto, ao útero de uma narrativa não escrita. Pertencimento; e ele volta, inteiro, à UTI onde há muito mais que sangue a ser doado. Porque sangue é uma conta que não fecha.

 

Cinthia Kriemler

Ilustração: O Nascimento do Mundo, Salvador Dalí

 

Retirado de Samizdat

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publicado às 21:13

Hiperactividade - Sou um PHDA…

por Jorge Soares, em 19.03.15

 

As coisas não andam nada fáceis por estes lares, tudo o que já aconteceu com o N. desde Setembro até agora, dava para muitos posts... dava para um livro sobre a hiperactividade... a escola... os colégios, ... vai de aí e se calhar dá mesmo, quem sabe e não é desta que o blog passa para o papel e o escrevo ... ainda estamos em Março e tenho a certeza que vão haver mais capítulos... espera-se um final feliz.... talvez.

 

Entretanto hoje encontrei o seguinte texto neste blog, um texto que deveria ser de leitura obrigatória para todas as pessoas que de alguma forma lidam com crianças com PHDA... leiam e reflictam.

 

Sou um PHDA…

Se não sabe o que é, continue a ler…

 

PHDA é Perturbação de Hiperactividade e Deficit de Atenção. Sim, sou um daqueles tipos que não consegue ficar quieto nem estar muito tempo a fazer a mesma coisa. Sabem, um daqueles que passou a porra da infância a levar chapadas porque não se portava bem. Não que as chapadas resolvessem fosse o que fosse, era mais para aliviar quem as dava que para ajudar quem as recebia. No meu tempo, ah a velhice começa com estas palavras, não havia Ritalinas e Concertas e quejandos, não, o que havia e de sobra era palmadas, chapadas e promessas de sovas de cinto. A única real diferença é que as Ritalinas e afins têm uma duração maior.

 

Entretanto lá cresci. Agora, dizem, sou um adulto e as chapadas são outras.

 

Entretanto vou lendo por todo o lado que SE os PHDAs SE mantivessem atentos eram os maiores da cantareira… De uma das vezes deu-me para responder assim:

 

“Ela não é má aluna… se estivesse concentrada na escola seria até excelente…”

 

No meu entender, muito pessoal entenda-se, é este a base do problema da maioria dos pais de PHDAs, o SE.

 

Meus caros/as, não há nenhum SE. A única coisa a fazer é ajustar as expectativas. Pois, eu também vivia melhor SE me saísse o EuroMilhões. Como diz a vox populi, SE a minha avó não tivesse morrido ainda hoje estava viva.

 

Vejo este problema continuamente, seja aqui, em conversas no café, nas reuniões com os professores, em todo o lado. Sempre o malfadado SE. Os nossos filhotes não têm culpa das expectativas que colocámos neles. Não têm a obrigação de cumprir os sonhos de ninguém a não ser os deles, não têm de ser melhores que ninguém a não ser eles mesmos. No entanto, avaliamo-los segundo critérios que não são justos para eles. SE estivesse atento era o melhor aluno, SE escrevesse de forma que se lesse copiava tudo do quadro, SE decorasse a tabuada tinha boas notas, SE estivesse quieto não incomodava ninguém. Já todos dissémos e pensámos isto, somos TODOS culpados.

 

O facto é só um, eles não vão ficar mais atentos, eles não vão escrever melhor, não vão decorar e não vão ficar quietos. E não vão porque não querem, apenas porque não podem. É o mesmo que agora alguém vos exigisse que mudassem a cor dos olhos ou a altura das pernas.

 

Ajustem as vossas expectativas ao que os vossos adorados “diabinhos” SÃO, não o que alguém desejaria que ele/a fosse, seja quem for esse alguém.

 

Entendam que eles têm limites, entendam que eles têm capacidades, respeitem ambas.

 

Vamos por os “peixes” a nadar e deixar as árvores para os “macaquinhos”, tá bem?

 

Sempre a mesma treta, sempre a mesma conversa… SE o meu gato fosse um cão, ladrava.

 

Vamos lá a ver se a gente se entende, é muito bonito dizer, ah e tal SE fosses mais alto não eras tão baixo, pois como SE fosse eu que mandasse no crescimento das pernas. É exactamente o mesmo com os PHDA, nós não fazemos como os outros, PORQUE não somos como os outros. Não se trata de educação, não se trata sequer de medicação, os nossos cérebros, excelentes diga-se, trabalham de maneira diferente. Não, não servimos para tarefas repetitivas, não, não somos bons para decorar resmas de papel (se fosse para decorar eram de uso único), não, não somos capazes de estar anos a fazer o mesmo. Mas, dêm-nos uma tarefa criativa, dêm-nos espaço e liberdade para melhorar os processos repetitivos, dêm-nos liberdade de consulta em vez de nos pedirem que decoremos, e vão ver a diferença.

 

Em vez de nos exigirem que sejamos o que nunca seremos, dêm-nos antes espaço para sermos o que somos e adoramos ser.

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publicado às 22:03

 

 

Disclaimer - Para quem aqui vem à espera de encontrar um daqueles artigos que dizem que a hiperactividade é uma invenção dos médicos e da industria farmacêutica, pode voltar por onde veio, a hiperactividade é uma doença real e infelizmente afecta mesmo muitas crianças.

 

Quem me costuma ler sabe que cá em casa temos um hiperactivo, que apesar de ser seguido e tratado desde os três anos de idade, sofre todos os dias o facto de ter uma doença que influência o seu comportamento, as suas capacidades de aprendizagem e a forma como se relaciona com a família, a escola e o mundo em geral.

 

Num mundo que cada vez mais vive de normas e padrões, um criança que por um ou outro motivo foge ao que se considera "normal" não tem um caminho fácil, ora o N. sofre de Hiperactividade, défice de atenção e dislexia.

 

O facto de ter sido diagnosticado ainda antes de entrar para a escola não ajudou grande coisa, infelizmente há, principalmente nas escolas, muita gente no mundo que acredita que sabe mais que médicos e especialistas e acha que tudo isto não passa de falta de educação e que tudo se resolve com palmadas, castigos, recados nas cadernetas ...  enfim. É triste mas a quantidade de professores que pensa assim é assustadora e muitas vezes para além de tornarem um inferno a estada das crianças na escola, tornam muito complicada a relação entre a escola e os pais.

 

Felizmente esta é uma doença para a que há medicação, mas convém lembrar que estas doenças não tem cura, a medicação normalmente ajuda a atenuar os sintomas, mas não cura. Uma criança  com hiperactividade vai ser um adulto com hiperactividade, e esta é uma realidade que temos que aprender a aceitar e com a que temos que aprender a viver.... cada dia é um novo desafio e cada dia aprendemos um pouco mais.

 

Mas se uma criança hiperactiva é um problema, um adolescente hiperactivo é como uma bomba relógio sempre prestes a explodir... 

 

A adolescência do N. não tem sido nada fácil, e também não tem sido nada fácil acertar com as doses certas da medicação. Por um lado os comprimidos fazem com que seja mais fácil a concentração e a atenção nas aulas, por outro lado há os efeitos secundários, que variam de organismo para organismo mas que no caso do N influenciam o apetite, o sono e especialmente o humor.

 

Nós verificamos que quando toma a medicação, e ao contrário do que acontece nas férias em que não toma, fica muito mais irritadiço e volátil, reagindo de forma abrupta e com forte oposição quando questionado ou contrariado.

 

Depois de vários episódios cá em casa e na escola, em conjunto com o especialista que o segue, decidimos que íamos retirar uma parte da medicação e optar por um tratamento alternativo sugerido pelo médico.

 

A mudança foi da noite para o dia, em lugar de um adolescente irascível e resmungão passamos a ter um jovem que não classificaríamos de normal, mas que pelo menos anda muito mais bem disposto e sem estar em constante oposição.

 

Curiosamente os primeiros a queixar-se do novo N. foram os professores, antes tinham um miúdo que reagia mal à autoridade mas que pelo menos aparentava estar atento nas aulas, agora tem um jovem menos irascível, mais bem disposto, mas que tem muitas mais dificuldades em estar atento e seguir a aula.... curiosamente e apesar das queixas anteriores, os professores parece que preferem a versão com medicação.

 

Eu confesso que tive muitas duvidas sobre qual seria a melhor estratégia, mas a minha meia laranja usou lógica simples para me convencer: Ninguém vai preso por estar desatento e bem disposto nas aulas, mas pode ir se num dos momentos de impulsividade agredir alguém à sua volta.

 

É claro que a falta de atenção nas aulas pode ter consequências ao nível do aproveitamento escolar, mas não é nada que não se supere com trabalho, dele, da escola e nosso, assim haja vontade... 

 

Como disse acima, a hiperactividade é uma doença com a que ele e nós temos que aprender a viver, há dois ou três anos atrás seria impensável retirarmos a medicação, nós não dávamos a medicação nas férias e sinceramente havia anos em que a meio das férias dávamos por nós a desejar que os tempo passasse rápido para voltarmos aos comprimidos e à "paz" que estes traziam... mas isso era válido na altura com uma criança daquela idade, agora com um adolescente a realidade é outra e a forma de a encarar também será outra.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:21

Mãe, o que é ir à missa?

por Jorge Soares, em 25.02.15

Imagem minha

 

Um destes dias, já não sei a propósito de quê, a D na sua infinita curiosidade saiu-se com o seguinte:

 

- Mãe, o que é ir à missa?

 

A minha meia laranja ia tendo um fanico, e a seguir teve mesmo quando olhou para mim e eu disse:

 

- Finalmente à terceira fizemos o trabalho como deve ser! 

 

Ela ainda tentou argumentar, mas eu como quem não quer a coisa, lembrei-lhe como tinha corrido a experiência do N. e a R. com os escuteiros e a catequese (ver este post), deve ter funcionado, não se voltou a falar do assunto.

 

Os meus filhos são os três baptizados, a mais nova já tinha sido baptizada quando chegou cá a casa e os mais velhos são porque a P. e uma parte da  família faziam questão, a mim tanto se me dá que o sejam ou não, a educação que sempre pensei para os meus filhos não tem nada a ver com religião. Sempre tentei educar com o exemplo e se possível ensinando os meus filhos a pensar por sí, se no fim eles por si e pela sua cabeça chegarem a uma religião qualquer, isso é problema deles, mas se for pelo meus exemplo, não irão de certeza absoluta precisar de igreja ou religião para nada.Eu não preciso mesmo.  Ninguém é melhor pessoa por acreditar ou não em deus, pessoas boas e más há em todas as religiões do mundo e evidentemente entre os ateus.

 

Porque é que me lembrei de tudo isto, porque hoje pelo meu facebook passou o seguinte artigo: Famílias sem religião estão fazendo um trabalho melhor do que as demais

 

Trata-se evidentemente de um artigo sobre vários estudos feitos nos Estados Unidos, vale o que vale, mas não deixa de ser interessante olhar para as várias conclusões, vejamos:

 

-apresentam muito mais solidariedade e proximidade emocional entre pais e filhos

 

-A maioria parecia viver vidas plenas caracterizadas por uma direcção moral e um sentido de que a vida possui um propósito.

 

-têm seus próprios valores morais e preceitos éticos, entre eles a solução racional de conflitos, autonomia pessoal, livre-pensamento, rejeição de punições corporais, um espírito de questionar tudo e, principalmente, empatia

 

- tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados. Este é um imperativo ético antigo e universal, e não há nada nele que force a crença no sobrenatural

 

-Quando estes adolescentes se tornam adultos, eles tendem a apresentar menos racismo que seus colegas religiosos

 

-Os adultos seculares têm uma tendência maior a compreender e aceitar a ciência do aquecimento global, a apoiar a igualdade feminina e os direitos dos gays.

 

-No cenário internacional, países democráticos com os menores níveis de fé religiosa são também os que têm as menores taxas de crimes violentos e gozam de bem estar social relativamente alto

 

Ora, a mim parecem-me argumentos suficientes, mas muito mais importante que tudo isto é o facto de eu querer que os meus filhos aspirem a ser pessoas cultas e integras com consciência, não por medo às consequências do pecado ou aos castigos divinos e sim porque essa é a forma correcta de se viver.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:25

Combater as doenças antes da fecundação

por Jorge Soares, em 03.02.15

feto-bebe.jpg

 

Imagem do ABC

 

Era uma lei que estava em discussão no parlamento inglês desde 2008, foi aprovada hoje por larga maioria, e que vai permitir que a partir de agora possa ser aplicado um novo método de fertilização in vitro que ajudará a combater as doenças genéticas associadas às mitocôndrias. Doenças estas que são transmitidas pela via materna e que afectam uma em cada seis mil e quinhentas crianças.

 

O novo método de fertilização que foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Newcastle, permite conceber bebés utilizando material genético de três pessoas diferentes, passa pela doação de ovócitos de uma mulher com mitocôndrias saudáveis. Primeiro, retira-se do ovócito doado o seu núcleo, onde estão os cromossomas humanos, usando a técnica de microinjecção intracitoplasmática. Neste ovócito (sem o núcleo original mas com as mitocôndrias saudáveis) podem ser introduzidos o núcleo do ovócito da mãe – evitando assim transmitir as suas doenças das mitocôndrias – e o núcleo vindo do espermatozóide do pai.

 

A criança partilhará na sua maioria o material genético da mãe e do pai, mas terá também uma pequena parte da doadora e será esta parte a que irá garantir que seja saudável e não herde a doença da sua mãe.

 

Este método  irá permitir que muitos casais que evitavam ter filhos devido à presença destes genes na mulher, possam ser pais e ter filhos saudáveis.

 

Esta decisão do parlamento Inglês é histórica pois o Reino Unido torna-se no primeiro país em que este método é permitido, mas não deixou de estar envolta numa enorme polémica já que as igrejas católicas e anglicanas mostraram-se contra o que eles chamam um método que permite ter "bebés a la carte"

 

Para mim, controvérsias à parte, qualquer método que ajude a que nasçam mais crianças saudáveis e que permita a mais pessoas cumprir o seu sonho de ser pais será sempre algo muito positivo e bem vindo.

 

Jorge Soares

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publicado às 22:19

A adopção como forma de vida

por Jorge Soares, em 04.01.15

umafamiliade29.jpg

 

Imagem de aqui 

 

Eu costumo dizer que a adopção é um acto de egoísmo, não adoptamos para ajudar crianças, adoptamos pelo nosso desejo de ser pais, mas como tudo na vida há excepções, há quem vá muito mais além e o faça com o desejo puro de ajudar.

 

Jeane e Paul Briggs são um casal norte-americano e para além dos seus cinco filhos biológicos, já adoptaram mais 31 (????!!!!) crianças um pouco por todo o mundo.

 

Tudo começou em 1985 quando Jeane teve um aborto espontâneo e decidiu que queria ser família de acolhimento, confrontada com as burocracias do processo americano esteve quase a desistir, até que descobriu que num orfanato mexicano havia um menino cego e com várias lesões corporais e cerebrais devido a uma agressão.

 

Depois de ver a fotografia do menino, a família apresentou-se no orfanato disposta a adoptá-lo, e desta forma, Abraham foi a primeira de muitas outras crianças um pouco por todo o mundo que viram a sua vida mudada devido à boa vontade e desejo de amar desta peculiar família.

 

Entre as crianças adoptadas em vários países há algumas com Lábio leporino, escolioses, problemas renais, com cancro, poliomielites ou doenças cardíacas. Tudo crianças que à partida estão postas de parte entre as opções da grande maioria dos candidatos à adopção e é precisamente isso que faz correr Jeanne e Paul, o saber que se não forem eles, dificilmente alguma destas crianças terá alguma vez  algo próximo a uma família.

 

É evidente que uma família deste tamanho custa muito dinheiro a albergar e a manter, mas com a ajuda da empresa em que Paul trabalha  e com muito amor e carinho, tudo é possível, incluindo a adopção de mais crianças, e há dois gémeos do Gana que foram abandonados à nascença que já estão a caminho dos Estados Unidos.

 

Ler as noticias sobre esta família e escrever este post fizeram-me sentir mesmo pequenino, 35 filhos.... e pensar que cá em casa dificilmente damos conta de três....

 

Jorge Soares

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publicado às 21:33

Então e o superior interesse das crianças?

por Jorge Soares, em 10.12.14

criança.png

 

Imagem do Sol

 

Acho que já o disse antes em algum post, não gosto da expressão "Superior interesse da criança", não gosto porque na maior parte dos casos ela é usada na conveniência dos adultos e não na verdadeira defesa das crianças... mas hoje lembrei-me dela, talvez porque neste caso ninguém a utilizou.

 

O caso é simples de explicar, há dois ou três dias a GNR mandou parar um carro (não sei em que circunstâncias) e verificou que lá dentro iam uma mãe e 4 filhos, dois deles ainda bebes e os outros dois de 5 e oito anos. Após os devidos testes verificou-se que a senhora ia a conduzir com uma taxa de álcool de 2.27, a seguir parou outro carro onde ia o pai das crianças, após os testes verificou-se que o senhor ia a conduzir  com uma taxa de álcool de 1.4. Como o limite é 0.8, e estavam ambos embriagados, as crianças forma encaminhadas para um centro de acolhimento.

 

Li algures que a família já estaria sinalizada pela comissão de protecção de menores tendo sido aberto um processo de promoção e protecção que foi entregue em Novembro, no Tribunal de Família e Menores da Comarca de Aveiro. Entretanto, após mais este episódio, foi-lhes sugerido que deixassem as crianças institucionalizadas até que eles resolvessem os seus problemas e organizassem a sua vida, coisa que não aceitaram e portanto, após a cura da bebedeira, estas foram-lhes entregues.

 

Vamos supor que não tinha aparecido a GNR e a senhora se tinha estampado contra uma parede com as crianças dentro do carro.... de quem seria a responsabilidade?... E se amanhã a senhora voltar a beber e voltar a conduzir ébria com as crianças dentro do carro e se estampar?... não vamos todos bater em quem lhe devolveu as crianças?

 

Eu sei que são muitos ses, mas será que neste caso o superior interesse daquelas 4 crianças não seria mesmo estarem institucionalizadas?

 

Mas sabem o que mais me irrita, é ler alguns comentários às noticias e ver como há tanta gente que acha que as crianças estão bem mesmo é com os pais... mesmo que estes bebam uns copos de vez em quando... até porque há quem beba muito mais e se aguente em pé.

 

Voltando à frase do titulo do post, qual acham que será mesmo o superior interesse destas 4 crianças? será ficar com pais que ébrios conduzem carros com eles lá dentro ou estar  institucionalizados para sua protecção?

 

Jorge Soares

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publicado às 23:27

cozinheiro.jpg

 

Imagem de aqui

 

Hoje tinha pensado falar daquele artigo sobre as dificuldades de aprendizagem, sobre escolas públicas e privadas e sobre a nossa experiência pessoal... a meio da tarde a modos que me caiu o céu na cabeça e decidi que nem ia buscar o N. à escola.. há alturas que o melhor mesmo é meter terra de por meio...

 

Vim para casa, a minha meia laranja foi levar a mais pequena à ginástica e ficou por lá, deixou-me a incumbência de fazer o jantar...

- Mas faço o quê?

-O que encontrares!

 

E foi isso que fiz, passei a hora e meia seguinte às voltas com os tachos e com o fogão.. quando elas voltaram para casa estava pronto a servir... encontrei carne picada, chuchus, courgettes, cenouras, feijão vermelho ... míscaros.... arranjei também alhos, cebolas roxas.. brancas, pimento vermelho,.. amarelo.. verde... Run

 

O resultado foi um jantar de três pratos:

 

Sopa de chuchu com courgette e cenoura

 

Chili com carne

 

Míscaros salteados em azeite 

 

Tudo acompanhado por arroz branco

 

A sopa estava especialmente cremosa e deliciosa.. o chili podia ter mais picante, mas depois o resto da família não comia..

 

Não sei porque dizem que cozinhar é uma chatice, eu cozinho todos os dias, mas há muito que não estava assim em conversa animada com os ingredientes e os tachos sem querer saber do resto do mundo... e sabem uma coisa? não percebo porque é que há tanta gente que odeia cozinhar.. é óptimo para o stress.

 

Quanto ao resto.. um dia de cada vez.. amanhã é outro dia.

 

Jorge Soares

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publicado às 23:32

Imagem retirada de aqui

 

Passou quase um mês desde que escrevi este post em que para além de confessar que sim, eu gritava aos meus filhos, me comprometia em deixar de o fazer. Deixei de contar os dias quando ia em 12 ou 13, um dia esqueci-me de escrever a conta no post do dia, depois houve dois ou três dias em que as coisas correram tão mal que estive prestes a perder a calma , a voltar ao passado e aos gritos, quando dei por mim já nem sabia quando tinha começado.

 

Não foi um mês fácil, pelo contrário, foi um mês muito difícil, mesmo... só houve duas vezes em que estive prestes a gritar, mas houve algumas mais em que  me apetecia chorar... ou fugir.

 

Ter um filho hiperactivo não é nada fácil, ter um filho hiperactivo e impulsivo que pela enésima vez mudou de escola e passou de uma onde havia uma balda total para uma onde há um controlo férreo e até algum exagero na forma como se avaliam as coisas, não foi mau, foi mesmo muito mau... tão mau que já dei por mim mais que uma vez a pensar se vale mesmo a pena o esforço, até financeiro, que estamos a fazer, se não seria mais fácil enfrentar a escola pública com todos os seus problemas.

 

Durante este mês mudei completamente a forma como me relaciono com o meu filho, não há gritos, há muitas e longas conversas, muitas mesmo, quando não lhe estou a explicar o porquê dos castigos, estou a repetir as mesmas coisas uma e outra vez.... isto parece estúpido, mas acho que de tanto repetir algo deve ficar naquela cabecinha de adolescente que para além de esquecer tudo muito rapidamente devido à sua doença,  acha que sabe tudo e que eu sou um velho chato.

 

Há evidentemente um clima diferente cá em casa, curiosamente já estive mais perto de gritar com a mais velha, com a qual raramente gritava, que com ele, mas ela tem duas contras, é adolescente e mulher. Isso significa que para além da natural sobranceria de adolescente, há sempre aquela fase do mês em que o mau feitio,  o nariz empinado e a costela de Salazar, se multiplicam por 10... cada vez me pergunto mais como é que ela pode ser tão igual à mãe... os genes são mesmo lixados.

 

Quem conseguiu aguentar um mês pode perfeitamente aguentar um ano, se eu consegui com tudo o que aconteceu durante este tempo, de certeza que não volto a gritar, pelo menos com os meus filhos, (com os meus colegas de trabalho já não tenho tanta certeza...e com algumas outras pessoas não sei não),...mas também tenho a certeza que neste mês ganhei muitos cabelos brancos, e vou ganhar muitos mais, ao gritar aliviava a minha tensão, agora não grito, mas passei a seguir a vida deles de outra forma e tenho muita mais noção de tudo o que acontece... e acreditem em mim, com uma criança como esta não é nada fácil.

 

Mas como disse no primeiro dia, é um dia de cada vez e um problema de cada vez, na vida a única coisa que não tem solução é morte, e não será de certeza um adolescente problemático e um colégio que me irão vencer, até porque ele crescer mais tarde ou mais cedo vai crescer... e acabar a escola alguma vez... já não tenho é tanta certeza que até lá não me internam algures.

 

Jorge Soares

 

PS:O próximo que me fizer aparecer no Facebook  aquela imagem estúpida e que diz "esta escola transmite conhecimentos, as crianças devem vir educadas de casa" vai ser insultado de cima a baixo... ou passar uma temporada com ele. As crianças não são todas iguais e não devem ser tratadas da mesma forma nem em casa nem nas escolas.

 

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publicado às 23:08


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